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Australis Oil and Gas. Mito ou Realidade?

No dia 31 de Outubro, a nova e única petrolífera activa no terreno em Portugal: a Australis Oil and Gas, convidou presidentes de câmara e algumas ONG ambientalistas a actuar na região para apresentar os dois projectos de prospeção de gás natural na Zona Oeste e Zona centro. Mais uma vez o cidadão comum ficou de fora das informações sobre algo que o vai afectar directamente. Alguns activistas e cidadãos activos compareceram em frente ao Hotel onde se efetuou o encontro, e alguns grupos contra a exploração de gás e petróleo em Portugal conseguiram representar-se com um elemento na apresentação…

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Ficou no ar um evento aberto à população para o final do mês… a ver!

Mas o que é? Quem é a Australis Oil and Gas? O que deixaram para trás estes profissionais, por onde trabalharam?

Como estão hoje as áreas onde tudo foi “realizado dentro das leis e utilizando as melhores práticas na indústria?”

AUSTRALIS OIL AND GAS

A Australis é um grupo de investidores na indústria petrolífera, que utiliza empréstimos bancários, política e “problemas humanitários/desenvolvimento” como modo de ganhar dinheiro. No mundo do comércio livre e na livre circulação física e burocrática de empresas, sustentam-se deixando quintas, aldeias, povos sem possibilidade de o fazer. Para se perceber como podem deixar o Oeste/Centro de Portugal, conheçam a área, os impactos e o que foi deixado para trás pelos dirigentes da Australis, ao venderem os activos da Aurora Oil and Gas e ao ajudar na transição da indústria petrolífera para o séc XXI. O seu trabalho não é melhorar a vida social local, mas sim trabalhar para defender a indústria petrolífera a indústria de energia e seus interesses.

A Australis Oil and Gas foi criada em 2014 por antigos diretores da Aurora Oil and Gas Limited . Em 2016 mudou o nome para Australis Europe Pty Ltd (APL).

Em 2015 – ano da assinatura das concessões Pombal e Batalha entre a Australis e o Governo Português- vária empresas petrolíferas abandonavam os seus trabalhos na TMS (Tuscaloosa Marine Shale), concentrando-se noutros lugares do EUA ou no mundo devido à queda do preço do crude de 100 dólares para 45 dólares o barril na bolsa americana, que ponha o preço do Gás de Xisto (Shale Gas) e do Oil Shale acerca de 70 dólares por barril equivalente, muito abaixo dos 85 dólares calculados pelas empresas como preço mínimo para arriscar investimento. Todas esperam a subida do preço do crude para voltar aos trabalhos de perfuração. A Australis veio para Portugal. Em Portugal tem um contracto de concessão por 8 anos iniciado em 2015 com uma extensão de 620.000 acres contínuos divididos em 2 concessões com os nomes de Pombal e Batalha.

 

Deposito de Gás de Xisto na Tuscaloosa Marine ShaleLuisiana e Missipipi

A Australis está no centro da TMS, a ultima bacia de oil shale a emergir nos EUA, comparada à Eagle Ford Shale no Texas. A empresa detêm 110.000 net acres, tornando-a a maior detentora de área concessionada e portanto a maior produtora, com 31 poços de produção geradores de riqueza. Estes 31 poços fazem parte dos 80 poços horizontais perfurados para delinear a área mais rica. Dos 31 poços da Australis, os mais recentes foram perfurados na melhor área em 2014, essa área é partilhada por 50 poços, alguns de outras empresas. Em 2016 e 2017 a Australis continuava a realizar aquisições. Em Setembro de 2018 dos 110.000 net acres, só 28,500 estavam definidos para produção, estando os restantes 81,500 ainda sem desenvolvimento.

PARA TRÁS: Resultado de imagem para eagle ford shale fracking impact

Aurora Oil and Gas

Vendida à canadiana Baytex Energy Corp por 1,8 biliões de dólares, que comprou até a divida de mais de 700.000 dólares da Aurora, com o objetivo de poder trabalhar no Sugarkane Field na formação Eagle Ford Shale, Texas. O negócio foi agraciado por James Bullen do banco Merril Lynch, adquirido pelo Banco da América em 2008. Foi a Segunda maior aquisição da Baytex nos seus 20 anos de história e também um pé de entrada no emergente negócio do petróleo leve (Light oil) da Bakken Shalefield em North Dakota. A Baytex terá o apoio financeiro do Scotiab Bank e da RBC Capital markets, e a Australis é aconselhada pelo Credit Suisse e a Goldman Sachs.

Eagle Ford Shale

A Eagle Ford Shale é mencionada várias vezes, como um produto de venda e valor comercial, com orgulho financeiro pelas empresas. Mas o que deixam para trás? Nos locais de exploração!

A Eagle Ford Shale tem 644 km de comprimento e 80 km de largura de rocha sedimentar geradora de hidrocarbonetos. Já foram furados mais de 7.000 poços de gás e petróleo desde 2008 com mais 5,500 aprovados. As concessões em Portugal tem 2,5091km2.

Considerado pela indústria como a “maior área de desenvolvimento da economia do mundo”, é uma das zonas mais pobres dos EUA. Jim Morris do The Center for Public Integrity defende que a razão pela qual a indústria petrolífera faz o que lhe apetece, é porque este tipo de desenvolvimento não é realizado perto das grandes cidades. É realizado em zonas rurais, em lugares que muita gente não vai, nem quer ir.

Quem pode não lá ir, mas investe, são 42 dos 181 legisladores texanos, responsáveis pelas leis de exploração de petróleo e gás, com interesses financeiros directos na exploração da Eagle Ford Shale no valor de 10 milhões de dólares, segundo um estudo de Dave Hasemyer do InsideClimate News

Lynn e Shelby Buehring

Quem lá vive são pessoas como Lynn Buehring e o seu marido Shelby. Lynn vive com o seu marido na casa onde nasceu e onde queria viver em paz na sua reforma, rodeada por um mundo calmo só quebrado por uma tempestade ocasional. Era assim em Karnes County, sul do Texas. Mas o plano está estragado porque a sua casa fica no epicentro de uma das maiores e ainda pouco publicitada área de boom de gás e petróleo, com mais de 50 poços perfurados a menos de 3,5 km de sua casa, os seus momentos sentados no alpendre chegaram ao fim.

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Acredito que se são anti petróleo e anti gás, são anti-texas! Harvey Hilderbran, Republicano representante Estatal do Texas.

Depois de 23 anos a viver no sul do Texas, o casal pensa procurar um novo lugar para viver, longe dos fumos, cheiros e tráfego do boom da Eagle Ford Shale. Uma medida de ultimo recurso, ditada pela deterioração da sua saúde e das tentativas falhadas de obter ajuda dos reguladores e instituições estatais.

Não somos anti perfuração. A minha queixa é que precisam de o fazer de modo responsável… está a causar muitos problemas médicos, e não posso aceitar. “ Lynn – 58anos

Os sintomas dos Buehrings começaram quando as torres de perfuração chegaram em 2011. A sua asma (de Lynn) piorou, passou de uma coisa sazonal fácil de controlar. ao ponto de necessitar de duas bombas inaladoras e frequente uso de uma máquina de respirar. Desenvolveu dores de peito, enjoos, fadiga constante e extrema sensibilidade aos cheiros. Em 2014 existiam 57 poços e nove instalações de processamento num raio de 3km da casa do casal. Estas instalações tem autorização do estado para emitir centenas de toneladas de poluentes do ar por ano, incluindo benzeno, Metanal e Sulfeto de hidrogênio.

Amber, Fred Lyssy, Mirabelle and Brothers

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Amber e Fred Lyssy e os seus e filhxs eram donos de uma quinta orgânica com 564 acres perto de Florescille, Texas. Empresas de Fracking colocaram poços de extração mesmos ao lado da cerca da sua quinta. Com a indústria petrolífera como vizinha o seu sonho de vida saudável, calmo e com futuro para as gerações futuras acabaram, devido à contaminação do ar e da água.

Para saberes mais sobre Fracking e Eagle Ford Shale podes ver este documentário realizado depois de 8 meses de investigação e entrevistas (as possíveis) Fracking the Eagle Ford Shale: Big Oil and Bad Air on the Texas Prairie

Bakken Formation

Formação Rochosa com 520.000 km2 no sobsolo de partes de Montana, North Dakota, Saskatchewan e Manitoba. A aplicação da Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal causou o boom da produção na Bakken Formation em 2000. Em 2010 a produção de petróleo era tanta que os gasodutos não chegavam, uma das soluções era enviar por comboio, o que trouxe muita preocupação devido à alta volatilidade dos produtos transportados, principalmente depois do acidente em 2013, conhecido como Lac- Mégantic rail disaster, quando um comboio que transportava petróleo de Bakken, North Dakota para a refinaria Irving Oil Refinery, explodiu no centro da cidade e matou 47 pessoas.

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Viewfield Oil Field

Quando se descobriu o Viewfield Oil Field em Saskatchewan em 2004, a técnica de Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal foram utilizadas massivamente, em 2012 retirava das rochas 11.000m3 de petróleo por dia. Na Bakken Formation em Manibota retiram-se cerca de 300m3 por dia.

North Dakota

Tornou-se o segundo maior produtor de petróleo dos EUA nos últimos 10 anos depois do fracking boom na Bakken Shale. Já existem dezenas de milhares de oleodutos em North Dakota e esperam-se a construção de mais 36.000. Os oleodutos também podem transportar gás e águas tóxicas retiradas da perfuração e exploração.

Em 2015 um oleoduto esteve até ser descoberto, cerca de 3 meses, a verter milhões de litros de gallons- 1 gallon são 3,7 litros- de água tóxica em Blacktail Creek, a poucas milhas de Williston, North Dakota. Muita da qual foi parar aos rios Little Muddy e Missouri. O oleoduto não tinha 2 anos.

Dakota Acess Pipeline (DAPL)

Tambem conhecido como Bakken pipeline é um oleoduto com 1,886km que se inicia na Bakken formation (local de exploração) até a um terminal de petróleo perto de Patoka, Illinois,passando pelo South Dakota e Iowa. O projecto bilionário foi apresentado em 2014, e a sua construção foi iniciada em 2016 e completado em 2017.

#NODAPL

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Em 2016 os indígenas locais iniciaram uma reação contra a invasão de North Dakota pela Indústria petrolífera tentando parar a construção do DAPL e os planos da Energy Transfer Partners, empresa responsável pelo projecto.

O projecto ameaça os rios Missouri e Missipipi e o Lake Oahe perto da Standing Rock Indian Reservation. A Nativa americana, LaDonna Brave Bull Allard, anciã Sioux organizou um acampamento pela preservação cultural e resistência espiritual ao oleoduto, conhecido como Sacred Stone Camp. Milhares de pessoas concentraram-se durante todo o Verão no local. Foi organizado outro campo : Acampamento Očhéthi Šakówiŋ- Nome na língua materna para Great Sioux Nation ou Seven Fires Council. Membros tribais que participaram neste acampamento também estiveram na oposição ao Keystone XL.

Junto a estes acampamentos criou-se também o grupo de jovens indígenas: Rezpect Our Water e o grupo: The International Indigenous Youth Council.

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O acampamento foi decidido depois de 2 anos de burocracias e reuniões que não pararam as máquinas que apareceram em grande em 2016 para realizar o seu trabalho rejeitado pelas comunidades indígenas desde o inicio. Pode não ter parado o oleoduto, mas parou a passividade em milhares de pessoas.

Sugarkane field

Em 2010 a Netherland, Sewell & Associates, inc. concluiu um estudo que aprovava a avaliação das reservas de gás e petróleo provadas realizada pela Aurora Oil and Gas.

Para onde vai o Gás?

A Corpus Christi Liquefaction, uma subsidiaria da Chenier Energy, iniciou em 2015 a construção da infraestrutura Christy Liquefaction (CCL) no Texas, a 60km da Eagle Ford Shale, para o tratamento de gás para exportação, como GNL (Gás Natural Liquefeito) para a Europa.

Os clientes da Chenier Energy são a: Enel Group, Iberdrola, PT Pertamina (Persero), Endesa, Woodside Energy Trading Singapura, Gás Natural Fenosa, Central EL Campesino, Électricité de France (EDF), Energias de Portugal (EDP). Os contractos são válidos por 20 anos, com possível extensão por 10 anos. O fornecimento será assegurado pelo Kinder Morgan Texas Pipeline e Tenesse Gas Pipeline (TGP).

Voltando à Australis!

O único impacto previsto pela empresa é o barulho e o tráfego de camiões.

Segundo a própria num documento distribuído a municípios e ONG num encontro promovido pela Australis “haverá alguns curtos períodos de tráfego de camiões (…)”

Deixamos aqui o exemplo de Eagle Ford.

Transportation Impacts of Fracking in the Eagle Ford Shale Development in Rural South Texas: Perceptions of Local Government Officials

http://journals.brandonu.ca/jrcd/article/view/1181

Este estudo explora o impacto das infraestruturas de transporte e assuntos de transporte associados com o boom do petróleo e gás na região rural de Eagle Ford. Recolhendo dados sobre acidentes, apresentamos uma descrição do impacto do fracking nas áreas abrangidas no projecto de exploração de não convencionais. Os desastres entre 2009-2013 aumentaram 26%. Mortes e ferimentos graves aumentaram 49%. Os municípios estão com grandes dificuldades em resolver o aumento do sistema de transporte devido ao fracking incluindo congestionamentos, deterioramento das estradas e aumento de custo de manutenção.

No  documento partilhado com os participantes no encontro dia 31 de Outubro,a Australis descreve as concessões em vários pontos.

No ponto 2 sobre Recursos de Gás apresenta números:

  • 13 mil milhões m3de gás – este nr é uma estimativa não comprovada. Uma estimativa como a do PIB nacional em 2020. Um numero para as Bolsas econômicas, investidores de alto risco, bancos e debate político.
  • 6.15 mil milhões m3 em 2018 era o valor estimado de gás utilizado em Portugal. Estas duas concessões dizem oferecer 2 anos de gás a Portugal.
  • Em Direção à Independência Energética” – Sendo que estas duas estimativas das reservas só dariam para dois anos. Para Portugal ser independente energeticamente por 10 anos quantas concessões necessitaríamos?
    • Sendo Portugal parte da União Europeia, e sendo o projecto de independência energética um projecto europeu, qual a percentagem degás que Portugal vai enviar para outros países Europeus? Portugal tem o dever de o guardar para emergências energéticas ou econômicas Europeias?
    • A Gás poderá servir para “baixar a divida” à Troika?
    • Qual a estimativa para o preço do gás ao cidadão comum?

Ponto 3

Plano de operações:

  • “Perfurar e testar as ocorrências de gás na Batalha com um poço horizontal”

    • Pela primeira vez a discussão se é petróleo ou gás está inequivocamente desfeita no documento apresentado pela Australis que no inicio do ano (2018) nos documentos para estudo de impacto ambiental do furo de Aljubarrota falava em Hidrocarbonetos, deixando a discussão se seria gás ou petróleo.
    • A outra era se iriam utilizar a técnica de Fracturação Hidráulica (Fracking). Continuam a dizer que não vão usar Fracturação Hidráulica. Hoje talvez, e no futuro?
      • A Australis fala em “perfurar e testar as ocorrências de gás com um poço horizontal de pequena extensão”. O poço horizontal é o primeiro passo para a fracturação hidráulica. O segundo é injectar toneladas de areia e milhares de litros de água a alta pressão para fazer estalar a rocha. E o terceiro passo é injectar químicos para libertar e facilitar o fluir do gás pelo poço.
      • Existe o plano de introduzir os seguintes passos nas fases seguintes?
      • Se não. Qual a intenção do poço horizontal? Só utilizado quando é necessária a Fracturação Hidraulica.
      • O que é um poço horizontal de pequena e grande extensão?
      • Qual a profundidade a que pretendem ir na formação de Lemede, Leiria, na concessão Pombal?
  • Serão desenvolvidas instalações de produção de gás em conformidade com a lei e o aprovado pelo governo”.
    • Qual a diferença das instalações de produção e das de prospecção?
    • Em Portugal as únicas reservas de gás e petróleo reconhecidas como economicamente viáveis são de fontes não convencionais como o Tigh Oil (petróleo leve) e Shale Gas ( Gás de Xisto). Ambos necessitam de técnicas não convencionais de extração como o Fracking, para serem economicamente atraentes.Que leis existem sobre o Fracking em Portugal?
    • Infraestruturas como gasodutos, estações de compressão, lagoas a céu aberto ou tanques de condensação para as águas contaminadas, locais de tratamento de químicos perigosos são considerados “instalações de produção” ?

Australis e a Comunidade

Ponto 1

  • Criação de emprego
  • Dados resumidos depois de se ver o documentário Gaswork
    • No dia a dia de um poço comum de Fracking cerca de 170 trabalhadores estão expostos a químicos nocivos. A morte no trabalho é 7 vezes mais alta que para outros trabalhadores industriais
    • A exposição dos motoristas a compostos orgânicos voláteis durante o transporte sem as condições de segurança, causa acidentes.
    • Os trabalhadores sofrem de dores no peito, irritações dolorosas na pele e desordens neurológicas.
    • 47% dos trabalhadores em 11 poços estavam expostos a níveis de pó fino de silício 10 vezes mais do que o nível aceite
    • Muitos sofrem de cancro do pulmão por inalar areia fina utilizada como probante no Fracking
    • 80% dos trabalhadores estão expostos a níveis de benzeno muito acima das 0.1 partes por milhão

Ponto 2

Estudo de Impacte Ambiental (EIA)

  • O primeiro estudo para o furo de Aljubarrota foi recusado pela Agencia Portuguesa do Ambiente à poucos meses atrás.
  • A Australis não cumpriu com o compromisso de diálogo pró-activo e aberto com a comunidade, ao avançar com 3 EIA em um ano e nunca ter realizado uma secção com as populações locais desde 2015…
  • Se a Australis submeteu os trabalhos para os dois furos para um EIA, onde está a participação publica? Onde pode o cidadão comum consultá-lo?

Ponto 4

Operadora Responsável

“Supervisão de trabalhos de pesquisa e exploração em países como África, China, Filipinas e EUA.”

  • Nos anos 80 começou-se a divulgar massivamente o impacto das petrolíferas nas comunidades locais.
    • Em África, a violação dos direitos humanos é tradição secular. Nos anos 90, a exploração de petróleo provocou a morte de lideres tribais e violência sobre as tribos na Nigéria
    • Em 1990 os indígenas criaram a MOSOP ( The Movement for Survival of Ogoni People) para se defenderem da SPDC (Shell Petroleum Development Company).
    • Iniciaram-se massivos protestos contra a poluição e pobreza. O exercito reagiu com extrema violência.
    • Em 1995 o governo Nigeriano executa, por enforcamento 9 activistas Ogoni, incluindo Ken Saro-Wiwa

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  • China
    • A pegada ecológica da China aumentou dramaticamente nos últimos 15 anos e ultrapassou a dos EUA. A China é agora a nação com a maior pegada ecológica do mundo.
  • Filipinas
    • Em 2006 um derrame perto de Nueva Valencia, em Guimaras, Filipinas conhecido como MT Solar I provocou várias doenças em 25 adultos e 4 crianças devido à elevada quantidade de sulfeto de hidrogénio no ar excedendo o recomendado pela US- Environmental Protection Agency Provisional Remediation Goal (EPA-PRG).
    • 40.000 pessoas dependentes do mar para sustento ficaram sem recursos devido ao derrame
    • Em 2013 a Manila Bay nas Filipinas foi contaminada com um derrame de 500 mil litros de diesel, derramado na via marítima mais movimentada das águas filipinas.
    • Várias pessoas foram parar ao hospital devido ao fumo libertado pela mancha diesel.
    • Foram contaminados 20 km de costa
    • “O diesel não é persistente e irá dispersar facilmente, portanto não existe perigo para o ambiente e comunidade local.” Commodore Joel Garcia

EUA

Titulo de artigo da revista Times; Março 2018:

A ‘Major Second Wave’ of U.S. Fracking Is About to Be Unlea

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Foto: Área de Fracking na Pensilvânia. (cada área mais clara é um poço)

  • A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que a produção de petróleo nos EUA dá para cobrir 80% do mercado global petrolífero nos próximos 3 anos. Espera-se que a produção de petróleo nos EUA aumente 30% (17 milhões de barril por dia) em 2023, com o aumento da produção através de fracking no Oeste Texano
  • Donald Trump como presidente disse ser o salvador da industria do petróleo e do gás. E cedeu terras federais para a exploração do gás e petróleo.
  • O presidente Obama apresentou a estratégia “all-of-the-above” para o sec XXI para o desenvolvimento de toda a fonte de energia made in america
  • Sob a sua política “all of the above”e depois do Deepwater Horizon Spill, Obama aprovou um nr recorde de plataformas offshore. Disse “ mais trabalho de extração de gás e petróleo que no resto do mundo todo junto.”
  • Cedeu terras publicas para a exploração de gás e petróleo
  • Aprovou perfurações no Ártico
  • E aprovou uma parte do Keystone XL para transportar as areias betuminosas canadianas (Tar Sands)

Numa Shale Revolution mundial, nenhum país é uma ilha”. “Todos serão afectados”. Fatih Birol, director Agência Internacional de Energia.

Nós pouco podemos fazer para alterar o nosso modo de vida, ou a nossa dependência da industria petrolífera , mas podemos e devemos enfrentar o avanço das fontes de energia fóssil não convencional para que as gerações do séc XXI não tenham de coexistir com a industria petrolífera e todos os problemas sociais intrínsecos. E para tal não é só impedir poços perto de nós, mas impedir perto de toda e qualquer família pelo mundo! Se hoje podemos assistir a um poço de gás ou petróleo ao lado de nossa casa, ficar com a água contaminada e o que respiramos nocivo é porque ignorámos os apelos de outras famílias durante décadas, transformado em silencio pelo nosso conforto, bem estar e liberdade.

Não é só o Ar que é de todos!

A Solidariedade, a Natureza e o ser filho ou filha também…!

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C.M (Comunicação da Manha)

C.M.

Comunicação da Manha

As petrolíferas sabendo que politicamente pouca ou nenhuma pressão necessitam de fazer, e legislativamente e legalmente será preciso muito e longo trabalho de iniciativas populares ou ONG’s para as parar, nesta sua nova tentativa de encontrar uma forma viável de extrair o gás natural encontrado vira-se para aqueles que podem na verdade conseguir parar os trabalhos no local ou atrasa-los de modo a criar dificuldades econômicas que podem levar os acionistas a pensar duas vezes em continuar a investir, a população local… A Mohave Oil and Gas que esteve em Portugal desde 1993 abriu falência (2012) ao não conseguir encontra um modo economicamente viável para a extração do gás natural, o que não foi grande problema para um dos seus cabecilhas  que hoje é membro da Australis Oil and Gas (criada em 2014) como responsável pelas concessões em Portugal, e assim são 20 anos a viver de fundos, empréstimos bancários e apoios estatais para tentar manter a indústria petrolífera como a maior fornecedora de combustível para o séc. XXI, ludibriando os portugueses.

O artigo do Correio da Manhã é um excelente exemplo dos passos escolhidos pelas empresas para proteger o seu investimento, a desinformação e falta de conhecimento das populações locais… Este não é o primeiro artigo do gênero, desde 2007 que se podem encontrar vários em jornais locais, nunca falando do impacto deste tipo de extração se as empresas levarem a sua avante.

Deixamos um exemplo  do que pensa localmente sobre as concessões no oeste. neste caso partilhado pela CIM Oeste:

Região de Excelência, Projecto de Futuro

Clipping de Notícias Regionais

A necessidade econômica é sempre a jogada com hipóteses de mais sucesso numa população empobrecida que está a pagar uma divida externa e que vê o valor dos produtos a subir e o valor das suas posses a descer. Se o Estado aceita uma esmola pelas concessões, porque não pode o cidadão comum fazer o mesmo?

WALENTA-portugal

Não nos podemos esquecer que a Australis vem armada com o conhecimento de 20 anos de estudos sobre a área, sobre as pessoas e suas necessidades econômicas, com um lobbing político bem forte, com o apoio da Partex Oil and Gas, uma das maiores lobistas da exploração de petróleo em Portugal, e principalmente com a dependência social e econômica que o mundo civilizado têm de fontes de energia intensivas como as fontes de energia fóssil ou nuclear.

Passamos ao artigo:

O título diz logo da intenção deste trabalho encomendado, Petróleo em letras gordas. Há muito que no Oeste se procura extrair Gás Natural, mas a suja técnica é controversa devido aos seus impactos já conhecidos, portanto é melhor manter a discussão longe de gás natural ou Fracking… Basta olhar aos artigos e aos trabalhos da Mohave Oil and Gas, ou para doutoramentos em universidades portuguesas para se perceber qual a intenção… O truque das letras fortes que chama atenção e depois as pequenas que quase ninguém lê e que normalmente trás grandes problemas…

Prospecção e pesquisa de petróleo (ENMC):

“Nota: Foi estabelecido um grupo de trabalho para preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as atividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.”

Quem faz parte a Comissão?

Quem faz parte do grupo de trabalho?

Mais segredos?

Do artigo em Itálico:

“Mas as pretensões esbarraram nas características do terreno: a rocha porosa impede que o gás se concentre numa câmara isolada, obrigando a múltiplos furos e retirando a pressão necessária para que o material ascenda”

Depois o artigo em si é uma “invasão” aos direitos dos habitantes locais à verdade. Utilizar o termo invasão como bom, é no mínimo… Tivemos uma padeira que ajudou a localidade a livrar-se da invasão e agora temos A Padeirinha que quer ser invadida.

Forno

 

Utilizando um rendimento momentâneo que ajudou poucos, e deixou a localidade na mesma como confirma uma das testemunhas: “Faz falta alguma coisa para animar”. A implementação da indústria do petrolífero na localidade trará tudo menos coisas para animar, e esta afirmação é confirmada visualmente e cientificamente durante os 10 anos da indústria nos EUA, passando pelo México, Perú, Canadá, Argentina, Alemanha, Polônia, Romênia, etc…

A França proibiu o Fracking, Na Polônia, Alemanha, Inglaterra, México, Argentina, Brasil, Burgos, Cantábria, País Basco a resistência está activa, em Portugal continuamos a olhar para o lado… Esperando que alguma ONG ou grupo ambientalista nos represente nessa luta, porque eles é que sabem dessas coisas. Ou pior: Não é nada comigo! Não conseguimos fazer nada!

O Estudo do Impacte Ambiental é só um passo para deixar andar as coisas… Porque ao afirmar que na fase de prospeção não vão ser utilizadas técnicas de fracturação Hidráulica, dificilmente se encontrará um motivo suficiente grave para parar o furo de teste. Parece que gastar 6.000 m3 de água em pouco mais de um ano é considerado normal por uma especulação… Num país de seca, e numa zona de agricultura intensiva (insustentável) e de subsistência, produção animal (responsável pela libertação de Metano, dezenas de vezes mais nocivo para as alterações climáticas que o CO2), a Pergunta é: Se o furo de teste que dura cerca de ano e meio vai gastar esta água declarada, quanto vão gastar na fase de exploração? Podemos falar em milhões de litros.

Ou que a destruição de 7,500 m2 de fauna e flora não é nada de grave por que são terrenos sem utilidade. Os terrenos sem utilidade serão os contaminados pelos trabalhos e deposito do seu lixo tóxico. Danos nas estradas é o menor problema das populações locais, ou o barulho das máquinas 24 horas por dia não são nada comparado com o impacto que esta indústria trás ao nível do sobsolo, principalmente na água e do ar, principalmente no Céu…

“Da parte da população, as boas experiências com as companhias anteriores servem de cartão-de-visita.”

A boa experiência foi um lucro que lhes possibilitou um ano sem problemas económicos. Ninguém da empresa lhes falou do que veem nos campos onde trabalham o resto do ano. Ou quantas vezes foram impedidos de trabalhra devido a manifestações ou leis de proteção ambiental.

“Estado ganha 8,6 milhões em 10 anos”. Pois, mas a crise apareceu na mesma, e a Troika faz-nos pagar.

Depois fiquei siderado com a opinião de uma senhora: “Aljubarrota está parada, Não há turistas. Para nós era óptimo que (viesse a prospeção)…

logo petturismo

Infelizmente, consegue-se vender tudo: Petróleo e Turismo

Das duas uma ou vale tudo para fazer algum dinheiro, ou existe muita confusão com o impacto de uma indústria de extração de gás natural na localidade e no Turismo.

“Pode ter efeitos positivos para quem tem terrenos”.

Mais uma vez a necessidade de um povo, leva-o a pensar em vender… Em Portugal estamos a vender toda a terra, sem pensar que no futuro para a maioria da população será um pedaço de terreno que lhe permitirá ser sustentável, nas dificuldades de um país em divida e com o desemprego a descer.

“Era bom que viesse a desenvolver aqui o sítio. Isto é tudo preciso, e aquela zona (das sondagens) é um deserto.”

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Imagem de um verdadeiro deserto. A área de fracking na Pensilvânia, uma média de poço por 0,5 km

Depois das leis de proteção ambiental muitos agricultores ficaram impossibilitados de cultivar em alguns locais, outros plantaram eucalipto. Hoje muitos desses terreno depois de vários anos ao abandono do trabalho humano, e considerados desertos ou terrenos não cultiváveis, são na verdade ricos em plantas aromáticas, comestíveis e medicinais, animais  que não existem nas hortas, nem na agricultura intensiva… Na agricultura biológica comum. São sempre terrenos recuperáveis para produção de alimentos se não estiver contaminado. Esses terrenos têm na verdade conhecimento que ajudou os nossos antepassados a matar a fome, a vencer doenças e que pode voltar a ajudar as gerações futuras, se ficarem intactos… A mentalidade, que nos educam a nós, como cidadãos, faz-nos olhar para o meio natural como recurso natural, onde ou se pode tirar vantagens econômicas ou mais vale despachar… Foi assim que se criou a indústria do Eucalipto, que era só facilitismos e dinheiro fácil… e agora a manutenção é paga pelo proprietário e não por quem necessita, planta e utiliza o produto: Papel. O lixo da petrolífera quando se for embora vai ter o mesmo resultado: resolvam vocês!

Assim a empresa vê os terrenos abandonados como um local propício para a sua exploração sem grande resistência local. Mas o recurso natural que espera conseguir só a vai beneficiar a ela, e ajudar um comércio ou outro não porque se interesse pela estabilidade local mas sim porque os seus recursos humanos (os 50 trabalhadores) precisam de comer e dormir, assim ganhamos todos, e quando for necessário o apoio aos trabalhos virá da boca de quem já beneficiou, pode vir a beneficiar, tornando-os recursos humanos da indústria petrolífera sem contracto… excelente… Um pouco como o presidente dos EUA, Donald Trump, ter conseguido várias pessoas de descendência africana ao seu lado para a presidência… As consequências de um presidente como Trump são conhecidas, as suas opiniões sobre raças superiores não é escondida: America First.

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“Isto é estímulo para a economia local”

Para uma ou duas economias pessoais sim, não se pode dizer que não é verdade, mas para a economia local (seja isso o que for) é completamente mentira… poucos vão ver algum lucro, a grande parte vai sofrer as consequências, incluindo os que ganharam algum. Não são precisas teorias para o debater, existem centenas de exemplos pelo mundo. Um bom exemplo do desenvolvimento, recuperação da fauna e flora e manutenção do equipamento pode ser visto aqui bem perto, no único campo petrolífero da Península Ibérica de Ayoluengo, perto de Burgos, numa zona protegida: o impacto na economia local = 0, melhorias na vida social da população em redor e fixação de jovens = 0, restauração da zona verde=0. No que diz respeito ao turismo rural e da natureza! Iriam visitar uma zona com torres de petróleo, derrames em todo o lado, um cheiro nauseabundo constante no ar e uma paisagem natural fracturada por terrenos estéreis. Ainda hoje, em locais de exploração existem poças de água que pegam fogo devido aos trabalhos dos anos 80 e 90… e esta era convencional.

Enquanto se observam os lindos e majestosos abutres e águias como fundo temos uma indústria que torna necessário a sua proteção. Quando se toma banho nas lagoas e cascatas locais, pensamos: Que pena olhar-mos a estes locais como paraíso a visitar, e manter só necessário para usufruirmos dele, e termos deixado destruir e contaminar os que existem perto de nós, na nossa terra, onde brincámos desde pequenos.

A pequena aldeia de pescadores de Aberdeen na Escócia é bem exemplo disso. A população residente ficou na mesma ou pior, a pesca deixou de ser o meio de subsistência, os novos habitantes que não tinham ligação ao local e nem o conheciam como era, hoje nem se questionam, e tudo parece bem, mas ao nível social a pobreza aumentou e Aberdden deixou de ser um local familiar, com um bem-estar popular acima da média, para uma das localidades com a pior condição social e ambiental da Escócia.

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Sobre a consulta pública… e a Avaliação de impacte ambiental… bom, as barragens não pararam e não vão parar, nenhuma AIA as parou, nem para deixar um rio livre em Portugal. Vias rápidas, Linhas de Alta Tensão, nenhum estudo as parou… Campos de Golf e resorts ao longo da Costa e nas Serras, nenhum estudo as parou…Decerto não seria uma AIA que pararia o aeroporto ou o TGV. Como não há nenhuma AIA que consiga parar a monocultura de eucalipto ou agricultura intensiva. Para responder a toda esta burocracia, caso ela tenha resultados ao parar o projecto, existe o famoso PIN (Projecto de Interesse Nacional) que é tipo uma Lei Marcial para a proteção ambiental, portanto ou te mexes ou te F%#?$. Até hoje desde a idosa que viu o seu terreno de subsistência a ser dividido da sua casa pela auto-estrada, sem outro tipo de acesso à sua horta, até ao pescador que foi expulso da praia para proteger o paraíso para o turista. Nenhuma AIA evitou não só o problema ambiental, como social e cultural. Hoje existem praias privadas, campos de golf e resorts que invadiram locais onde os pobres e imigrantes vinham com as suas famílias aproveitar o bom do seu país a paisagem, as praias, o campo, os amigos.

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Depois todo este empreendimento em novas formas de energia fóssil faz parte do plano europeu para se tornar energeticamente independente. Todo o gás encontrado, pertence às empresas, depois às necessidades europeias (que pode ser manter o português contente com um fornecimento barato ou sem cortes nas alturas altas), pode? Nada no sobsolo nos pertence a nós cidadãos ou proprietários do terreno (Nem a  água) acima das jazidas, o país não investiu, concedeu as concessões a empresas estrangeiras e temos deveres para com a estabilidade da União Europeia, portanto o Estado e alguns locais recebem umas esmolas comparado com os lucros e dinheiro a circular entre bancos e investidores, como o exemplo que tivemos do Joe Berardo e o investimento na Mohave OIl and Gas e os bancos que faliram em Portugal que lhe exigem o pagamento de dividas.…. (Como vinha uma noticia de Berardo e as sua dividas à banca na página seguinte ao do petróleo no C.M. porque não relembrar)

Para a população local fica a divida externa, a perda de terras, da água, da saúde e com um sonho destruído ou alimentado com mentiras…

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http://resistir.info/europa/gas_israel_04abr17.html

O lobbing corporativo entrou em acção e este vai ser um ano onde vão haver bons, maus, quem sabe o que diz, quem não sabe do que fala, os histéricos, os hippies, os índios, os selvagens, inimigos da democracia, utópicos, dos arruaceiros, dos desestabilizadores, os teóricos da conspiração, os realistas, os técnicos certificados, os ambientalistas e muitos palhaços. Tudo normal desde que os trabalhos não parem.

O Correio da Manhã mais uma vez não surpreende… ao passar desinformação, dois jornalistas que ao cometeram uma gafe jornalística ou sabem mais que nós todos… Ou estão a jogar um jogo que vão perder ao falarem da ligação à rede de gasodutos nacional, não devem ter lido a AIA da Australis, porque refere várias vezes que o flaring será em princípio a tecnologia utilizada para queimar o gás extraído e aliviar pressão, e que seria melhor a possibilidade de se ligar á rede evitando assim a queima do gás, mas que precisará de autorização para tal ainda em avaliação. Porque no estudo nem está o impacto da construção do ramal de gasodutos até ao gasoduto principal.

Quem se equivocou?

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Do relatório apresentado pela Australis Oil and Gas:

“Uma das metodologias para o teste do poço será proceder à queima controlada do gás no sistema de queima em tocha instalado para o efeito (em inglês “flare”), com a consequente produção de emissões gasosas associadas à combustão e à perca do recurso.”

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A Australis pretende, se possível, utilizar como alternativa a esta metodologia a conexão à rede do Sistema Nacional de Gás Natural (SNGN), gerido pela REN, dado que um dos gasodutos da Rede Nacional passa a menos de 4 km da zona de potencial localização da parcela de sondagem. Esta alternativa é uma solução com menor impacte ambiental em termos de emissões poluentes e gases de efeito estufa, e economicamente mais razoável, caso a ligação em causa seja possível e a custos adequados”

“Não está previsto nenhum projeto de construção complementar ou associado”.

Como Ficamos?

Talvez o correio da Manha já esteja a pensar na próxima iniciativa: CM Não Esquece!

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Tentaremos dar a opinião sobre o EIA da Australis mais detalhadamente num próximo post..

Um pensamento:

O primeiro ouro negro nacional trouxe o mesmo dilema social, econômico, laboral, ético e moral e mesmo com muito caminho a percorrer deram-se passos em frente. Hoje se temos problemas laborais, foi porque alguém um dia alimentou a esperança de justiça, liberdade e auto sustentabilidade, essa semente espalhou-se e hoje lutamos por direitos laborais porque não temos quem trabalhe por nós de graça e sem compromissos sociais para com eles. Nesta “quarta” tentativa de beneficiar do ouro negro, nada de novo, só o recurso/mercadoria é outro. Se queremos uma sociedade mais justa e sustentável para as gerações futuras teremos de semear o que libertou os escravos, as mulheres, os anti fascistas: O direito à Auto- sustentabilidade- a verdadeira Liberdade…

Cidadão Terrorista? Frack Off…

Enquanto em Portugal e Zonas Autônomas da Península Ibérica concessões são encerradas, em locais como no Reino Unido, depois de passarem por todas as promessas de estudos de impacto ambiental, economia verde e abandono das concessões de energia fóssil, a luta não pára e a resposta protecionista das forças de segurança ao interesse das petrolíferas é catalogar os cidadãos anti-Fracking como terroristas!

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Ultimo mapa de concessões activas emitido pela ENMC em Novembro de 2017…

(“O Parlamento aprovou a extinção da entidade que gere as reservas estratégicas de petróleo. Mas o seu fim implica que o Estado vai ter de pagar o empréstimo de 360 milhões contraído pela ENMC”.) Jornal de negócios. Mais no link acima partilhado

Radical

Pensar na raiz dos problemas (radical) sempre foi causa para a perseguição de “elementos perigosos, que podem espalhar o terror” (terroristas) por parte da classe organizadora. Foram os radicais que libertaram os escravos, que tiraram as mulheres da cozinha, as crianças das fábricas, que mudaram as políticas… o mundo. Uma economia global, que tanta violência financia,  protegida por forças de paz, ridiculamente armadas com armas de fogo para combater forças populares radicalmente armadas de amor, não pode deixar o pensamento radical ser educado para o sec XXI?

Esta classificação de cidadãos como terroristas não é nova. Muitos grupos e indivíduos têm pago caro este tipo de perseguição e apelado a que os oiçam para que mais tarde não nos aconteça a nós… Para o sec XXI os organizadores escolhem as mesmas táticas tradicionais, e assim um Pai uma Mãe, um Filho uma Filha podem vir a ser condenados por terrorismo domestico ao tentar salvar a sua água, as suas terras, a sua cultura, a sua família. Por salvar animais de laboratórios, cidadãos do Reino Unido tiveram penas de dezenas de anos de cadeia por eco terrorismo. Por tentar salvar animais de produção através de acção directa e os consumidores humanos através de informação, vários cidadãos no Reino Unido foram e são perseguidos pelas forças de segurança. Na luta contra os transgênicos na França, desde os anos 80 que o Estado identifica grupos como eco terroristas domésticos, mas desde os anos 40 que os pensamentos eco radicais são identificados como ideias de selvagens, imorais e inimigos da civilização Francesa.

Reino Unido ou fracturado?

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Activistas  anti Fracking foram assinalados juntamente com organizações terroristas, que incluem o IRA, Al Qaeda e ISIS, num documento oficial contra terrorismo de 4 regiões do Reino Unido. Os cidadãos de York dizem estar chocados que a polícia local os identifique como ameaça terrorista, juntamente com grupos como o Kurdistan Workers Party (PKK).  Provas recolhidas por Russel Scott, investigador e activista no grupo Frack Free Yorkshire, revelou que a estratégia contra terrorista em York incluía riscos da actividade anti fracking, como grupos opositores a Israel e Palestina.

Scott , no web site SpinWatch também publicou documentos de Merseyside, Dorset e West Sussex com a mesma ligação entre extremismo doméstico e fracking.

Lars Kramm, membro do Concelho Verde (Green Council) da cidade (York City), disse:

“Estou chocado por ouvir que a oposição criativa e pacífica em York á agenda energética e climática do governo seja agora classificada como terrorismo. Há muito tempo que faço campanha com a comunidades na luta para parar o fracking, mudar para as renováveis para combater as alterações climáticas e proteger as nossas comunidades rurais da ameaça da industrialização. A maioria das pessoas e dos concelheiros em York partilham as mesmas preocupações ambientais levantadas pelos activistas e residentes locais. Os protestantes anti fracking em Yorkshire e pelo país merece apreço pelas suas acções, não acções legais e estigmatizados como terroristas”.

Grande parte de York está aberta á exploração de gás de xisto (Shale Gas). A norte a maioria do distrito Ryedale, que inclui a concessão da Third Energy em Kirby Misperton, foi concessionado. Também existem licenças que cobrem muito da East Riding of Yorkshire e partes do distrito Scarborough. A sul grandes áreas de Wakefield, Barnsley, Doncaster, Sheffield, Rotherdham e Bassetlaw foram também licenciadas para exploração de hidrocarbonetos, grande parte não convencional.

Riscos chave para York

O documento do City of York Council, publicado recentemente, descreve como as forças de segurança estão a idealizar o Prevent strategy, estratégia contra terrorista governamental.

Extraído do documento:

“ O perfil contra terrorista local para York e North Yorkshire salienta o risco chave para a localidade como prova de actividade como a presença do Kurdistan Worker’s Party na Síria, Actividade pró palestiniana/anti Israel, Sabotadores de caça (caça á raposa), libertação animal, anti fracking e actividade da extrema-direita.”

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Diz também que York é de alta prioridade no Prevent na área da força policial de North Yorkshire. As Razões apresentadas incluem a localização perto na linha de ferro, edifícios históricos, população estudante e militar e grande número de turistas.

Leigh Coghill do Frack Free York, disse:

“As pessoas que se opõem ao fracking são pessoas comuns e pacificas de todas as estruturas sociais sem alguma ligação com violência ou terrorismo”.

Ian Conlan, do grupo Frack Free Ryedale:

“ O Prevent Estrategy devia-se focar em evitar terrorismo e não expressões pacíficas de opiniões legitimas e usar do direito ao protesto.”

Desculpas de Driffield

Kirby Misperton fica cerca de 50 km de Driffield em East Yorkshire, onde a escola secundária local listou os activistas anti fracking, juntamente com o Estado islâmico. Nos conselhos de contra terrorismo para os pais.

Drill Or Drop extraiu este texto de um jornal da Driffield Scholl a Sixth Form:

“Na presente nacionalidade, o maior objetivo é prevenir que as pessoas se juntem ou suportem o chamado Estado Islâmico, afiliações e grupos relacionados. Mais localmente, as prioridades em East Riding’s são a extrema-direita, defensores dos animais e campanhas anti racking”.

Desde então. A escola e o East Riding of Yorkshire Council publicaram esta declaração:

“ Ao entregar o Prevent nas escolas, o concelho utiliza o Home Office. Isto inclui referencias a “terrorismo ambiental” e algumas pessoas perguntaram se este incluía activistas anti fracking. Em resposta, deixamos claro que não olhamos os activistas anti fracking como um grupo apropriado para ser monitorado pelo Prevent”.

Susie Cagle TransCanada Eco-Terrorism Cartoon

(Não são as duas a mesma coisa?)

O presidente da Driffield School, Diane Pickering, também emitiu um pedido de desculpas:

“O Prevent requer que as organizações publicas e as escolas estejam atentas a todas as formas de extremismo, mas do ponto de vista da escola, o movimento anti fracking é uma forma de comportamento extremo, por isso pedimos desculpa que o link tenha sido feito”. Mas documentos de outras partes do país, divulgados por Russel Scott, sugerem que outros conselhos da cidade e forças policiais mantêm o ponto de vista do Prevent.

Merseyside Special Branch

A Merseyside Police Special Branch tem uma apresentação para escolas, governadores, colégios e segurança social. Nela, as actividades anti fracking são listadas como um tipo de extremismo. São apresentados como um grupo de extrema-direita ou de extrema-esquerda, republicanos e grupos da Irlanda do Norte e activistas de libertação animal.

Russel Scott disse que a mesma apresentação é utilizada no Sefton Council.

Merseyside Police

Dorset. “Potencial para actos violentos”

Excertos da estratégia para Dorset

“Dorset não está abjudicado pelo governo como local prioritário para a instalação do Prevent; no entanto as ameaças que enfrenta a comunidade local não são diferentes daquelas que estão abrangidas pelo Prevent no restante Reino Unido”

Identifica a ameaça da radicalização do ISIS e dos extremistas da extrema-direita. Na mesma página acrescenta:

“Na Dorset rural assuntos como o Badger Cull e a possibilidade de Fracking pode também ver formas de extremismos com o potencial de actos violentos virem ser cometidos”.

Dorset Prevent strategy

Escola primária de Worthing: activistas anti Fracking listados juntamente com a Al-Qaeda

A Chesswood Junior School em Worthing, West Sussex, na sua publicação do Prevente:

Definiu radicalização “como o processo pelo qual uma pessoa vem a apoiar o terrorismo e ideologias extremistas associadas com qualquer grupo terrorista”. Depois, dá uma lista de exemplos: “Extrema Direita, Extrema Esquerda, ecologistas (Fracking), Libertação animal, IRA, Al Qaeda”.

O documento continua:

“ Este documento foi escrito para assegurar que todos os membros que trabalham na Chesswood Junior Scholl:

“reconheçam que a radicalização pode ter várias formas e em linha com grande variedade de causas, da qual, num final extremo, irá apresentar preocupações com a salva guarda da criança independentemente da causa”

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O Direito ao Fracking na Palestina!?

O Direito ao Fracking na Palestina!?

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Fracking? Nem para a minha família! Nem para nenhuma outra!

Toda a concessão para novas formas de exploração de petróleo e gás natural numa localidade são um reforço no investimento numa outra localidade em qualquer outro local do mundo. É tão importante parar os trabalhos das petrolíferas perto de nós, como aqueles que nos parecem distantes por quilômetros, cultura, raça, cor ou numero.

Os termos Globalização do Livre Mercado, TTIP e CETA tem raízes directas em ideias e acções de economistas e comerciantes nos anos 40. Estes planos só são possíveis com a rápida troca comercial internacional que as energias fósseis permitem…

A Palestina é um exemplo quando os tipos de interesse econômico dão a volta aos problemas que perturbem a sua paz em negociar.

Em janeiro de 2015; Harold Hunt, investigador economista da Texas A&M University viajou até à Palestina para falar de fracking num encontro do Palestine Rotary Club.

“Quando pela primeira vez dei uma olhada num assunto, o pensamento geral era que o Boom do Fracking iria durar pelo menos um ano ou dois. Eu estou à 3 anos e meio a estudar o assunto” Hunt (1)

Hunt quer mostrar que o fracking está só a começar, e que poderá durar várias décadas de perfurações no Texas. Falou dos preços actuais da energia, dos depósitos de minerais, custos de produção, e avanços tecnológicos.

Hunt avançou que: “Ninguém pode prever o preço do petróleo, acontece sempre algo que não se esperava. Isto são águas desconhecidas, quantos empregados, quantas licenças? Não sabemos.”

Rotary & ONU

“ O primeiro encontro da ONU teve lugar em Londres em Janeiro de 1946, num evento realizado pelo District 13, no Caxton Hall, presidida por Tom Warren presidente do Rotary Internacional que declarou que o encontro era “ uma pedra pilar num gesto de boa vontade internacional único na história dos Rotary” (…).

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Em 1942 os Rotary convocam uma conferência em Londres com o propósito de se considerar uma organização de troca cultural e educacional depois do fim da II Guerra Mundial entre nações de todo o mundo. No mesmo ano o grupo que se reuniu nesse encontro iniciou planos para a formação da UNESCO.

O Rotary Internacional lançou um documento intitulado “Essentials for na Enduring World Order”, para a interpretação da DumBart Oaks Proposal.

Na conferencia da ONU em S. Francisco no ano 1945, a delegação da ONU convidou a Rotary Internacional como consultante. Foram proeminentes no artigo 71 que declara: “O concelho social e econômico devem realizar planos sustentáveis para consulta a organizações não governamentais preocupadas com matérias da sua competência…”

Nesse mesmo ano T.A. Warren, presidente Rotary  proclamou a “United Nations Week”, que em 1953 passou a designar-se “ World Fellowship Week in Rotary Service” que hoje inclui o United Nations Day fixado pela ONU.

Vários elementos dos Rotary estiveram e estão na Assembleia Geral das nações Unidas…

Após a adoção de uma resolução pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1947, recomendando a adesão e implementação do Plano de Partilha da Palestina para substituir o Mandato Britânico, em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, o chefe-executivo da Organização Sionista Mundial e presidente da Agência Judaica para a Palestina, declarou o estabelecimento de um Estado Judeu em Eretz Israel, a ser conhecido como o Estado de Israel, uma entidade independente do controle britânico. As nações árabes vizinhas invadiram o recém-criado país no dia seguinte, em apoio aos árabes palestinos. Israel, desde então, travou várias guerras com os Estados árabes circundantes (…) Wikipédia

Este é só um exemplo, no Reino Unido o Rotary Shouthport, organizou o evento: Fracking Good Night With Quadrilha, em Outubro de 2013. O Orador foi Nick Mace, Geofisico da Quadrilla Resources.  De espantar que um Clube Rotary no Brasil em 2015, se tenha juntado á 350 org Brasil, COESUS e Não Fracking Brasil para falar dos perigos do Fracking?

O Fracking é mais um passo da indústria da energia não convencional na Palestina. As concessões offshore iniciaram-se em 2009 e 2010 e podem fazer de Israel independente e exportador de gás. Esse gás é não convencional, necessitando de técnicas como o fracking ou outro tipo de extração mais corrosiva para o meio ambiente. Mas Israel vê a sua dependência de energia vinda de outros como uma fraqueza. Estimativas em 2011 indicavam a existência de 250 milhões de barris na área.

Estes campos offshore são acrescentados ao recentemente anunciado em 2010, pela Noble Energy Inc (Texas, USA) Leviathan offshore gas no mar Mediterrâneo, com uma estimativa de 5 a 9 triliões de metros cúbicos de gás natural.  Complicações acrescidas são as reservas de gás que ficam em território marítimo palestino (reconhecido).

“Israel (Nunca) irá comprar gás à Palestina.” Ariel Sharon 2001. Israel em 2003 insurgiu-se no Tribunal Supremo quando a Autoridade da Palestina assinou contractos de 25 anos com empresas de energia Europeias, por se considerar dono do gás existente na Palestina.

Um grupo de empresas Britânicas esteve para fechar negócio com o depósito de Gaza, planeando enviar o gás por gasoduto pelo Egipto, mas em 2006 algo mudou e no ano seguinte Israel apresenta uma proposta de 4 biliões pelo gás encontrado, com 1 bilião dos lucros partilhado com a Autoridade da Palestina (PA). A proposta não foi em frente porque os militares e conselheiros de segurança avisaram que com o negócio com a PA seria um risco de segurança para o País. O grupo britânico abandonou os seus escritórios em Israel e anunciou no seu website: “… que estavam a avaliar opções para comercializar o gás”.

Em 2008 Israel voltou à carga e o Ministério das Finanças e o Ministério das Infraestruturas Internas instruíram a Israel Electric Corporation para entrar em negociações com a British Gas para a compra de gás natural da concessão britânica no offshore de Gaza, segundo informação do grupo Boycott Israel UK

“É possível que a possibilidade de uma grande transição de gás natural com os palestinos tenha sido um factor para Israel não ter lançado a operação Defensive Shield II em Gaza Moshe Yaalon Tenente General Israelita

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Juntamente com os depósitos Leviathan, os campos de gás natural representam reservas que facilmente vão preencher as necessidades elétricas internas de Israel. Dado o imput massivo de energia que requer a extração de petróleo das rochas, or ambos  serem parte integral do suplemento de energia para este massivo projecto de petróleo pesado (heavy oil), com a textura e aparência do petróleo Tar Sands (areias betuminosas) de Alberta, Canadá. Para isto o Israel Energy initiatives (IEI) anunciou em 2011 um projecto para transformar rochas em petróleo, utilizando tecnologias já utilizadas em Alberta e novas tecnologias desenvolvidas nos vastos campos petrolíferos do Colorado

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IEI é uma subsidiária da Israeli Data technologies (IDT), uma corporação que já controla a economia israelita, liderada por Howard Jonas. Neste investimento de alto risco estão também nomes como Rupert Murdoch  e o ex-vice- presidente dos EUA Dick Cheney, entre outros nomes.

Aproximadamente 15% da massa terrestre que as Nações Unidas definiram como estado de Israel está sob depósitos de gás e petróleo. Israel já exportou conhecimentos de extração de não convencionais para a Alberta, Canadá. Ormat uma firma israelita de energia renovavel, tem produtos patenteados sob o nome de Opti que fez equipa com a Nexen no Canadá para lançar uma técnica para queimar o lixo da extração para fornecimento de energia para as próprias operações de extração. Em 2011 os interesses da Opti foram vendidos á China National Offshore oil Corp.

A área proposta para a extração de oil shale dentro de território israelita fica a sudoeste de Jerusalém, numa área de pastorícia conhecida como Kibbutzes e de pequenas aldeias onde os historiadores acreditam ter existido o confronto entre David e Golias.

“ É a maior licença já algumas cedida a uma empresa privada em Israel” Chagit Tishler, residente local, membro do movimento popular Save Adullam, em oposição ao projecto piloto da IEI. A licença foi garantida através da Oil Law de 1952, que priorizava a exploração de gás e petróleo sobre as Quintas, Parques de Conservação e Locais Históricos.

O vale Elah Valley, que pode ser destruído completamente foi ocupado depois da Nakba pelos pelos judeus norte africanos Mizrahi. Hoje é local de produção de comida e vinho israelita. A IEI planeia escavar quilómetros de valas através de quintas para expor as rochas, que serão aquecidas por processos mecânicos até o querosene e outras matérias orgânicas se possam extrair. Depois será necessário tratar a matéria extraída antes de passar a refinação.  Serão utilizados 5 gigawatts de eletricidade para produzir um barril de petróleo, segundo registos da comunidade Save Adullam. Aquecer a rocha, um trabalho que leva meses, pode lançar na atmosfera 15 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. O processo de extração mais sujo do planeta, mais que as tar Sands canadianas e da Venezuela.

Um dos argumentos da IEI para continuar com os trabalhos é que o petróleo encontrado é perfeito para produzir Jet-Fuel.

Grupos como Save Adullam querem a mudança da lei de 1952 Oil Law. Tem aliados no Knesset e outros na Jewish National Front (JNF)

Apesar da área do projecto piloto para o desenvolvimento de extração de shale oil estar em local bíblico e religioso, a grande parte dos locais a levar a cabo extrações são no território tradicional Bedouin Palestinians em vários locais do Negev Desert. Sendo a maioria da Oil Shale na parte norte do deserto, minerar para oil shale para a produção de energia já foi iniciada no sul do deserto perto de Eilat.

A Bacia Mishor Rotem Basin no Mar Morto, e depósitos de oil shale encontram-se sob a fronteira de Israel e do Hashemite Kingdom of Jordan (Jordania) . Em 2006 foi concluído que Israel utilizava 25% mais água que a sustentável (incluindo quase 90% da água desviada dos palestino de West Bank).

Nos colonatos sionistas e aldeias Bedouin reconhecidas no Negev, o nível de cancro já são consideravelmente altos em relação ao resto do Estado Judaico. A poluição da exploração contribuirá para o crescimento do número de casos de cancro.

Cidadãos não israelitas estão praticamente impossibilitados de exercer os mesmos direitos que o cidadão Israelita. Isto é um problema para os Bedouins primeiramente sendo mira das ordens da JNF executadas por esquadrões militarizados,  também vitimas dos projectos “The Desert Bloom”, que atacam as familias destruindo á bulldozer aldeias inteiras; e realojamento forçado em cidades planeadas pelo governo.

As comunidades Bedouin que vivem da terra que querem parar as petrolíferas e a suas tóxicas consequências irão precisar mais do que mudança de leis escritas por Israel, e muito dificilmente terão apoio da JNF ( Jewish Nacional Front).

A situação em Israel é semelhante á de Athabasca, Canadá, porque o offshore reclamado por Israel vai servir de energia para as operações Oil Shale para gás natural como nas tar sands de Athabasca. A água é um problema em Israel mas isso não o impede de planear operações que exigem quantidades gastronômicas de água, tudo em nome da independência energética. Nada que um jogo de Golf não resolva!

Pela Paz do Povo, contra Guerra de alguns!

Economia Verde, uma Nova Cor do Poder!

Este texto é uma critica à forma de trabalho dos grupos visados, não a 90% das pessoas que neles colaboram.

Dou à Quercus um apoio no seu trabalho ao nível de grupos locais ao longo dos anos, que manteve muita gente dedicada. Mas em nome de quê? E de quem? Qual o objetivo de quem financia?

Este Greenwashing depende de fundos europeus. Porque terão de passar pela Gulbenkian? E não directamente ás ONG’s?

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” O grande inimigo da linguagem clara é a insinceridade. Quando há uma diferença entre os objectivos reais e os que declaramos (…) Quando a atmosfera geral é má, a linguagem tem de sofrer” George Orwell: Politics and the English Language.

Em Portugal vários grupos participaram em campanhas contra o financiamento da Fundação Gulbenkian pela sua empresa Partex Oil and Gas, mas apoiam a “resistência” de grupos ambientalistas criados pela mesma mentalidade de controlo de Gulbenkain e Rockfeller.

Também se levantou uma onda de indignação com os bilhetes para ir ver a seleção no europeu, pagos pela Galp a políticos nacionais.

Rocha Andrade; Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais não foi o único a ser convidado pela petrolífera. O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, também viajou para o Euro 2016 a convite da Galp, enquanto entidade patrocinadora da Selecção Nacional.

Depois do presidente da câmara de  Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha também o autarca de Sines, Nuno Mascarenhas receberem bilhetes para o jogo Portugal-Hungria pagos pela Galp , terem de se justificar perante os cidadãos, fica a pergunta: A política distrai? Ou chama a atenção para algo mais profundo?  

A Galp é patrocinadora da seleção de futebol, patrocina o Festival de Sines, apoia provas de surf, etc… e ONG’s… Os seus “professores” são o Banco Mundial e Partex Oil and Gas.

Porque não se discute sequer o financiamento (corrupção, lobbing) das petrolíferas nos movimentos ecológicos e sociais?

A economia verde como meio de manter o progresso e o consumo, educar o cidadão e influenciar nas decisões político-sociais foi defendida cientificamente e economicamente no Relatório Stern de Nicholas Stern, economista britânico do Banco Mundial. O estudo foi encomendado pelo governo Britânico sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos.

Stern sobre Trump: “Penso que o melhor a fazer dadas as circunstâncias é escolher as boas coisas que as pessoas dizem. Tentar sugerir-lhes que o seu modo de pensar é som neste assunto… não nos focando nas contradições”

Nicholas Herbert Stern, Barão Stern de Brentford Economista e acadêmico inglês. Professor de economia da London School of Economics (LSE), importante escola de pensamento da Economia (neoclássica) Ambiental, foi Vice-presidente sênior e Economista chefe do Banco Mundial (2000-2003)

O relatório resultante desse estudo foi apresentado ao público no dia 30 de Outubro de 2006 e contem mais de 700 páginas  é um dos primeiros estudos encomendados por um governo sobre o assunto a um Economista.

Desde então foram criados grupos como: Natural Capital Solutions“ Outro termo para armazenamento de bens de fontes renováveis ou não (ex: plantas, animais, ar, água, minerais, solo) combinadas para colher um monte de benefícios.”

Rockfeller é a Bandeira Capitalista da Economia Verde.

Membros da família Rockfeller tentaram que a ExxonMobil reconhecesse os perigos das alterações climáticas em 2004, liderados por Neva Rockefeller Goodwin, num almoço com o chefe da secção de investimentos. Grande parte das fortunas pessoais tem raízes em Trusts nos anos 30.

“ Não existem combustíveis alternativos ou tecnologias disponíveis hoje capazes de tomar o lugar dos combustíveis fósseis e oferecer à sociedade o que essas energias oferecem”.  Ken Cohen, ExxonMobil’s

Os investimentos na indústria fóssil representam cerca de 6% dos 130 milhões de dólares da Rockfeller Family Fund, diz Lee Wasserman

Em 2016 descendentes de Jonh d. Rockfeller venderam as suas acções da ExxonMobil.

Para a sua luta com a Exxon, os Rockfeller iniciaram uma rede de “soldados” e grupos aliados.

Em 2008 deram 1 milhão para a criação da 1Sky, para apoiar o movimento sobre alterações climáticas através de soluções políticas nos EUA em 2010. Na altura a 1Sky era dirigida por Gillian Caldwell, ex diretora executiva da organização dos direitos humanos WITNESS.

Tinha como parceiros a Step it up 2007 (e a sua sucessora 350 org), a Clinton Global Inciative, Greenpeace, Oxfam e a Energy Action Coalition. A plataforma 1sky foi anunciada por Clinton na Clinton Global Iniciative em 2007, no quadro de directores estavam: James Speth, Billy Parish, Bill Mckibben e Van Jones.

Em 2011 a família Rockfeller comemorava a fusão da 1Sky com a 350 org, duas organizações no seu fundo para o desenvolvimento sustentável. A 350 org apesar do seu aspecto de grupo amador e raiz popular, é na verdade uma instituição que gere campanhas de milhões de dólares dirigidas por funcionários com ordenados de 6 dígitos.

Desde 2007 os Rockfeller pagaram 4 milhões de dólares á 1Sky e 350 org. Mais de metade dos 10 milhões de dólares recebidos entre 2001 e 2009 em ONG’s onde esteve Mckibben, que recebeu 25.000 dólares por ano, vieram do Rockefeller Brothers Fund, Rockefeller Family Fund e do Schumann Center for Media and Democarcy (IBM)

As campanhas de Mckibben receberam os 10 milhões desde 2005 através de mais de 100 doações de 50 fundações de solidariedade. 6 das doações eram cerca de 1 milhão por ano. O The Schumann Center doou cerca de 1, 5 milhões de dólares para 3 campanhas de Mckibenn, como  também 2,7 milhões para a fundação do Enviromental Journalism Program no Middlebury College, Vermont, onde trabalha Mckibben.

Gulbenkian apesar de ser economicamente “inimigo” de Rockfeller, admirava-o pela sua tenacidade comercial e pela Filantropia fundada pelo próprio… Imitou-o desde a Fundação, Filantropia e influência nas políticas nacionais e internacionais.

Programa Gulbenkian Ambiente

No seu programa Gulbenkian Ambiente fez parceria coma Quercus, para “alteração do comportamento dos consumidores, nomeadamente na conservação de energia. E alargar a possibilidade das energias renováveis (…)”

A Fundação Gulbenkian, proprietária da Partex Oil and Gas, em 2013 criou a Iniciativa Oceanos, com um plano de 5 anos. Nesse plano estão previstos 3 passos: Investigação (Contracto de 6 investigadores pós doutoramento com background em ciências ambientais e sociais.); Acção Política (O conhecimento do valor econômico do ecossistema marinho nos processos de decisão); Percepção Popular.

Grupos Alvos

Com quem vamos trabalhar? 

Um pequeno número de ONG’s como parceiros estratégicos; Vários sectotes da comunidade, incluindo negócios ligados ao mar e “grupos/sujeitos não usuais”; Fundos activos da União Europeia e Reino Unido

Quem pretendemos influenciar?

Legisladores; Sociedade Civil; Sector Privado e os Meios de comunicação.

A sua Página começa coma pergunta: Quanto vale um clima ameno ou uma vista para o mar?

“A Iniciativa Gulbenkian Oceanos tem como objetivo geral aumentar o conhecimento público e político dos serviços dos ecossistemas marinhos como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico sustentável e para o bem-estar humano

Para esclarecer lançou o documento: Blue Natural Capital: Towards a New Economy.

Onde se apresenta o ecossistema marítimo como essencial ao bem-estar humano (Human Well Being), ao fornecer alimentação, regulamentação da temperatura climática. Salientando depois que a sua contribuição para a prosperidade humana (Human Welfare), não é no entanto levada em conta nas decisões político-sociais.

A sua Visão:

“Vivemos num mundo cada vez mais dependente do oceano (…) transporte marítimo transporta grande parte do negócio internacional; novas formas de energia (…) e minerais podem ser extraídos do fundo do oceano; a dessalinização da água pode ser a melhor solução para a diferença entre a procura e disponibilidade de água potável.”

“Nós acreditamos que o futuro que precisamos para o nosso oceano só pode ser possível com uma rápida transição para uma economia verde (…) os oceanos precisam de estar em forma para contribuir par o nosso bem-estar e economia (…).

“A humanidade levou 10.000 anos para ir de uma sociedade caçadora-recolectora a tornar-se administrador da terra. Se queremos evitar sérios danos aos oceanos, à nossa economia e bem-estar, temos de realizar uma transição similar para a administração dos oceanos em 10 anos.”

Existe um aumento de interesse na extração de minerais do subsolo oceânico para serem utilizados em aplicações elétricas e eletrônicas. O aumento global na procura de energia levou ao interesse nas fontes de energia no mar, tanto renováveis como não renováveis.

Desenvolvimento da visão

Os desafios podem ser resolvidos através da administração que nos guie até uma economia verde onde utilizamos com uma consciência eficiente e ecologista os recursos marinhos.

Identificação das chaves econômicas do mar da Nazaré e Peniche

O projecto de pesquisa analisa os mais significantes como: (…) indústria; aquacultura; Estaleiros, turismo; prospeção de gás e petróleo (…)

Parceiro:

World Business Council for Sustainable Development (WBCSD)

Em Portugal o grupo é presidido por: António Mexia, EDP.

SPEA

A Spea tem um link directo para divulgar ao Iniciativa Gulbenkian Oceanos.

“Com um horizonte temporal de 2013 a 2018, apoia a valoração econômica dos serviços dos ecossistemas marinhos (SEM) (…) O projeto é coordenado por Antonieta Cunha e Sá (Nova School of Business and Economics) e Henrique Queiroga, investigador do CESAM e professor do Departamento de Biologia (Universidade de Aveiro).

Projetos.

EX: Avaliação do potencial de desenvolvimento de um processo de co-gestão em pescas no eixo Peniche-Nazaré, coordenado pelo WWF-Portugal (…)

Eco-casa

Em 2008 o Ministério da Economia, Administração Pública, Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional emitiu em despacho a agradecer os donativos da empresa Mota Engil à Quercus entre os anos de 2004 e 2007 para o projecto Eco Casa.

O mecenas principal do projecto Eco-casa é:  O Continente.

Os mecenas eco casa são empresas como: Vulcano e Adene.

Apoios da União Europeia/Feder; LG Life Good

Com o apoio institucional do LNEG; Fundação Luso-Americana

A EDP e a Galp também foram doadoras no ano de 200372004

A REN foi doadora em 2006/2007

Projecto dQa

O projecto dQa – Cidadania para o Acompanhamento das Políticas Públicas da Água, é um projecto apoiado pelo Programa Cidadania Ativa – EEA Grants, gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian e financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants), que está a ser dinamizado pela Quercus.

Com o projecto dQa, a Quercus pretende contribuir para o cumprimento da legislação em matéria de recursos hídricos, nomeadamente no que respeita à aplicação, em Portugal, da Directiva Quadro da Água e da Directiva relativa ao Tratamento das Águas Residuais Urbanas (…) e capacitar a Quercus para, a longo prazo, fazer um acompanhamento mais eficaz das políticas públicas da água.

Principais Ameaças:

Um dos principais problemas associados à água está relacionado com a sua disponibilidade (…) À medida que as civilizações aumentam, aumenta a necessidade de água e a poluição da mesma. Os principais problemas de poluição da água devem-se sobretudo aos esgotos domésticos, às atividades agrícolas e à crescente industrialização.

Associação ZERO

Em 2015, ex presidentes da Quercus criam a Associação ZERO.

Entre os mais conhecidos estão os ex-presidentes Francisco Ferreira, Susana Fonseca, José Paulo Martins e Hélder Spínola, e Viriato Soromenho-Marques. Muitos fundadores da ZERO não pretendem deixar de ser sócios da Quercus. A socióloga Luísa Schmidt, o biólogo Jorge Paiva, a professora universitária Júlia Seixas e o actual reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva também se juntam á ZERO.

“ Só através do equilíbrio entre ambiente, sociedade e economia será possível construir um mundo mais coeso, social e economicamente, em pleno respeito pelos limites naturais do planeta” ZERO

“A degradação das relações entre núcleos, grupos de trabalho e a direcção nacional da Quercus foi fazendo o seu caminho nos últimos anos.” Radio Renascença

Em 2015 as más relações internas acabaram em eleições entre duas listas. João Branco actual presidente venceu a lista de Maria de Lurdes Anjo, composta grande parte pelos fundadores da ZERO, com 70% dos votos. Em 2009, a socióloga Susana Fonseca tinha sido eleita contra uma lista concorrente liderada por João Branco. Nuno Sequeira, então vice-presidente, seria o sucessor de Susana Fonseca em 2011, eleito em lista única. Sequeira foi eleito com 98% dos votos, com Susana Fonseca a regressar á vice-presidência a par de Francisco Ferreira. Em 2013, Sequeira já foi reeleito com 91% de votos e uma lista já sem as presenças dos antigos presidentes, integrando agora nas vice-presidências João Branco, derrotado em 2009, e ainda com Carla Graça, que em 2015 mudaria de lista e está agora na fundação da ZERO.

“A fundação da ZERO é também a consequência inevitável de uma ruptura com a mais conhecida associação ambientalista portuguesa, que acaba de comemorar 30 anos de existência.” Radio Renascença.

Recentemente foi criado também o Movimento Futuro Limpo

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Debate ou Demagogia?

 

Dia 10 de Fevereiro fomos ao debate organizado pelo Concelho da Cidade de Caldas da Rainha, já o tínhamos decidido antes de receber o convite por e-mail… (tenho de dizer que fiquei surpreendido)

O debate apesar de ser nas Caldas debruçava-se sobre as explorações ao largo de Peniche e da Nazaré, apesar das Caldas ter tido uma concessão em 1981, estar no meio da área de excelência para exploração de gás de xisto em Portugal, e num estudo de 2010 ser na Serra do Bouro o melhor local para instalar um sistema de armazenamento de gás natural no sobsolo.

“Como sabemos, para alguns, Portugal é um desafio à exploração de petróleo. Para outros, os impactos da exploração de petróleo irão afetar de forma negativa atividades como a pesca, a agricultura e turismo, assim como pode constituir uma ameaça ao ambiente e saúde pública das populações.

O Conselho da Cidade, constituindo-se como entidade dinamizadora das iniciativas que se enquadram no conceito de uma democracia participativa pretende, com este debate, contribuir para o esclarecimento das pessoas sobre este tema e, deste modo, para uma opinião informada de todos.”

Primeiro devo dizer que foi bom acontecer apesar das limitações ao ser um evento académico- intelectual, que por si são desinteressantes para o cidadão comum… mas está aberta a porta para seguir com debates, agora é tema na Cidade…

A plateia estava “dividida” por parcelas. Na linha da frente PS. Do lado esquerdo PP, PSD e… a Brigada Anti Crime das Caldas da Rainha (???) Talvez viessem para deter o representante da Partex Oil and Gas por crimes contra a humanidade, mas ele faltou… nunca saberemos!. Do Lado direito Partidos Independentes e membros do Concelho da Cidade, na linha da frente Peniche Livre de Petróleo. Na fila de trás BE, Nós e políticos locais… Depois uns poucos de cidadãos espalhados pela sala.

Nos 5 minutos antes do início a cumplicidade entre os oradores era visível… Amigos e profissionais de longa data, movem-se no mesmo meio e discutem assuntos energéticos e ambiente á largos anos, conhecendo-se profundamente.

O debate abriu com o discurso normal de balanço entre benefícios e impactos da exploração petrolífera, mantendo a discussão focada no impacto ambiental por Ana Costa Leal do Concelho da Cidade.

Cedo se percebeu que o debate não interessava aos Autarcas da Região que foram convidados e não compareceram, nem mandaram representante. Numa área onde os trabalhos estão mais avançados que em qualquer concessão offshore ou no Algarve o silêncio político continua a ser total. (Lembro que em 2012 enviei mails para a Camara Municipal de Alcobaça depois de ler um artigo onde o Presidente pedia mais informações… Nunca recebi resposta)

O representante da Partex também falhou, não tendo a empresa enviado mais ninguém em seu lugar… Ficámos só com os “Verdes”… O moderador é/foi jornalista em jornais da região… incluindo o Jornal das Caldas, que para o dia 1 de abril de lançou esta noticia….

Começamos por Nuno Ribeiro da Silva, que esteve presente como professor universitário.

Se querem um debate sério não o convidem… Demagogo profissional (arte ou poder de conduzir o povo. A demagogia está relacionada à negativa da deliberação racional, fazendo uso de uma das falhas da democracia, qual seja, manipular a maioria pelo uso de aparentes argumentos de senso comum entremeados com disjunções falaciosas ) é conhecido como expressões como “ O petróleo offshore é como um bocado de carne. Primeiro come-se as partes mais acessíveis e depois é que vamos procurar junto às costelas”.

Cada vez que o debate estava a ganhar uma linha de diálogo, a palavra passava e ele conseguia destabilizar, sendo mesmo chamado à atenção por quem estava a ouvir sobre as suas dissertações, e histórias pessoais que nada interessavam e nem respondiam às perguntas feitas.

Mestre em Economia e Planeamento Energético. Professor Catedrático, onde tirou mestrado, Universidade Técnica de Lisboa.

Mestre em Economia, Política e Planeamento Energético pela Universidade Técnica de Lisboa, após ter cursado Engenharia e Economia. Representou Portugal junto do Banco Mundial em missões oficias. De 1985-1996 exerceu cargos políticos, foi Acessor do Secretário de Estado do Ambiente (1985-1986), Secretário de Estado da Energia (1986-1991), Secretário de Estado da juventude/ presidência do Concelho de Ministros (1991-1993) e Deputado á assembleia da Republica (1992- 1996) Tendo passado por várias empresas de renome, como a CP ou a Rodoviária Nacional, ingressou na EDP em 1985. É Presidente da ENDESA GENERACIÓN PORTUGAL, S.A. e de várias empresas do GRUPO ENDESA em Portugal. É Presidente do Conselho Estratégico Nacional do Ambiente da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), Vice-presidente da Direcção da AIP (Associação Industrial portuguesa) e Membro do Conselho da Indústria Portuguesa. Pertence a órgãos sociais de várias instituições ligadas aos temas de Energia e Ambiente. Administrador do OMIP (Mercado Ibérico).

A primeira frase dele foi dedicada ao jogo de futebol e ao frio. Passou a ideia que esteve no abrir das renováveis em Portugal, e que eram as empresas energéticas estatais que atrasaram a sua introdução ao dominar as decisões na indústria energética. Realçou a dependência que o nosso modo de vida tem dos produtos derivados do petróleo, como plásticos, químicos, agrícolas, sintéticos.

Mais á frente no seu discurso vem as frases fáceis para atirar a culpa de um futuro toxico aos países pobres em desenvolvimento como a Índia ou “socialistas” como a China… nunca ouvi África. Com a justificação que seria difícil proibi-los de viver como nós viemos antes dos carros elétricos. (Então mas o progresso não é para todos?) Salientando o impacto dos automóveis na destruição ambiental, apontando o dedo a cada um que tenha carro e a todos os que vão comprar sem ser elétrico. Sem falar nos petroleiros, metaneiros, cruzeiros, aviões, foguetões, camiões, fábricas, produção animal, etc… Não! A culpa é tua… que compras carro.

De Repente sai-se com uma afirmação que vem contra declarações, relatórios e mesmo memorandos do governo, de que “não existem reservas de gás de xisto (Shale Gas) em Portugal”.

Falando das eólicas, que tanto preza, disse: “ Quem me dera ter uma eólica para a minha casa, ou em cada cidade, mas tem de haver estudos, não queremos uma eólica junto ao Mosteiros dos Jerónimos, ou na Torre na Serra da Estrela, na Serra de Cintra (não vamos olhar para a Quinta da Regaleira e ver eólicas), ou no meio de uma praia, as coisas não são nem branco nem preto, nem todos os locais são bons.”

Fica para pensarem…

Junto esta frase dele partilhada no debate por António Eloy: “ Não se pode extrair petróleo ao pé de índios” (sorriso)

Como bom “aluno” e homem que está em cima das ultimas no campo das energias, lançou “bons exemplos” do impacto social da industria petrolífera, utilizando o “cliché” europeu da Cidade de Aberdeen, Escócia, totalmente falso e já desmentido por moradores da cidade escocesa, quando no Algarve num debate semelhante foi usado o mesmo exemplo. A sua mentira foi desmascarada por António Eloy, que esteve em Aberdeen recentemente. Arrematou com o golpe final: Noruega (que já foi dos países mais pobres da Europa), onde o petróleo é objectivo estratégico do estado.

Esclarecer sobre as concessões petrolíferas no offshore nada….

Deixo a última, falando sobre Aberdeen: “Quando lá estive era uma aldeia manhosa de pescadores” . Para tentar justificar o “progresso” que a indústria petrolífera levou para a localidade… Que hoje é uma zona industrial com um alto nível de pobreza extrema.

 

Antonío Eloy

Trouxe ao debate um tema que normalmente é mantido fora dos debates públicos sobre explorações petrolíferas, o impacto social da indústria petrolífera, e da possibilidade de tudo isto ser só uma especulação económica para fazer rodar dinheiros que mexam na bolsa de valores de Wall Street (Que não é de todo uma opinião a excluir) com todo o seu impacto social em todo o Mundo. Apresentou o Exemplo da Nigéria, que desde os anos 80 tem sofrido ecocidios e genocídios directamente conectados com a exploração petrolífera. Por várias vezes levantou um livro que trazia sobre o tema:

Disse ter os mesmos dados que Nuno Ribeiro da Silva, mas uma visão académica diferente, confrontando a ideia de ser necessário continuar a investir e a extrair petróleo por razões ambientais, económicas e sociais.

Geo Politicamente falando relembrou que todo este investimento para manter a indústria petrolífera no futuro deve-se principalmente aos planos traçados depois dos EUA e a Rússia terem ultrapassado a Arábia Saudita como maiores produtores do Mundo, e a ascensão do petrodólar como moeda mundial. Hoje o mundo está como está…

Seguiu dizendo que não acredita nas explorações em Portugal porque no mar são muito caras e as reservas não o compensam, e em Terra como temos grande massa populacional nas áreas pretendidas as explorações não serão possíveis.

Falou do seu encontro com uma senhora de idade que estava 30 minutos antes de uma secção de esclarecimento em Vila do bispo perto da sua aldeia. A Senhora estava lá porque a concessão que foi anulada no Algarve (concessão de Aljezur) era ao lado das suas terras e que a sua horta começou a ser inundada com líquidos com espuma e de cor verde que vinham do “furo de água” da Portfuel empresa criada por Sousa Cintra. (Estive nesse terreno quando da Bicicletada Anti Fracking, é de chorar com a indiferença…

O problema do capital esteve sempre no discurso de Eloy, mas nem sempre contra os capitalistas apenas como a forma como alguns agem… Deu o exemplo de Gulbenkian a quem chamou de “Bom-Agiota”, uma das razões porque era amigo de seu avô. Acrescentou o nome de Alfred Nobel que criou a dinamite tão importante para a ascensão da indústria de mineração e energia (acrescentamos Guerra) com dinheiro do seu investimento e da sua família na indústria petrolífera — Nuno Ribeiro da silva falou no nome Bill Gates. Eloy realçou a mudança da economia negra criada através da exploração de petróleo para um capitalismo verde da família Rockfeller—(acordo com 350 org), Filantropia.

Fica para pensar!!!

À pergunta do grupo Peniche Livre de Petróleo: Qual o Impacto dos trabalhos de prospeção no ambiente?

Todos responderam que pode-se considerar nulo…. Bom mais uma vez a cultura ambientalista deixa os animais de fora (se calhar para não puxar o tema, também nas renováveis, principalmente barragens). No offshore os mamíferos marinhos e outros animais são fortemente afectados ( De resto como grande parte das gigantes ONG verdes mundiais)… como de certo os animais em terra também com os barulhos dos camiões batedores para estudos sísmicos nas concessões… Sem falar do transporte de material para o local de exploração…

Nuno Ribeiro da Silva para ajudar falou que a prospeção apenas usava uma broca de diamante, acrescentando á explicação de Eloy que se resumia em “Como espetar uma agulha”…

Júlia Seixas

Membro do movimento Futuro Limpo, que tem como acção, garantir os direitos democráticos do povo português.

Falou das 6.000 assinaturas conseguidas pelo grupo Peniche Livre de Petróleo, sem mencionar as restantes milhares de assinaturas recolhidas pelo país, principalmente no Algarve que mostraria a real ação popular contra a democracia representativa que tenta manter a obscuridade e as decisões sobre as explorações longe da decisão popular.

Apesar de eu não acreditar que a solução está na Democracia Representativa, no mundo onde vivemos e que nos regula, necessita de quem acredite, realize a resistência jurídica num estado de direito, (um trabalho que não faria, nem pediria a alguém para fazer) que levará muito tempo, sempre encontrando novos desafios como os acordos transatlânticos TTIP ou CETA, Projectos de Interesse Nacional, etc…

Trabalham para o cancelamento dos contractos como meio para parar os trabalhos de prospeção, ao contrário da maioria que acha, que não há mal em “saber o que temos”.

Júlia explicou que se os trabalhos não forem parados agora, no futuro, quanto mais tempo se deixar passar, mais dinheiro as empresas vão receber do estado português, porque assim está no contracto assinado sem consulta popular, sem discussão política, sem olhar á população e às leis e protocolos para a libertação de gases efeito de estufa (o gás toxico falado é sempre CO2, nunca o Metano entra na equação). Parar agora era mais barato, parar daqui a 10 anos é aumentar a divida… Quanto mais as empresas investiram mais, vão lutar pelos seus direitos.

Como profissional listou as movimentações dos movimentos pelas alterações climáticas, dos acordos na COP 21 e do encontro pelo clima em Marraquexe, onde foram escritos e assinados memorandos de aconselhamento – sem valor legislativo– que pretendem substituir o Acordo de Quioto que foi um fracasso.

Explicou também de como as explorações são não só ecologicamente mas também economicamente insustentáveis para Portugal e para o mundo, alertando para os valores de aluguer e taxas nos contractos assinados pelo estado e as petrolíferas e para a não obrigação de estudos de impacte ambiental na fase de prospeção e que quando as há são realizadas por empresas contratadas pelas petrolíferas que por vezes realizam estudos mais completos ou mais formais segundo testemunho da própria.

Tentando dar uma luz sobre o montante de uma possível indeminização do estado às petrolíferas deu o exemplo dos gastos diários de 1 milhão de euros por dia pela Galp na concessão offshore, que se multiplicados por 10 ou 30 anos dará mais “sacrifício” para os quem paga impostos, e quem é explorado (trabalhadores precários/imigrantes), não para Portugal.

Da parte do público, tivemos ataques políticos aos governadores locais e nacionais. Como se os acordos entre Governo, Corporações e Banco Mundial não viessem já do Estado Novo. Também não faltaram as dúvidas sobre os supostos ganhos para as populações locais. Que foram elucidadas pela júlia Seixas.

De destacar uma senhora que se identificou como Mãe que simplesmente disse que quer saber o que pensam fazer no “seu quintal”, que é inadmissível que esteja em debate a exploração de petróleo perto da minha casa e da minha filha ou da filha de outra pessoa qualquer.

Não sei se conscientemente ou por instinto maternal, salientou um ponto importante em toda esta resistência às petrolíferas “ou filha de outra pessoa qualquer”.

Como também usual o medo/revolta (para não entrar em assuntos mais profundos) falou mais alto do que a solidariedade que a declaração daquela Mãe mostrou. Um Sr de repente diz: Se querem explorar que vão explorar para outro lado!

Quando decidi ir ao debate, não ia ouvir, porque mesmo não conhecendo bem todos os oradores, conheço bem a musica ao som das batidas do sistema industrial, da cultura de um povo civilizado, foi-me educada, andei na escola por ela, estudo-a, trabalho nela, respiro nela, vivo nela, vou morrer nela… Mas mesmo caminhando nos corredores da sua liberdade, vou-me sentido livre dessa liberdade. Vou ser terra/ar/água/fogo, para as sementes futuras… Não uma memória nos céus, um condenado no inferno, uma estátua… um exemplo…

Vivo hoje! Penso que é melhor viver hoje a pensar no amanha do que viver o amanha sem pensar hoje!

Não ia ver, porque não é a minha visão para informar, incluir e colaborar com as populações…

Mas acabei por ouvir coisas interessantes e ver reações autênticas (sem nenhum tipo de “actuação”) tanto dos oradores como do público.

Fui como elemento do grupo facebook: Caldas da Rainha por um Oeste Sustentável e também como voluntário da CREA (Caldas da Rainha pela Ética Animal).

Fomos criar utupia (Cidadadia Participativa)….

Fui para sentir…

Gostei de sentir a Júlia Seixas. Gostava que António Eloy conseguisse equilibrar melhor o activista ambiental e social com a sua profissão e não consentir que se fique com a ideia que só a luta contra os testes nucleares valeram a pena, mesmo se estando hoje a resistir contra instalações nucleares aqui bem perto, mas não tão perto assim. De que não vale a pena resistir aos trabalhos de prospeção para gás e petróleo, mesmo não acreditando na sua exploração… e que sempre que possa, deixe o seu trabalho literário sobre a luta em Ferrel sair em palavras motivadoras em secções onde seja convidado… A Resistência do povo de ferrel que não sendo a única em Portugal e no Mundo, é sem dúvida importante para a resistência em Peniche e no Oeste, para que não seja um exemplo do passado mas sim um acreditar no futuro.

Agora é juntar á vontade de organizar uma secção de informação popular, mais esforço para um evento na Zona Oeste…

Cada um deve fazer o que acredita! Pois se isso não der resultado, nada mais dará! Quem sabe juntando todo o que cada um de nós acredita, mesmo não nos juntando fisicamente ou ideologicamente, possamos unir, pensar nas ideias que nos são educadas, apresentadas, das que nos fazem pensar, nas que nos causam psicoses, que nos fazem sentir livres, das ideias que sabemos ser livres, das ideias que não entendemos, das ideias que recusamos, das ideias que nos façam duvidar da certeza e razão…

As corporações colaboram, umas com as outras (com casos muito raros) para manter o seu maior império de pé (A civilização). A sua colaboração é frágil, pois assenta na procura de poder para derrubar uma serra, uma técnica, uma tecnologia, um império. Para impedir o curso de um rio, da migração animal, da livre circulação de povos. Para impedir a livre circulação de direitos e impor deveres.

Nós, Povo devemo-nos Unir, Apoiar, fazer das diferenças – quando possível— uma força.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalha” Sun Tsu

 

 

 

 

Industria Fóssil e os Animais

Este é o esforço conjunto de GNN e CREA (Caldas da Rainha pela Ètica Animal) para alertar quem se preocupa com a vida dos animais, do impacto da industria petrolífera no mundo animal, para que no futuro se criem lutas de resistência comum entre grupos de libertação animal, “ambientalistas” e outros…

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Os Animais, as Não Convencionas e a Industria Fóssil.

Quantos mais matam! Mais petróleo haverá no futuro?

A velha prática de levar canários para minas de carvão subterrâneas já salvou a vida de  muitos mineiros. Enquanto o passarinho cantava, tudo ia bem.

Na Amazônia, toda uma família de peixes elétricos já provou sua eficiência no biomonitoramento de vazamentos de derivados de petróleo na água. São várias espécies da família Apteronotida e do gênero Apteronotus.

Cães são mandados onde o policia não quer ir! Qual o lugar dos animais no mundo?

A utilização de gás e petróleo é nociva para a população humana, para a vida animal e vegetal da região onde é extraído, transformado, transportado e utilizado, e também onde são descartados os lixos tóxicos derivados dos produtos derivados do petróleo. A poluição derivada da produção, os derrames e as megas construções destruem a vida selvagem. A indústria petrolífera provocou a extinção de espécies e deslocações obrigatórias de famílias humanas e não humanas em massa (refugiados).

Na vida marítima o impacto é causado pela natureza química do petróleo. O impacto também se deve às construções, passagem de navios, técnicas de pesquiza e mesmo devido a operações de “limpeza” de derrames. Os animais mais atingidos são os animais marinhos, répteis, aves e corais. Em Terra a destruição de ecossistemas levam a imigração de animais para locais já habitados por outros o que provoca lutas de morte e fome por falta de alimento de grandes mamíferos.

Todo o processo petroquímico larga toneladas de lixo tóxico nas águas, no ar e na terra. Já foram contaminadas baias e lagoas inteiras. Os aquíferos, rios, riachos e a terra em si ficam contaminados. Depois as operações de dessalinização em estações de armazenamento e tratamento de gás e petróleo requerem uma contínua fonte de água fresca, que depois de utilizada torna-se lixo tóxico.

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Outra causa da destruição ambiental são as constantes guerras nos territórios de produção petrolífera, principalmente com a capacidade de destruição de uma agressão militar pelo controlo dos recursos naturais.

A indústria petrolífera tem pouco mais de 150 anos, e espalhou-se rapidamente pelo mundo selvagem, o seu impacto está registado. A massa ocidental ignorou o seu impacto noutras regiões do mundo. Agora que está no seu quintal a oposição às petrolíferas aumenta. Normalmente a preocupação Ocidental começa quando é atingida diretamente, mas os primeiros a sofrer, os animais são uma premeditação do que se vai passar com a maioria da população mundial e agora também parte da população ocidental. A ocupação dos últimos espaços selvagens, a alteração de zonas protegidas e contaminação de áreas sensíveis para a preservação de animais perto de nós, leva-nos a olhar para o modo como tratamos os animais e como ignorámos o verdadeiro impacto da indústria petrolífera no ecossistema.

Deixamos exemplos em outros locais do mundo, muitos nunca ouviste falar:

Equador

50% do seu orçamento nacional deriva da extração de petróleo, mas o lobbing petrolífero quer mais. Esta dependência levou a alterações nas leis de proteção ambiental do País, deixando grandes áreas da Amazónia nas mãos das petrolíferas e empresas de energia. A luta indígena contra as petrolíferas tem mais de 30 anos. A contaminação das águas aumentou o risco de cancro, abortos, infeções, doenças de pele, dores de cabeça e náusea, matando quase toda a vida na água e arredores. Segundo a US Environmental Protection Agency as toxinas contidas na água são muito mais acima do que o recomendado. Foram derrubadas milhares de acres de árvores, a terra dinamitada, grandes quantidades de derrames, destruindo tudo na sua passagem, levando á morte dos peixes e de outros animais que deles se alimentavam. A floresta do Equador está a ser devastada a um ritmo de 340.000 hectares por ano, 5 milhões de acres foram só para linhas de comboio. A Texano Oil foi acusada de derramar cerca de 15 milhões de gallons (1 gallon= quase 4 litros) de petróleo. A bacia do Equador tem o maior número de espécies de plantas da América do Sul. Zonas foram completamente devastadas e inúmeros animais mamíferos estão em perigo de extinção ou se extinguiram.

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Nigéria

A Nigéria sofre as consequências da indústria petrolífera desde os anos 50. A Shell foi uma das grandes exploradoras na Região do Delta, local de vida dos Ogoni, que protestam desde então.

A Nigéria exporta cerca de 15 milhões de barris de petróleo por dia, extraídos em cerca de 12% do território nacional. A degradação ambiental enclausurou os Ogoni e os animais, entre a corrupção, as petrolíferas e indiferença da comunidade internacional. Sem contar com a poluição normal das operações das petrolíferas, os Ogoni, os animais e o habitat local tiveram de lidar com a técnica de Flaring (queima de gás). Os gases libertados para o ar e os químicos que voltam com a chuva, contaminam as terras e as águas. Oleodutos são construídos por cima do solo, passando em aldeias e território de caça, reprodução e alimentação de animais.

A Shell derramou na Nigéria entre 1982 e 1992 cerca de 1,625,000 gallons de petróleo em 27 acidentes diferentes. A Shell opera em centena de países, mas segundo o seu registo de derrames, 40% foram na Nigéria.

A empresa levou a cabo uma devastação ambiental, incluindo explosões para vigilâncias sísmicas, derrames, explosões em poços, derrame de fluidos de perfuração e fluidos das refinarias, destruição das terras para a construção de infraestruturas, e descargas toxicas indiscriminadas. Em 1993, 300.000 Ogonis protestaram contra a Shell. O protesto foi seguido por perseguições, prisões, assassinatos, e execuções por parte das tropas governamentais.

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Colômbia

As montanhas na Colômbia são o interesse de muitas petrolíferas. A British Petroleum tem licença desde 1995 para explorar perto das fronteiras do País. Durante anos a guerrilha dinamitou o principal oleoduto da Colômbia 350 vezes, sendo vertido mais de 1,2 milhões de barris de crude de petróleo. Segundo o governo a Colômbia perdeu 1 bilião em vendas, e a poluição polui-o 375 milhas de ribeiras e rios e cobriu de crude 12,500 acre de floresta tropical.

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Azerbeijão

Em 1994 a B.P. assinou um contracto para extração no Mar Cáspio. O problema para as empresas foi o transporte do petróleo até aos clientes, não o seu impacto no ambiente e na saúde da população local. O derrame em gasodutos é esperado devido á guerra civil. O mar Cáspio está à mercê de oleodutos em mau estado, e o canal do Bosporus Sea pode ficar completamente inundado com petróleo. A vida animal marinha, e o próprio ecossistema é fortemente infectado pela poluição. Um acidente no Mar Cáspio ou no mar Negro, ou nos gigantes oleodutos têm impactos na composição e número da vida selvagem e seu habitat.

Oelboom in Aserbeidschan
ARCHIV: Pferdekopfpumpen zur Eroelfoerderung unweit von Baku, Aserbaidschan (Foto vom 05.10.05). Die ehemalige Sowjetrepublik Aserbaidschan wird aufgrund ihrer Gas- und Oelreserven gerne mit Dubai oder Abu Dhabi verglichen. (zu dapd-Text) Foto: Sergey Ponomarev/AP/dapd

Kazaquistão

Segundo os cientistas das petrolíferas a região do Mar Cáspio contêm a 3ª maior reserva de gás do mundo, depois da região do Golfo e da Sibéria. A Chevron nos anos 90 pedia um oleoduto para aumentar a produção. O tráfico de cargueiros, petroleiros e metaneiros no mar Mediterrâneo, no Mar Vermelho e do Golfo da Pérsia já deixam antever a quantidade de poluição deixada nas áreas. O aumento da produção no Mar Cáspio irá aumentar o impacto, não interessa onde é construído o oleoduto. Segundo a ciência o Mar Cáspio irá subir 3 metros nos próximos 25 anos, resultando num desastre ambiental de grandes proporções. A inundação das refinarias é uma forte possibilidade. Um dos problemas é o Flaring, que liberta cerca de 4.5 milhões cúbicos de gases por dia.

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Maldivas

A Grã-Bretanha instalou-se como poder de controlo sobre a zona depois da guerra de 1982. Desde então foram descobertas grandes depósitos de petróleo. A Argentina quis disputar as reservas. A área tem um delicado ecossistema inserido numa área intocável pelo homem. A indústria petrolífera como a da pesca não deixa a ilha ser autónoma e autossustentável. A indústria petrolífera ultrapassou a indústria da pesca, aumentando o impacto na zona prístina da ilha. O povo local das ilhas resiste desde a Invasão pela Argentina em 1982, sendo que o seu principal objetivo era manter o habitat ecológico do arquipélago do Atlântico Sul. Já não existem mamíferos indígenas de terra nas Ilhas. A Raposa selvagem está extinta. Existem mais de 65 espécies de aves que ocupam a área, várias vezes por ano. Aves como o Albatroz, o Caminheiro-de-Espora, Falcão peregrino, e o Carcará-austral. A Ilha também é o habitat de milhões de pinguins.

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Kuwait

Durante a Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991, o Iraque incendiou quase 800 poços de petróleo no Kuwait. A paisagem do Kuwait ficou irremediavelmente destruída, e vai demorar gerações até uma pré recuperação equilibrada. Foi calculado que o eco-terrorismo provocado pelo Iraque poderia libertar 3 milhões de barris de petróleo por dia para o solo. Foi estimado que eram queimados 6 milhões de barris por dia em 1991. Os cientistas calcularam que a libertação de 2 milhões de barris por dia poderia gerar uma nuvem de fumo que abrangeria uma área equivalente a metade dos EUA. Cerca de 250 milhões de gallons de petróleo foram derramado no Golfo, causando danos irreparáveis na diversidade biológica e integridade física do Golfo. 440 milhas da costa da Arábia Saudita ficou inundada com petróleo e espumas químicas. Centenas de metros do deserto ficaram inabitáveis, devido aos lagos de petróleo e nevoeiros dos poços a arder. Entre 1 a 2 milhões de aves passam no Kuwait todos os anos, a caminho do território de acasalamento, muitas morrem na região devido à exposição ao petróleo e inalação de gases no ar poluído. Outras espécies em perigo são as tartarugas- de-pente (classificadas como espécie em perigo de extinção), a tartaruga comum, tartaruga de couro, Dugongos, baleias, Golfinhos, flamingos e cobras-do-mar.

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Ilhas Spratly

As Philipinas reclamaram pela primeira vez as ilhas como suas em 1975 e desde ai tem desenvolvido explorações petrolíferas na região. Passando desde 1976 a explorar também nas ilhas Palawan. A Malásia reclama o território para si, como também o Bornéu, ambos querem os seus recursos naturais. Taiwan mantem representação na Ilha desde 1956. O poder naval Kuomintang tomou possessão formal em 1946. A China e o Vietnam são os principais adversários. Apesar da disputa pelas fontes petrolíferas pouco se sabe sobre o impacto ecológico.

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Estes foram só uns exemplos, infelizmente foi só o inico!

Se estes números te chamaram a atenção e estás preocupado. Temos de dizer que retirámos esta informação de um trabalho de investigação dos anos 90. A intenção, mostrar o que nos esconderam, o que não se procura saber, e para que TU procures saber o que se passa HOJE nessas áreas, e noutras e saber quantos animais ficaram extintos, morreram, que áreas sobram, e que ecossistemas foram salvos ou condenados. Que fazem essas empresas hoje, e onde operam. Que Guerras são essas que vemos na TV?

Pergunta: São os animais que merecem os nossos direitos? Ao somos nós que deveríamos agir como animais?

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Desde os anos 90 as petrolíferas intensificaram os seus trabalhos em zonas onde já operavam e agora séc XXI iniciam explorações onde nunca as houve,  reabrindo poços fechados aumentando o seu impacto nocivo no ambiente, nos animais, e em nós…. Por mais 100 anos por seu desejo!

A indústria petrolífera hoje aposta nas fontes de energia não convencional, o seu impacto na vida selvagem, no ar e nas águas de consumo humano é elevado, continuando o modo operandis que utilizou desde o seu início… mas aumentando o seu impacto no ambiente e na vida animal não humana e humana.

As areias Betuminosas (Tar Sands) e o Gás de xisto (Shale Gas) são as novas apostas da indústria. O seu impacto? Cada vez mais sujo e agressivo…

Animais como Ratos, Caribus (Renas), Veados , Lobos, Ursos, Pássaros, e outros mais são características da floresta boreal na região das tar sands, em Alberta, Canadá. Alberta é a terra de 580 espécies selvagens, incluindo anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos. Quase metade das espécies de pássaros da América do Norte passam pela floresta boreal em Alberta todos os anos.

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Lembrar que a manutenção moderna da vida selvagem inclui conservação de plantas e animais invertebrados como insetos — cerca de 3,500 espécies de plantas e fungos são só visto na área das Tar Sands. Baseado em contas atuais, cerca de 3,000 Km2 de floresta boreal será destruída nos próximos 30 a 50 anos. Todos os processos de vida são eliminados, destruindo a vitalidade do solo. Este é o destino do habitat de 3,6 milhões de pássaros.

Os resíduos tóxicos das explorações são bombeados para lagos artificiais, alguns com km, e “tapados” com água limpa. Estes lagos irão eventualmente cobrir uma área de cerca de 100 km2. São armadilhas da morte para os pássaros que aterram neles, já foi documentada a morte de 500 patos depois de pararem nos lagos da Syncrude em 2008. A mortalidade anual de pássaros devido às tar sands é de 100,000 indivíduos. As infraestruturas irão destruir 5.000 km2 de floresta boreal e resultará numa significante desfragmentação de uma área maior. Estes restantes fragmentos embutidos na rede de estradas, oleodutos serão sujeitos a barulhos excessivos, pó, e poluição. Mais de 14.5 milhões de pássaros podem-se perder devido a estas atividades. As tar sands são de longe a maior fonte em crescimento de gazes efeito de estufa no Canadá, produzindo até 3 vezes mais a quantidade de gases na produção do petróleo convencional. A produção e operação de refinamento produzem mais emissões tóxicas, que acidificam centenas de km2, e libertam  arsénio que provoca cancro. Muitos destes químicos acumulam-se na cadeia alimentar, concentrando-se em predadores como pássaros. A alteração climática está a acontecer a um ritmo acelerado que a vida selvagem não consegue acompanhar.

Aproximadamente um milhão de metros cúbicos de água são desviados do Rio Athabasca para as operações tar sands por dia. Os cancros aumentam nas comunidades First Nation abaixo das operações tar sands. 92% da água utilizada acaba em lagos tóxicos. Em 2011 a Canada Wildlife Officers mataram a tiro 145 ursos pretos na região das tar sands de Alberta.

Travis Davies, representante da Canadian Association of Petroleum Producers, “ é só devido ao número elevado de ursos na área”.

Um dos gigantes das tar sands teve de se defender em tribunal  devido à morte de 1,600 patos nos seus lagos tóxicos. O grupo Syncrude, uma aliança entre ConcoPhilips, ExxonMobil e Murphy Oil. Dizem-se não culpados!

Patos

Os patos iam em migração para nidificar na primavera de 2008 quando aterraram e morreram nos lagos tóxicos da Syncrude. Todas as primaveras pássaros americanos veem nidificar à floresta boreal do Canada. Mas todas as corporações de petróleo destroem parte da floresta para alcançar o desejado. As lagoas tóxicas podem causar a morte de 8,000 a 100,000 pássaros todos os anos, muitos dos quais sem relatório e que se saiba. As águas tóxicas das tar sands em lagos abertos já ocupam uma área de 50 milhas quadradas (1km é equivalente a 0,6214 milhas), do que já foi a floresta boreal de Alberta.

Caribus (Renas)

Os Caribus (Renas) tem vindo a desaparecer de Alberta por algumas décadas e cientistas acreditam que podem estar extintos em 70 anos. Na área petrolífera rica em Athabasca Oil Sands, na parte norte da província, alguns dizem que podem desaparecer em 30 anos. Esforços começaram a ser feitos para remover lobos de partes de Alberta para reduzir o desaparecimento do Caribu, mas estudos mostram que atividade humana relacionada com o petróleo e a indústria da madeira pode ser mais importante que os lobos no declínio da população.

Lobos

O plano do país, que inclui envenenamento e o desporto favorito de Sarah Palin’s – matar lobos a tiro a partir de helicopteros  ou aviões – Significa “ equilibrar o que a civilização desenvolveu”, nas palavras do Ministro do Ambiente do Canadá, Peter Kent. Se o desenvolvimento humano está a matar caribus ao destruir o seu habitat, o pensamento continua, com a existência de poucos lobos para comer os restantes. O veneno é uma arma particularmente arcaica. O veneno em questão é Strychnine, que tem sido utilizado desde 1600. Mata rápido, mas dramaticamente.

Gribbel Island, uma ilha, onde vivem os Spirit Bear, é também a ilha da gigante Enbridge. São uma variante genética rara do urso preto,  existem poucos. Por centenas de anos, os ursos foram protegidos de caçadores pelas First Nation de British Columbia, que manteve a sua existência protegida. Mas agora a sobrevivência destes raros ursos está ameaçado pelo plano da gigante Enbridge em enviar centenas de navios cargas por ano com tar sands através do habitat. Não existe só o risco de um derrame. O barulho afastará as baleias. E os movimentos dos navios tanques afastará os salmões.

Testes em animais (Vivisecção)

O petróleo além de vir servir a civilização como fonte de energia, veio também produzir novas matérias-primas sintéticas (produtos químicos, matérias primas, sintéticos, medicamentos, etc), todos os seus produtos necessitam de ser testados em laboratórios devido á sua toxicidade para os seres vivos.

A descrição deste teste é sobre capacidade de reprodução, saúde dos fetos; saúde dos pais ( contagem de esperma) e mães ( condições dos ovários), efeitos na pele, olhos e tecidos moles do corpo humano, devido aos gases libertados pela gasolina.

“Para avaliar o potencial tóxico do vapor da gasolina, foi realizado um estudo em ratos, o estudo revelou não haver toxicidade. No entanto, houve uma ligeira redução do peso corporal. Grupos de ratas grávidas foram expostos ao vapor de gasolina em concentrações de o, 1000, 3000 ou 9000 ppm. Todos os ratos foram sacrificados no dia 20 da gestação” Developmental toxicity evaluation of unleaded gasoline vapor in the rat”)

Estudos demonstraram toxicidade mínima por injecção oral em ratos, ou por exposição da pele nos olhos de coelhos. A gasolina causa irritação mínima na pele nos coelhos, mas não é um sensibilizador da pele nos guinea pigs. Um efeito depois de repetida exposição de ratos e macacos á inalação a vapores de gasolina em concentrações de 400 ou 1500 ppm, 6h/dia, 5 dias por semana por noventa dias foi mudanças no fígado dos ratos. Mais tarde atribuiu-se ao light hydrocarbon nephropathy, uma espécie de síndromas observados em ratos machos, que não é relevante para os humanos. Quando os ratos eram expostos a vapor de gasolina por inalação ao longo de 2 anos em concentrações de 67, 297, ou 2056 ppm, os ratos machos exibiram ocorrências de light hydrocarbon nephoropathy e cancro nos rins e nas ratas tiveram cancro do fígado.

Animais adultos foram sacrificados por anestesia com dióxido de carbono seguido de exsanguinations no dia 20 de gestação. Os ovários foram dissecados longitudinalmente. Onde os implantes uterinos não eram aparentes, o útero era pintado com ammonium sulfide para visualizar algum foco uterino. Se nenhuma fosse encontrada, a fêmea era considerada não grávida. Todas as carcaças de fêmeas adultas foram descartadas. Fetos decapitados foram dissecados ao microscópio. Fetos destinados a avaliação do esqueleto foram mortos com uma overdose de dióxido de carbono.

 

SEISMIC AIRGUN (SALVEM AS BALEIAS E AMIGOS)

As Seismic airgun’s são o segundo maior contribuidor de som na água causado pelo homem, seguido das explosões nucleares e semelhantes. Pelo menos 37 espécies marinhas mostraram ser afectadas pelas vigilâncias sísmicas.

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O que este novo tipo de petróleo, como o desejado no offshore em Portugal vem trazer são mais tecnologias nocivas ao mundo animal. Para sondar os reservatórios Deep offshore antes de investir milhões na perfuração a indústria petrolífera de gás e petróleo utiliza uma tecnologia conhecida como Seismic AirGun. A população de cetáceos (baleias, golfinhos, cachalotes, etc), Lulas, crustáceos e peixes são seriamente afectados pelo som libertado pela airgun (pistola de ar) para os testes sísmicos (siesmic survey). Esta tecnologia está a ser utilizada em todos os Oceanos, e com o aumento das ZEE (zonas económicas exclusivas) de vários países aumentará o impacto global na população marítima.

O barulho (som antropogénico) de uma “arma de ar” (seismic airgun), utilizada para descobrir depósitos de gás ou petróleo centenas de Km abaixo do solo do mar, pode cobrir uma área de 300,000 km2 com um volume de 20 dB, continuadamente por semanas ou meses. Desde a sua utilização que a Whaling Commission’s  Scientific Committee disse “… a utilização persistente e repetida sobre uma área… deve ser considerada um grave problema do nível de impacto nas populações…” 2005

Cerca de 250 baleias macho deixaram de cantar durante semanas até meses durante um estudo sísmico, recomeçando a cantar dias depois do final dos trabalhos. É muito difícil acreditar que tal efeito não afecta biologicamente a pulação de baleias (reprodução). No estudo foi notado que uma baleia parava os chamamentos se estivesse a haver explosões de som a 10 km. As Baleias azuis reagem de outro modo. Mesmo com Seismic survey utilizando uma pistola de ar de poder médio levou as baleias no St. Lawrence Estuary a modificar as suas vocalizações. As baleias faziam mais chamamentos nos dias dos trabalhos, do que quando não havia emissão de som. O que prova que fontes de som das air gun (pistolas de ar) podem interferir com sinais de comunicação importantes para a sobrevivência dos mamíferos marinhos. Em 2008 foi descoberto que locais onde vivem populações de golfinhos eram afectadas pela utilização do air gun. As Orcas, e outras espécies de baleias evitam as áreas onde se liberta o barulho. O cachalote no Golfo do México não parecia evitar o barulho, mas depois reparou-se que esforçava-se menos para procurar comida, e evitavam nadar. Reduzem a utilização da cauda em 6% durante a exposição ao barulho, e a tentativa de capturar presas em 19%. O barulho contribuiu para o declínio de algumas espécies. As baleias cinzentas de Sakhalin Island, Rússia, deslocaram-se devido a estudos sísmicos, da sua área de alimentação, voltando dias depois do final dos trabalhos.

Em 2007 foi descoberta uma redução da diversidade de cetáceos, relacionado com o aumento das vigilâncias sísmicas de 2000 a 2001 no Brasil. Entre 1999 e 2004 existiu uma relação negativa entre a diversidade de cetáceos e a intensidade das vigilâncias sísmicas. As baleias cinzentas quando expostas mesmo a uma airgun de pequenas dimensões evitam o barulho e mudam de comportamento alimentar para um de transição. Também começam a “hauling out” (fugir a predadores, regulação termal, actividade social, redução de parasitas, etc) ao som da airgun. As  focas diminuem o seu ritmo cardíaco, juntando um comportamento dramático deixando de se alimentar.

Um golfinho sofreu de rigidez e instabilidade na postura que progrediu para um estado catatónico e afogou-se a 600 metros de um disparo de som seismic 3D com todo o poder. Efeitos do stress ou mudanças fisiológicas, crónicas, podem inibir o sistema imunitário e comprometer a saúde dos animais. Isto já foi estudado em baleias e golfinhos.

Tartarugas

As tartarugas evitam as áreas de vigilância sísmica com air gun com um nível de 175 db. Em estudos foi detectada surdez. Uma airgun média a uma profundidade de 100 metros cousa impacto no comportamento das tartarugas numa área de 2 km. Em 2010 foi descoberto que 51% das tartarugas, divagavam e separavam-se no ponto mais próximo do raio de emissão da airgun.

Peixes

A seismic air gun danifica em grande extensão e a uma distância de 500 m da vigilância sísmica. Comportamentos a que se assiste são: mergulhar para profundidas não comuns, congelarem em grupo, ou entrarem em stress nadando exaustivamente. Perto de locais de operações sísmicas a redução de pesca foi de 40% a 80%. Estes efeitos podem durar mais 5 dias depois de finalizados os testes sísmicos e a uma distância de 30 km do barco. O impacto no crescimento dos ovos e das larvas incluem diminuição do número de ovos viáveis, aumento da morte embrionária, diminuição do crescimento da larva, e a sua habilidade para escapar a predadores.

Invertebrados

Os invertebrados também não estão imunes aos efeitos do som antropogénico. 9 Lulas gigantes ficaram encalhadas, algumas vivas, numa área de utilização de air gun em 2001 e 2003 em Espanha. Os ferimentos eram ferimentos internos, órgãos e ouvidos rebentados. Expostos a um som de 160 dB reagiram com o largar da tinta e um nadar rapidíssimo. Em cativeiro tentam fugir para uma zona com isolamento acústico. Os bivalves mostram stress acústico provado pela glucose. No camarão registaram-se ovários danificados e ferimentos no sistema de equilíbrio. Em 2013 ficou provado que playbacks de impulsos sísmicos durante o desenvolvimento da larva, causava um atraso no crescimento e em 46% existia má formação corporal, afetando o acasalamento.

Airgun Noise devem ser consideradas um poluente marinho com sérios impactos ambientais.

O Fracking (Gás de Xisto) e os Animais:

Como as Tar sands só o processo de abrir estradas, limpar os locais para o furos, armazenar, transportar e tratar já diz muito do impacto da exploração de gás de Xisto em Portugal e Vida Animal não humana.

Um Estudo indica que o processo de Fracking (Fractura Hidraulica) está a diminuir o tempo de vida, a afetar a reprodução dos animais de quinta (bovinos, caprinos, cavalos, galinhas, etc) e talvez a ter impacto mesmo nos Humanos. O estudo durou um ano, e foi baseado em entrevistas com criadores de gado e veterinários em 6 Estados: Colorado, Louisiana, New York, Ohio, Pensilvânia e Texas.

Os animais de quinta são cativos, cercados por arame farpado, ou cercas de madeira. Quando existem derrames ou contaminação das águas os animais começam a ficar fracos a morrer e a dar à luz filhos com mutações.

“Animals can nevertheless serve as sentinels for human health impacts,” Relatório: Impacts of Gas Drilling on Human and Animal Health

“Os animais podem servir como sentinelas para impactos na saúde humana”

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Em 1 caso, um derrame de fluidos de fracking no pasto resultou na morte de 17 vacas no espaço de 1 hora. As Vacas tiveram filhos mortos, as cabras apresentaram problemas de reprodução, etc… Os Fazendeiros relataram efeitos em 1 a 3 dias depois dos animais terem consumido a água toxica. Nas 7 quintas estudadas com mais detalhe, 50% da manada, em média, foi afectada pela morte ou problemas de procriação.

A água tóxica do Fracking é armazenada em lagos a céu aberto. No Kentucky Acorn Fork Creek foi derramado um líquido que deixou tudo laranja-avermelhado, contaminando o Riacho (Creek) com ácido clorídrico, metais e minerais dissolvidos e outros contaminantes. O Riacho era tão limpo que era conhecido como uma Fonte fora de comum de água. O Riacho é a casa do Phoxinus cumberlandensis é uma espécie de peixe actinopterígeo, protegido sobre o Endegered Species Act (ESA), por estar em perigo de extinção.

Os cientistas federais e estatais descobriram que os fluidos do fracking mataram virtualmente toda a vida marinha selvagem numa parte significante do Riacho.”

A Zona Oeste de Portugal já tem das piores qualidades de água devido á criação intensiva de gado: vacarias, aviários, suiniculturas, etc… E Também devido á extensão de árvores de fruto, pulverizadas constantemente, e da introdução da agricultura intensiva como estufas ou hectares de vegetais para os supermercados. Mas a exploração de gás de xisto vai acabar com o resto… Existem zonas protegidas devido á fragilidade do ecossistema e o impacto na vida animal, existem locais onde se tenta preservar e introduzir de novo animais e árvores que ali viviam.

No Algarve o trabalho para a preservação dos animais que habitam ou passam nas rias e na costa será destruído e os animais desaparecerão para sempre.

Não se vê grupos de proteção e preservação animal a criar uma resistência activa às petrolíferas em Portugal. Nada se vê dos grupos dos direitos dos animais ou Amigos dos Animais. Sobre os movimentos de libertação animal (sabemos que já se faz muito noutras causas e somos poucos… mas vamos a isso?)

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Se não acreditas investiga…!!!

 

Nuclear Não! Petróleo Sim?

Com a movimentação no Algarve devido aos trabalhos da Fonseca Furos, na área da concessão de Aljezur, fomos procurar mais informação e ficámos a saber que empresa é da Autoguia da Baleia, Peniche e que trabalhou com a Mohave Oil and Gas, que teve várias concessões na Zona Oeste e na restante Bacia Lusitanica. De certo a sua experiência foi levada em conta. 

Seguimos uma investigação que queríamos já ter feito. Saber o que se passa nos Estaleiros Navais em Peniche e a sua aposta no apoio ás petrolíferas, e principalmente o apoio da câmara ao projecto. O que nos levou também a criar este post foi a comemoração da revolta contra a instalação de uma central nuclear em Ferrel, Peniche, porque o presidente da câmara não sente o mesmo em relação à industria petrolífera, do que sentia em relação à energia Nuclear.

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No dia 13 de Março assinalou-se o 40º aniversário da revolta da populaçao de Ferrel, Peniche, contra a instalação de uma central nuclear. Nessa altura a população juntou-se e realizou a primeira manifestação nacional contra a energia nuclear em Portugal na localidade. A Câmara Municipal de Peniche aproveitou para apresentar o “Wave Roller” para aproveitamento energético das ondas, em desenvolvimento na área onde era para ser construída a central nuclear. Estiveram presentes pessoas como António Eloy, que esteve recentemente num debate no Algarve sobre a extração de gás e petróleo em Portugal, e José Luís de Almeida Silva, que organizou o Festival Pela Vida e Contra o Nuclear em 1978. O presidente da C.M. de Peniche, António José Correia salienta que  “a minha terra não seria a mesma se o nuclear tivesse ganho.”

O Reactor nuclear seria fornecida pela Alemanha, e o PCP não se opunha a uma central nuclear desde que que fosse soviética.  também “o cluster de Surf, não teria a mesma essência nem projecção mundial se os surfistas co existirem com uma central nuclear.”

Muito boa, a movimentação popular contra o nuclear. Mas o problema é que o autarca não vê as petrolíferas como uma ameaça ao bem estar da população de Peniche, nem ao ambiente. Será que para ele uma luta e revolta contra as petrolíferas também virá a merecer ser institucionalmente comemorada e com direito a placas nas localidades?

Cluster do Mar

A C.M. de Peniche mostrou-se favorável ao alargamento da área dos estaleiros navais da cidade para mais 20 hectares, inseridos no plano de melhoramentos para a construção de plataformas petrolíferas, plataformas de gás… e da energia das ondas. António José Correia (CDU), presidente da câmara de Peniche disse “a câmara vê com interesse a proposta de alargamento da área portuária”.

O autarca reconhece que estas obras serão um passo para o estaleiro iniciar as estruturas para exploração de gás e petróleo. Fala dos postos de trabalho que vão ser criados, e que os trabalhos terão de ser compatíveis com o Turismo. A câmara propôs oferecer mais 2 hectares de terreno em troca de obras na praia do Molhe Leste.

Os estaleiros foram comprados por 14 milhões de euros pela Oxi capital. Joaquim Goes, ex administrador do BES, ao lado de Ricardo Salgado até ao colapso do grupo, chegando a trabalhar com a nova administração de Vítor Bento até Julho de 2015, é nomeado administrador do Fundo de Capital de Riscos; Aquários, da Oxy capital, que dirigem o Turismo de Luxo, que adquiriram ao grupo Amorim Turismo. Goes está no processo de investigação do Banco de Portugal.   Na compra dos estaleiros entrou também o  grupo Amal-Construções Metálicas, com um fundo de capital de risco. A AMAL têm como principais clientes 8 das 10 maiores petrolíferas mundiais, entre várias empresas de produtos químicos, e outras empresas como Portucel, Siemens, e outras pequenas empresas que dependem de refinarias, como a Air Liquide.

Sua MissãoAssegurar uma resposta competente e competitiva às solicitações dos mercados Nacional e Internacional da Metalomecânica de apoio à indústria nomeadamente à Petrolífera.”

No seu portefólio tem a construção de tanques de armazenamento de gás no Funchal, tanque de gás Repsol em Sines, Reactor de refinaria no Porto,, Flare Refinaria de Sines, LNG Guiné Equatorial , Refinaria nos Camarões, etc…

O anterior dono do estaleiro tinha avançado com um processo de insolvência extrajudicial junto do Instituto de Apoio às pequenas e Médias empresas e à Inovação (IAPMEI), para renegociar com os seus credores a dívida de 15 milhões de euros. Entre os credores estava a Banca, o Estado e fornecedores.

Sabendo as intenções das petrolíferas, sabendo a intenção de quem investiu no Estaleiro, sabemos que por eles toda a área Oeste terá uma área de interesse Petrolífero, desde as plataformas offshore, passando pela adapação dos portos pela costa, a construção de clusters dedicados ao apoio à industria petrolífera, ao locais para armazenamento de gás, concessões petrolíferas em terra, a intenção de quem cria “empregos verdes”, precisamos de saber: O que sabe e quer a Câmara Municipal de Peniche e a população local no que diz respeito à exploração de gás e petróleo em Portugal e no Mundo?

Com a decisão da AMAL em rejeitar a exploração de Gás de Xisto no Algarve em assembleia, o que pensam as autarquias no resto do País?

 

 

Relmu Nanku, petróleo na Argentina

Conhece a mais recente terrorista absolvida na Argentina. Foi absolvida… mas o seu sorriso pode ser apagado “pelo gatilho fácil” como a uma companheira sua mapuche…

TODO POR PETRÓLEO?

Tradução de uma zine vinda da Argentina até à Frackanpada e agora até vocês…

Poderás ser  tu o próximo terrorista?

Petróleo no Norte da Patagónia, Argentina

Todos Somos Relmu Nanku

Repressão sobre os Mapuche, utilização politica da justiça e presença do FBI nos nossos territórios.

Allen- o Tribunal Superior da Justiça de Rio Negro declarou a inconstitucionalidade da ordem que em Allen proibia  a utilização  do método de fracturação  hidraulica para a extracção de hidrocarbonetos

 

Em Novembro de 2013 os magistrados consideraram que a província tem “competência exclusiva” para legislar em matéria de hidrocarbonetos.

Num extenso texto que foi emitido em Março, o órgão judicial máximo da província falou sobre a causa “província de Rio Negro contra municipalidade de Allen sobre conflito de poderes. Na sentença, os integrantes do STJ analisaram os antecedentes do tema, incluindo as actuações que se promoveram desde a Fiscalía do Estado para que se declare a nulidade da ordem antifracking.

A norma foi sancionada em Agosto, quando um grupo de populares se mobilizou até ao Concelho Deliberante.

Entre as conclusões do documento, o Juiz Ricardo Apkarian indicou que “ou bem que os municípios exerçam no seu território as faculdades da policia ambiental, devem fazê-lo sem invadir a esfera das competências provinciais. Assim proibir de forma absoluta uma prática de exploração de hidrocarbonetos constitui, no meu critério, uma interferência directa e imediata com o exercício de atribuições constitucionais  da província. Devido ao exposto, e demonstrada então a ausência  de competência material do Concelho Deliberante do município de Allen para ditar a ordem, conclui-se que a mesma resulta inconstitucional por violação de artigos da constituição nacional e da constituição da província.

Magadalena Odarda, Legisladora

“O STJ não é independente”

A legisladora e senadora eleita, M.O. (Frente Progressista) também opinou sobre a sentença do STJ. Odarna, que manteve um vinculo permanente com membros da assembleia que estão contra o método de Fractura Hidráulica, assegurou que o texto que declarou a inconstitucionalidade da ordenança anti fracking demonstrou que o órgão máximo judicial não é independente.

“Não estamos a falar de questões abstractas, mas sim de decisões com base numa maioria  de juízes, muitos impulsionados pelo governador, num conselho da magistratura  influenciado por Weretilneck”, disse a senadora numa entrevista concedida à FM Terapia. “ Tem de se ir  ao Tribunal Supremo e aos tribunais internacionais se for necessário. Porque Quando o povo diz não, é não”

Enrique Viale, advogado

Uma resolução #expresso#

Presidente da Associação Argentina e Advogados Ambientalistas, qualificou o texto do STJ como “expresso” e assinalou que o mesmo “está intimamente relacionado com a eminente compra da Apache pela YPF-Repsol, que não quer nenhum impedimento legal para a extracção não convencionais em Allen onde a empresa norte americana tem os seus maiores activos.

Depois da Chevron, o FBI

2014

Convocamos a todxs os seres humanos, famílias das vitimas de gatilhos fáceis, vizinhxs, colectivos, povos indígenas, organizações sociais, sindicatos, partidos, equipas de desporto, bibliotecas populares, instituições religiosas, artistas, para condenar este abuso sobre a democracia e dizer ao FBI! Já chega de imperialismo!!! Não passarão!!! Assembleia Permanente del Camahue pela Água.

Depois da Chevron, o FBI (… e depois o quê?)

Nos surpreendeu como populares auto-convocado,  saber que, o governo provincial querer defender a sociedade neuquiana por meio de uma suposta força de 25 fiscais provinciais e 25 policias a cargo e técnicos dos FBI que depois de ser protagonista em tantos filmes de hollywood desembarcam nas terras da Vaca Muerta.

La Triada $apag (governador), Gastaminza (ministro de seguridade) e Gerez (fiscal provincial) promete um filme policial e de terror. Fora a metáfora, a situação de segurança na província é muito grave. Com isto não nos referimos aos roubos nas casas, mas sim aos amparados atrás de um uniforme, que abusam da autoridade e exercem violência que vai além da força pública institucional, violando em muitos casos os direitos básicos, até á morte.

Em 2013 as ruas foram cenário de actos de extrema gravidade no marco da violência policial. O assassinato de Willy Gutierrez e a repressão de 28 de Agosto para defender a aprovação do acordo YPF-Chevron, entre outros falam por si. Esta capacidade, que significa uma viagem grátis até a Patagónia para os policia dos EUA, mostra o medo que o governo tem do povo, que não tolera mais  medidas grotescas do MPN. Por sua vez também a fortificação  da legislatura por meio de paredes que o governo fez levantar durante o Verão, expressa a sua profunda inquietação e inseguridade.

O problema de segurança é uma arma multifacetada. Normalmente quando os governos falam de segurança referem-se sempre á defesa (até armada) da propriedade privada e dos proprietários. Este caminho, pago através de um convénio entre  o Concejo Federal de Inversiones (“organismo federal cujo objectivo fundamental é promover o desenrolar harmonioso e integral da províncias e regiões argentinas”) e o governo provincial tem como conteúdo os seguintes módulos: “Manejo del lugar e hecho”; “Investigatíon del Barrio”; “Introduccion a las bandas/organizations criminales”; “Como testimoniar en juicio”; Estroctura de una estrevista”; “Técnicas para escuchar activamente”; “Protocologo para interrogatório”; e “Deteccion del engano”, entre outras temáticas.

Assim se põe em marcha um dispositivo de repressão que faz pensar na activação da lei antiterrorista a nível provincial. Só na província de Neuquen existem 600 processados e 50 presos por lutas sociais. Se olhar-mos aos conteúdos dos módulos também não podemos deixar de pensar nas metodologias poucos convencionais que se utilizaram para condenar a perpetua os 9 petroleros de las Heras, um precedente muito perigoso para este tipo de processos penais. Todo isto nos devolve a atmosfera da ditadura militar mas com novas e mais nefastas tecnologias repressivas e de controlo.

Segundo o fiscal Gerli: “ O FBI não vem a qualquer lugar, só vem aos lugares onde pode confiar na transmissão da sua metodologia. Foi realizada uma avaliação inicial do que representa o Ministério Publicon Fiscal e a Policia, e na base dessa analise o FBI está disposto que venham directamente desde Washinton para nos capacitar. Não lhes é igual que seja em qualquer lugar e qualquer capacitado.”

Por uma vez concordamos com o fiscal sabendo que se vem cá é para defender o petróleo da Chevron e suas inversões eco-genocidas e que se encontram com funcionários prontos a matar.

(Depois da Chevron e do FBI, o que vêm)

Depois vêm a Justiça das petrolíferas

2014

“Num mundo realmente invertido o verdadeiro é um momento do falso” Guy Debord.

4 milhões de pesos argentinos é a quantidade que vai pagar a YPF e a Chevron para financiar um laboratório de analises de ADN forense na província de Neuquén. $apag disse: “vamos utilizar esses fundos de responsabilidade social empresarial para comprar este equipamento, para termos essa autonomia, para não depender de institutos privados nem instituições nacionais.”

É evidente que a autonomia  a que se refere o governador , é a autonomia  das empresas que financiam as instituições da (in)justiça provincial que intensificam a impunidade que desde sempre as caracteriza. Igualmente na província vizinha de Rio Negro também em Neuquén esta-se a exercer de modo explícito a burocracia judicial para instalar o fracking, calar as vozes contra e subordinar a outros poderes de estado democrático.

Em ambos os casos uma importante inversão do conceito de estado de direito. Se Weretilneck move os seus juízes para vetar as decisões populares e do poder legislativo, e sobre tudo ignorar a prevalência do direito ambiental, $apag prefere financiar os órgãos judiciais utilizando a responsabilidade social empresarial, e desta forma legitimar um compromisso social para evadir qualquer tipo de controlo.

Hoje desde há tempo, a justiça na província de Neuquen está nas mãos de fiscais e juízes corruptos que cumprem suas tarefas de criminalizar o protesto e ser condescendentes  com a vontade das petrolíferas contra os povos que defendem o seu território. Não é por acaso que alguns deles como Sanchez Tabaoda, Fiscal contra a comunidade mapuche Winkul Newen, recebe capacidades pelo FBI na nova esquadra de policia em Neuquen. As 2 caras da repressão, uma violenta e outra directa, a outra um efeito de dominação permanente e anestesiante.

A responsabilidade empresarial é algo mais que corrupção comum e corrente que formaliza as multas que recebem os funcionários. É um sistema de controlo social para adaptar a sociedade à vontade das empresas, é a alma de caridade do neoliberalismo que faz da economia descontrolada, o principio de auto afirmação do mercado frente ao Estado cúmplice.

No gansterismo actual, no qual os governadores e os juízes são uma extensão das corporações, convida-se a estas mesmo a financiar os organismo de controlo e regulação das actividades que eram contaminação e roubo ( como o caso de fiscais ambientalistas). Que seria então da defesa do território, dos direitos humanos fundamentais e por si a defesa da vida, se é controlador e ao mesmo tempo quem devia ser controlado?

Petrolíferas ajudam a policia em Anelo

A esquadra foi aumentada. Agora existe um plano mais ambicioso de 11 hectares.

O município de Anelo já reservou nos próximos dias a assinatura da escritura de uma área de 11 hectares para a esquadra da policia destina a consolidar uma nova central da policia que cobrirá a área petrolífera de Neuquen que vai de Ricón de los Souces a Cutral Co. Para as infraestruturas pediram  ajuda ás empresas de petróleo.

“O objetivo é que em poucos anos se construa uma nova central policial que cobra a área petrolífera desde Rincón de los Sauces a Cultral Co e que funcione paralela à central policial de Neuquen”, explicou o intendente de Anelo, Dário Díaz.

O plano conta com a aprovação do chefe da policia neuqniana, Raúl Larerda, que assegurou que “em curto prazo vamos enviar mais 30 a 40 efectivos policiais para Anelo, onde se desenvolverá um novo plano para o edifício cedido”.

Em diálogo com “Rio Negro” Laserda explicou que “já conversámos com algumas empresas petrolíferas que estão dispostas a colocar uma infraestrutura necessária para que possamos inserir mais 30 a 40 efectivos no sector, e a própria policia também está a avançar com os expedientes para fornecer toda a logística para reforçar a área desde a segurança.”

Para agilizar os prazos, o município cumprirá o rol de contactos entre a força policial e as empresas petrolíferas sobre Vaca Muerta, já que são estas que através dos programas de responsabilidade social empresarial assumam as obras necessárias.

“Não é que queiramos que o desenvolvimento seja completamente realizado pela empresas , mas procuramos que nos ajudem o mais possível”, assinalou Dìaz. Deu como exemplo “já temos 17 policias que estão a viver num edifício que pertencia  a uma empresa de serviços.”

A nova central policial “petrolífera” não seria só mais uma esquadra, mas contaria com a instalação de departamentos e direcções especiais. “ O edifício é grande porque apostamos em algo grande, no desenvolvimento de hoje a 20 anos”, disse diaz.

O dobro dos agentes

Durante este ano a policia duplicou a sua presença em Anelo. Hoje são 57 efectivos a prestar serviço.O crescimento do nr de policias havia sido solicitado pelo intendente Dário Dìaz no inicio do ano, quando da explosão da actividade petrolífera trouxe consigo uma vaga de roubos na população.No inicio do ano a esquadra contava com 28 agentes. A meio do ano eram 40 policia e desde a semana passada 57.O aumento do plantel da unidade policial  foi facilitado também pela ampliação do edifício na parte velha da cidade e a construção de uma vivenda para chefes de unidade.

2015

Neuquen: “Fora as malditas petrolíferas do território ancestral Mapuche”

Repudio ás declarações da SEJuN. Todo o apoio a comunidade Winkul Newen

Desde a Multisectorial por el Desprocesamiento de las Autoridades de las Comunidades mapuche Winkul Newen y Winoy Folil repudiamos energéticamente as declarações da actual direcção da SEJuN, que dá aval à perseguição e criminalização de nossxs irmãos mapuches, para quem se pede condenação respondendo assim aos interesses da corporação, do poder judicial do Estado e das petrolíferas. Assim convocamos a todas as organizações sociais, politicas e grémios do Alto Valle de Rio Negro e Neuquen e do resto do País, assim como também aos restantes povos originários, a manifestar-se publicamente  contra as declarações de Paula Sanchez, secretária geral da SEJuN.

Desde o inicio que os nossxs comanheirxs manifestaram o seu pesar pelo lamentável acontecimento que levou ao ferimento de Veronica Pelayes, entendendo-a como mais uma vitima da politica saqueadora  e injusta que impulsionam o governo provincial e nacional, a favor do lucro das empresas petrolíferas multinacionais e da estatal YPF. Repudiamos também as declarações racistas que foram ditas uns meses atrás pelo oficial de justiça Veronica Pelayes na sua conta facebook, acusando os mapuches de nazys e invasores. Cremos que esta declaração está em consonância com um projecto estigmatório  por parte das classes dominantes a fim de criar uma opinião pública favorável a esta politica de repressão e despejo dos nosso povos originários.

Recordamos que no ano passado na localidade da Villa La Angostura se levou a cabo uma mobilização “pela justiça e contra o mapuche invasor” organizada por funcionários, donos de terras e comerciantes.

Nossxs companheirxs mapuche resistem à tentativa de usurpação do seu território  ancestral, por parte das petrolíferas que tem todas as garantias do Estado para ingressar no território da comunidade e realizar escavações para extrair hidrocarbonetos sem importar as consequências sócio ambientais. Devido ás diferentes acções de resistência levadas a cabo , a comunidade tem recebido incontáveis tentativas de desalojo, inspecções em plena noite, militarização constante dos espaços culturais e de pastorícia. Um dos últimos desalojo foi impedido pelas mulheres da comunidade quando se regaram com fogo e ameaçaram incendiar-se . As tentativas de desalojo que se seguiram foram acompanhadas de ambulâncias e bombeiros de Zapala.

O Yacimiento Portezuelo Norte encontra-se sem operar desde 2012, devido à resistência da comunidade Winkul Newen, que pediu à Subsecretaria do Meio ambiente  e de Hidrocarbonetos e energia da província de  Neuquen  o saneamento ambiental com perspectiva cultural, mas no dia de encerramento nada foi resolvido. Perante os derrames, fugas de gás, morte de animais, jamais as autoridades governamentais se fizeram representar, por isso muitos locais contaminados estão sem nenhum tratamento.

Esta situação aprofundou-se no final de 2012, quando durante um funeral (eluwun) de uma bebé que só viveu poucas horas, devido a más formações provocadas pelas contaminações ambientais – a juíza Ivonne San Martin do tribunal de Zapala, cidade a 50 km da comunidade, lançou uma nova ordem de despejo da comunidade. Quando a comunidade advertiu uma coluna de máquinas e camiões da empresa Apache que estavam a poucos metros  da barreira colocada pelos resistentes para impedir a passagem das máquinas, os companheirxs decidiram resistir à ordem de despejo, defendendo-se com pedras no momento em que a oficial de Justiça Verónica Pelayes ordenou ás maquinas para entrar no território.

Feito isso, a oficial de justiça saiu ferida, e aumentou a perseguição política e judicial contra as autoridades tradicionais da comunidade, iniciando-se uma causa judicial para os supostos delitos de homicídio agravado em forma tentada e dano agravado contra Relmu Nanku, e dano de delito agravado a Martin Maliquedo e a Mauricio Raín, o que implicou um aprofundamento do processo de criminalização dos protestos, em um contexto de defesa do seu território e dos direitos humanos e do povo originário.

Mas o poder judicial não viu da mesma maneira na hora de investigar e julgar a violência sofrida pelo Povo Mapuche, ver que a comunidade. meses antes do acontecido, denunciou um golpe pedido pela Apache. Na mesma, integrantes da comunidade foram gravemente feridos, entre eles, Petrona Maliqueo Pillan, Kushe- autoridade filosófica e espiritual-, fortemente golpeada na cabeça e rosto; Violeta Velásquez, nesse momento grávida, golpeada na barriga e rosto; e Maximiliano Morales, na altura menor de idade, ferido por bala nas pernas. Isto foi denunciado pela comunidade na Fiscalia de Zapala, e investigado por Marcelo Jofre e Sandra Gonzales Toboada, os mesmos fiscais da instrução pela tentativa de homicídio. A causa está quase a prescrever, e nunca mais se investigou a denuncia efectuada pela comunidade.

Seguimos a defender que os nossxos companheirxs são perseguidos políticos, para exemplificar ao resto dxs que resistem e lutam. Estamos solidários com a sua causa que também é a nossa.

Basta de perseguir e processar xs que lutam!

Fora as malditas petrolíferas no território Mapuche que só deixam contaminação, doenças e morte! Não ao Fracking. Todxs somos Cristina Lincopan! Todos somos Relmu Nanku!

Uma mão cheia de petróleo

Causa contra as comunidades mapuche Winkul Newen y Winoy Folil

Por Juliana Díaz Lozano e Eugenia Morengo

O “progresso” sabe a petróleo e soa como um grunhido de máquinas sem pausa nas extensas planícies da zona centro de Neuquen. São as cegonhas metálicas que chupam o crude que sustenta a MNP e a burguesia petrolífera do país. Chamar-lhes cegonhas é um eufemismo que oculta a rapina destas aves  que se reproduzem na zona. Para as famílias da comunidade mapuche Winkul Newen, vier com as cegonhas entre a humildes casas que habitam não trouxe nenhum progresso, mas sim incontáveis doença e repressões.

Nos primeiros anos deste ciclo, como o ressurgimento do extrativismo, as famílias que ancestralmente  viviam ali, assistiram dia a dia à multiplicação ao redor das estacas com que as petrolíferas assinalavam as futuras perfurações. E a pouco e pouco foram organizando a resistência contra a sucessão de empresas concessionárias que mudavam de nomes mas não de politicas. Foi nesse momento que a comunidade iniciou os bloqueios da Ruta Provincional N.17, a mesma que constitui a entrada aos caminhos internos que vão dar aos poços. Nestes 50 anos as forças repressivas desalojaram infinitas vezes as famílias que defendiam o território com armas de todo o tipo, e todas as vezes, apesar dos feridxs e das ameaças a comunidade seguiu resistindo. Mas nos últimos anos, a estratégia do governo e da actual concessionária Apache Corporation está mais elaborada e perigosa. O alto de Relmu Namku, mulher integrante da comunidade, reconstitui uma armação que dá conta e que a criminalização é um processo planificado e que tende a ser aprofundado

Do protesto à criminalização: a armação da causa.

Ano de 2012. eram 15.00 do dia 28 de Dezembro quando a oficial de justiça Verónica Pelayes, sem notificação prévia, entrou no território da comunidade Winkul Newen com uma ordem de desalojo da Juiza Ivonne San Martín, que habilitava a petrolífera Apache à exploração do Yacimiento Portezuelo Norte.

A empresa Apache, actualmente vendida à Yacimientos del Sur, filial da YPF, tem 9 poços de petróleo e gás activos na zona. A intenção de desalojamento foi avançar sobre a comunidade para abrir em seus territórios mais 40 poços.

Sobre a estrada de acesso, uma máquina esperava pelo visto da oficial rodeada por policias e camionetas da empresa, para iniciar o desalojamento: “Nós vamos entrar”., disse a oficial, e numa demonstração de poder deu a ordem e não se ouviu mais. A Máquina avançou e as famílias começaram a defender o seu território.

De imediato os integrantes da comunidade Winkul Newen bloquearam a estrada e resistiram atirando pedras. Eram 20 no total, só 8 adultos. “actuámos em legitima defesa, defendemo-nos da máquina que ia passar por cima do que é nosso. já estamos fartos da violência com a policia, onde irmão foram baleados no meio dos campos. Golpearam jovens e mulheres grávidas. Sabíamos  o que tínhamos pela frente, se queriam passar por cima de nós passavam”, explicou Relmu.

Veránica Pelayes é uma oficial de justiça conhecida na província pelo seu racismo contra as comunidades. Frente á resistência da comunidade, retirou-se de imediato, entrou no carro e desapareceu. tinha-se conseguido parar o desalojamento.

Horas mais tarde, estávamos reunidos na sede da Confederacion Mapuche de Zapala, observando a policia que estava lá fora. “ Pensávamos que era por outra coisa, até que nos demos conta que nos iam buscar.” Detiveram-nos. Nesse dia foram detidos Relma Namku e Martin Maliqueo da comunidade Winkul Newen, e Mauricio Rain da comunidade Winoy Folil. Durante a resistência ao desalojo uma pedra atingiu a oficial de justiça. , sem causar danos de maior.

No inicio, Pelayes apresentou queixa por lesões graves. Mais tarde, mudou de queixa e Relmu foi acusada de delitos de dano agravado e homicídio agravado de forma tentada. Para isso, a oficial de justiça alterou todo o relato dos acontecimentos que sucederam a esse dia. A estratégia foi idealizada juntamente com Julián Àlvarez, advogado de Pelayes, que tem em seu poder muitas outras causas contra a comunidade Mapuche a favor dos interesses das petrolíferas. Como advogado, também é defensor de Pedro Laurentino Duarte, um juiz da ditadura militar.

“ A pessoa que ficou ferida tem um perfil determinado: não é um mapuche ferido, mas sim alguém da corporação judicial.” disse Relmu, e adverte sobre a profundidade do processo de criminalização e perseguição politica das comunidades. Os argumentos da causa encaixam nos fundamentos da lei antiterrorista, mas não lhe dão o nome. Paralelamente, foi iniciada uma ofensiva sobre os meios de comunicação, gerando um estigma sobre as populações. “Foram denomizando a nossa imagem, com a ideia de que vamos aterrorizar a população, para introduzir a lei anti terrorista. Demonizam o povo Mapuche, nas sociedades que não nos conhece, que não sabe dos nossos objectivos são contrários. Baseiam-se nessa lei para configurar esta causa a partir da qual vão poder imputar a mapuches e não mapuches que resistam a este modelo e que exijam os seus direitos.”

No dia 13 de Abril passado levou-se a cabo, na localidade neuquina de Zapala, a audiência de reformulação  de acusações em causa, a fiscal Sandra Gonzales Taboada pediu 15 anos de prisão para Relmu Namku.

O julgamento por jurados

A partir da aprovação do novo código processual, o sistema penal da província de Neuquen está pondo em prática a medida de julgamentos por jurados. “ Aqui fica bem chamar jurados, já que se pede uma pena alta, não convêm á justiça por 1 juiz a condenar com uma pena tão grande o povo Mapuche. O problema é que estes júris vão ser elegidos dedo a dedo e vai ser incorporado por elementos das petrolíferas. Hoje enfrentamos a Apache na sua causa, mas também temos outras causas quando fomos acompanhar lutas de outras comunidades contra a exploração petrolífera. Então, que melhor do que criminalizar quem luta, chegar a uma condenação, e marcar um antecedente”, manifesta Relmu.

A data que se elegeu para o julgamento também expressa uma provocação sobre a cultura e direitos ancestrais do povo mapuche. entre 21 e 24 de Junho festeja-se o ano novo mapuche. E na província de Neuquen no dia 23 e 24 foram declarados feriados provinciais, como um reconhecimento das comunidades. “È uma cerimonia  muito importante para o povo em geral que está em crise com o Ocidente, com a colonização. Junho é para nós a renovação do ciclo da natureza, o momento em que também renovamos nosso compromisso para defender o nosso território.”

Num contexto eleitoral, as comunidades denunciam como a criminalização do protesto se utiliza em Neuquen de forma sistemática como meio de disciplinar. “Entendemos que esta não é uma causa técnica, mas 100% politica. Portanto, o que temos de fortalecer e enfatizar é o politico,” afirma Relmu.

A repressão, a armação de causas, o julgamento por jurados, a figura do terrorista, são mecanismos que construídos pelo Estado, para dar uma pena exemplar através do aparato judicial, tentando travar a luta contra o modelo extrativista, o direito legitimo sobre o território e a soberania dos povos. A repressão não parou na década dos direitos humanos, apenas se tornou mais sofisticada, federalizada e selectiva. Fundamentalmente estruturada para defender os pilares do modelo: o extrativismo: o despojo de território e a precariedade da vida.

Moreia -1

Sondagem Moreia-1, no offshore da Figueira da Foz, na bacia Lusitânica.

Moreia-1

Entre 1973 e 1979 foram abertos concursos de pesquisa internacionais e já sob a nova legislação do petróleo que dividia as zonas de pesquiza, onshore (em terra) e offshore (no mar), em blocos. Em duas das sondagens, Moreia-1 e 14 A1, chegaram-se mesmo a produzir pequenas extrações de petróleo em “drillstemtest”.

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Texto abaixo retirado de mestrado: 

Dentro do contexto petrolífero apresentado para o poço Moreia-1, e tendo em vista as recentes interpretações tectono-estratigráficas para esta área (apresentadas de forma resumida ao longo do capítulo Bacia Lusitânica) por parte de STAPEL et al. (1996), RASMUSSEN et al. (1998) e ALVES et al. (2002, 2003a), podemos sugerir, que o momento crítico (geração/migração/acumulação) teria ocorrido após a deposição da Formação Grés Superiores (fase tardia do rifte 2; final do Neojurássico – Figura 43) e antes do período de erosão generalizada no Eocretácico (Neocomiano) que levou á exumação de parte das sequências deposicionais do Neojurássico (TERRINHA et al., 2002), no caso específico, seção superior da Formação Grés Superiores (sequência J50; Figuras 10a, 10b e 15c), observada sobre o alto estrutural formado pela almofada de sal Mo (Figuras 6, 10a e 10b).

Sugere-se assim, que o momento crítico teria ocorrido no final do Neojurássico (fase tardia do rifte 2), pelos seguintes fatos (Figura 43): (i) é o período de maior influência da tectônica salífera no local do poço Moreia-1 (ALVES et al., 2002) e, portanto, a movimentação do sal poderá ter sido responsável pela fraturação do folhelho que serviria de rocha selante à estrutura estratigráfica.