NoFracking en Burgos… Espanha

Os estrategas da catástrofe.

f0cb7c6ae58767439b8aadef92542c62_XLAo largo destes  intensos 10 meses de evolução como assembleia contra a fratura hidráulica temos vivido momentos apaixonantes, misturados com ilusões e empatia. Sem retroceder um passo, podemos afirmar com orgulho que continuamos a dizer um não redundante ao avanço de uma mundo destruidor. Depois destes meses nem tudo é alegria ou ilusão, também surgem fantasmas que assolam as nossas assembleias, misérias e miseráveis que jogam ao despiste, uns dias em casa e outros fora, às vezes opacos outras vezes públicos e democráticos, mas sem duvida com o mesmo fim: Vender o progresso com todas as regalias do segundo milénio.

O primeiro a atirar uma pedra foi o socialista Patxi López que nos vendeu o gás como solução para os males energéticos e da Nação. Mais à frente, descobrimos que a Repsol e outras empresas da energia combinavam uma reunião com a imprensa mediática para falar da fratura hidráulica, impondo um protocolo sobre o que se podia ou não dizer sobre tão delicado tema.

Por outro a administração e seus partidos calam-se, um silencio cúmplice da atrocidade que nos cai em cima. E ai a arrogância das empresas energéticas com interesse no jogo, mostrando às caras o acordo feito pela casta política e demais burocratas neste novo macro-projeto.

Mais à frente o governo Basco, com o seu carácter democrático, organiza umas jornadas sobre energia em que os protagonistas eram as multinacionais energéticas. Assim as assembleias contra a fratura hidráulica de Arada y Cantabria acudiram-se na democracia, quando ali já se tinha vendido tudo.

spanish-projectEm Burgos, a BNK Petroleum entrava em nossas casas através de propaganda no diário de Burgos, com noticias de conceções de permissões, ocultação de informação e saturação de propaganda que abra caminho. Por outro lado, a empresa infiltra-se entre as decisões dos nossos povos para lhes vender o progresso e algum favor que ultimamente abundam, só convidando para reuniões políticos sem opinião, procurando a divisão, mediante doses de democracia.

Como se isto fosse pouco, o descaramento das empresas com interesses económicos depositados na fratura, uniu-se à ciência, certificando assim a sua técnica, para não haver dúvidas. Assim, pela Universidade de Burgos, se apresenta a fratura hidráulica aos engenheiros e a destruição à sociedade. Ou pelo menos tentam. Que melhor canal de informação que as universidades. Certifica-se que a ciência universitária é inquebrável e portanto, boa para o conjunto da sociedade. Não nos podemos negar ao progresso. Destas jornadas vemos que mentem mais do que falam.

Finalmente tivemos em conta que as suas bandeiras de propaganda se baseiam na criação de postos de trabalho (temporários e precários) utilização de processos com produtos contaminantes (“ a tecnologia é a revitalização da técnica dos EUA”… “ utilizam-se os mesmos produtos que contêm um champô, pode-se beber” e por último aquilo a que chamam revitalização e impulso das zonas afetadas.

Durante este período também existem pequenas vitórias que sabem bem.

Em Sedano a mobilização popular deixou claro qual o sentimento das assembleias, os povos encheram as festa dos patrões e encontros para os informar de uma posição e reivindicação que já supera sem duvida o esperado por quem esperava a derrota das assembleias, da horizontalidade, abonando a necessidade de “organização” (delegados, representantes,lideres…) de um canal formal de comunicação com outros meios oficiais…. e assim a auto-organização esta nas ruas. Bom exemplo disto, é a posição do município de Poza de la Sal, que é contra a fratura devido à pressão nas ruas dos seus habitantes.

As assembleias funcionam porque existe apoio mutuo, as pessoas não só simpatizam ou participam no que as outras pessoas preparam, como sentem fazer parte deste conflito. È verdadeiramente algo de novo, recuperar a autonomia para decidir como queremos questionar as nossas energias, em função das possibilidades, ser capazes de fazer ruir as multinacionais, impulsionar redes de distribuição local, enfrentar os macro-projetos que limitam a nossa própria existência a uma mera sobrevivência sem pena nem glória, mediante estruturas horizontais, em assembleias sem dirigente nem dirigidos pela defesa da nossa natureza em guerra permanente contra o nocivo e quem o gere.

pueblos fracking burgosProblemas de Saúde

As repercussões do fracking na saúde esta a começar a ser conhecido agora, depois de 10 anos da utilização da técnica.

Com as empresas a ocultar dados e sucessos, amparados pela legislação, ou, melhor, pela falta de legislação sobre o tema, tem sido necessário um tempo para que as consequências não se possam esconder.

Grassas à pressão popular e dos grupos que se opõem ao fracking, puderam- se fazer alguns estudos que confirmaram as contaminações das águas subterrâneas e superficiais.

Dado que os produtos contaminantes produzem efeitos na saúde sobretudo ddo tipo crónico, deve-se saber quais são as consequências concretas, é evidente que existem, o valor dependerá da concentração dessas substâncias em poços e nos animaispara alimentação e legumes  que utilizam essas águas.

As águas subterrâneas e, consequentemente as superficiais, são contaminadas pelo fraking, está documentado. Deve-se principalmente aos poços, e armazenamento de fluidos.

Que os poços falham é uma certeza sem controvercias, está documentado pela própria industria que aponta para fugas de 5% nos poços novos, que vai aumentando com o tempo, podendo chegar aos 50% em poucas décadas. Dado que na fase de exploração se perfuram centenas ou milhares de poços em áreas relativamente pequenas, estamos a falar de uma quantidade de poços defeituosos realmente importante, com consequências severas ao nível da contaminação.

Este é um problema crónico, que não tem solução. A industria gasta milhares de milhões de dólares para tentar solucionar o problema, sem êxito.

È interessante ressaltar que daqui a umas décadas estes poços estarão e verter, libertando contaminantes na água durante décadas, mesmo que só tenham sido fraturados uma vez.

Até agora as consequências para a saúde de tipo agudo que têm sido vistas, tem-se devido à exposição aguda de trabalhadores que manejam os produtos químicos tóxicos utilizados no processo e em animais domésticos que estiveram expostos a derrames para as águas ( estão documentadas mortes massivas de animais em pouco tempo e problemas severos de reprodução). Dado que o ser humano tem um ciclo reprodutivo mais prolongado, as consequências são mais difíceis de imaginar, e levarão mais tempo. Está certo que o homem que beber água dos poços terá um efeito na saúde será mais do tipo sub-agudo ou crónico, mas não menos importante.

A avaliação será complicada, já que a lei não obriga a realizar análises prévias ao começo da atividade, com o qual é fácil iludir desde o ponto de vista legal, que certas substâncias já estavam presentes antes do fracking, mesmo que se possa demonstrar o contrário, mesmo que as evidências sejam avassaladoras ,e que as probabilidades que a contaminação tenha outra origem e coincida de forma casual com o fracking, são ínfimas.

Vejamos que tipo de substancias podemos encontrar na água e que efeitos podem produzir.

fractura-hidraulica2No processo de fractura hidraulica utilizam-se por parte da industria uma serie de produtos químicos, com diversos objetivos.

Ao longo do tempo em que se utiliza o fracking nos EUA, foram revelados 250 produtos utilizados no processo, em distintas combinações segundo a corporação, necessidade, etc…

Existem muitos mais que não se conhecem porque a lei não obriga a industria a revelá-los.

58 dos conhecidos tem efeitos prejudiciais para a saúde, , e 15 estão na lista da UE para substâncias de notificação obrigatória pela sua perigosidade.

2 fazem parte da lista prioritária da UE: Benzeno e Nafta. Ambos são conhecidos cancerígenos. Tolueno, Xileno, etc.

Todos eles tem efeitos sobre diversos sistemas corporais, mas especialmente sobre o sistema respiratório e o sistema nervoso.

Mas no solo não é o que se injeta, mas sim o que se liberta das formações rochosas e que acede através do poço defeituoso às águas subterrâneas.: metais pesados; Elementos radioativos: alguns dos quais são a segunda causa para cancro do pulmão; Radio 226; Radón-228, etc..

Hidrocarbonetos como o Benzeno, que se encontra de forma natural associado ao gás e petróleo das rochas.

Metano, não tóxico em si mesmo, mas perigoso pelo perigo de asfixia e explosão.

Juan José, Médico de Urgências, Espanha

Traduzido do periódico ” La Fractura Hidáulica; boletim informativo en defesa da de la tierra, 2012.

imageslogo gerena libre de fracking III

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