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Relmu Nanku, petróleo na Argentina

Conhece a mais recente terrorista absolvida na Argentina. Foi absolvida… mas o seu sorriso pode ser apagado “pelo gatilho fácil” como a uma companheira sua mapuche…

TODO POR PETRÓLEO?

Tradução de uma zine vinda da Argentina até à Frackanpada e agora até vocês…

Poderás ser  tu o próximo terrorista?

Petróleo no Norte da Patagónia, Argentina

Todos Somos Relmu Nanku

Repressão sobre os Mapuche, utilização politica da justiça e presença do FBI nos nossos territórios.

Allen- o Tribunal Superior da Justiça de Rio Negro declarou a inconstitucionalidade da ordem que em Allen proibia  a utilização  do método de fracturação  hidraulica para a extracção de hidrocarbonetos

 

Em Novembro de 2013 os magistrados consideraram que a província tem “competência exclusiva” para legislar em matéria de hidrocarbonetos.

Num extenso texto que foi emitido em Março, o órgão judicial máximo da província falou sobre a causa “província de Rio Negro contra municipalidade de Allen sobre conflito de poderes. Na sentença, os integrantes do STJ analisaram os antecedentes do tema, incluindo as actuações que se promoveram desde a Fiscalía do Estado para que se declare a nulidade da ordem antifracking.

A norma foi sancionada em Agosto, quando um grupo de populares se mobilizou até ao Concelho Deliberante.

Entre as conclusões do documento, o Juiz Ricardo Apkarian indicou que “ou bem que os municípios exerçam no seu território as faculdades da policia ambiental, devem fazê-lo sem invadir a esfera das competências provinciais. Assim proibir de forma absoluta uma prática de exploração de hidrocarbonetos constitui, no meu critério, uma interferência directa e imediata com o exercício de atribuições constitucionais  da província. Devido ao exposto, e demonstrada então a ausência  de competência material do Concelho Deliberante do município de Allen para ditar a ordem, conclui-se que a mesma resulta inconstitucional por violação de artigos da constituição nacional e da constituição da província.

Magadalena Odarda, Legisladora

“O STJ não é independente”

A legisladora e senadora eleita, M.O. (Frente Progressista) também opinou sobre a sentença do STJ. Odarna, que manteve um vinculo permanente com membros da assembleia que estão contra o método de Fractura Hidráulica, assegurou que o texto que declarou a inconstitucionalidade da ordenança anti fracking demonstrou que o órgão máximo judicial não é independente.

“Não estamos a falar de questões abstractas, mas sim de decisões com base numa maioria  de juízes, muitos impulsionados pelo governador, num conselho da magistratura  influenciado por Weretilneck”, disse a senadora numa entrevista concedida à FM Terapia. “ Tem de se ir  ao Tribunal Supremo e aos tribunais internacionais se for necessário. Porque Quando o povo diz não, é não”

Enrique Viale, advogado

Uma resolução #expresso#

Presidente da Associação Argentina e Advogados Ambientalistas, qualificou o texto do STJ como “expresso” e assinalou que o mesmo “está intimamente relacionado com a eminente compra da Apache pela YPF-Repsol, que não quer nenhum impedimento legal para a extracção não convencionais em Allen onde a empresa norte americana tem os seus maiores activos.

Depois da Chevron, o FBI

2014

Convocamos a todxs os seres humanos, famílias das vitimas de gatilhos fáceis, vizinhxs, colectivos, povos indígenas, organizações sociais, sindicatos, partidos, equipas de desporto, bibliotecas populares, instituições religiosas, artistas, para condenar este abuso sobre a democracia e dizer ao FBI! Já chega de imperialismo!!! Não passarão!!! Assembleia Permanente del Camahue pela Água.

Depois da Chevron, o FBI (… e depois o quê?)

Nos surpreendeu como populares auto-convocado,  saber que, o governo provincial querer defender a sociedade neuquiana por meio de uma suposta força de 25 fiscais provinciais e 25 policias a cargo e técnicos dos FBI que depois de ser protagonista em tantos filmes de hollywood desembarcam nas terras da Vaca Muerta.

La Triada $apag (governador), Gastaminza (ministro de seguridade) e Gerez (fiscal provincial) promete um filme policial e de terror. Fora a metáfora, a situação de segurança na província é muito grave. Com isto não nos referimos aos roubos nas casas, mas sim aos amparados atrás de um uniforme, que abusam da autoridade e exercem violência que vai além da força pública institucional, violando em muitos casos os direitos básicos, até á morte.

Em 2013 as ruas foram cenário de actos de extrema gravidade no marco da violência policial. O assassinato de Willy Gutierrez e a repressão de 28 de Agosto para defender a aprovação do acordo YPF-Chevron, entre outros falam por si. Esta capacidade, que significa uma viagem grátis até a Patagónia para os policia dos EUA, mostra o medo que o governo tem do povo, que não tolera mais  medidas grotescas do MPN. Por sua vez também a fortificação  da legislatura por meio de paredes que o governo fez levantar durante o Verão, expressa a sua profunda inquietação e inseguridade.

O problema de segurança é uma arma multifacetada. Normalmente quando os governos falam de segurança referem-se sempre á defesa (até armada) da propriedade privada e dos proprietários. Este caminho, pago através de um convénio entre  o Concejo Federal de Inversiones (“organismo federal cujo objectivo fundamental é promover o desenrolar harmonioso e integral da províncias e regiões argentinas”) e o governo provincial tem como conteúdo os seguintes módulos: “Manejo del lugar e hecho”; “Investigatíon del Barrio”; “Introduccion a las bandas/organizations criminales”; “Como testimoniar en juicio”; Estroctura de una estrevista”; “Técnicas para escuchar activamente”; “Protocologo para interrogatório”; e “Deteccion del engano”, entre outras temáticas.

Assim se põe em marcha um dispositivo de repressão que faz pensar na activação da lei antiterrorista a nível provincial. Só na província de Neuquen existem 600 processados e 50 presos por lutas sociais. Se olhar-mos aos conteúdos dos módulos também não podemos deixar de pensar nas metodologias poucos convencionais que se utilizaram para condenar a perpetua os 9 petroleros de las Heras, um precedente muito perigoso para este tipo de processos penais. Todo isto nos devolve a atmosfera da ditadura militar mas com novas e mais nefastas tecnologias repressivas e de controlo.

Segundo o fiscal Gerli: “ O FBI não vem a qualquer lugar, só vem aos lugares onde pode confiar na transmissão da sua metodologia. Foi realizada uma avaliação inicial do que representa o Ministério Publicon Fiscal e a Policia, e na base dessa analise o FBI está disposto que venham directamente desde Washinton para nos capacitar. Não lhes é igual que seja em qualquer lugar e qualquer capacitado.”

Por uma vez concordamos com o fiscal sabendo que se vem cá é para defender o petróleo da Chevron e suas inversões eco-genocidas e que se encontram com funcionários prontos a matar.

(Depois da Chevron e do FBI, o que vêm)

Depois vêm a Justiça das petrolíferas

2014

“Num mundo realmente invertido o verdadeiro é um momento do falso” Guy Debord.

4 milhões de pesos argentinos é a quantidade que vai pagar a YPF e a Chevron para financiar um laboratório de analises de ADN forense na província de Neuquén. $apag disse: “vamos utilizar esses fundos de responsabilidade social empresarial para comprar este equipamento, para termos essa autonomia, para não depender de institutos privados nem instituições nacionais.”

É evidente que a autonomia  a que se refere o governador , é a autonomia  das empresas que financiam as instituições da (in)justiça provincial que intensificam a impunidade que desde sempre as caracteriza. Igualmente na província vizinha de Rio Negro também em Neuquén esta-se a exercer de modo explícito a burocracia judicial para instalar o fracking, calar as vozes contra e subordinar a outros poderes de estado democrático.

Em ambos os casos uma importante inversão do conceito de estado de direito. Se Weretilneck move os seus juízes para vetar as decisões populares e do poder legislativo, e sobre tudo ignorar a prevalência do direito ambiental, $apag prefere financiar os órgãos judiciais utilizando a responsabilidade social empresarial, e desta forma legitimar um compromisso social para evadir qualquer tipo de controlo.

Hoje desde há tempo, a justiça na província de Neuquen está nas mãos de fiscais e juízes corruptos que cumprem suas tarefas de criminalizar o protesto e ser condescendentes  com a vontade das petrolíferas contra os povos que defendem o seu território. Não é por acaso que alguns deles como Sanchez Tabaoda, Fiscal contra a comunidade mapuche Winkul Newen, recebe capacidades pelo FBI na nova esquadra de policia em Neuquen. As 2 caras da repressão, uma violenta e outra directa, a outra um efeito de dominação permanente e anestesiante.

A responsabilidade empresarial é algo mais que corrupção comum e corrente que formaliza as multas que recebem os funcionários. É um sistema de controlo social para adaptar a sociedade à vontade das empresas, é a alma de caridade do neoliberalismo que faz da economia descontrolada, o principio de auto afirmação do mercado frente ao Estado cúmplice.

No gansterismo actual, no qual os governadores e os juízes são uma extensão das corporações, convida-se a estas mesmo a financiar os organismo de controlo e regulação das actividades que eram contaminação e roubo ( como o caso de fiscais ambientalistas). Que seria então da defesa do território, dos direitos humanos fundamentais e por si a defesa da vida, se é controlador e ao mesmo tempo quem devia ser controlado?

Petrolíferas ajudam a policia em Anelo

A esquadra foi aumentada. Agora existe um plano mais ambicioso de 11 hectares.

O município de Anelo já reservou nos próximos dias a assinatura da escritura de uma área de 11 hectares para a esquadra da policia destina a consolidar uma nova central da policia que cobrirá a área petrolífera de Neuquen que vai de Ricón de los Souces a Cutral Co. Para as infraestruturas pediram  ajuda ás empresas de petróleo.

“O objetivo é que em poucos anos se construa uma nova central policial que cobra a área petrolífera desde Rincón de los Sauces a Cultral Co e que funcione paralela à central policial de Neuquen”, explicou o intendente de Anelo, Dário Díaz.

O plano conta com a aprovação do chefe da policia neuqniana, Raúl Larerda, que assegurou que “em curto prazo vamos enviar mais 30 a 40 efectivos policiais para Anelo, onde se desenvolverá um novo plano para o edifício cedido”.

Em diálogo com “Rio Negro” Laserda explicou que “já conversámos com algumas empresas petrolíferas que estão dispostas a colocar uma infraestrutura necessária para que possamos inserir mais 30 a 40 efectivos no sector, e a própria policia também está a avançar com os expedientes para fornecer toda a logística para reforçar a área desde a segurança.”

Para agilizar os prazos, o município cumprirá o rol de contactos entre a força policial e as empresas petrolíferas sobre Vaca Muerta, já que são estas que através dos programas de responsabilidade social empresarial assumam as obras necessárias.

“Não é que queiramos que o desenvolvimento seja completamente realizado pela empresas , mas procuramos que nos ajudem o mais possível”, assinalou Dìaz. Deu como exemplo “já temos 17 policias que estão a viver num edifício que pertencia  a uma empresa de serviços.”

A nova central policial “petrolífera” não seria só mais uma esquadra, mas contaria com a instalação de departamentos e direcções especiais. “ O edifício é grande porque apostamos em algo grande, no desenvolvimento de hoje a 20 anos”, disse diaz.

O dobro dos agentes

Durante este ano a policia duplicou a sua presença em Anelo. Hoje são 57 efectivos a prestar serviço.O crescimento do nr de policias havia sido solicitado pelo intendente Dário Dìaz no inicio do ano, quando da explosão da actividade petrolífera trouxe consigo uma vaga de roubos na população.No inicio do ano a esquadra contava com 28 agentes. A meio do ano eram 40 policia e desde a semana passada 57.O aumento do plantel da unidade policial  foi facilitado também pela ampliação do edifício na parte velha da cidade e a construção de uma vivenda para chefes de unidade.

2015

Neuquen: “Fora as malditas petrolíferas do território ancestral Mapuche”

Repudio ás declarações da SEJuN. Todo o apoio a comunidade Winkul Newen

Desde a Multisectorial por el Desprocesamiento de las Autoridades de las Comunidades mapuche Winkul Newen y Winoy Folil repudiamos energéticamente as declarações da actual direcção da SEJuN, que dá aval à perseguição e criminalização de nossxs irmãos mapuches, para quem se pede condenação respondendo assim aos interesses da corporação, do poder judicial do Estado e das petrolíferas. Assim convocamos a todas as organizações sociais, politicas e grémios do Alto Valle de Rio Negro e Neuquen e do resto do País, assim como também aos restantes povos originários, a manifestar-se publicamente  contra as declarações de Paula Sanchez, secretária geral da SEJuN.

Desde o inicio que os nossxs comanheirxs manifestaram o seu pesar pelo lamentável acontecimento que levou ao ferimento de Veronica Pelayes, entendendo-a como mais uma vitima da politica saqueadora  e injusta que impulsionam o governo provincial e nacional, a favor do lucro das empresas petrolíferas multinacionais e da estatal YPF. Repudiamos também as declarações racistas que foram ditas uns meses atrás pelo oficial de justiça Veronica Pelayes na sua conta facebook, acusando os mapuches de nazys e invasores. Cremos que esta declaração está em consonância com um projecto estigmatório  por parte das classes dominantes a fim de criar uma opinião pública favorável a esta politica de repressão e despejo dos nosso povos originários.

Recordamos que no ano passado na localidade da Villa La Angostura se levou a cabo uma mobilização “pela justiça e contra o mapuche invasor” organizada por funcionários, donos de terras e comerciantes.

Nossxs companheirxs mapuche resistem à tentativa de usurpação do seu território  ancestral, por parte das petrolíferas que tem todas as garantias do Estado para ingressar no território da comunidade e realizar escavações para extrair hidrocarbonetos sem importar as consequências sócio ambientais. Devido ás diferentes acções de resistência levadas a cabo , a comunidade tem recebido incontáveis tentativas de desalojo, inspecções em plena noite, militarização constante dos espaços culturais e de pastorícia. Um dos últimos desalojo foi impedido pelas mulheres da comunidade quando se regaram com fogo e ameaçaram incendiar-se . As tentativas de desalojo que se seguiram foram acompanhadas de ambulâncias e bombeiros de Zapala.

O Yacimiento Portezuelo Norte encontra-se sem operar desde 2012, devido à resistência da comunidade Winkul Newen, que pediu à Subsecretaria do Meio ambiente  e de Hidrocarbonetos e energia da província de  Neuquen  o saneamento ambiental com perspectiva cultural, mas no dia de encerramento nada foi resolvido. Perante os derrames, fugas de gás, morte de animais, jamais as autoridades governamentais se fizeram representar, por isso muitos locais contaminados estão sem nenhum tratamento.

Esta situação aprofundou-se no final de 2012, quando durante um funeral (eluwun) de uma bebé que só viveu poucas horas, devido a más formações provocadas pelas contaminações ambientais – a juíza Ivonne San Martin do tribunal de Zapala, cidade a 50 km da comunidade, lançou uma nova ordem de despejo da comunidade. Quando a comunidade advertiu uma coluna de máquinas e camiões da empresa Apache que estavam a poucos metros  da barreira colocada pelos resistentes para impedir a passagem das máquinas, os companheirxs decidiram resistir à ordem de despejo, defendendo-se com pedras no momento em que a oficial de Justiça Verónica Pelayes ordenou ás maquinas para entrar no território.

Feito isso, a oficial de justiça saiu ferida, e aumentou a perseguição política e judicial contra as autoridades tradicionais da comunidade, iniciando-se uma causa judicial para os supostos delitos de homicídio agravado em forma tentada e dano agravado contra Relmu Nanku, e dano de delito agravado a Martin Maliquedo e a Mauricio Raín, o que implicou um aprofundamento do processo de criminalização dos protestos, em um contexto de defesa do seu território e dos direitos humanos e do povo originário.

Mas o poder judicial não viu da mesma maneira na hora de investigar e julgar a violência sofrida pelo Povo Mapuche, ver que a comunidade. meses antes do acontecido, denunciou um golpe pedido pela Apache. Na mesma, integrantes da comunidade foram gravemente feridos, entre eles, Petrona Maliqueo Pillan, Kushe- autoridade filosófica e espiritual-, fortemente golpeada na cabeça e rosto; Violeta Velásquez, nesse momento grávida, golpeada na barriga e rosto; e Maximiliano Morales, na altura menor de idade, ferido por bala nas pernas. Isto foi denunciado pela comunidade na Fiscalia de Zapala, e investigado por Marcelo Jofre e Sandra Gonzales Toboada, os mesmos fiscais da instrução pela tentativa de homicídio. A causa está quase a prescrever, e nunca mais se investigou a denuncia efectuada pela comunidade.

Seguimos a defender que os nossxos companheirxs são perseguidos políticos, para exemplificar ao resto dxs que resistem e lutam. Estamos solidários com a sua causa que também é a nossa.

Basta de perseguir e processar xs que lutam!

Fora as malditas petrolíferas no território Mapuche que só deixam contaminação, doenças e morte! Não ao Fracking. Todxs somos Cristina Lincopan! Todos somos Relmu Nanku!

Uma mão cheia de petróleo

Causa contra as comunidades mapuche Winkul Newen y Winoy Folil

Por Juliana Díaz Lozano e Eugenia Morengo

O “progresso” sabe a petróleo e soa como um grunhido de máquinas sem pausa nas extensas planícies da zona centro de Neuquen. São as cegonhas metálicas que chupam o crude que sustenta a MNP e a burguesia petrolífera do país. Chamar-lhes cegonhas é um eufemismo que oculta a rapina destas aves  que se reproduzem na zona. Para as famílias da comunidade mapuche Winkul Newen, vier com as cegonhas entre a humildes casas que habitam não trouxe nenhum progresso, mas sim incontáveis doença e repressões.

Nos primeiros anos deste ciclo, como o ressurgimento do extrativismo, as famílias que ancestralmente  viviam ali, assistiram dia a dia à multiplicação ao redor das estacas com que as petrolíferas assinalavam as futuras perfurações. E a pouco e pouco foram organizando a resistência contra a sucessão de empresas concessionárias que mudavam de nomes mas não de politicas. Foi nesse momento que a comunidade iniciou os bloqueios da Ruta Provincional N.17, a mesma que constitui a entrada aos caminhos internos que vão dar aos poços. Nestes 50 anos as forças repressivas desalojaram infinitas vezes as famílias que defendiam o território com armas de todo o tipo, e todas as vezes, apesar dos feridxs e das ameaças a comunidade seguiu resistindo. Mas nos últimos anos, a estratégia do governo e da actual concessionária Apache Corporation está mais elaborada e perigosa. O alto de Relmu Namku, mulher integrante da comunidade, reconstitui uma armação que dá conta e que a criminalização é um processo planificado e que tende a ser aprofundado

Do protesto à criminalização: a armação da causa.

Ano de 2012. eram 15.00 do dia 28 de Dezembro quando a oficial de justiça Verónica Pelayes, sem notificação prévia, entrou no território da comunidade Winkul Newen com uma ordem de desalojo da Juiza Ivonne San Martín, que habilitava a petrolífera Apache à exploração do Yacimiento Portezuelo Norte.

A empresa Apache, actualmente vendida à Yacimientos del Sur, filial da YPF, tem 9 poços de petróleo e gás activos na zona. A intenção de desalojamento foi avançar sobre a comunidade para abrir em seus territórios mais 40 poços.

Sobre a estrada de acesso, uma máquina esperava pelo visto da oficial rodeada por policias e camionetas da empresa, para iniciar o desalojamento: “Nós vamos entrar”., disse a oficial, e numa demonstração de poder deu a ordem e não se ouviu mais. A Máquina avançou e as famílias começaram a defender o seu território.

De imediato os integrantes da comunidade Winkul Newen bloquearam a estrada e resistiram atirando pedras. Eram 20 no total, só 8 adultos. “actuámos em legitima defesa, defendemo-nos da máquina que ia passar por cima do que é nosso. já estamos fartos da violência com a policia, onde irmão foram baleados no meio dos campos. Golpearam jovens e mulheres grávidas. Sabíamos  o que tínhamos pela frente, se queriam passar por cima de nós passavam”, explicou Relmu.

Veránica Pelayes é uma oficial de justiça conhecida na província pelo seu racismo contra as comunidades. Frente á resistência da comunidade, retirou-se de imediato, entrou no carro e desapareceu. tinha-se conseguido parar o desalojamento.

Horas mais tarde, estávamos reunidos na sede da Confederacion Mapuche de Zapala, observando a policia que estava lá fora. “ Pensávamos que era por outra coisa, até que nos demos conta que nos iam buscar.” Detiveram-nos. Nesse dia foram detidos Relma Namku e Martin Maliqueo da comunidade Winkul Newen, e Mauricio Rain da comunidade Winoy Folil. Durante a resistência ao desalojo uma pedra atingiu a oficial de justiça. , sem causar danos de maior.

No inicio, Pelayes apresentou queixa por lesões graves. Mais tarde, mudou de queixa e Relmu foi acusada de delitos de dano agravado e homicídio agravado de forma tentada. Para isso, a oficial de justiça alterou todo o relato dos acontecimentos que sucederam a esse dia. A estratégia foi idealizada juntamente com Julián Àlvarez, advogado de Pelayes, que tem em seu poder muitas outras causas contra a comunidade Mapuche a favor dos interesses das petrolíferas. Como advogado, também é defensor de Pedro Laurentino Duarte, um juiz da ditadura militar.

“ A pessoa que ficou ferida tem um perfil determinado: não é um mapuche ferido, mas sim alguém da corporação judicial.” disse Relmu, e adverte sobre a profundidade do processo de criminalização e perseguição politica das comunidades. Os argumentos da causa encaixam nos fundamentos da lei antiterrorista, mas não lhe dão o nome. Paralelamente, foi iniciada uma ofensiva sobre os meios de comunicação, gerando um estigma sobre as populações. “Foram denomizando a nossa imagem, com a ideia de que vamos aterrorizar a população, para introduzir a lei anti terrorista. Demonizam o povo Mapuche, nas sociedades que não nos conhece, que não sabe dos nossos objectivos são contrários. Baseiam-se nessa lei para configurar esta causa a partir da qual vão poder imputar a mapuches e não mapuches que resistam a este modelo e que exijam os seus direitos.”

No dia 13 de Abril passado levou-se a cabo, na localidade neuquina de Zapala, a audiência de reformulação  de acusações em causa, a fiscal Sandra Gonzales Taboada pediu 15 anos de prisão para Relmu Namku.

O julgamento por jurados

A partir da aprovação do novo código processual, o sistema penal da província de Neuquen está pondo em prática a medida de julgamentos por jurados. “ Aqui fica bem chamar jurados, já que se pede uma pena alta, não convêm á justiça por 1 juiz a condenar com uma pena tão grande o povo Mapuche. O problema é que estes júris vão ser elegidos dedo a dedo e vai ser incorporado por elementos das petrolíferas. Hoje enfrentamos a Apache na sua causa, mas também temos outras causas quando fomos acompanhar lutas de outras comunidades contra a exploração petrolífera. Então, que melhor do que criminalizar quem luta, chegar a uma condenação, e marcar um antecedente”, manifesta Relmu.

A data que se elegeu para o julgamento também expressa uma provocação sobre a cultura e direitos ancestrais do povo mapuche. entre 21 e 24 de Junho festeja-se o ano novo mapuche. E na província de Neuquen no dia 23 e 24 foram declarados feriados provinciais, como um reconhecimento das comunidades. “È uma cerimonia  muito importante para o povo em geral que está em crise com o Ocidente, com a colonização. Junho é para nós a renovação do ciclo da natureza, o momento em que também renovamos nosso compromisso para defender o nosso território.”

Num contexto eleitoral, as comunidades denunciam como a criminalização do protesto se utiliza em Neuquen de forma sistemática como meio de disciplinar. “Entendemos que esta não é uma causa técnica, mas 100% politica. Portanto, o que temos de fortalecer e enfatizar é o politico,” afirma Relmu.

A repressão, a armação de causas, o julgamento por jurados, a figura do terrorista, são mecanismos que construídos pelo Estado, para dar uma pena exemplar através do aparato judicial, tentando travar a luta contra o modelo extrativista, o direito legitimo sobre o território e a soberania dos povos. A repressão não parou na década dos direitos humanos, apenas se tornou mais sofisticada, federalizada e selectiva. Fundamentalmente estruturada para defender os pilares do modelo: o extrativismo: o despojo de território e a precariedade da vida.

Petróleo, Banco Mundial e Petrogal (Galp) nos anos 80! E Hoje?

A “Crise” abre as portas ao investimento, fechando oportunidades de mudar para melhor. Para o séc XXI Portugal quer ser produtor de Petróleo. Porquê? talvez este documento te ajude a perceber.

Nunca nenhum País conseguiu pagar a sua divida ao FMI, estando para sempre dependente de empréstimos. O FMI empresta dinheiro a Ditaduras, que não tinham dividas, mas tinham recursos, como o caso da Bolívia, África do Sul ou Somália, que depois da intervenção do FMI ficaram com dividas de milhares de milhões de dólares, que serão para sempre. Liberdade de resolver por si mesmo, é proibido como se viu no caso da Grécia…

O que nos espera? o Mesmo que a Argentina, ou Venezuela, tudo para eles, problemas para nós?

Portugal desde 1963 aceita empréstimos do Banco Internacional. Quando vai parar?

Fica a saber o que os Portugueses não podiam saber na altura. E Hoje que te deixam saber? Nada o acordo Transatlântico (TTIP) é disso exemplo. Passaram mais de 30 anos e fazem o mesmo. Existe mais informação, mais liberdade, mais órgãos institucionais e ONG de acção/combate/vigilância. Então o que falta?

Relatório e recomendação do presidente do Banco Internacional para a reconstrução e desenvolvimento aos directores executivos sobre uma proposta de empréstimo à Petróleos de Portugal, E.P. com a garantia da República de Portugal para um projecto de exploração petrolífera. Junho de 1981

Original: Banco Mundial e Petrogal, 1981. (REPORT AND RECOMMENDATION OF THE PRESIDENT OF THE INTERNATIONAL BANK FOR RECONSTRUCTION AND DEVELOPMENT TO THE EXECUTIVE DIRECTORS ON A PROPOSED LOAN TO PETROLEOS DE PORTUGAL, E.P. WITH THE GUARANTEE OF THE REPUBLIC OF PORTUGAL FOR A PETROLEUM EXPLORATION PROJECT) 1981

O projecto apresentado foi para melhorar a estratégia de exploração e as suas capacidades para a exploração petrolífero e assistir o país na avaliação de depósitos de petróleo. O projecto incluiu, dois estudos sísmicos com 850 km e alguma 3-D Seismic e 3 poços de exploração a uma profundidade de 2500 a 3000 metros e também um plano estudado para a PETROGAL. Juntamente vinha um explorador sénior, e um geofísico do petróleo, com um serviço completo de perfuração para melhorar o programa de exploração (Made in USA).

Inserimos primeiro a parte especialmente dedicada ao petróleo para iniciar a apresentação do estudo do Banco Mundial sobre Portugal:

Sector do Petróleo

A importação de petróleo em 1973 era de 100 milhões, que subiu para 2 biliões em 1980. A estratégica energética para os anos 80 deve incluir uma intensa exploração de petróleo. A indústria, transporte e geração de energia são os maiores consumidores de energia, contando para cerca de 75% a 80% da energia utilizada.

Consumo de Petróleo

Portugal importou 7,62 milhões de toneladas de crude e 1.34 milhões de toneladas de petróleo. Portugal não tem reservas de petróleo comercialmente viáveis. No entanto, duas áreas são de considerar para petróleo e gás: a Bacia Lusitânica, que será o foco do projecto proposto, e a Bacia do Algarve. 60 dos 110 poços de exploração descobriram petróleo. 45 destes apresentaram heavy/viscous oil. As amostras não se encontram distribuídas aleatoriamente nas secções geológicas, todas são encontradas no Middle Jurassic ou no Upper Jurassic, diminuindo o local dos estudos. O desenvolvimento dos depósitos de heavy oil pode também ser económico á luz do preço do petróleo, e avanços técnicos no processo de recuperação por estimulação. Na bacia do Algarve apesar dos 3 poços no offshore terem dado seco, recentes descobertas de gás na Fronteira espanhola mudaram o modo como se via a bacia por parte das petrolíferas.

Desde 1939 foram perfurados 90 poços on shore, não existiram poços de exploração no onshore nos últimos 17 anos, até recentemente. As explorações offshore iniciaram-se em 1973 e incluiu 21, 000 milhas de estudos sísmicos e 23 poços, o ultimo foi completado em 1979. Para reconhecer a necessidade de esforços de exploração o governo melhorou os incentivos para atrair empresas petrolíferas estrangeiras. Em 1978, houve uma larga promoção dos blocos onshore. A Petrogal foi a única empresa que respondeu no início e ganhou a licença dos blocos 48-49-50 na bacia lusitânica em 1978. Meses depois foram emitidas duas licenças adicionais, uma à Petrogal nos blocos 45-46-47 e outra a uma joint venture liderada pela Sceptre Resources Ltd, no bloco 43. Mais tarde já em 80 a Union Texas, subsidiária da Allied Chemical, no on shore da bacia lusitânica e à Esso, que recentemente assinou um acordo para explorar no deep offshore algarvio junto á fronteira espanhola.

A Petrogal encorajou o governo a procurar companheiros para a procura de petróleo para fortificar a sua própria capacidade técnica na exploração, entrando numa joint venture com a Shell na sua primeira licença. Passados 2 anos a Shell desistiu, por só ter 25% da concessão. A Petrogal por não conseguir encontrar outro parceiro requereu um empréstimo para 2 concessões ao Banco Mundial em Abril de 1980.

Os lucros gerados da venda de produtos de petróleo têm sido os maiores contribuidores ao mecanismo financeiro públicos, e ao Fundo de Abastecimento, fundo criado em 1947 para estabilizar os custos de vida ao subsidiar comodidades, maioritariamente alimentação, alguns combustíveis, e apoio à agricultura.  

Serve os mesmos objectivos básicos:

Estratégia de empréstimo do Banco e seu papel no sector de energia

O Banco Mundial emprestou dinheiro a Portugal 6 vezes

  • Empréstimo Nos. 362-PO (1963) e 452-PO (1966) para 2 barragens
  • Empréstimo Nos. 363-PO (1963); 412-PO (1965), e 453-PO (1966) para 3 centrais termoeléctricas   
  • Empréstimo No. 1301-PO (1976) para o sector de investimento de energia.
  • A empresa Publica de energia, Energias de Portugal (EDP) desenvolveu-se como uma empresa eficiente
  • Empréstimo 1875-PO (1980), para modernização o equipamento das barragens
  • Assistência a Portugal (relatório 2883-PO) para rever as prioridades de investimento do sector de energia, no apoio á diversificação de esforços, conservação de energia, e exploração petrolífera.
  • O Banco está a considerar apoios futuros que dão prioridade às barragens, depois do desenvolvimento institucional da EDP,e a finalização do sexto projecto energético

História de Exploração e Potencial de petróleo

As actividades de exploração da Petrogal sobre o projecto cobrirá 6 blocos no onshore da bacia Lusitânica, já foram perfurados 58 poços de exploração nestes blocos, 51 dos quais foram Shalow Test e 7 teste de profundidade até mais de 2000 metros. Shalow heavy oil foram descobertos em 41 poços, e foi de 91% de heavy oil e 55% de Lith Oil encontrados até agora.

É certo que foi originado petróleo na bacia Lusitânica, os blocos da Petrogal foram considerados os mais promissores na parte onshore da bacia.

Nenhum poço foi conclusivo, num país como Portugal, tornou-se viável, tanto economicamente como tecnicamente. Melhorar a chance de sucesso na procura de petróleo nas complexidades geológicas da bacia da Lusitânica, no entanto, requer um programa de exploração com tecnologia com recentes avanços para se poder determinar a relação entre estrutura e estratigrafia e permitir a melhor seleção dos locais a perfurar. Os depósitos de heavy oil requerem mais avaliação acompanhando os preços do petróleo e os avanços técnicos para recuperar heavy oil. 6 dos 8 depósitos conhecidos de heavy oil em Portugal estão localizados nos blocos da Petrogal. Ambos os depósitos terão cerca de 18 km 2. As reservas estimuladas são cerca de 150 milhões de barris, sendo 30 milhões recuperados através de termal stimulation.

O Pedinte:

Petróleos de Portugal, E.P. (Petrogal) foi estabelecida como empresa pública em março de 1976, uma junção da SACOR, SONAP, PETROSUL, e CIDLA. A sua principal actividade é a refinaria. A Petrogal detém e dirige 3 refinarias (Sines, Porto e Lisboa). A exploração onshore em Portugal sob a concessão de dois acordos assinados em 1978 e 1979, e financiado em parte pelo projecto proposto, representa a primeira acção de exploração da Petrogal, apesar da SACOR ter já estado envolvida na prospeção de petróleo.

Impacto Ambiental

Muito pouco, e não recuperáveis, danos devem acontecer. Os estudos sísmicos utilizarão vibradores em vez de explosivos, causando pouco ou nenhum impacto nas estruturas em redor. Sérios problemas na perfuração, não deverão acontecer, se foram seguidas boas práticas. Práticas apropriadas serão seguidas para a descarga e armazenamento dos lixos tóxicos derivado dos testes, e outros lixos das operações normais de perfuração. A Petrogal assegurou que iria tomar todas as precauções de segurança, incluindo a imediata colocação de fundos requeridos para assegurar serviços especializados internacionais em caso de explosões, fogo, ou derrame.

Projecto de exploração e petróleo

O quê se espera da exploração de petróleo

  • Duas áreas em Portugal são consideradas geradoras de gás e petróleo. A Bacia lusitânica e a Bacia do Algarve
  • A Bacia Lusitânica cobre uma área onshore e offshore do Porto a Sines.
  • A Bacia do Algarve acupa o offshore como também o onshore. Continua para este até Espanha, onde foi encontrado gás no offshore

Bacia Lusitânica

As perfuração de exploração onshore em Portugal começaram na bacia lusitânica em 1939 e continuou até 1963. A Petrogal era a única com direitos, mas de quando a quando arranjava parceiros, principalmente empresas francesas e a Mobil. Desde 1963 os poços de exploração on shore limitaram-se a shalow testes com objectivos no Heavy Oil. Só 27 dos 90 poços onshore foram mais fundo que 1,000 metros, só 10 destes foram abaixo dos 2.000, e só um penetrou para lá dos 3.000. No entanto não houve nenhum trabalho de exploração nos últimos 17 anos. Contratos no offshore para exploração foram deixados no início para empresas de fora em 1973. Entre 1974 e 1978, foram perfurados 20 poços de exploração na bacia lusitânica. Os operadores incluíram a Shell, Sun, Esso, e Texano. Foram realizados testes de profundidade dos 2.00 aos 4.000 metros.

Foram assinados 4 contractos na área onshore da bacia lusitânica, duas concessões da Petrogal e duas de empresas estrangeiras.

Poucos depois foi acordado um contracto com a Canadiana, Sceptre, Bow Valley, e Siebens. A Sceptre iniciou as perfurações, no que foi o primeiro deep test no onshore desde 1963 em Outubro de 1980. Foi completada uma negociação com a Union Texas, subsidiária da Allied Chemical, para uma área adicional no onshore, ainda em 1980. 55% dos poços de exploração perfurados na bacia Lusitânica encontraram gás ou petróleo.

Foram perfurados 90 poços no onshore da bacia lusitânica. 20 poços de exploração foram perfurados no offshore. Dos 110 poços de exploração, 60 encontraram amostras de petróleo e gás. 45 destes consistia em heavy oil na área de Torres Vedras e Monte Real. 15 poços profundos encontraram petróleo, 4 poços offshore Figueira da Foz e 11 onshore.  

A melhor amostra dos poços profundos foi no Barreiro, encontrando lith oil. Outra amostra foi em Arruda, Vila Franca de Xira também com bom Lith oil. Não se encontrou quantidade de gás significante.

Bacia do Algarve

É mais bem desenvolvida no offshore, mas chega ao onshore. Na bacia existem depósitos do Mesozoic e no Tertiary. A estortura mesozoica é parecida com a da bacia Lusitânica. A este na parte espanhola, no Tertiary foram encontradas 5 estruturas produtoras de gás. A Esso assinou recentemente um contracto para o deep offshore, encostado á fronteira espanhola, para estender a área produtiva a oeste, parta Portugal. O principal objetivo é gás no offshore a 200-880 metros de profundidade. Os 3 poços perfurados no offshore do Algarve anteriormente não encontram petróleo ou gás.

De Seguida passamos ao de leve pelos estudos da economia e da situação politica de Portugal, e de que forma o banco Mundial poderia assegurar o retorno do dinheiro emprestado.

A ECONOMIA

  • Foi entregue um relatório intitulado “ An Updating Report on the Portuguese Economyaos Directores executivos em 1978
  • Os bancos, companhias de seguros, companhias de energia, as grandes empresas de transporte e os grandes grupos industriais foram nacionalizados de 1974 a 1975
  • A actividade dos sindicatos foi legalizada.
  • A revolução trouxe um rápido aumento do consumo privado no período de 1977
  • A revolução gerou uma séria deterioração do lucro e posição financeira geral do sector privado

As dificuldades da economia portuguesa no período pós revolução foram:

  • O aumento dramático do preço do petróleo no final de 1973
  • O retorno de mais de 500.000 mil Portugueses das colónias a Portugal
  • A necessidade da Europa devido á recessão levou à procura de mão-de-obra imigrante Portuguesa
  • Os lucros de 348 milhões de dólares em 1973 tornaram-se um défice que em 1977 atingiu 1,500 milhões de dólares.
  • Em 1977 um consumo por capita aumentou 10% desde 1973, com a conta de comércio externo e do orçamento doméstico em défice, o nível de inflação era de 27%. O desemprego estava acima dos 300.000 mil
  • Foi implementado um programa de austeridade em 1976 e 1977 mas o seu impacto foi reduzido pela contínua expansão do crédito, principalmente no financiamento do défice do governo.

Em 1978 o governo adoptou um programa para reduzir a sua balança de pagamentos com final em Abril de 1979. As medidas tomadas foram:

  • A desvolarização do escudo em 6, 5% e uma contínua depreciação do escudo a um ritmo de 1.25% por mês.
  • 5% de aumento nos níveis de empréstimos e nos níveis de depósitos
  • Um aumento dos impostos
  • Limites em subsídios através do aumento do preço da água, electricidade, gás e transporte, e bens essenciais de consumo
  • Restrições contínuas no aumento dos ordenados

As medidas resultaraao reduzir o défice de 1,500 milhões para 800 milhões de dólares. A continuação de medidas semelhantes em 1979 levou a melhores resultados, com um lucro de 150 milhões de dólares, com a exportação a crescer 27% e com a importação a 6%. O défice voltou a aumentar em sequência da subida do preço de petróleo durante esse ano e o aumento de 60% de imigrantes. Nos anos 80 a política voltou-se para o controlo da inflação e uma percentagem de 6% na reavaliação foi implementada.

O recordar as curtas fases de estabilização do país atrasou as políticas para resolver os problemas estruturais que Portugal enfrenta, alguns criados pelos eventos exacerbados de 1974/75: Portugal depende bastante de energia importada, a dependência da subida de importação de alimentos, um sector agrícola do passado, um sector industrial alargado que necessita de forte proteção e uma fraca estrutura de impostos. Apesar da crescente confiança na economia portuguesa e estabilidade politica, o investimento foi muito desapontante nos recentes anos.

Uma estratégia de crescimento para os anos 80

O sucesso das políticas de estabilização a curto prazo em 1978 e 79 deve ser a base do aumento da economia portuguesa para a próxima década. Enquanto não forem tomadas acções que prejudiquem os recentes ganhos económicos, uma política de expansão parece agora viável.

A dependência da importação por parte de Portugal pode aumentar com o aumento da abertura à competição da Comunidade Económica Europeia (CEE), que será aumentada pelo alto preço da importação de produtos do petróleo, só este factor acrescenta cerca de 1.000 milhões de dólares á contas da importação de petróleo, aumentando o défice em 50% em relação a 1979.

No caso da agricultura, a aceitação das políticas da CEE aumentará o preço para os consumidores, mas ao mesmo tempo cria uma rede de oportunidades à agricultura. A resposta necessária é modernizar e aumentar o investimento na fruta e legumes fora de época. Modernizar a agricultura tradicional é desejável mesmo sem a CEE.  

O último grande plano em Portugal foi levado a cabo em 1976, com uma proposta para 1997-1980, no entanto, não foi implementado.  

O sector privado será provavelmente o maior contribuidor para o crescimento económico previsto para os anos 80, com uns esperados 60% do investimento para cumprir as metas para o equilíbrio da balança financeira portuguesa. O governo recentemente estabeleceu sistema de incentivo ao investimento privado e criou condições para compensar os proprietários de comércio e industria privados em 1974/75.

O crescimento na agricultura tem sido lento o que leva a um aumento da importação. O melhoramento passa por corrigir as deficiências inerentes ao anterior da revolução, reorganizar o Ministério da Agricultura e Pescas. O problema passa pela agricultura familiar, e falta de educação e treino de trabalhadores agrícolas e de fazendeiros, que têm sido reduzidos. O Crédito ao sector rural não têm sido adequado ou orientado para a produção e o mecanismo do crédito agrícola necessita de ser revisto. A aplicação de fertilizantes é fraca. O problema piorou desde 1974 devido às reformas agrárias. 

Ajuda externa e apto para crédito

Agências multilaterais e bilaterais responderam bem á necessidade de ajuda externa. Com o ouro como financiador, o Banco de Portugal têm obtido empréstimos de curto prazo para equilibrar os pagamentos ao Banco Internacional Settlements (BIS) e bancos Europeus. A meio dos anos 80 a assistência do FMI a Portugal era de cerca 180 milhões de dólares. A CEE, o Banco de Investimento Europeu, European Free Trade Association (EFTA), entre outras agências investiram  em Portugal nas concessões de emergência. A contribuição dos bancos foi suportada por 14 países, com os EUA, Alemanha e Japão na frente.

Em grande parte devido às suas reservas de ouro, o Governo e os grandes bancos como grandes empresas conseguem atrair empréstimos de médio termo. O esforço do governo em estimular o investimento estrangeiro resultou num acordo de 600 milhões de dólares pela Renault, coma promessa de mais investimentos. O Banco Mundial e a CEE/EIC terão de continuar a ter um papel vital na ajuda a Portugal.

Operações do Banco Mundial em Portugal

  • O primeiro empréstimo foi no período de 1963-66, e estava concentrado no sector de energia. 55 Milhões de dólares param 3 projectos thermais e 2 barragens.
  • O banco respondeu às necessidades de Portugal na identificação, preparação e financiamento de projectos
  • Esta proposta de empréstimo irá financiar o 19º  projecto do banco no País. O 14º depois do retomado do empréstimo em 1976. As operações desde 76 envolviam um projecto de energia, 2 auto estradas, 3 projectos financeiros industriais, 2 projectos de educação, e créditos para fornecimento de água, agricultura, cultura, floresta, fertilizantes e projectos de indústria mecânica

Os principais objectivos do empréstimo à indústria, é a reforma estrutural, promoção de exportação, criação e emprego e promover investimentos na poupança de energia.  

A proposta de empréstimo irá ajudar Portugal a desenvolver a sua habilidade a aceder a potenciais locais para a produção e petróleo onde for encontrado. É o objetivo do banco Mundial contribuir para o esforço de Portugal e dar conselhos para reformas institucionais que são cruciais para os objetivos de longo termo de Portugal.

Louisiana fracking Texas & Fort Worth

O AR SOBRE TEXAS

A região de Dallas e Fort Worth foi o lugar onde tudo começou.

Dr. Al Armendariz; especialista da qualidade do ar e investigador na Sourthern Methodist University.

Forth Worth tem à volta de 10 mil poços, a Comissão do Texas não faz ideia de quantos são.

Ele quis saber o que o setor do gás e petróleo estava a esconder. Uma das razões era porque o estado tinha admitido que não sabia qual era o grau de emissão. Inventaram uns números, então fomos investigar.

Hoje sabemos que a emissão do setor do fracking ultrapassam as emissões de todos os veículos de Dallas e Fort Worth. Se formos analisar os últimos inventários das emissões dos carros, camiões, carrinhas e motos veremos que serão de 200 toneladas por dia que formam ozono e partículas finas. Se formos a analisar o inventário produzido pelo Dr. Armendariz e Arnold Fesspont sobre o setor do gás em Fort Worth são 200 toneladas por dia. As plataformas usam diesel, algumas 3,000 litros por dia. Mas não é só isso, os tanques de condensação libertavam algo, através de uma câmara de infravermelhos que identifica os hidrocarbonetos apontada ao topo pode-se ver os fumos tóxicos a sair. O que são? Soube pelo Mayor de Dish, a cidade recebeu o nome em troca da rede via satélite gratuita por 10 anos, são 150 habitantes. Na vila passam 10 gasodutos, que transportam biliões de litros de gás, cerca de 280 biliões de litros, todos os dias. Nos locais onde se cruzam os gasodutos existem estações de compressão.

São motores de turbinas que comprimem o gás para o gasoduto, os gasodutos são projetados com um exaustor que liberta gás no ar. As corporações dizem que o gás vai direto para o espaço, que não existe problema.

Mas o problema é que existe uma nuvem por cima de uma das subdivisões, que alertou os residentes de Dish. O mayor pediu as próprias analises. Os resultados? Os mesmos que há nos panfletos cedidos pela Sociedade contra o Cancro. O estudo revelou níveis críticos e elevados de substâncias cancerígenas conhecidas como neurotoxinas. O benzeno ultrapassa em 55 vezes os padrões de segurança, o dissulfeto de carbono ultrapassa em 107 vezes, valores que vão afetar a comunidade por um longo período de tempo. Um dos problemas da Lei do Ar Limpo no Texas é que ela foca-se nas fontes maiores e individuais. È preciso vigiar, cuidar dos problemas agora, não é esperar 10 anos, senão será complicado.

LOUISIANA

Quais serão os impactos na água?

Wilma Subra; química. Esta área esta contaminada com metais como o bário, que é o principal componente dos fluidos para extração. Também existe a presença de arsénio, cádmio, cromo e chumbo. Pessoas que ingeriam muita água por dia ficaram contaminadas com arsénio.

O Luisiana e Golfo do México recebem resíduos de petróleo e gás há 60 anos. Um terço de todo o gás natural dos EUA passa pelo canal de Harriet. Daqui o país tira os subprodutos e os descarta no oceano, esperando que não voltem. Mas os temporais trouxeram-nos de volta. Foi os sedimentos acumulados nos corpos hidrográficos, décadas de descarte. Esta acumulação criou uma contaminação permanente no Louisiana.

Telefonema do laboratório que analisou o frasco de liquido amarelado que revelou alguns segredos. Bário e estrôncio são lamas de extração, lubrificam a broca. Os níveis de ferro, cloreto e de condutividade estavam muito altos. Com água destilada pura a condutividade é zero, mas nas analises o nível era de 32,800. Mas a parte mais assustadora do teste foram Nitrogénio, Kjeldahl Total e MBAS ou substância ativa do azul de metileno.

Gas natural no Perú. Camisea project (bloco 88)

Planos secretos para a exploração de gás em locais de proteção pela UNESCO

Um relatório entregue no Guardian revelou planos secretos da gigante Pluspetrol, empresa de gás da Argentina para explorar gás natural em áreas habitadas por tribos isoladas no sudoeste do Peru. O relatório também fala em trabalhar no Manu national park. Escrito pela agência Quartz Services S.A. O relatório expõe as esperanças da Pluspetrol em expandir as operações além do corrente “block 88” para uma área chamada “Fitzcarrald”. O Block 88 já é um dos maiores projetos de gás natural na Amazónia, conhecido por Camisea project.

O relatório afirma que a missão irá contribuir não só para a continuidade da atividade no bloco 88, mas também para o desenvolvimento de projetos no Manu National Park.Em diversas ocasiões, a Survival tem escrito ao governo do Peru e ás corporações de petróleo a pedir informação sobre o bloco 88, mas recebia como resposta que não existem planos concretos. Fitzcarrald irá cortar a reserva Nahua-Nanti para índios isolados em metade e iniciar a destruição no Manu National Park, famoso pela diversidade biológica, maior que qualquer outra no planeta.

Em 2011 uma equipa de investigadores da Pluspetrol foram descobertos por índios Nahua a levar a cabo estudos na área circundante à concessão da Pluspetrol. Inicialmente os índios pediram aos trabalhadores para abandonar as suas terras ancestrais, mas eles foram autorizados a continuar os trabalhos depois da empresa oferecer prendas a membros da tribo. Qualquer trabalho nas áreas protegidas é ilegal desde a proibição da expansão do projeto de gás Camisea ; 2003 Supreme Decree; dentro da reserva Nahua-Nanti. As tribos são extremamente vulneráveis ao contacto com forasteiros, devido a serem expostos a doenças às quais não tem imunidade.

As organizações índias, AIDESEP, FENAMAD, ORAU e COMARU anunciaram uma ação legal contra a expansão da Camisea.

O diretor da Survival, Stephen Corry disse: “ A Pluspetrol está ciente que os planos da sua exploração é ilegal . Também saberão que ao trespassar para terras índias trás doenças e morte aos habitantes isolados. Se é permitido que este projeto avance ; a Pluspetrol pode ser responsabilizada pela destruição de tribos inteiras. Porque está o governo Peruano a permitir que uma empresa estrangeira viole as suas leis e ponha em perigo a sobrevivência dos seus cidadãos.?”

Uma semana depois de ter saído a noticia acima a Pluspetrol publicamente retirou o seu plano de expansão do projeto Camisea. A empresa lançou uma declaração onde admitia ter planeado o que chama de “estudos geológicos superficiais”… de interesse cientifico, mas disse ter abandonado esses planos. A autoridade para os parques peruanos lançou também uma declaração, confirmando que negou à Pluspetrol interesses de trabalho na área protegida.

Todo isto aconteceu porque o ministro da energia aprovou futuras explorações de gás dentro do bloco 88 em violação do decreto e leis internacionais.

José Choro, ex líder Nahua, disse “ Ouvimos helicópteros a toda a hora. Os nossos animais fugiram, e não existe peixe.”

Importante referir que fora as leis internacionais existem leis tribais que proibem a existência de tais projetos contra a natureza.

Em Portugal empurrou-se a inceneradora de um lado para outro até cair no elo mais fraco.  Desde Columbo que a exploração de bens nativos das américas vai retirando a vida aos indios. Os indios foram chacinados, enganados, recuaram 500 anos e agora não há mais espaço… Em Portugal como será? Com a quantidade de furos para gas natural que já estão previstos, alguns já com certezas e muitos outro que aparecerão, onde irá o português arranjar terra arável para ajudar na crise, e água para beber. A crise económica é alimentada pela crise laboral na exploração do homem pelo homem, e na natural para matéria prima. Somos educados que a sequencia seja mesmo esta, Economia, Trabalho, Natureza. Mas se queremos realmente deixar um futuro estável, sustentável e harmonioso devemo-nos preocupar primeiro com a crise natural no ecossitema e em nós. Se achas que para “eles” és diferente do Indio, olha que a diferença é só os valores dos advogados e “seguranças”. Para as corporações de petroleo e gás (neste caso) tanto podem dar por ti, como te passarem por cima.

 

Fracking America: Louis Minx e Jeff e Ronda Locker

A história de Jeff e Ronda Locker.

Jeff e Ronda vivem há 30 anos na mesma quinta, nos anos 90 uma empresa reativou o poço perto de sua casa. As coisas começaram a mudar, a roupa começou a ficar preta depois de lavada, aperceberam-se que havia um problema com as águas. Jeff recolheu umas amostras da água e descobriu que a água estava imprópria para consumo.

Jeff Locker, a Wyoming farmerO casal ameaçou processar a empresa de gás, a empresa pagou $21 mil dolares para ser instalado um sistema de filtragem.

Eles assinaram um acordo de não -divulgação com a empresa, mas a sua frustração é tanta que resolveram falar. Ronda ficou bastante doente com uma neuropatia que causa muitas dores.

Descobriram que o sistema não filtrava èteres de glicóis que corroem as membranas dos filtros. Deixaram de consumir a água de sua casa, comprando toda a água que consomem diariamente.

“Quando fizemos testes à água encontraram glicol, gastamos $4.000.” Diz Ronda

Os éteres de glicóis são inodoros, incolores e são um componente químico do plástico.

Louis Minx

loumeeksLouis Minx ficou a água estragada e a cheirar a gás. Em 2004 a empresa, Encana, construiu um poço, contabilizando 5 junto à casa de Louis, vários testes às aguas mostraram hidrocarbonetos.

A Encana, não assumiu a culpa. Louis foi obrigado a tentar criar outro poço na sua propriedade.

Ele diz que consegue cheirar a gás a 300 Km do local dos poços. Um rebentamento no gasoduto, levou a que estivesse a ser libertado gás por 3 dias. Departamento de segurança informou que mais de 8,5 milhões de litros de gás natural escapou para a atmosfera. Louis precisou de uma intimidação de um juiz, para que a Encana cobrisse o poço de cimento e impedisse o fluxo de gás para a atmosfera e  oferecer uma fonte de água a Louis.

Louis agora tem 2 cisternas que a Encana enche 2 vezes por semana.

Ele  pergunta: “Se não há nada de errado, porque é que eles me fornecem água?”capitalismo-selvagem3

Louis contratou um geólogo para saber o que se passava nas suas terras. Descobriu que as terras e a água estão  todas mistura com gás e fluidos do fracking.

Ele diz: “Se eu fosse por veneno no poço de alguém era preso tão rápido que nem me apercebia. Mas eles veem aqui e fazem o que lhes apetece. E nem informam ninguém sobre o que estão a fazer ou a utilizar. As palavras deles não valem nada. E nós não fomos criados assim. “Eles são homens adultos a mentir descaradamente para nós. Tudo por dinheiro, é só.”