Gasodutos de sonho?

Gasodutos de sonho: O que a indústria do gás não quer que saibas sobre o fracking.

Este apelo dirige-se aos legisladores que são pressionados para encontrar novas soluções para a energia nos EUA, especialmente depois dos recentes derrames e dos desastres nucleares e conflitos contínuos nas zonas de exploração pelo mundo. A administração de Obama espera que a produção de gás natural possa ser “uma estratégia energética de longo prazo”, segundo o New York Times pode ser o caminho para encurtar a dependência de petróleo estrangeiro.

Mas estas ideias são enganadoras. De fato, recentes estudos da produção de shale, mostra que o fracking tem um risco económico. Hoje, as companhias americanas que lideram a corrida ao gás estão a lutar para manter lucro, companhias da China e da índia, estão a aumentar as suas cotas na exploração de Shales. Adicionalmente, apesar da retórica de “segurança energética” parece bem provável que os lucros do gás explorado nos EUA, como o gás em si, irão ultrapassar barreiras. As corporações de petróleo e gás focadas na exportação para a economia crescente da China, enquanto deixa os EUA com riscos económicos devido ao que as industrias chamam de “giant Ponzi schemes” e outro “Enron”.

O BOOM DO SHALE

As corporações que levaram ao desenvolvimento de shale nos EUA eram quase na totalidade empresas produtoras caseiras. Antes do boom das perfurações não convencionais de gás natural, as grandes corporações focavam as suas atenções lá fora. (…) Um aumento nos preços do gás natural coincide com a crescente procura e pouco acesso aos fornecedores nos EUA que levaram os analistas energéticos prever que os EUA seriam o maior importador de gás natural liquidificados em 2010. (…)

Mas como os produtores privados mostraram ser possível utilizar o fracking para aumentar a produção, as corporações multinacionais de energia viraram as atenções para o shale gas. (…) Com um ajustamento de imagem devido ao fracking, a ExxonMobil não foi a única a mudar o seu tom. Outras gigantes começaram a publicitar o gás natural como a próxima grande fonte de energia, não só nos EUA, onde a tecnologia do fracking foi utilizada pela primeira vez, mas em todo o mundo. Em 2010, o Wall Street Journal noticiou que o shale gas tornou-se “uma das mais quentes fontes de investimento no setor da energia”.

O EMBUSTE DO SHALE

Enquanto os grandes jogadores na indústria energética mundial viram as suas atenções e dinheiros para o gás, as corporações estão a descobrir que o fracking não é lucrativo como esperavam. Existe muita oferta. O que significa que os preços de gás mantiveram-se baixos e que não se tornava rentável para muitos produtores. (…) Certas companhias continuam a perfurar para manter o direito às terras, ou porque estão desesperados por dinheiro. Outros diminuem os trabalhos porque não merece o dinheiro.

O maior problema é que os poços não estão a produzir tanto gás como se esperava. (…)

Um mail indica que as corporações querem dar sinais de grandes produções aos investidores. Outra análise dos dados de perfuração diz que “ a palavra no mundo dos independentes é que as shale são esquemas gigantes e que economicamente não funciona”

De fato, muitas das corporações que iniciaram a corrida às shale estão a lutar para lucrar ou a afundar-se. Um analista da PNC Wealth Management escreveu que o Shale Gas é “inerentemente não lucrativo”. Um geólogo da Chesapeak Energy escreveu num mail trocado com um oficial do governo federal, “ nestas rochas nenhum poço será realmente económico a curto prazo”. Estão a perder dinheiro ou a ganhar pouco dinheiro. O geólogo mais á frente diz “muitas das pequenas empresas faliram devido a este problema”.

Enquanto as pequenas e médias empresas americanas estão a lutar, muitas vêem as grandes corporações multinacionais como boia de salvação, e boa fonte de dinheiro. O geólogo da Chesapeake Energy diz : “Wall Street tem estado muito pessimista sobre o gás natural. Portanto tem estado muito hesitantes em investir grandes quantidades de dinheiro e por isso tantas empresas vendem ações às grandes multinacionais para obter o capital necessário para a exploração. (…)

De acordo com o Financial Times, a Chesapeak Energy tem sido “ muito ativa em encontrar parceiros para a produção”. Em 2011, a corporação fez um acordo em reduzir o débito e planeou aumentar $5biliões ao vender créditos na Arkansas Fayetteville e ações nas duas empresas. O CEO da Cheasapeake, Aubrey McClendon mandou vender em vez de perfurar como política comercial; numa reunião com os investidores em 2008, ele disse: “posso assegurar-vos que comprar por X e vender por 5X ou 10X é muito mais rentável que tentar produzir gás (…)

JOGADORES GLOBAIS, EUA JOGAM

 Investidores estrangeiros estão a aumentar a aquisição de shales americanas. Em 2010, a ExxonMobil comprou a XTO Energy Inc. por $34.8 biliões. Em 2010 os maiores produtores de gás nos EUA incluíam a ExxonMobil, a Chevron; ConocoPhilips, British BP e a corporação canadiana Encana. A BP da Inglaterra, StatoilHydro da Noruega, a BHP Biliton da Austrália, Mitsui & Co., do Japão, Reliance industries da India, a da China National Offshore Oil Corp são só algumas das investidoras estrangeiras nos EUA. Em 2010, projetos de perfuração no Sul do Texas incluía um investimento de quase $5 Biliões de outros países, incluindo a China. Algumas corporações, estão dispostas a especular sofre o fracking porque acreditam que o mercado do gás nos EUA irá melhorar. Um analista na ING disse ao Daily Telegraph, “ O mercado de gás nos EUA está fraco no momento, mas uma visão alargada é que o gás será um jogador principal no setor da energia.” Algumas destas empresas são motivadas a participar no empreendimento nos EUA porque eles querem ganhar experiência nas empresas americanas com mais experiência no fracking. (…) A Norueguesa StatoilHydro formou uma coligação com a Cheasapeak Energy, parcialmente para tirar vantagem da experiência da empresa do fracking. (…)

De acordo com a U.S. Energy Information Administration, a utilização de gás natural nos EUA, provavelmente vai diminuir entre 2007 e 2015 como resultado de infraestruturas para carvão e novas energias renováveis. Mas o consumo total de gás natural no mundo irá aumentar — a EIA prevê um aumento de 44% em 2035. Uma boa parte deste aumento virá da Ásia. (…)

A procura por gás pode aumentar no Japão devido ao recente desastre nuclear, que leva o país a procurar energias alternativas.

A Cheniere tem sido talvez a mais ativa defensora da exportação e gás para o mercado estrangeiro. (…) Charif Soukihttp://www.youtube.com/watch?v=RJ8M_QOBdLM, CEO da Cheniere acredita que a exportação pode ser lucrativa porque os preços do gás nos EUA serão mais baixos que os preços na Europa e Ásia, portanto países podem vir a comprar ás empresas americanas pelo dobro do preço. (…)

FRACKING AMÉRICA

 A indústria tem biliões de dólares em jogo na aprovação das políticas que irão permitir o fracking e criar mercados para gás doméstico. Um oficial do governo escreveu num email publicado no New York Times, “ A maneira como vejo é se a industria pode ficar por detrás do congresso na opinião sobre o gás natural através da politica, então a industria tem os EUA pelos tomates em termos de permitir que o desenvolvimento dos poços de gás que já estão perfurados fiquem vazios — preços mais altos, mais dinheiro para a industria, e mais dependência das perfurações.” Não e de admirar que as empresas estejam a fazer lobbing exaustivo em favor do fracking.  (…)

Hoje em dia muitos residentes expostos ao ar tóxico e água poluída devido ao fracking sentem uma enorme injustiça às mãos da indústria e da falta de proteção por parte do governo. O Mayor de Dish, Texas, mudou de casa para proteger os seus filhos da poluição da indústria do fracking perto da sua cidade.

(…) Para alguns, usar o gás dos EUA para servir interesses estrangeiros acrescenta insulto á injuria – especialmente para aqueles que inicialmente apoiaram as perfurações porque acreditam que pode contribuir para a independência energética americana. (…)

Retirado: De um relatória da Food &water Watch; Pipe Dreams: What the gas industry doesn’t watn you to know about fracking and U.S. Energy Independence.

 

 

 

 

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