“Flare” /Queima de gases associados,Fracking

Mais uma vez os jornais regionais relatam as operações da Mohave Oil em Aljubarrota. Repetem o que diz a corporação, para eles e para a população a chama avistada é bom sinal e até de algo de orgulho. Nesse  artigo fala-se numa “Grande chama” (Flare; Gas flare; Flare Stack para a industria), abaixo vem um texto sobre esta técnica de lidar com os gases.  Mais “uma galinha dos ovos de ouro” para a indústria, menos saúde para a sociedade em geral.

 A verdade sobre a chama avistada em Aljubarrota e a Flare:

Queimas de Gás:

Conhecidas no mundo como Gas Flare ou Flare Stack, é um dispositivo de combustão utilizado em complexos industriais petrolíferos, complexos de produtos químicos, e processos de gás natural, como em locais de extracção e produção de gás e petróleo, Rigs off shore on shore e Landfills.

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Grande parte do Gas Flaring em muitos locais de produção de petróleo e gás nada tem a ver com a proteção contra os perigos derivados da alta pressão no equipamento. Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Vapor é muitas vezes injectado para reduzir a formação de fumo preto. Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

RISCOS PARA A SAUDE E IMPACTO ASSOCIADO ÀS QUEIMAS (FLARING) DE GÁS ASSOCIADO

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

Flaring e a Nigéria (exemplo do que a industria queima)

A Nigéria é o país que mais gás natural associado com a extração de petróleo queima no mundo, com estimativas de 100,000,000 m3 de gás (AG) produzido atualmente 70,000,000 m3 são desperdiçados via flaring. Isto equivale a cerca de 25% do consumo total de gás de toda Grã-Bretanha, e equivalente a 40% do consumo de todo o continente Africano em 2011. Esta operação é realizada para diminuir os gastos na separação de gás viável comerciável do petróleo. As corporações na Nigéria também recolhem o gás natural para comercializar, mas prefere extrair de depósitos encontrados isolados. Portanto o gás associado é queimado para reduzir custos.

 As queimas (Flaring) na Nigéria começaram simultaneamente com a extração de petróleo nos anos 60 pela Shell-BP.

Alternativas ao flaring são re-injetar no chão, ou armazenar.

O flaring liberta grandes quantidades de Metano, que tem um grande potencial no aquecimento global. O Metano é acompanhado por outros gases efeito de estufa como, o dióxido de carbono, que a Nigéria tinha uma emissão estimada de 34.38 milhões de toneladas em 2002, contando como 50% das emissões industriais no país. Enquanto no Ocidente o flaring tem sido minimizado, na Nigéria tem crescido proporcionalmente com a produção de petróleo.

O flaring é proibido na Nigéria desde 1984, sobe a secção 3 da “Associate Gas Reinjection Act” do país. Enquanto a OPEC e a Shell, a maior “incendiária” de gás natural na Nigéria, declaram que só 50% de todo o gás associado é queimado via Flaring, os dados são contestados. O World Bank informou em 2004 que, “ A Nigéria atualmente queima 75% do gás que produz”.

A queima dos gases (flaring) tem efeitos negativos na saúde e bem-estar das comunidades, ao libertarem uma variedade de venenos e químicos, utilizando até conhecidos cancerígenas como, benzapyrene e dioxina. Os gases agravam sintomas de asma, dores crónicas, como também bronquites crónicas. O Benzene libertado pelas queimas, é reconhecido por provocar leucemia e outras doenças do sangue. Um estudo realizado pela Climate Justice estima que o benzene resultará em 8 casos de novos cancros só em Bayelsa State.

Muitas comunidades perto de exploração de gás natural falam em chuvas ácidas, que lhes corrói a casa. E outras estruturas que contem no telhado materiais baseados em Zinco. Algumas pessoas utilizam material derivado de Amianto. Infelizmente, este material só contribui para o declínio da saúde humana e do meio ambiente. Exposição ao Amianto aumenta o risco de cancro de pulmão, pleural e peritoneal mesothelioma, e asbestosis. Estudos da EIA relatam que o flaring é “um grande contribuidor para a poluição do ar e chuvas ácidas”.

Em Novembro de 2005 o Federal High Court da Nigéria ordenou que o gas flaring (queima de gases) parasse na comunidade do Niger Delta por violar os direitos constitucionais á vida e dignidade. Em 2011, a Shell não tinha parado com o flaring na Nigéria.

Agora que os direitos constitucionais e direitos humanos são também violados na tua localidade vais ter a coragem dos povos que já pagaram o preço de “uma melhor sociedade”?

“O Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni é uma organização que representa o grupo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.O movimento não-violento foi fundado pelo escritor Ken Saro-Wiwa em 1993, no tempo da ditadura do general Sani Abacha, para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras., especialmente  a Royal Dutch Shell, transnacional acusada de poluir o ambiente e de justificar a presença dos militares na área.

O Mosop acusou o governo de adotar uma tática de “dividir para governar”, estimulando conflitos entre as comunidades locais e depois enviando tropas para restaurar a ordem. Em 1994, quatro líderes comunitários foram mortos e os dirigentes do movimento, inclusive Saro-Wiwa, foram presos. A Shell era acusada de cumplicidade com o regime militar de Abacha nos enforcamentos de Saro-Wiwa e dos outros oito activistas, que foram condenados num julgamento considerado uma farsa. Em 2009, a petrolífera Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares de indemnização para a população Ogoni.

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s