Red Line: Anti Fracking nas Caldas da Rainha

No dia 21 de Abril como voluntários da CREA estivemos a ajudar na organização do evento: Encontro Caldas da Rainha Contra o Fracking (Fracturação Hidráulica).

Cartaz Final Digital

A água compareceu em força, mas estávamos num local com cobertura, a sua força afastou muita gente da parte da manhã, e da parte da tarde o sol veio-se juntar a nós, mas mesmo assim poucos caldenses compareceram à secção de informação. Secção porque o dia desde as 14.00 esteve sempre activo com arte, troca de ideias, empatias e às 16.30 a parte divertida teve de ser interrompida para a sessão de informação que começou com um pequeno vídeo sobre o Fracking, seguido da intervenção do grupo: Peniche Livre de Petróleo, que falou dos impactos da indústria petrolífera na camada de Ozono. De seguida a Catarina da Linha Vermelha, falou das concessões no Centro e nas várias frentes contra que estão em activo como a consulta pública, os grupos de tricô espalhados por Portugal e pela Europa que querem tricotar uma linha vermelha com 52 km contra as explorações como forma de informar os cidadãos e atrai-los para conversas e acções contra as explorações de gás natural e petróleo em Portugal. Falei um pouco sobre o porquê de ter colaborado para trazer a Linha Vermelha à cidade e pouco mais, porque o evento era para dar a conhecer o trabalho da L.V. Uma iniciativa parece ter sido atingida já que além de terem estado quase toda a tarde 3 campeãs a tricotar, pode ser que se crie um grupo de tricô contra o petróleo e o Fracking na cidade.

No Final relaxamos todos ao som do Rap e Dub ao Vivo…

Vai ser preciso mais para dar a conhecer o problema…mas estamos cá para isso…

O evento estava inserido numa campanha da L.V. no Oeste/Centro que passou e vai ainda passar por várias cidades e Vilas do Oeste, acompanha… Mais em breve…

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Este evento foi para informar não para educar. A intenção dos organizadores é que as pessoas se unam e ajam localmente, tomando as suas próprias decisões e estando no comando das acções na sua área. Conforme se vão criando grupos, cria-se uma rede interligada pela internet, onde se podem apoiar, conhecer, trocar experiências e agir em bloco quando se achar por bem…

A ideia a passar é que diferentes ideias podem-se complementar, nem sempre são antagônicas.

Vão ser necessárias todas as forças que temos como povo para enfrentar a ofensiva das petrolíferas em 2018 e 2019 se queremos no mínimo atrasar os trabalhos até a ponto de criar uma situação econômica insustentável para os investidores… Porque o baralho de cartas com que se joga neste momento é propriedade das corporações: economia (crise), meios de comunicação, geopolítica internacional e principalmente com a nossa dependência como sociedade dos seus produtos…

O grupo “TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo” que esteve para estar presente, não pode mas enviou um texto para lermos que partilhamos aqui:

«A fracturação hidráulica é dos processos de extracção com maior e mais devastador impacto ambiental, quer ao nível local, quer ao nível global.”

No que diz respeito aos impactos locais, eles são de extrema gravidade não só pelas avassaladora quantidade de água utilizada, que pode ter um impacto local perceptível (aumentando a probabilidade de escassez); como pelo agravamento do risco sísmico; pela possibilidade de contaminação das águas subterrâneas quer com a mistura utilizada para a ejecção quer com o gás e outros componentes voláteis que se misturem devido ao fracturamento do solo; quer ainda devido aos riscos associados ao armazenamento e rejeição dos resíduos que consistem num líquido que pode conter contaminantes como material radioactivo, sais, metais pesados e hidrocarbonetos.

O processo de tratamento e reutilização pode aumentar os níveis de contaminação, dado que a água é mais tóxica com cada uso. De mencionar ainda os compostos químicos extremamente tóxicos e carcinogénicos (benzol ou ácido fórmico, e entre mais de setecentas possíveis composições alguns assumem uma composição desconhecida).

Por fim, importa lembrar que qualquer negligência ou acidente durante o processo pode ter efeitos trágicos e devastadores. Mas podemos estar descansados: onde é que já se viu neste país qualquer tipo de negligência ou acidente?

No que diz respeito aos impactos globais, é de referir o perigo de fugas de metano (um poderosíssimo gás de efeito de estufa) que, quando tomado em consideração, faz com que as emissões associadas ao combustível obtido via fracturação hidráulica sejam superiores às da mesma energia obtida através do carvão ou qualquer outro combustível fóssil. Nenhuma forma de obter energia coloca ameaças tão graves no que diz respeito ao aquecimento global e mudanças climáticas como esta. 

Mas em que é que isto diz respeito à Plataforma TROCA?

Isso conduz-nos a algo que aconteceu no Canadá. Os activistas sensibilizaram as populações para os enormes riscos da fracturação hidráulica, e as populações conseguiram obter uma moratória para estes processos em 2010.

No entanto, a empresa extractora, Lone Pine Resources, utilizou as cláusulas de protecção de investimento no acordo NAFTA (acordo entre o Canadá, EUA e México – 1994) para processar o governo do Canadá. Pediu 250 milhões de dólares (além das custas do processo, e juros de mora) e considerou que a actuação do governo canadiano tinha sido “arbitrária, caprichosa, e ilegal”. Note-se que a empresa não procurou processar o governo num tribunal canadiano, onde os juízes poderiam considerar perfeitamente justificável a actuação do governo dado o objectivo político de proteger o meio ambiente e as populações. A empresa usou um mecanismo de arbitragem chamado ISDS (Investor-State Dispute Settlement) processualmente inquinado a favor das grandes multinacionais.

A situação é verdadeiramente revoltante, e não apenas pela forma como acaba por atacar a democracia (criando receio nos legisladores de futuras medidas para proteger a saúde e o ambiente que coloquem em causa os lucros das multinacionais) e subalternizar os sistemas de justiça nacionais. É revoltante porque a sociedade vai recompensar com vários milhões de dólares aquelas empresas cujos investimentos se propõem a ter um impacto ambiental catastrófico.

Vale a pena mencionar que as indemnizações não incidem apenas sobre as perdas sofridas directamente, mas também (ao abrigo da noção de “expropriação indirecta”) sobre os potenciais lucros futuros. Uma empresa chegou, neste tipo de processos, a ser indemnizada em 900 milhões de dólares quando o investimento realizado andava na ordem dos 5 milhões de dólares.

O que é que isso tem a ver connosco, em Portugal?

É verdade que Portugal não faz parte da NAFTA, o acordo que tornou possível este processo. No entanto, a União Europeia tem tentado aprovar uma série de acordos que têm cláusulas equivalentes. Já nos ouviram falar bastante do CETA, que era um desses acordos. Além de querer aprovar vários acordos deste tipo, a União Europeia também está a considerar a criação de um Tribunal Multilateral de Investimento (MIC), que serve para expandir muitíssimo mais o número e influência destes mecanismos.

As boas notícias são que estes processos de justiça paralela estão “feridos”. O ataque à Democracia foi tão longe e tão violento na proposta do TTIP (o acordo UE-Estados Unidos) e do CETA (o acordo UE-Canadá) que uma grande fatia da população europeia acordou, e apercebeu-se da ilegitimidade destes sistemas de arbitragem. Nos últimos anos aumentou a consciencialização da população, e agora muitos proponentes destes sistemas sentem que eles estão ameaçados.

É agora a altura de atacar todos estes sistemas de arbitragem, e as suas propostas de expansão. Não queremos uma justiça paralela para as multinacionais, e podemos realmente mudar a forma como a globalização funciona.

A Plataforma TROCA apela a todos que se informem ao máximo sobre estes sistemas, e a quem tiver tempo e disponibilidade para se juntar à plataforma e desenvolver mais acções de consciencialização, que o faça. Os próximos três anos serão críticos para mudar os alicerces da globalização. »

João Gama; Activista da TROCA, Plataforma por um comércio internacional Justo

 

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A CREA é um grupo pela ética animal que funciona a nível local. A Lã usada para os 52 Km preocupa-nos, porque para tanta lã muitos animais vão sofrer a domesticação e o manuseamento necessário para manter um rebanho e o stress da tosquia… Não podemos de deixar um alerta para que se pense um pouco do que é necessário para haver lã para uma acção e não uma real necessidade. Agora na verdade o impacto da indústria petrolífera na vida animal é muito maior. No caso das Ovelhas podemos realçar o caso dos animais transportados vivos por barco através do mundo…

https://www.marineinsight.com/types-of-ships/mv-becrux-the-largest-livestock-carrier-in-the-world/

https://www.ship-technology.com/features/featuretransporting-livestock-by-sea-contentious-but-necessary-5008736/

No mesmo modo que devemos pensar se viagens transatlânticas de avião compensam um encontro físico… Ou se devemos aceitar apoios de quem provoca os danos para estudar e minimizar os mesmos.

Como devemos lembrar que o impacto da agricultura incluindo a produção animal têm um impacto maior na camada de ozono que a produção de petróleo. Muito devido ao desmatamento, uso de maquinaria intensiva, como aviões, helicópteros e monstruosos tractores que necessitam de petróleo para a sua força… O Metano, um gás dezenas de vezes mais destrutivo da camada de ozono que o CO2 é libertado em grandes quantidades pelo Bovinos mantidos para produção. Sem falar na água, porque o Fracking vem dar a vantagem às petrolíferas.

Conheçam o perigo e Criem informação e acções… Qualquer ajuda que precisem existem vários grupos e ideias, contacta e quem te parecer mais dado às tuas ideias e modo de ver a vida e Siga…

Por aqui GNN continuamos a acreditar que são necessárias acções “não convencionais” (fora do baralho com que estamos jogar)…

O que são acções não convencionais?

Ninguém sabe… altera-se de pessoa para pessoa. Descobre a tua!

No encontro nas Caldas houve várias pessoas que ultrapassaram os seus limites e sentiram-se bem. As barreiras pessoais, grande parte das vezes não são mesmo nossas, são da sociedade e para nos libertarmos dela temos de nos ultrapassar e acreditar que somos mais do que dizem…

Este ano é muito importante para enviar uma MNS clara às petrolíferas:

Fracking? Nem para a minha Família! Nem para nenhuma outra!

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Fracking & Não convencionais? Nem para a Minha Familia! Nem para Nenhuma Outra!!

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