Nuclear Não! Petróleo Sim?

Com a movimentação no Algarve devido aos trabalhos da Fonseca Furos, na área da concessão de Aljezur, fomos procurar mais informação e ficámos a saber que empresa é da Autoguia da Baleia, Peniche e que trabalhou com a Mohave Oil and Gas, que teve várias concessões na Zona Oeste e na restante Bacia Lusitanica. De certo a sua experiência foi levada em conta. 

Seguimos uma investigação que queríamos já ter feito. Saber o que se passa nos Estaleiros Navais em Peniche e a sua aposta no apoio ás petrolíferas, e principalmente o apoio da câmara ao projecto. O que nos levou também a criar este post foi a comemoração da revolta contra a instalação de uma central nuclear em Ferrel, Peniche, porque o presidente da câmara não sente o mesmo em relação à industria petrolífera, do que sentia em relação à energia Nuclear.

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No dia 13 de Março assinalou-se o 40º aniversário da revolta da populaçao de Ferrel, Peniche, contra a instalação de uma central nuclear. Nessa altura a população juntou-se e realizou a primeira manifestação nacional contra a energia nuclear em Portugal na localidade. A Câmara Municipal de Peniche aproveitou para apresentar o “Wave Roller” para aproveitamento energético das ondas, em desenvolvimento na área onde era para ser construída a central nuclear. Estiveram presentes pessoas como António Eloy, que esteve recentemente num debate no Algarve sobre a extração de gás e petróleo em Portugal, e José Luís de Almeida Silva, que organizou o Festival Pela Vida e Contra o Nuclear em 1978. O presidente da C.M. de Peniche, António José Correia salienta que  “a minha terra não seria a mesma se o nuclear tivesse ganho.”

O Reactor nuclear seria fornecida pela Alemanha, e o PCP não se opunha a uma central nuclear desde que que fosse soviética.  também “o cluster de Surf, não teria a mesma essência nem projecção mundial se os surfistas co existirem com uma central nuclear.”

Muito boa, a movimentação popular contra o nuclear. Mas o problema é que o autarca não vê as petrolíferas como uma ameaça ao bem estar da população de Peniche, nem ao ambiente. Será que para ele uma luta e revolta contra as petrolíferas também virá a merecer ser institucionalmente comemorada e com direito a placas nas localidades?

Cluster do Mar

A C.M. de Peniche mostrou-se favorável ao alargamento da área dos estaleiros navais da cidade para mais 20 hectares, inseridos no plano de melhoramentos para a construção de plataformas petrolíferas, plataformas de gás… e da energia das ondas. António José Correia (CDU), presidente da câmara de Peniche disse “a câmara vê com interesse a proposta de alargamento da área portuária”.

O autarca reconhece que estas obras serão um passo para o estaleiro iniciar as estruturas para exploração de gás e petróleo. Fala dos postos de trabalho que vão ser criados, e que os trabalhos terão de ser compatíveis com o Turismo. A câmara propôs oferecer mais 2 hectares de terreno em troca de obras na praia do Molhe Leste.

Os estaleiros foram comprados por 14 milhões de euros pela Oxi capital. Joaquim Goes, ex administrador do BES, ao lado de Ricardo Salgado até ao colapso do grupo, chegando a trabalhar com a nova administração de Vítor Bento até Julho de 2015, é nomeado administrador do Fundo de Capital de Riscos; Aquários, da Oxy capital, que dirigem o Turismo de Luxo, que adquiriram ao grupo Amorim Turismo. Goes está no processo de investigação do Banco de Portugal.   Na compra dos estaleiros entrou também o  grupo Amal-Construções Metálicas, com um fundo de capital de risco. A AMAL têm como principais clientes 8 das 10 maiores petrolíferas mundiais, entre várias empresas de produtos químicos, e outras empresas como Portucel, Siemens, e outras pequenas empresas que dependem de refinarias, como a Air Liquide.

Sua MissãoAssegurar uma resposta competente e competitiva às solicitações dos mercados Nacional e Internacional da Metalomecânica de apoio à indústria nomeadamente à Petrolífera.”

No seu portefólio tem a construção de tanques de armazenamento de gás no Funchal, tanque de gás Repsol em Sines, Reactor de refinaria no Porto,, Flare Refinaria de Sines, LNG Guiné Equatorial , Refinaria nos Camarões, etc…

O anterior dono do estaleiro tinha avançado com um processo de insolvência extrajudicial junto do Instituto de Apoio às pequenas e Médias empresas e à Inovação (IAPMEI), para renegociar com os seus credores a dívida de 15 milhões de euros. Entre os credores estava a Banca, o Estado e fornecedores.

Sabendo as intenções das petrolíferas, sabendo a intenção de quem investiu no Estaleiro, sabemos que por eles toda a área Oeste terá uma área de interesse Petrolífero, desde as plataformas offshore, passando pela adapação dos portos pela costa, a construção de clusters dedicados ao apoio à industria petrolífera, ao locais para armazenamento de gás, concessões petrolíferas em terra, a intenção de quem cria “empregos verdes”, precisamos de saber: O que sabe e quer a Câmara Municipal de Peniche e a população local no que diz respeito à exploração de gás e petróleo em Portugal e no Mundo?

Com a decisão da AMAL em rejeitar a exploração de Gás de Xisto no Algarve em assembleia, o que pensam as autarquias no resto do País?

 

 

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