Capitalismo, Direitos, Povo e Petróleo.

Capitalismo, direito à terra, resistência popular e Petróleo!!!

A Globalização (comércio Livre) trás algo de novo para os povos Ocidentais. Os acordos comerciais assinados pelos governos e corporação vão contra as constituições que formataram os Países, leis irrevogáveis de direitos do cidadão escritas em documentos oficiais (Constituição) vão ser alteradas ou eliminadas. Nada de novo, apenas é recente nas democracias modernas e prejudica os direitos fundamentais do cidadão dos países industrializados. Não dizemos nada de novo porque é o mesmo método utilizado há décadas pela industria nos países de 3º Mundo.

Em Portugal as terras têm sido ocupadas pelo Agronegócio, Turismo, Barragens, estradas, super construções, etc. A natureza tem sido devastada pelas pedreiras, pela pecuária, pela silvicultura intensiva (especialmente Eucalipto), campos de golf,  e agora transgénicos. a próxima ocupação será por futuros campos petrolíferos, agricultura intensiva com mais transgénicos (OGM), turismo de massa e de luxo são a nova aposta económica. As últimas lutas (hoje) em Portugal pelo direito à terra combate-se pela manutenção de espaços Baldios, que estão a acabar por decretos ambientais e projectos de silvicultura. Também a ocupação de espaços abandonados para criar hortas populares mantêm viva essa luta. Mas a indústria petrolífera continua a crescer apesar de todo o mal que causa, apesar de se ter decidido à muito que é necessário acabar com as energias fósseis, novos projetos e novas tecnologias permitem mais destruição ambiental e social em nome da sustentabilidade energética dependente de hidrocarbonetos.

A área afectada pela indústria petrolífera em Portugal, com a exploração de gás e petróleo passará para os milhares de hectares, em Terra e no Mar. Na mentalidade de grande parte dos Ocidentais já não existe o sentimento de ocupação de território, de colonização (capitalista), e direito de liberdade individual e à auto-sustentabilidade. A ocupação de terras tem sido o principal problema que os povos do mundo enfrentam com o avanço da industrialização.  A ocupação de terras pela indústria é vista como um bem social porque trás desenvolvimento, trabalho e uma solução económica para todos os problemas da nação, da família, do individuo. A economia ao serviço da evolução humana, onde se pode comprar saúde, segurança, conforto e evolução do ser humano através da tecnologia (Transumanismo).

Como chegámos aqui?

Fácil, ignorámos a forma como deixamos as corporações e os governos Ocidentais olhar para os outros povos, deixámos que a mentalidade de superioridade continue a existir no modo de olhar para essas comunidades. Agora que chegou ao quintal do Ocidente. Como vais olhar as petrolíferas e a sua mentalidade económica que percorre o mundo?

Fomos habituados a entregar as nossas decisões individuais e comunitárias a representantes. Foi com essa mentalidade que fomos ter com os povos de terceiro mundo ou minorias “inseridas” em nações ocidentais, oferecemos as nossas soluções para os problemas deles, ensinámos religião para os melhorar moralmente, ensinámos-los a vestir para se melhor apresentarem, ensinámos-los a falar como nós para melhor comunicar, ensinámos a escrever para melhor participar na burocracia, ensinamos-los a serem pessoas de “mentalidade branca” para terem razão. Erramos desde o início e continuamos a errar, a melhor solução para os problemas sociais mundiais é unir todas as lutas, todos os povos, contra o mesmo alvo: A exploração. Sem uma mono-cultura, mas sim com uma variável de alternativas.

Os povos tribais não separam as lutas, todo é o mesmo, todo é comunidade. Não existe a luta ambiental, a luta pelos direitos humanos, a luta pelos animais, a luta pela igualdade de direitos. Grupos como Idle No More, Free West Papua, Tribos do Saará Ocidental, Ogoni, Zapatistas, Aborígenes e algumas minorias no ocidente têm uma só luta, a luta pelo direito à sua existência e do meio que os rodeia. Ao impormos o nosso modo de ver as coisas, adiamos a sua luta de libertação comum, deixamos as corporações encurralem-nos e a obrigar a reagir dentro dos limites da paz ocidental, ou a fugir para locais onde são “imigrantes Ilegais” ou indesejados terroristas. Hoje sabemos que essa paz Ocidental não é para o povo, mas sim para os governantes e para o Comércio livre, onde todo e qualquer cidadão do mundo que se oponha ao caminho traçado do progresso é classificado na mesma categoria que um índio na Amazónia, um negro no Congo, um indígena na América do Sul e colocado moralmente e socialmente na classe dos “outsiders”. Pela segunda vez em menos de de 40 anos em Portugal pode-se perseguir um cidadão com fazia a PIDE, e ser tratado como um ser sem direitos, sem direito de liberdade de expressão. A política neoliberal está a avançar, deixando a maioria da população de fora da “boa sociedade”.

O que fica para a população?

Para sabermos a resposta basta ver o que se passa nas comunidades que viviam e vivem em terras que hoje estão ameaçadas pela indústria de extracção. Decerto poderás reconhecer alguns sintomas, já sentidos no Ocidente, e outros fáceis de imaginar virem a acontecer no “nosso” país, na “nossa” terra, no “nosso” rio, no nosso mar, na “nossa” mata, na “nossa” serra, no “nosso” quintal, no “nosso” ar, na “nossa saúde”, na “nossa mentalidade”, na “nossa” sociedade, na “nossa” família.

Em Portugal a união popular consegui parar a construção de uma central nuclear na Zona Oeste, Estremadura. Não foi possível parar as barragens, as incineradoras, a destruição das serras para turismo rural, a proteção das costas do turismo de luxo, etc… Será que o povo português já perdeu a noção de território e direitos populares?

Deixamos aqui a opinião de Ernest Mandel, economista e político belga, considerado um dos mais importantes dirigentes trotskistas da segunda metade do século XX no Parlamento Europeu.

No Guia Anti Racista: Ernest Mandel; anexo ao relatório Evrigenis, do parlamento europeu- 10/12/85:

“A crise da democracia parlamentar está estreitamente ligada a uma grave crise económica, como a que explodiu na Alemanha depois de Outubro de 1929. Uma crise deste tipo priva milhões de pessoas da possibilidade de lhes serem asseguradas as suas necessidades materiais e morais em condições “normais”. Enquanto, que no inicio, os nazis eram abertamente apoiados apenas por um punhado de Capitalistas (Thyssen, Kirdorf, Reemstsma, assim como Ford nos EUA), o seu movimento foi largamente financiado por numerosos capitalistas a partir do momento em que Hitler se transforma na primeira força de direita. As bases ideológicas dos mecanismos que conduzem a um regime fascista residem essencialmente no ascenso de um nacionalismo extremo (no limite da histeria), no reforço do racismo e na intervenção crescente de factores irracionais, “Mágicos” e míticos na política, que se traduz por uma menor sensibilidade do cidadão à violência e à injustiça e à sua menor sensibilidade para reagir activamente.”

Esta violação cínica de todas as regras de estado de direito, esta extrema glorificação do poder e da “Realpolitik” foi naturalmente aplicada primeiro fora da Europa, com os povos coloniais e semi coloniais. O elemento tipicamente inovador do fascismo reside no facto de que se esforçou por transpor para a Europa a total negação de qualquer moral humanista já observada nos países de Terceiro Mundo (onde era a regra mesmo entre os europeus liberais), para reduzir a classe operária alemã, primeiro, e depois um grande numero de povos europeus, ao estado de sujeitos sem direitos, unicamente capazes de obedecer, isto é, para fazer deles verdadeiros escravos coloniais.”

Na Europa as lutas populares (tribais), com a participação de toda a comunidade para defender a tomada do seu território acabaram quase na totalidade antes da idade média. Em Portugal depois da guerra com os Romanos, e da tribo Lusitana ter assumido o território, que é hoje Portugal, apagou da memória o nome de todas as outras tribos que habitavam na área hoje Portugal, e todas as lutas são desde então em nome da Pátria/Nação. Na história talvez só de quando do 25 de Abril e da tomada de terras dos latifundiários pelas populações se pode falar de um “movimento popular” de massas para reivindicar o direito à terra, mas só foi possível porque movimentos militares de esquerda e grupos populares e apolíticos estavam também em luta contra o fascismo e o colonialismo. Hoje com quem pode contar o povo?

Também é verdade que sempre existiram “bolsas” populares que sempre mantiveram a luta pela terra, contra a ocupação por grandes projectos agrícolas, industriais internacionais ou nacionais. De quando da primeira revolução industrial em França surgiram pequenos grupos de naturistas libertários, que criaram várias comunidades livres, auto sustentáveis e de cultura libertária. Em Espanha tivemos um exemplo na altura da guerra civil quando Franco tomou o poder pela força. A luta pelo direito á independência, liberdade “religiosa”, direito à terra, às suas tradições, aos seus modos de viver dos povos da Catalunha, Bascos, Galegos, etc… contra os latifundiários, Estado fascista e igreja foi a ultima grande resistência popular na Europa. Nos Balcãs até aos dias de hoje, apesar de as guerras serem consideradas guerras civis, a verdade é que são guerras de poder, onde o povo se vê obrigado a lutar não só pela sua liberdade, mas pela sua vida, daí os contínuos genocídios praticados nesses países, onde os povos rebolam ao ritmo das excentricidades dos seus líderes, a ultima “guerra” entre a Rússia e a Ucrânia é disso, exemplo. Na Europa existem vários exemplos de lutas pela independência, e defesa do território natural, por movimentos populares como em França a zona ZAD (Zone À Defendre). No telejornal quando se vê uma manifestação, os terroristas são os manifestantes radicais “Black-Block”, radicais independentistas, eco-terroristas, Feministas, Radicais de esquerda, fundamentalistas, que são, na verdade, as últimas bolsas de resistência Ocidental contra a exploração do comércio Livre (Globalização).

Hoje indivíduos que resistam à agricultura moderna, e pretendam uma forma de produzir alimentos mais sustentável e equilibrada com o ecossistema são inseridos na mesma definição de “Terroristas”. Comunidades que queiram existir sem fontes de energias poluidoras são apontadas como inimigas da nação, do equilíbrio social, e da paz mundial. Sociedades que rejeitam o Neo-Liberalismo monetário são atacadas, ocupadas militarmente, ameaçadas com défices económicos e com embargos de produtos essenciais. Depois são “salvas” com empréstimos dos Bancos Mundiais.

A população ocidental alterou as suas prioridades individuais e locais em prol das necessidades das nações e forças globais, e pela dos grupos de nações (G20, Clube Roma, CEE, Nações Unidas, Rotary Club, etc), que se alimentam da economia gerada através dos recursos naturais (minerais, líquidos, gasosos, vegetais, animais não humanos e humanos). As nossas lutas são maioritariamente politicas, económicas, laborais e morais. Falar da defesa da Natureza (incluindo nós indivíduos) em prol do bem-estar humano e do planeta é ser utópico, inimigo dos seus concidadãos, e do mundo. Um elemento desestabilizador e perigoso para a democracia e paz entre povos (Capitalistas).

A Industria petrolífera só agora começa a criar problemas nos territórios onde foram formadas as sedes das primeiras petrolíferas e das petrolíferas nacionais que se iniciaram com explorações noutros países. Nós, Ocidentais aproveitámos o carvão, o petróleo e o gás para “evoluirmos” como sociedade. Nos anos 60, como povo do primeiro mundo começámos-nos a preocupar com a destruição ambiental, e mais tarde com o aquecimento global, porque a ciência começou a dar provas que nos estava a afectar directamente.

Desde 2010 o Fracking é um problema das comunidades Ocidentais, (EUA, Canadá, Países da Europa, dos Balcãs, Austrália, etc…) As campanhas hoje falam de falta de consideração pelas populações locais, do problema das contaminações das águas, da destruição das florestas, das serras, e do campo, da cultura, da subsistências, das doenças, e dos problemas sociais no Ocidente devido aos trabalhos das petrolíferas para fontes “não convencionais” de energia. É verdade que existiam campanhas desde sempre contra o modo como os países colonizadores exploravam as suas colónias. Mas muitas gerações de Ocidentais olhavam e olham para o lado quando se fala nos problemas que deixamos noutros povos para podermos ter o nosso modo de vida. Hoje como os trabalhos petrolíferos podem atingir os “nossos” concidadãos, familiares, serras, rios e mares, ou as explorações podem ser no “nosso quintal” o número de Ocidentais preocupados com o crescimento e novos trabalhos da indústria petrolífera aumenta, olhar para o lado torna-se difícil… Afinal os povos de 3º mundo afectados pela indústria de extracção de recursos naturais tinham razão, as corporações não respeitam os habitantes locais e fazem de tudo para destruir a sua vida, território e modo de subsistência local por lucro.

Podes conhecer alguns Exemplos:

África:

O movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni é um grupo Tribal/popular da Nigéria, que na altura da ditadura do General Sani Abacha, lutava para que a Royal Dutch Shell parasse de poluir as águas e as guerras entre o povo Ogoni. O Movimento acusava o governo de “Dividir para Governar” e provocar guerras tribais e conflitos entre pequenas comunidades locais. Em 2009 a Shell pagou 15,5 milhões de dólares por cumplicidade no assassinato de 9 líderes tribais activistas.

Canadá

O Movimento Idle no More no Canadá combate o colonialismo todos os dias ainda hoje. Para o movimento o Canadá colonial é real, e a sua luta é por uma mudança fundamental na relação do Canadá com os povos indígenas. A luta central é a exigência de justiça nos direitos à terra, recursos económicos e auto sustentabilidade, contra a destruição das terras onde sempre habitaram e onde sempre sobreviveram. Os protestos Idle no More atravessaram todo o Canadá em 2012 para marcar o dia Internacional dos Direitos Humanos, dia 10 de Dezembro. Um dos principais pontos das exigências era o respeito pelo tratado Royal Proclamation of 1763, um documento colonial, que proíbe os colonizadores do território da utilização de recursos sem o claro consentimento dos povos locais. O Governo conservador canadiano recusa falar directamente com o movimento Idle no More, falando só com o grupo oficial Assembley of First Nations, um grupo fora das lutas históricas envolvendo movimentos de protestos indígenas.

“ AS tomadas de decisão em nome da AFN não estão criadas para combater o governo, mas meramente como consulta junto do governo” Arthur Manuel do grupo: Defender’s of the Land Network for the Secweperson Nation. Arthur critica abertamente as conversações com o governo conservador do Canadá até os tratados serem respeitados.

Central no Movimento é a chamada dirigida a todos os Canadianos para que respeitem os direitos dos tratados, salientando a constante recusa do governo em reconhecer as suas obrigações nos tratados nos últimos séculos.

“First Nations experienciaram a história colonial que resultou na tomada de terras, falta de recursos e desigualdade nos apoios para serviços como educação e habitação”

O movimento é dirigido por activistas Aborígenes, mas também estão inseridas vozes para a justiça climática, apoiadas por um spectrum das sociedades canadiana crítica das políticas do governo conservador. Em 2012 durante a saída ás ruas dos estudantes contra a austeridade a  Association pour une Solidarité Syndicale Étudiante lançou uma declaração de apoio ao Movimento Idle No More: “ … em relação a grandes “desenvolvimentos”, como extensão de oleodutos para a indústria das tar sands canadianas, limitações que diminuem o espaço para os povo indígena contribuírem para um papel significativo no desenrolar do futuro das suas históricas terras. “

No Canadá, Idle No More está a construir um espaço político criativo para abertamente desafiar as políticas controversas dos Conservadores, incluindo a proposta C-45 no orçamento federal do governo. Esta proposta se aceite irá permitir a devastação das terras First Nations dentro da fronteira canadiana. Também irá facilitar o desenvolvimento de projectos industriam que põem as águas em perigo, nomeadamente energias e oleodutos. Idle No More dizem que esta proposta irá retirar a protecção a 99.9% dos lagos e rios no Canadá. Recentes mudanças nas leis canadianas, em relação aos direitos indígenas, estão diretamente enraizados no crescimento económico do Canadá dependente dos recursos naturais. A economia do Canadá é muitas vezes realçada como um exemplo de relativa estabilidade.

A economia canadiana está a ir relativamente bem, apesar dos desafios na Europa e noutros locais. Continuamos a ver interesse no sector dos recursos do Canadá, tanto em mineração como no petróleo e gás…” oficial do banco do Canadá.

O sector do gás e petróleo de mineração estão largamente interligados para ignorar e cortar acordos previamente assinados pelo estado e falhar na obrigação internacional do Canada para com os povos aborígenes. Em 2011 foi chamada a atenção para a situação da tribo Attawapiskat, que viviam em séria pobreza na reserva isolada, onde as famílias vivem em cabanas de madeira, sem água canalizada ou isolamento adequado para os rígidos invernos do norte do Canadá. A 90 km da reserva encontra-se a mina Victor Diamond Mine, operada pela DE Beers, que segundo relatórios extrai cerca de 600.000 carats de diamantes por ano. As riquezas são retiradas do chão para o benefício de poucos, incluindo o governo do Canadá e de Ontário, que recebem royaltys, enquanto a população recebe muito pouco. Idle No More soa o alarme sobre esta realidade colonial, que apoia o sucesso económico relativo, dependente na tomada de posse de terras e recursos no território indígena sem uma profunda consulta, consentimento das First Nations.

“ É altura do Canadá acabar com aproximações discriminatórias datando da época colonial e começar a respeitar os direitos das Firts Nations, Inuit e Mats sob as leis Canadianas e leis internacionais” Amnistia Internacional.

O Movimento Idle no More encontra-se num país “branco”. Agora descemos até a América do Sul, onde o país é Índio, controlado pela economia “branca”. Depois o ouro, do açúcar e da escravatura, apareceu o petróleo para explorar. Em Maio de 2015 os povos indígenas do México continuam a resistir aos avanços das petrolíferas, e a lutar pelos Direitos Humanos, violados constantemente pela indústria ocidental. Realizaram uma caravana nacional pela água, o território e a vida. Passaram por 75 cidades em 23 estados. A mobilização atraiu dezenas de povos originários, organizações campinas e urbanas, ambientalistas, sindicatos, universidades, jovens, comunidades eclesiásticas de base e grupos dos direitos humanos.

A Sua luta é contra a imposição de aquedutos, mineração, Fracking, barragens, campos eólicos, termoelétricas, devastação de florestas, urbanização selvagem, autoestradas, privatização das energias e das águas, contaminação agro-química e industrial, a destruição das sementes originais pelos transgénicos, e a sobre exploração do povo mexicano e da América do Sul. O primeiro encontro de povos indígenas da América em Vícam, tinha sido há 8 anos, e organizado pelo EZLN (Exercito Zapatista de Liberación Nacional) e pelo Congresso nacional Indígena, onde se criou uma aliança de protecção dos povos originários. Hoje o Movimento decidiu unir á sua luta a outros sectores e movimentos que são afectados pelas políticas neo-liberais. O Movimento: Observatório Petrolero Sur foi criado em 2008 na Argentina para que o consumo de energia se faça de forma justa, democrática, saudável e sustentável.

Papua Ocidental

A campanha Free West Papua foi iniciada em 2004 em Oxford, UK

Começou como um pequeno grupo voluntário organizado com sedes em Oxford, The Hague (Holanda), Port Moresky ( Papua Nova Guiné? e Perth (Austrália). Lutam pelos direitos humanos, direitos “políticos” e ambientais. Tem como objectivo dar ao povo local a liberdade para escolher o seu próprio destino através de um referendo limpo e sério. Não tem religião, partido politico ou filiações corporativas, são contra a violência. 

Palestina

Passando para o “Nosso “ lado do mundo, e olhando para a Palestina, continuamos a ver o colonialismo a funcionar com o consentimento do ocidente, Gaza, com 5046 palestinianos por Km2. Na Cisjordânia, Israel já ocupou 60% do território que era palestiniano. Os palestinianos não podem proclamar autonomia, apenas resistir. Resistir ao embrago económico, à falta de água que Israel domina, à humilhação e ao desespero.

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Aborígenes (Austrália):

Em 2014 a comunidade aborígene participou em protestos na preparação para o encontro dos G20 nesse mesmo ano. Mais um passo na sua luta com 200 anos. Apresentavam duas perguntas: Porque é a supressão da resistência do povo aborígene ainda hoje é uma prioridade para governos e industrias? Como pode vencer a guerra?

Antes da invasão da Austrália, da revolução industrial na Inglaterra, os agricultores eram expulsos das suas terras e forçados a integrar o exército de trabalhadores na pobreza e miséria das cidades. A propriedade privada tornou-se uma lei suprema. Este foi o primeiro passo do colonialismo. Quando os EUA se tornaram independente e a África Ocidental era demasiado instável, as autoridades inglesas mandaram os bandidos para a Austrália. Eram caçadores de baleias e defensores do pacífico (Hoje NATO). A Chegada dos primeiros colonos trouxe uma Nova ordem Social, uma sociedade de classes baseada na acumulação de riqueza e propriedades, exploração laboral, opressão e desigualdade.

“Parece claro que a sociedade aborígene desenvolveu um conceito preciso embora complexo de tomada de terra. Muito diferente do conceito europeu de terra como propriedade privada individual, uma comunidade para ser comprada, vendida, e utilizada para gerar capital”. Heather Goodall

A história dos direitos à terra é a mesma que sobre as brutais invasões e a imposição de um sistema social estrangeiro no Continente. Um confronto é inevitável porque o modo de produção capitalista, baseado na divisão de classes e competição é incompatível com a existência de um colectivo igualitário. A invasão não é um só acto isolado, advém de vários acontecimentos. As doenças são os primeiros sintomas. Depois vem a invasão pela agricultura e a  criação de gado em terras vitais para a sustentabilidade dos Aborígenes. A violência aumenta, e é chamada de guerra, terrorismo pelo “branco”. O tipo de indústrias que a Europa introduziu moldou o modo de opressão e de resistência. Para a indústria se expandir e ter sucesso, era necessário remover os habitantes dos locais. O capital era dependente do trabalho aborígene (escravatura), baixos salários, particularmente nas zonas rurais com falta de mão-de-obra disponível. A repressão não tardou. Em 1880 o povo aborígene tornou-se activo nos movimentos sindicais, organizando lado a lado, e muitas vezes liderando os seus companheiros brancos. Isto abriu a possibilidade de solidariedade entre o povo aborígene e trabalhadores não Aborígenes. O povo aborígene de Pibara desafiou com sucesso a classe governadora australiana e ganhou.

País Basco:

No país Basco, onde o fracking está a dar os primeiros passos a noção de território ainda está bem viva nos corações da população local. As petrolíferas precisam de estar sempre a abrir novos poços, para manter a produção economicamente viável, no primeiro ano, um poço de gás perde cerca de 60% a 80% da produção. Na Barnett Shale no Texas em 2012 foram abertos novos 1,250 poços. A média global de poços de fracking é de 1 poço por cada 0,6 km2. Para defender o seu território o povo Basco uniu-se e criou assembleias populares que apresentaram propostas às camaras e governo local para proibir o Fracking nos seus municípios, contra a vontade do governo central de Espanha. Fracking EZ, com apoio mútuo criaram uma proposta legislativa em 2013 que hoje permite que vários municípios no país Basco recusem o Fracking. O Ultimo passo foi concorrer às eleições Bascas em 2015, para terem mais voz no parlamento.

“Temos muito claro que não devemos apostar no Fracking se queremos preservar os recursos fundamentais para viver: o ar, a Terra e a água. Explorar gás através da técnica de fracturação hidráulica supõe uma pressão insustentável nos recursos e mantêm um modelo que nos leva ao Abismo” Fracking EZ

Frackin Ez não é o primeiro exemplo de união popular no País Basco contra a destruição dos meios naturais e ocupação de território para projectos indústrias. Desde 2008 também existe a plataforma: Autopista Elektrikorik EZ, contra as linhas de alta tenção. Entre outros.

“Em defesa do futuro dos nossos povos, da saúde das populações e do meio ambiente!” Elektrikorik EZ

França

Em França também se resiste ao progresso e aos grandes projectos industriais. A ZAD (Zona a Defender) é uma área de Notre-Dame-de-Landes, perto de Nantes, onde o estado francês pretende construir um aeroporto há já algumas décadas, o projecto esteve parado desde os anos 70 devido à crise do petróleo, hoje o governo quer forçar novamente a construção do aeroporto contra a vontade dos habitantes locais, ambientalistas, etc… A população luta contra a destruição das suas casas, das suas fazendas, luta pela sua tradição e modo de vida. Em 2000 depois de uma chamada de activistas locais, pessoas de toda a Europa foram apoiar a luta antinuclear e contra a construção do aeroporto, ocupando as terras e resistindo ao avanço da polícia. Em 2012 o mundo ficou surpreendido com a resistência dos ocupantes, quando a polícia francesa entrou em força para os desalojar. Ao fim de 2 meses a “operação César” foi um fracassso. Na última tentativa do Estado francês em expulsar os ocupantes da zona ZAD, um jovem morreu. Mais uma vez o que fica no coração da população local e dos activistas pelo mundo é que: A resistência é contagiosa”.

Divide e Domina

O racismo tem sido uma ferramenta do ocidente desde muito cedo e a principal arma do capitalismo para manter a ordem. “ A hostilidade da pastorícia… não reflecte só simplesmente atitudes racistas; é intrinseca dos interesses da sua classe, que está ameaçada se a terra é retirada dos propósitos comerciais. A estrutura política da sociedade tende a apoiar estes interesses comerciais. “ Mick Armstrong.

Como reafirma Gillian Cowlishaw: “ A violência física era suportada por uma rede de ideias e explicações”.

O racismo oferece vantagens para os capitalistas: não permitindo simpatia e apoio entre a classe trabalhadora, que é vital se grupos oprimidos se levantam para lutar e ganhar. Quando os trabalhadores são divididos por ideologias da classe dominadora, assumem uma cultura que não sua e perdem-se, afastando-se um dos outros. O racismo é uma fraqueza para o lado dos oprimidos, mas uma força do lado dos opressores. Por isso a luta contra o racismo não é só lutar pelo povo aborígene, povo negro ou índio, é uma luta para unir a classe trabalhadora e/ou pobre para que se consiga combater mais efectivamente o sistema imposto.

Os EUA é um bom modelo de estudo sobre dividir e conquistar utilizando a raça e noção de classes.

“Claramente um movimento que é todo branco, classe média, e ingénuo no que diz respeito à nossa luta, não é um que nos possa unir.” (…) “A negação dos privilégios da pele branca é um tipo de “ocultismo” que a esquerda branca em geral, e anarquistas são particularmente culpados.”  Lorenzo Kom’boa Ervin

Noel Ignatiev, teorista sobre raça e luta de classes, chamava a esta forma de ocultar a verdade da opressão “White blind Spot”. Acusa os “Ocultistas” de tentarem limitar a dinâmica do racismo como um tema ao lado, uma coisa politica, ou só mais um “ism”. Exemplos como estes existem na Ásia (Tibete, Caxemira, etc…), África (Congo, Nigéria, Saara etc…), Papua Ocidental pela Indonésia, Árctico pelas petrolíferas, etc

Em Portugal foi preciso uma guerra para levar a cabo a descolonização. Hoje dentro das fronteiras da Pátria “Mãe” o que vai ser preciso para que a população se defenda?

 

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