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Australis Oil and Gas: Mais vale 2 pássaros na mão! Que 1 a Voar!?

Petrolífera apresenta dois furos em duas concessões na zona oeste e zona centro!

 

 

A Australis no segundo trimestre do ano apresentou 1 EIA (Estudo de Impacte Ambiental) para avaliação de um furo em Aljubarrota, que foi recusado pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente) por não conseguir localizar a área exato do furo para estudar o caso. Mas em Setembro a Australis apresenta EIA’s para 2 furos nas concessões Batalha e Pombal em analise pela APA, mas só disponível para consulta publica desde do dia 7 de Novembro com possibilidade de participar com opinião e votar até ao dia 27 de Novembro. (Ver link das concessões acima)

A Austalis tem quase 2 meses de vantagem sobre nós, cidadão comum. Mas a indústria petrolífera na Zona Oeste e Centro tem 20 anos de vantagem devido aos contactos da Mohave Oil and Gas realizados durante os seus trabalhos na zona. Para complicar ainda mais a influencia da Partex Oil and Gas (outras das empresas que em 2007 assinaram contractos de concessão) em Portugal vem dos tempos da instalação da Fundação Gulbenkian (100% proprietária da Partex) no país. Todo este trabalho e influencia tem como recompensa declarações como as do Primeiro Ministro António Costa sobre o furo de Aljezur ao largo da Costa Vicentina.

A Austalis, como armadilha deixa 1 voar, para que fiquemos a olhar para o ar. E apanha dois enquanto todos olhamos as nuvens!

Em Setembro de 2018 a Australis lançou o seu relatório: First Half 2018 Financial Report (Relatório Financeiro da primeira metade de 2018) onde se refere aos dois furos, nas duas concessões.

  • Ainda em Julho a Agência Portuguesa do Ambiente tinha recusado os documentos da Australis para avaliação de impacte ambiental (EIA)
    • Em Setembro a empresa entrega os novos pedidos de EIA para 2 furos. Em menos de 3 meses conseguem preparar a apresentação de 2 estudos de Impacte ambiental? ( só apresentados dia 7 de Novembro aos cidadãos através da participação publica)

No dia 29 de Outubro 2018, dois dias antes da reunião com presidentes da câmara e representantes de ONG e grupos anti petróleo, a Australis Oil and Gas faz uma apresentação aos investidores.

  • Sobre Portugal salienta que existem dois contingentes (que pode ou não existir ou acontecer. = EVENTUAL, INCERTO) de recursos 2C (com grande probabilidade) de 458 Bcf ( cerca de 13 mil milhões m3)
  • Avaliação de uma “basin centred gas play” na formação Lias Jurassic no pós sal.
    • Basin centered gas systems são um dos sistemas potencialmente mais importante da economia do gás não convencional no mundo (AAPG Wiki)

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Programa de Trabalhos

No programa de trabalhos propostos apresentam o ponto: “perfurar e testar descobertas de gás com um poço vertical”.

  • Não se referem, como na apresentação realizada no dia 31 de Outubro, à perfuração horizontal com cerca de 0,5 km.
  • Perfurar e retirar parte da rocha reservatório (core) na Lower Jurrasic na concessão Pombal, na freguesia de Bajouca, distrito de Leiria.

A Australis “completou um numero de estudos de engenharia para rever os dados históricos e estabelecer a base técnica”Resultado de imagem para lowerjurassic bacia lusitanica

  • Não deve ter sido tão difícil. Todos os dados estavam com Patrick Monteleone ex presidente da Mohave Oil and Gas, que esteve nos quadros da Australis, como responsável pelos trabalhos em Portugal.
    • A Mohave esteve em Portugal desde 1998, até abandonar os trabalhos em Aljubarrota em 2012. A Mohave, responsável por todos os dados registrados abriu falência. E Monteleone aparece na Australis quando da sua apresentação no site da empresa. Agora não o encontramos.
    • Mas quem está hoje nos quadros da Australis como director financeiro é Graham Downland ex director executivo da Hardman Resources que liderou a assinatura de um contracto de prospeção em águas profundas na costa vicentina, com a participação da Partex Oil and Gas e da Galp).

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      No final de 2017 a Australis iniciou com as autoridades ambientais do governo português uma colaboração para se criar regulação legislativa recente”
  • Quem são as autoridades ambientais a que se refere a Australis?
  • Porque precisa Portugal de uma legislação recente?
  • A recomendação de legislação recente foi criada em 2014 pela Comissão Europeia no dia 22-01-2014, relativa a princípios mínimos para a exploração e a produção de hidrocarbonetos (designadamente gás de xisto) mediante Fracturação Hidráulica (2014/70/EU)
  • Seguindo a recomendação da Comissão Europeia, a ENMC em 2014 comunicava que: “No âmbito da recomendação relativa a princípios mínimos para a exploração e a produção de hidrocarbonetos (designadamente gás de xisto) mediante fracturação Hidráulica maciça, informa-se que:
    • Foi estabelecido um grupo de trabalho para a preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as actividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.
      • É neste grupo que está a Australis Oil and Gas?
      • Quem são os elementos deste grupo?
  • Em Janeiro de 2016 a ENMC numa apresentação em Faro sobre as explorações de hidrocarbonetos assinala que: “Não está previsto qualquer projeto com recurso a métodos não-convencionais, nomeadamente através de fracturação hidráulica, estando o concessionário ainda na fase de prospeção e pesquisa”
    • Este final de paragrafo assinala bem as intenções finais da Australis. Na altura de explorar, Fracking a bombar.
  • No jornal do- Baixo Guadiana do dia 01/01/2016 é salientado que Paulo Carmona da ENMC apontava 2020 como data provável do inicio da exploração petrolífera.

Operações Planeadas

O poço será furado verticalmente até aos 2,900metros, depois será desviado e perfurado na horizontal aproximadamente 500 metros para ser testado a afluência de gás com potencial comercial.

  • A Australis aqui desmente a informação dada no inicio da apresentação sobre os programas de Trabalho ao adicionar a perfuração horizontal na abertura do furo (poço).

O poço de exploração na concessão de Pombal será furado verticalmente e pretende atingir a área jurássica similar à da Batalha, mas mais fundo, onde as condições podem ser mais favoráveis ao fluir do gás. Em caso de sucesso, um programa similar será seguido para a concessão da Batalha”

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Partilhamos este Mapa para que não se esqueça o que está em jogo. Um poço em extração, vai voltar a atrair novos investidores para as concessões abandonadas, mas não anuladas. Chamamos a atenção para a concessão em amarelo ( concessão Cadaval) que esteve nos planos da Australis, mas ficou de fora. É importante porque um estudo do IST em 2014 (pag 15) apontavam a área como a mais rica em hidrocarbonetos (Shale gas).
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Australis Oil and Gas. Mito ou Realidade?

No dia 31 de Outubro, a nova e única petrolífera activa no terreno em Portugal: a Australis Oil and Gas, convidou presidentes de câmara e algumas ONG ambientalistas a actuar na região para apresentar os dois projectos de prospeção de gás natural na Zona Oeste e Zona centro. Mais uma vez o cidadão comum ficou de fora das informações sobre algo que o vai afectar directamente. Alguns activistas e cidadãos activos compareceram em frente ao Hotel onde se efetuou o encontro, e alguns grupos contra a exploração de gás e petróleo em Portugal conseguiram representar-se com um elemento na apresentação…

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Ficou no ar um evento aberto à população para o final do mês… a ver!

Mas o que é? Quem é a Australis Oil and Gas? O que deixaram para trás estes profissionais, por onde trabalharam?

Como estão hoje as áreas onde tudo foi “realizado dentro das leis e utilizando as melhores práticas na indústria?”

AUSTRALIS OIL AND GAS

A Australis é um grupo de investidores na indústria petrolífera, que utiliza empréstimos bancários, política e “problemas humanitários/desenvolvimento” como modo de ganhar dinheiro. No mundo do comércio livre e na livre circulação física e burocrática de empresas, sustentam-se deixando quintas, aldeias, povos sem possibilidade de o fazer. Para se perceber como podem deixar o Oeste/Centro de Portugal, conheçam a área, os impactos e o que foi deixado para trás pelos dirigentes da Australis, ao venderem os activos da Aurora Oil and Gas e ao ajudar na transição da indústria petrolífera para o séc XXI. O seu trabalho não é melhorar a vida social local, mas sim trabalhar para defender a indústria petrolífera a indústria de energia e seus interesses.

A Australis Oil and Gas foi criada em 2014 por antigos diretores da Aurora Oil and Gas Limited . Em 2016 mudou o nome para Australis Europe Pty Ltd (APL).

Em 2015 – ano da assinatura das concessões Pombal e Batalha entre a Australis e o Governo Português- vária empresas petrolíferas abandonavam os seus trabalhos na TMS (Tuscaloosa Marine Shale), concentrando-se noutros lugares do EUA ou no mundo devido à queda do preço do crude de 100 dólares para 45 dólares o barril na bolsa americana, que ponha o preço do Gás de Xisto (Shale Gas) e do Oil Shale acerca de 70 dólares por barril equivalente, muito abaixo dos 85 dólares calculados pelas empresas como preço mínimo para arriscar investimento. Todas esperam a subida do preço do crude para voltar aos trabalhos de perfuração. A Australis veio para Portugal. Em Portugal tem um contracto de concessão por 8 anos iniciado em 2015 com uma extensão de 620.000 acres contínuos divididos em 2 concessões com os nomes de Pombal e Batalha.

 

Deposito de Gás de Xisto na Tuscaloosa Marine ShaleLuisiana e Missipipi

A Australis está no centro da TMS, a ultima bacia de oil shale a emergir nos EUA, comparada à Eagle Ford Shale no Texas. A empresa detêm 110.000 net acres, tornando-a a maior detentora de área concessionada e portanto a maior produtora, com 31 poços de produção geradores de riqueza. Estes 31 poços fazem parte dos 80 poços horizontais perfurados para delinear a área mais rica. Dos 31 poços da Australis, os mais recentes foram perfurados na melhor área em 2014, essa área é partilhada por 50 poços, alguns de outras empresas. Em 2016 e 2017 a Australis continuava a realizar aquisições. Em Setembro de 2018 dos 110.000 net acres, só 28,500 estavam definidos para produção, estando os restantes 81,500 ainda sem desenvolvimento.

PARA TRÁS: Resultado de imagem para eagle ford shale fracking impact

Aurora Oil and Gas

Vendida à canadiana Baytex Energy Corp por 1,8 biliões de dólares, que comprou até a divida de mais de 700.000 dólares da Aurora, com o objetivo de poder trabalhar no Sugarkane Field na formação Eagle Ford Shale, Texas. O negócio foi agraciado por James Bullen do banco Merril Lynch, adquirido pelo Banco da América em 2008. Foi a Segunda maior aquisição da Baytex nos seus 20 anos de história e também um pé de entrada no emergente negócio do petróleo leve (Light oil) da Bakken Shalefield em North Dakota. A Baytex terá o apoio financeiro do Scotiab Bank e da RBC Capital markets, e a Australis é aconselhada pelo Credit Suisse e a Goldman Sachs.

Eagle Ford Shale

A Eagle Ford Shale é mencionada várias vezes, como um produto de venda e valor comercial, com orgulho financeiro pelas empresas. Mas o que deixam para trás? Nos locais de exploração!

A Eagle Ford Shale tem 644 km de comprimento e 80 km de largura de rocha sedimentar geradora de hidrocarbonetos. Já foram furados mais de 7.000 poços de gás e petróleo desde 2008 com mais 5,500 aprovados. As concessões em Portugal tem 2,5091km2.

Considerado pela indústria como a “maior área de desenvolvimento da economia do mundo”, é uma das zonas mais pobres dos EUA. Jim Morris do The Center for Public Integrity defende que a razão pela qual a indústria petrolífera faz o que lhe apetece, é porque este tipo de desenvolvimento não é realizado perto das grandes cidades. É realizado em zonas rurais, em lugares que muita gente não vai, nem quer ir.

Quem pode não lá ir, mas investe, são 42 dos 181 legisladores texanos, responsáveis pelas leis de exploração de petróleo e gás, com interesses financeiros directos na exploração da Eagle Ford Shale no valor de 10 milhões de dólares, segundo um estudo de Dave Hasemyer do InsideClimate News

Lynn e Shelby Buehring

Quem lá vive são pessoas como Lynn Buehring e o seu marido Shelby. Lynn vive com o seu marido na casa onde nasceu e onde queria viver em paz na sua reforma, rodeada por um mundo calmo só quebrado por uma tempestade ocasional. Era assim em Karnes County, sul do Texas. Mas o plano está estragado porque a sua casa fica no epicentro de uma das maiores e ainda pouco publicitada área de boom de gás e petróleo, com mais de 50 poços perfurados a menos de 3,5 km de sua casa, os seus momentos sentados no alpendre chegaram ao fim.

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Acredito que se são anti petróleo e anti gás, são anti-texas! Harvey Hilderbran, Republicano representante Estatal do Texas.

Depois de 23 anos a viver no sul do Texas, o casal pensa procurar um novo lugar para viver, longe dos fumos, cheiros e tráfego do boom da Eagle Ford Shale. Uma medida de ultimo recurso, ditada pela deterioração da sua saúde e das tentativas falhadas de obter ajuda dos reguladores e instituições estatais.

Não somos anti perfuração. A minha queixa é que precisam de o fazer de modo responsável… está a causar muitos problemas médicos, e não posso aceitar. “ Lynn – 58anos

Os sintomas dos Buehrings começaram quando as torres de perfuração chegaram em 2011. A sua asma (de Lynn) piorou, passou de uma coisa sazonal fácil de controlar. ao ponto de necessitar de duas bombas inaladoras e frequente uso de uma máquina de respirar. Desenvolveu dores de peito, enjoos, fadiga constante e extrema sensibilidade aos cheiros. Em 2014 existiam 57 poços e nove instalações de processamento num raio de 3km da casa do casal. Estas instalações tem autorização do estado para emitir centenas de toneladas de poluentes do ar por ano, incluindo benzeno, Metanal e Sulfeto de hidrogênio.

Amber, Fred Lyssy, Mirabelle and Brothers

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Amber e Fred Lyssy e os seus e filhxs eram donos de uma quinta orgânica com 564 acres perto de Florescille, Texas. Empresas de Fracking colocaram poços de extração mesmos ao lado da cerca da sua quinta. Com a indústria petrolífera como vizinha o seu sonho de vida saudável, calmo e com futuro para as gerações futuras acabaram, devido à contaminação do ar e da água.

Para saberes mais sobre Fracking e Eagle Ford Shale podes ver este documentário realizado depois de 8 meses de investigação e entrevistas (as possíveis) Fracking the Eagle Ford Shale: Big Oil and Bad Air on the Texas Prairie

Bakken Formation

Formação Rochosa com 520.000 km2 no sobsolo de partes de Montana, North Dakota, Saskatchewan e Manitoba. A aplicação da Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal causou o boom da produção na Bakken Formation em 2000. Em 2010 a produção de petróleo era tanta que os gasodutos não chegavam, uma das soluções era enviar por comboio, o que trouxe muita preocupação devido à alta volatilidade dos produtos transportados, principalmente depois do acidente em 2013, conhecido como Lac- Mégantic rail disaster, quando um comboio que transportava petróleo de Bakken, North Dakota para a refinaria Irving Oil Refinery, explodiu no centro da cidade e matou 47 pessoas.

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Viewfield Oil Field

Quando se descobriu o Viewfield Oil Field em Saskatchewan em 2004, a técnica de Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal foram utilizadas massivamente, em 2012 retirava das rochas 11.000m3 de petróleo por dia. Na Bakken Formation em Manibota retiram-se cerca de 300m3 por dia.

North Dakota

Tornou-se o segundo maior produtor de petróleo dos EUA nos últimos 10 anos depois do fracking boom na Bakken Shale. Já existem dezenas de milhares de oleodutos em North Dakota e esperam-se a construção de mais 36.000. Os oleodutos também podem transportar gás e águas tóxicas retiradas da perfuração e exploração.

Em 2015 um oleoduto esteve até ser descoberto, cerca de 3 meses, a verter milhões de litros de gallons- 1 gallon são 3,7 litros- de água tóxica em Blacktail Creek, a poucas milhas de Williston, North Dakota. Muita da qual foi parar aos rios Little Muddy e Missouri. O oleoduto não tinha 2 anos.

Dakota Acess Pipeline (DAPL)

Tambem conhecido como Bakken pipeline é um oleoduto com 1,886km que se inicia na Bakken formation (local de exploração) até a um terminal de petróleo perto de Patoka, Illinois,passando pelo South Dakota e Iowa. O projecto bilionário foi apresentado em 2014, e a sua construção foi iniciada em 2016 e completado em 2017.

#NODAPL

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Em 2016 os indígenas locais iniciaram uma reação contra a invasão de North Dakota pela Indústria petrolífera tentando parar a construção do DAPL e os planos da Energy Transfer Partners, empresa responsável pelo projecto.

O projecto ameaça os rios Missouri e Missipipi e o Lake Oahe perto da Standing Rock Indian Reservation. A Nativa americana, LaDonna Brave Bull Allard, anciã Sioux organizou um acampamento pela preservação cultural e resistência espiritual ao oleoduto, conhecido como Sacred Stone Camp. Milhares de pessoas concentraram-se durante todo o Verão no local. Foi organizado outro campo : Acampamento Očhéthi Šakówiŋ- Nome na língua materna para Great Sioux Nation ou Seven Fires Council. Membros tribais que participaram neste acampamento também estiveram na oposição ao Keystone XL.

Junto a estes acampamentos criou-se também o grupo de jovens indígenas: Rezpect Our Water e o grupo: The International Indigenous Youth Council.

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O acampamento foi decidido depois de 2 anos de burocracias e reuniões que não pararam as máquinas que apareceram em grande em 2016 para realizar o seu trabalho rejeitado pelas comunidades indígenas desde o inicio. Pode não ter parado o oleoduto, mas parou a passividade em milhares de pessoas.

Sugarkane field

Em 2010 a Netherland, Sewell & Associates, inc. concluiu um estudo que aprovava a avaliação das reservas de gás e petróleo provadas realizada pela Aurora Oil and Gas.

Para onde vai o Gás?

A Corpus Christi Liquefaction, uma subsidiaria da Chenier Energy, iniciou em 2015 a construção da infraestrutura Christy Liquefaction (CCL) no Texas, a 60km da Eagle Ford Shale, para o tratamento de gás para exportação, como GNL (Gás Natural Liquefeito) para a Europa.

Os clientes da Chenier Energy são a: Enel Group, Iberdrola, PT Pertamina (Persero), Endesa, Woodside Energy Trading Singapura, Gás Natural Fenosa, Central EL Campesino, Électricité de France (EDF), Energias de Portugal (EDP). Os contractos são válidos por 20 anos, com possível extensão por 10 anos. O fornecimento será assegurado pelo Kinder Morgan Texas Pipeline e Tenesse Gas Pipeline (TGP).

Voltando à Australis!

O único impacto previsto pela empresa é o barulho e o tráfego de camiões.

Segundo a própria num documento distribuído a municípios e ONG num encontro promovido pela Australis “haverá alguns curtos períodos de tráfego de camiões (…)”

Deixamos aqui o exemplo de Eagle Ford.

Transportation Impacts of Fracking in the Eagle Ford Shale Development in Rural South Texas: Perceptions of Local Government Officials

http://journals.brandonu.ca/jrcd/article/view/1181

Este estudo explora o impacto das infraestruturas de transporte e assuntos de transporte associados com o boom do petróleo e gás na região rural de Eagle Ford. Recolhendo dados sobre acidentes, apresentamos uma descrição do impacto do fracking nas áreas abrangidas no projecto de exploração de não convencionais. Os desastres entre 2009-2013 aumentaram 26%. Mortes e ferimentos graves aumentaram 49%. Os municípios estão com grandes dificuldades em resolver o aumento do sistema de transporte devido ao fracking incluindo congestionamentos, deterioramento das estradas e aumento de custo de manutenção.

No  documento partilhado com os participantes no encontro dia 31 de Outubro,a Australis descreve as concessões em vários pontos.

No ponto 2 sobre Recursos de Gás apresenta números:

  • 13 mil milhões m3de gás – este nr é uma estimativa não comprovada. Uma estimativa como a do PIB nacional em 2020. Um numero para as Bolsas econômicas, investidores de alto risco, bancos e debate político.
  • 6.15 mil milhões m3 em 2018 era o valor estimado de gás utilizado em Portugal. Estas duas concessões dizem oferecer 2 anos de gás a Portugal.
  • Em Direção à Independência Energética” – Sendo que estas duas estimativas das reservas só dariam para dois anos. Para Portugal ser independente energeticamente por 10 anos quantas concessões necessitaríamos?
    • Sendo Portugal parte da União Europeia, e sendo o projecto de independência energética um projecto europeu, qual a percentagem degás que Portugal vai enviar para outros países Europeus? Portugal tem o dever de o guardar para emergências energéticas ou econômicas Europeias?
    • A Gás poderá servir para “baixar a divida” à Troika?
    • Qual a estimativa para o preço do gás ao cidadão comum?

Ponto 3

Plano de operações:

  • “Perfurar e testar as ocorrências de gás na Batalha com um poço horizontal”

    • Pela primeira vez a discussão se é petróleo ou gás está inequivocamente desfeita no documento apresentado pela Australis que no inicio do ano (2018) nos documentos para estudo de impacto ambiental do furo de Aljubarrota falava em Hidrocarbonetos, deixando a discussão se seria gás ou petróleo.
    • A outra era se iriam utilizar a técnica de Fracturação Hidráulica (Fracking). Continuam a dizer que não vão usar Fracturação Hidráulica. Hoje talvez, e no futuro?
      • A Australis fala em “perfurar e testar as ocorrências de gás com um poço horizontal de pequena extensão”. O poço horizontal é o primeiro passo para a fracturação hidráulica. O segundo é injectar toneladas de areia e milhares de litros de água a alta pressão para fazer estalar a rocha. E o terceiro passo é injectar químicos para libertar e facilitar o fluir do gás pelo poço.
      • Existe o plano de introduzir os seguintes passos nas fases seguintes?
      • Se não. Qual a intenção do poço horizontal? Só utilizado quando é necessária a Fracturação Hidraulica.
      • O que é um poço horizontal de pequena e grande extensão?
      • Qual a profundidade a que pretendem ir na formação de Lemede, Leiria, na concessão Pombal?
  • Serão desenvolvidas instalações de produção de gás em conformidade com a lei e o aprovado pelo governo”.
    • Qual a diferença das instalações de produção e das de prospecção?
    • Em Portugal as únicas reservas de gás e petróleo reconhecidas como economicamente viáveis são de fontes não convencionais como o Tigh Oil (petróleo leve) e Shale Gas ( Gás de Xisto). Ambos necessitam de técnicas não convencionais de extração como o Fracking, para serem economicamente atraentes.Que leis existem sobre o Fracking em Portugal?
    • Infraestruturas como gasodutos, estações de compressão, lagoas a céu aberto ou tanques de condensação para as águas contaminadas, locais de tratamento de químicos perigosos são considerados “instalações de produção” ?

Australis e a Comunidade

Ponto 1

  • Criação de emprego
  • Dados resumidos depois de se ver o documentário Gaswork
    • No dia a dia de um poço comum de Fracking cerca de 170 trabalhadores estão expostos a químicos nocivos. A morte no trabalho é 7 vezes mais alta que para outros trabalhadores industriais
    • A exposição dos motoristas a compostos orgânicos voláteis durante o transporte sem as condições de segurança, causa acidentes.
    • Os trabalhadores sofrem de dores no peito, irritações dolorosas na pele e desordens neurológicas.
    • 47% dos trabalhadores em 11 poços estavam expostos a níveis de pó fino de silício 10 vezes mais do que o nível aceite
    • Muitos sofrem de cancro do pulmão por inalar areia fina utilizada como probante no Fracking
    • 80% dos trabalhadores estão expostos a níveis de benzeno muito acima das 0.1 partes por milhão

Ponto 2

Estudo de Impacte Ambiental (EIA)

  • O primeiro estudo para o furo de Aljubarrota foi recusado pela Agencia Portuguesa do Ambiente à poucos meses atrás.
  • A Australis não cumpriu com o compromisso de diálogo pró-activo e aberto com a comunidade, ao avançar com 3 EIA em um ano e nunca ter realizado uma secção com as populações locais desde 2015…
  • Se a Australis submeteu os trabalhos para os dois furos para um EIA, onde está a participação publica? Onde pode o cidadão comum consultá-lo?

Ponto 4

Operadora Responsável

“Supervisão de trabalhos de pesquisa e exploração em países como África, China, Filipinas e EUA.”

  • Nos anos 80 começou-se a divulgar massivamente o impacto das petrolíferas nas comunidades locais.
    • Em África, a violação dos direitos humanos é tradição secular. Nos anos 90, a exploração de petróleo provocou a morte de lideres tribais e violência sobre as tribos na Nigéria
    • Em 1990 os indígenas criaram a MOSOP ( The Movement for Survival of Ogoni People) para se defenderem da SPDC (Shell Petroleum Development Company).
    • Iniciaram-se massivos protestos contra a poluição e pobreza. O exercito reagiu com extrema violência.
    • Em 1995 o governo Nigeriano executa, por enforcamento 9 activistas Ogoni, incluindo Ken Saro-Wiwa

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  • China
    • A pegada ecológica da China aumentou dramaticamente nos últimos 15 anos e ultrapassou a dos EUA. A China é agora a nação com a maior pegada ecológica do mundo.
  • Filipinas
    • Em 2006 um derrame perto de Nueva Valencia, em Guimaras, Filipinas conhecido como MT Solar I provocou várias doenças em 25 adultos e 4 crianças devido à elevada quantidade de sulfeto de hidrogénio no ar excedendo o recomendado pela US- Environmental Protection Agency Provisional Remediation Goal (EPA-PRG).
    • 40.000 pessoas dependentes do mar para sustento ficaram sem recursos devido ao derrame
    • Em 2013 a Manila Bay nas Filipinas foi contaminada com um derrame de 500 mil litros de diesel, derramado na via marítima mais movimentada das águas filipinas.
    • Várias pessoas foram parar ao hospital devido ao fumo libertado pela mancha diesel.
    • Foram contaminados 20 km de costa
    • “O diesel não é persistente e irá dispersar facilmente, portanto não existe perigo para o ambiente e comunidade local.” Commodore Joel Garcia

EUA

Titulo de artigo da revista Times; Março 2018:

A ‘Major Second Wave’ of U.S. Fracking Is About to Be Unlea

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Foto: Área de Fracking na Pensilvânia. (cada área mais clara é um poço)

  • A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que a produção de petróleo nos EUA dá para cobrir 80% do mercado global petrolífero nos próximos 3 anos. Espera-se que a produção de petróleo nos EUA aumente 30% (17 milhões de barril por dia) em 2023, com o aumento da produção através de fracking no Oeste Texano
  • Donald Trump como presidente disse ser o salvador da industria do petróleo e do gás. E cedeu terras federais para a exploração do gás e petróleo.
  • O presidente Obama apresentou a estratégia “all-of-the-above” para o sec XXI para o desenvolvimento de toda a fonte de energia made in america
  • Sob a sua política “all of the above”e depois do Deepwater Horizon Spill, Obama aprovou um nr recorde de plataformas offshore. Disse “ mais trabalho de extração de gás e petróleo que no resto do mundo todo junto.”
  • Cedeu terras publicas para a exploração de gás e petróleo
  • Aprovou perfurações no Ártico
  • E aprovou uma parte do Keystone XL para transportar as areias betuminosas canadianas (Tar Sands)

Numa Shale Revolution mundial, nenhum país é uma ilha”. “Todos serão afectados”. Fatih Birol, director Agência Internacional de Energia.

Nós pouco podemos fazer para alterar o nosso modo de vida, ou a nossa dependência da industria petrolífera , mas podemos e devemos enfrentar o avanço das fontes de energia fóssil não convencional para que as gerações do séc XXI não tenham de coexistir com a industria petrolífera e todos os problemas sociais intrínsecos. E para tal não é só impedir poços perto de nós, mas impedir perto de toda e qualquer família pelo mundo! Se hoje podemos assistir a um poço de gás ou petróleo ao lado de nossa casa, ficar com a água contaminada e o que respiramos nocivo é porque ignorámos os apelos de outras famílias durante décadas, transformado em silencio pelo nosso conforto, bem estar e liberdade.

Não é só o Ar que é de todos!

A Solidariedade, a Natureza e o ser filho ou filha também…!

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Furo em Aljubarrota (2019). Parte 2 ou será 3 se calhar 4? Melhor é ser a ultima!

Aljubarrota, Australis, Amortização (na divida ao FMI)!

índice

A resposta aos movimentos contra as explorações de gás e petróleo no centro tem sido em forma de artigos em jornais nacionais e regionais. No dia anterior (dia 20 de Abril) ao encontro anti Fracking nas Caldas o jornal Gazeta das Caldas lançou na secção de actividade económica um artigo sobre o furo de gás em Aljubarrota.

Aproveitamos o artigo que destaca o documento encomendado pela Australis Oil and Gas para o Estado determinar se é necessário um estudo de impacte ambiental para os trabalhos de prospeção, para dar a opinião não como cidadão, ambientalista ou democrata, técnico ou especialista, mas como habitante da zona centro e do mundo sobre o documento apresentado pela petrolífera.

Documento encomendado pela Australis: Australis- Batalha Apreciacao previa_Final

Este será o segundo furo de prospeção realizado em Aljubarrota, o primeiro foi em 2012, tendo encontrado uma coluna de gás não convencional, mas em condições técnicas difíceis para a sua extração comercial economicamente viável.

Começamos com a pergunta:

  • Se fosse convencional não é necessário estudo?
  • Agora o petróleo e gás natural convencional são amigos do ambiente não precisando de estudo e acompanhamento?
  • Então o problema dos GEE não são responsabilidade da extração convencional?

Passamos ao método que vai ser utilizado para testar o gás. A empresa faz questão de salientar que os trabalhos são com métodos convencionais. Se vão utilizar perfuração horizontal, um dos 3 requisitos para se identificar uma extração não convencional, juntamente com a Fracturação Hidráulica e a injeção de fluidos a alta pressão, deixamos umas perguntas:

  • Ao admitirem a perfuração horizontal, que não faz sentido numa bacia de gás, mas sim para apanhar mais superfície rochosa onde o gás está misturado, não estão a admitir que necessitarão das outras duas técnicas para extrair o gás encontrado com viabilidade comercial?
  • Os milhares de litros de água (6.000 metros cúbicos) que dizem necessitar para os trabalhos de teste, vão ser usados só na perfuração? Ou vão também ser usados para criar pressão na rocha, injetando-a com areia, para testar a impermeabilidade da rocha e a facilidade em libertar o gás?
  • Como pretendem testar a viabilidade do poço, sem estimular a rocha com métodos não convencionais? Já que o Gás encontrado em 20 anos com alguma hipótese de ser viavelmente econômico é Gás de Xisto (Shale Gas).
  • Ao não existirem descobertas de gás e petróleo convencional em Portugal, qual a intenção de descrevem os trabalhos como convencionais?

 

CORREIO DA MANHA 02042018

O artigo fala no “famoso teste da queima da Tocha”. A queima da Tocha é conhecido mundialmente como Flaring e já por várias vezes aconteceu nos poços de teste em Portugal desde Vila Real de Santo António (inicio do séc XX), a Aljubarrota em 2012. O Flaring é responsável por grande parte do buraco da camada de Ozono, devido ao metano e gases voláteis libertados em enormes quantidades e que são bem piores que o CO2, para o qual dizem já existir solução: Cap and Trade (business as usual).

A Australis refere que o furo estará a cargo de uma empresa portuguesa. A empresa que tem trabalhado com as petrolíferas é a Fonseca Furos da área de Peniche, que trabalhou vários anos com a Mohave Oil and Gas, que abriu falência em 2012, e esteve no escândalo da concessão de Aljezur, de Sousa Cintra, que foi anulada por ilegalidades, incluindo a razão para o furo.

Impactos Ambientais

Num país de seca, a água vai ser um elemento de disputa. Se o furo de teste gasta esta água. Quanta vai ser necessária na fase de exploração por poço?

Agora uma das partes mais importantes para se avaliar os trabalhos da petrolífera e que menos informações têm. A secção dos químicos e resíduos.

  • Quais são químicos?
  • Que quantidades?
  • Qual o seu papel?
  • Que tipo de tratamento necessitam?
  • Quem é a empresa responsável pelo seu descarte?
  • Como descrevem os locais apropriados para os depositar?
  • Qual a especificidade do equipamento de transporte até aos depósitos?
  • Quais os cuidados para os resíduos especiais? Quais são?

O artigo acaba com a referência que a Australis faz a um possível acidente e impacto na superfície. Ficamos sem saber se o acidente de trabalho está incluindo na avaliação de impacte ambiental.

Água

Água! O furo será junto à ribeira de S.Vicente já de si em luta para se manter devido à seca. A Ribeira serve maioritariamente a agricultura de subsistência. Os milhares de litros de água vão ser retirados do lençol freático o que pode significar a descida do leito da ribeira, tornando quase inviável utiliza-la para regadio. Sem falar nos perigos de contaminação de que a empresa refere por várias vezes no relatório enviado para avaliação.

No relatório a Australis fala na possibilidade de uma ligação ao gasoduto principal para evitar a queima do gás. São 4 km de um novo troço de gasoduto.

  • Que tipo de infraestruturas vão ser necessárias construir para a utilização segura deste novo troço, dado como certo no artigo do Correio da Manhã?
  • Irá ter uma estação de compressão?
  • O gás será limpo e tratado antes de entrar na rede?
  • Vamos consumir desse gás?
  • O gás que entre na rede vai ser vendido à REN?
  • Como sabemos a qualidade do gás?

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Flaring (Chama de queima de gás)

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

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A Nigéria é considerada a segunda responsável pelos gases de Flaring. mas não é a Nigéria que queima o gás… mas sim empresas como a Shell.

Desmantelamento

  • O que vai ficar debaixo do solo?
  • Quem vai limpar os resíduos perigosos e lamas que estarão no terreno?
  • O furo que poderá ser realizado para a extração de água, vai ser fechado ou deixado aberto para uso da população?

A Gazeta salienta a Consulta Pública aberta a todos… e onde ainda podes participar…

E um dia quem sabe nos encontramos na Rua…

 

 

C.M (Comunicação da Manha)

C.M.

Comunicação da Manha

As petrolíferas sabendo que politicamente pouca ou nenhuma pressão necessitam de fazer, e legislativamente e legalmente será preciso muito e longo trabalho de iniciativas populares ou ONG’s para as parar, nesta sua nova tentativa de encontrar uma forma viável de extrair o gás natural encontrado vira-se para aqueles que podem na verdade conseguir parar os trabalhos no local ou atrasa-los de modo a criar dificuldades econômicas que podem levar os acionistas a pensar duas vezes em continuar a investir, a população local… A Mohave Oil and Gas que esteve em Portugal desde 1993 abriu falência (2012) ao não conseguir encontra um modo economicamente viável para a extração do gás natural, o que não foi grande problema para um dos seus cabecilhas  que hoje é membro da Australis Oil and Gas (criada em 2014) como responsável pelas concessões em Portugal, e assim são 20 anos a viver de fundos, empréstimos bancários e apoios estatais para tentar manter a indústria petrolífera como a maior fornecedora de combustível para o séc. XXI, ludibriando os portugueses.

O artigo do Correio da Manhã é um excelente exemplo dos passos escolhidos pelas empresas para proteger o seu investimento, a desinformação e falta de conhecimento das populações locais… Este não é o primeiro artigo do gênero, desde 2007 que se podem encontrar vários em jornais locais, nunca falando do impacto deste tipo de extração se as empresas levarem a sua avante.

Deixamos um exemplo  do que pensa localmente sobre as concessões no oeste. neste caso partilhado pela CIM Oeste:

Região de Excelência, Projecto de Futuro

Clipping de Notícias Regionais

A necessidade econômica é sempre a jogada com hipóteses de mais sucesso numa população empobrecida que está a pagar uma divida externa e que vê o valor dos produtos a subir e o valor das suas posses a descer. Se o Estado aceita uma esmola pelas concessões, porque não pode o cidadão comum fazer o mesmo?

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Não nos podemos esquecer que a Australis vem armada com o conhecimento de 20 anos de estudos sobre a área, sobre as pessoas e suas necessidades econômicas, com um lobbing político bem forte, com o apoio da Partex Oil and Gas, uma das maiores lobistas da exploração de petróleo em Portugal, e principalmente com a dependência social e econômica que o mundo civilizado têm de fontes de energia intensivas como as fontes de energia fóssil ou nuclear.

Passamos ao artigo:

O título diz logo da intenção deste trabalho encomendado, Petróleo em letras gordas. Há muito que no Oeste se procura extrair Gás Natural, mas a suja técnica é controversa devido aos seus impactos já conhecidos, portanto é melhor manter a discussão longe de gás natural ou Fracking… Basta olhar aos artigos e aos trabalhos da Mohave Oil and Gas, ou para doutoramentos em universidades portuguesas para se perceber qual a intenção… O truque das letras fortes que chama atenção e depois as pequenas que quase ninguém lê e que normalmente trás grandes problemas…

Prospecção e pesquisa de petróleo (ENMC):

“Nota: Foi estabelecido um grupo de trabalho para preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as atividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.”

Quem faz parte a Comissão?

Quem faz parte do grupo de trabalho?

Mais segredos?

Do artigo em Itálico:

“Mas as pretensões esbarraram nas características do terreno: a rocha porosa impede que o gás se concentre numa câmara isolada, obrigando a múltiplos furos e retirando a pressão necessária para que o material ascenda”

Depois o artigo em si é uma “invasão” aos direitos dos habitantes locais à verdade. Utilizar o termo invasão como bom, é no mínimo… Tivemos uma padeira que ajudou a localidade a livrar-se da invasão e agora temos A Padeirinha que quer ser invadida.

Forno

 

Utilizando um rendimento momentâneo que ajudou poucos, e deixou a localidade na mesma como confirma uma das testemunhas: “Faz falta alguma coisa para animar”. A implementação da indústria do petrolífero na localidade trará tudo menos coisas para animar, e esta afirmação é confirmada visualmente e cientificamente durante os 10 anos da indústria nos EUA, passando pelo México, Perú, Canadá, Argentina, Alemanha, Polônia, Romênia, etc…

A França proibiu o Fracking, Na Polônia, Alemanha, Inglaterra, México, Argentina, Brasil, Burgos, Cantábria, País Basco a resistência está activa, em Portugal continuamos a olhar para o lado… Esperando que alguma ONG ou grupo ambientalista nos represente nessa luta, porque eles é que sabem dessas coisas. Ou pior: Não é nada comigo! Não conseguimos fazer nada!

O Estudo do Impacte Ambiental é só um passo para deixar andar as coisas… Porque ao afirmar que na fase de prospeção não vão ser utilizadas técnicas de fracturação Hidráulica, dificilmente se encontrará um motivo suficiente grave para parar o furo de teste. Parece que gastar 6.000 m3 de água em pouco mais de um ano é considerado normal por uma especulação… Num país de seca, e numa zona de agricultura intensiva (insustentável) e de subsistência, produção animal (responsável pela libertação de Metano, dezenas de vezes mais nocivo para as alterações climáticas que o CO2), a Pergunta é: Se o furo de teste que dura cerca de ano e meio vai gastar esta água declarada, quanto vão gastar na fase de exploração? Podemos falar em milhões de litros.

Ou que a destruição de 7,500 m2 de fauna e flora não é nada de grave por que são terrenos sem utilidade. Os terrenos sem utilidade serão os contaminados pelos trabalhos e deposito do seu lixo tóxico. Danos nas estradas é o menor problema das populações locais, ou o barulho das máquinas 24 horas por dia não são nada comparado com o impacto que esta indústria trás ao nível do sobsolo, principalmente na água e do ar, principalmente no Céu…

“Da parte da população, as boas experiências com as companhias anteriores servem de cartão-de-visita.”

A boa experiência foi um lucro que lhes possibilitou um ano sem problemas económicos. Ninguém da empresa lhes falou do que veem nos campos onde trabalham o resto do ano. Ou quantas vezes foram impedidos de trabalhra devido a manifestações ou leis de proteção ambiental.

“Estado ganha 8,6 milhões em 10 anos”. Pois, mas a crise apareceu na mesma, e a Troika faz-nos pagar.

Depois fiquei siderado com a opinião de uma senhora: “Aljubarrota está parada, Não há turistas. Para nós era óptimo que (viesse a prospeção)…

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Infelizmente, consegue-se vender tudo: Petróleo e Turismo

Das duas uma ou vale tudo para fazer algum dinheiro, ou existe muita confusão com o impacto de uma indústria de extração de gás natural na localidade e no Turismo.

“Pode ter efeitos positivos para quem tem terrenos”.

Mais uma vez a necessidade de um povo, leva-o a pensar em vender… Em Portugal estamos a vender toda a terra, sem pensar que no futuro para a maioria da população será um pedaço de terreno que lhe permitirá ser sustentável, nas dificuldades de um país em divida e com o desemprego a descer.

“Era bom que viesse a desenvolver aqui o sítio. Isto é tudo preciso, e aquela zona (das sondagens) é um deserto.”

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Imagem de um verdadeiro deserto. A área de fracking na Pensilvânia, uma média de poço por 0,5 km

Depois das leis de proteção ambiental muitos agricultores ficaram impossibilitados de cultivar em alguns locais, outros plantaram eucalipto. Hoje muitos desses terreno depois de vários anos ao abandono do trabalho humano, e considerados desertos ou terrenos não cultiváveis, são na verdade ricos em plantas aromáticas, comestíveis e medicinais, animais  que não existem nas hortas, nem na agricultura intensiva… Na agricultura biológica comum. São sempre terrenos recuperáveis para produção de alimentos se não estiver contaminado. Esses terrenos têm na verdade conhecimento que ajudou os nossos antepassados a matar a fome, a vencer doenças e que pode voltar a ajudar as gerações futuras, se ficarem intactos… A mentalidade, que nos educam a nós, como cidadãos, faz-nos olhar para o meio natural como recurso natural, onde ou se pode tirar vantagens econômicas ou mais vale despachar… Foi assim que se criou a indústria do Eucalipto, que era só facilitismos e dinheiro fácil… e agora a manutenção é paga pelo proprietário e não por quem necessita, planta e utiliza o produto: Papel. O lixo da petrolífera quando se for embora vai ter o mesmo resultado: resolvam vocês!

Assim a empresa vê os terrenos abandonados como um local propício para a sua exploração sem grande resistência local. Mas o recurso natural que espera conseguir só a vai beneficiar a ela, e ajudar um comércio ou outro não porque se interesse pela estabilidade local mas sim porque os seus recursos humanos (os 50 trabalhadores) precisam de comer e dormir, assim ganhamos todos, e quando for necessário o apoio aos trabalhos virá da boca de quem já beneficiou, pode vir a beneficiar, tornando-os recursos humanos da indústria petrolífera sem contracto… excelente… Um pouco como o presidente dos EUA, Donald Trump, ter conseguido várias pessoas de descendência africana ao seu lado para a presidência… As consequências de um presidente como Trump são conhecidas, as suas opiniões sobre raças superiores não é escondida: America First.

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“Isto é estímulo para a economia local”

Para uma ou duas economias pessoais sim, não se pode dizer que não é verdade, mas para a economia local (seja isso o que for) é completamente mentira… poucos vão ver algum lucro, a grande parte vai sofrer as consequências, incluindo os que ganharam algum. Não são precisas teorias para o debater, existem centenas de exemplos pelo mundo. Um bom exemplo do desenvolvimento, recuperação da fauna e flora e manutenção do equipamento pode ser visto aqui bem perto, no único campo petrolífero da Península Ibérica de Ayoluengo, perto de Burgos, numa zona protegida: o impacto na economia local = 0, melhorias na vida social da população em redor e fixação de jovens = 0, restauração da zona verde=0. No que diz respeito ao turismo rural e da natureza! Iriam visitar uma zona com torres de petróleo, derrames em todo o lado, um cheiro nauseabundo constante no ar e uma paisagem natural fracturada por terrenos estéreis. Ainda hoje, em locais de exploração existem poças de água que pegam fogo devido aos trabalhos dos anos 80 e 90… e esta era convencional.

Enquanto se observam os lindos e majestosos abutres e águias como fundo temos uma indústria que torna necessário a sua proteção. Quando se toma banho nas lagoas e cascatas locais, pensamos: Que pena olhar-mos a estes locais como paraíso a visitar, e manter só necessário para usufruirmos dele, e termos deixado destruir e contaminar os que existem perto de nós, na nossa terra, onde brincámos desde pequenos.

A pequena aldeia de pescadores de Aberdeen na Escócia é bem exemplo disso. A população residente ficou na mesma ou pior, a pesca deixou de ser o meio de subsistência, os novos habitantes que não tinham ligação ao local e nem o conheciam como era, hoje nem se questionam, e tudo parece bem, mas ao nível social a pobreza aumentou e Aberdden deixou de ser um local familiar, com um bem-estar popular acima da média, para uma das localidades com a pior condição social e ambiental da Escócia.

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Sobre a consulta pública… e a Avaliação de impacte ambiental… bom, as barragens não pararam e não vão parar, nenhuma AIA as parou, nem para deixar um rio livre em Portugal. Vias rápidas, Linhas de Alta Tensão, nenhum estudo as parou… Campos de Golf e resorts ao longo da Costa e nas Serras, nenhum estudo as parou…Decerto não seria uma AIA que pararia o aeroporto ou o TGV. Como não há nenhuma AIA que consiga parar a monocultura de eucalipto ou agricultura intensiva. Para responder a toda esta burocracia, caso ela tenha resultados ao parar o projecto, existe o famoso PIN (Projecto de Interesse Nacional) que é tipo uma Lei Marcial para a proteção ambiental, portanto ou te mexes ou te F%#?$. Até hoje desde a idosa que viu o seu terreno de subsistência a ser dividido da sua casa pela auto-estrada, sem outro tipo de acesso à sua horta, até ao pescador que foi expulso da praia para proteger o paraíso para o turista. Nenhuma AIA evitou não só o problema ambiental, como social e cultural. Hoje existem praias privadas, campos de golf e resorts que invadiram locais onde os pobres e imigrantes vinham com as suas famílias aproveitar o bom do seu país a paisagem, as praias, o campo, os amigos.

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Depois todo este empreendimento em novas formas de energia fóssil faz parte do plano europeu para se tornar energeticamente independente. Todo o gás encontrado, pertence às empresas, depois às necessidades europeias (que pode ser manter o português contente com um fornecimento barato ou sem cortes nas alturas altas), pode? Nada no sobsolo nos pertence a nós cidadãos ou proprietários do terreno (Nem a  água) acima das jazidas, o país não investiu, concedeu as concessões a empresas estrangeiras e temos deveres para com a estabilidade da União Europeia, portanto o Estado e alguns locais recebem umas esmolas comparado com os lucros e dinheiro a circular entre bancos e investidores, como o exemplo que tivemos do Joe Berardo e o investimento na Mohave OIl and Gas e os bancos que faliram em Portugal que lhe exigem o pagamento de dividas.…. (Como vinha uma noticia de Berardo e as sua dividas à banca na página seguinte ao do petróleo no C.M. porque não relembrar)

Para a população local fica a divida externa, a perda de terras, da água, da saúde e com um sonho destruído ou alimentado com mentiras…

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http://resistir.info/europa/gas_israel_04abr17.html

O lobbing corporativo entrou em acção e este vai ser um ano onde vão haver bons, maus, quem sabe o que diz, quem não sabe do que fala, os histéricos, os hippies, os índios, os selvagens, inimigos da democracia, utópicos, dos arruaceiros, dos desestabilizadores, os teóricos da conspiração, os realistas, os técnicos certificados, os ambientalistas e muitos palhaços. Tudo normal desde que os trabalhos não parem.

O Correio da Manhã mais uma vez não surpreende… ao passar desinformação, dois jornalistas que ao cometeram uma gafe jornalística ou sabem mais que nós todos… Ou estão a jogar um jogo que vão perder ao falarem da ligação à rede de gasodutos nacional, não devem ter lido a AIA da Australis, porque refere várias vezes que o flaring será em princípio a tecnologia utilizada para queimar o gás extraído e aliviar pressão, e que seria melhor a possibilidade de se ligar á rede evitando assim a queima do gás, mas que precisará de autorização para tal ainda em avaliação. Porque no estudo nem está o impacto da construção do ramal de gasodutos até ao gasoduto principal.

Quem se equivocou?

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Do relatório apresentado pela Australis Oil and Gas:

“Uma das metodologias para o teste do poço será proceder à queima controlada do gás no sistema de queima em tocha instalado para o efeito (em inglês “flare”), com a consequente produção de emissões gasosas associadas à combustão e à perca do recurso.”

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A Australis pretende, se possível, utilizar como alternativa a esta metodologia a conexão à rede do Sistema Nacional de Gás Natural (SNGN), gerido pela REN, dado que um dos gasodutos da Rede Nacional passa a menos de 4 km da zona de potencial localização da parcela de sondagem. Esta alternativa é uma solução com menor impacte ambiental em termos de emissões poluentes e gases de efeito estufa, e economicamente mais razoável, caso a ligação em causa seja possível e a custos adequados”

“Não está previsto nenhum projeto de construção complementar ou associado”.

Como Ficamos?

Talvez o correio da Manha já esteja a pensar na próxima iniciativa: CM Não Esquece!

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Tentaremos dar a opinião sobre o EIA da Australis mais detalhadamente num próximo post..

Um pensamento:

O primeiro ouro negro nacional trouxe o mesmo dilema social, econômico, laboral, ético e moral e mesmo com muito caminho a percorrer deram-se passos em frente. Hoje se temos problemas laborais, foi porque alguém um dia alimentou a esperança de justiça, liberdade e auto sustentabilidade, essa semente espalhou-se e hoje lutamos por direitos laborais porque não temos quem trabalhe por nós de graça e sem compromissos sociais para com eles. Nesta “quarta” tentativa de beneficiar do ouro negro, nada de novo, só o recurso/mercadoria é outro. Se queremos uma sociedade mais justa e sustentável para as gerações futuras teremos de semear o que libertou os escravos, as mulheres, os anti fascistas: O direito à Auto- sustentabilidade- a verdadeira Liberdade…

Eco-Demo(cracia)

Rockfeller

Eco- Demo(cracia)!

O Verde do séc XXI continua a ser o do dinheiro!?

A tribo Yaqui que habita em Loma de Bacum, uma cidade mexicana perto da fronteira com o Arizona (USA) cortou uma secção de cerca de 15 metros do gasoduto transfronteiriço que se encontra nas suas terras como forma de protesto pela imposição da infraestrutura pertencente à Sempra Energy (Califórnia) sem consentimento dos locais. Este gasoduto transfronteiriço foi possível com o apoio e pressão de Hillary Clinton sob o México para privatizar as fontes de gás e petróleo enquanto elemento da administração Obama.

Em 2015 a população Yaqui disse não à construção do oleoduto quando informada pelas autoridades locais, mas este foi em frente na mesma. A Ienova, unidade da Sempra que opera o oleoduto espera decisão judicial para poder restaurar o oleoduto ou escolher outra rota.

Durante a Luta contra o Keystone XL foram em frente dezenas de gasodutos, e planos para mais foram apresentados dentro dos EUA e que atravessam fronteiras. Um dos casos onde a fronteira não foi reconhecida foi o conhecido oleoduto que levou ao movimento popular Standing Rock...

A administração Obama foi considerada pioneira no apoio à economia verde. A sua maior participação (com dinheiros públicos) vai ser a entrega de 100 biliões de dólares até 2020 para as adaptações climáticas nos países em desenvolvimento, como acordado no acordo climático de Paris. Foi mais um passo num plano desenvolvido pela família Rockfeller na sua luta pelo controlo da energia do sec XXI e mais uma vez senhores das soluções e boa vontade…  Teatros Greco-Romanos são encenados com personagens reais, (Nós), numa luta que parece estar ganha mas que se perde sempre… Como?

Neste trabalho vamos ficar pelos políticos e capitalistas, noutro entraremos na ciência por detrás da ideia das alterações climáticas, CO2 e políticas ambientais que oferece legitimidade para toda esta tomada de posse da solução energética auto sustentável e local…

Depois de Al Gore a política norte americana nunca mais foi a mesma e o dinheiro que gera está sempre em crescente…E Hoje?

Começamos por Hillary Clinton que como Secretária de Estado de Obama e em conjunto com um grupo de lobistas da indústria petrolífera, aproveitou o sonho do eco capitalismo para financiar a solução energética mundial e as lutas tornadas mainstream como a desobediência cível encenada e dirigida pela 350 org contra o oleoduto Keystone Xl, por parte de figuras públicas e dirigentes de ONG’s, diziam que parar o KXL era mandar uma mns à indústria Tar Sands pois era uma infraestrutura essencial para as novas explorações de não convencionais,  uma arma sua.

Os indígenas Yaqui acusam Hillary de ser responsável pela permissão de construção à Sempra. Na lista de financiadores da campanha para as presidenciais contra Trump estavam registados 40 lobbistas que trabalharam contra o regulamento das alterações climáticas, defendiam a perfuração offshore e procuravam aprovação para a exportação de gás natural. Ankit Desai, vice-presidente para as relações governamentais na Cheniere Energy doou $82,000 para o campo eleitoral de Clinton. David Leiter em 2014 foi responsável pela aprovação da infraestrutura de exportação de GNL em Hackberry, Louisiana também doou $36,550 para a campanha de Clinton e trabalha para a ExxonMobil.

Durante a administração Obama a luta contra o Keystone XL (KXL) apoderou-se de palavras como Roots Movement (Movimento Popular), desobediência civil e resistência por parte de ONG’s multinacionais com ordenados de milhares de euros que são hoje os principais representantes da solução verde para o sec XXI. Na verdade além da indústria verde também a indústria férrea esperava o fim do apoio do governo ao KXL. Warren Buffet, o 3º homem mais rico do mundo, investiu na BNSF para transportar o petróleo que viria pelo oleoduto e mais ainda. Em 2010 Obama agraciou Buffet com a Medalha da Liberdade, no ano seguinte Obama apresentou a “Regra Buffet” . A Forbes em 2018 apela-o de “ Oracle of Obama”. Uma das ONG’s que mais tem ganho com tuda esta politica verde é a 350 org com raízes na Fundação Rockefeller, como também WWF, e  Sierra Club, ambos recebem doações da fundação Rockefelleretc… Em 2013 o senador Lautenberg e Rockefeller passaram a lei de investimento no transporte,a Rockefeller que na altura dirigia o Senate Commerce Committee disse que: Todas as opiniões “precisam de estar na mesa” para renovar e expandir o sistema ferroviário, portos, auto-estradas.

 

A família Rockefeller é a criadora da solução alternativa energética sem alterações na organização social. Em 2013 a sua fundação concluiu uma iniciativa focada na acessibilidade aos trabalhos verdes nos EUA, SEGUE (Sustainable Employment in a Green US Economy) para resolver a alta taxa de desemprego e alterações climáticas criando a oportunidade imperativa em investir nos trabalhos verdes pelo mundo, com avanços no conhecimento, leis e instituições necessárias para catalisar o crescimento da economia verde. Não é de estranhar que na lista de apoios económicos da fundação estejam sindicatos, ong’s verdes e que na lista de colaboradores da Global Climate March estejam sindicatos. Através do Rockefellers Brothers Fund e de um programa de energia solar e eólica em África liderado pela irlandesa Mainstream Renewable Power foram investidos 1.775M em energia renovável, considerado o maior passo para a energia verde.

No África Energy Forum em 2016 foi defendido um Plano Marshall para África assente em $70 triliões para ajudar as economias em desenvolvimento. No mesmo discurso os EUA são apresentados como os salvadores da Europa através do plano Marshall (European Recovery Program) depois da segunda guerra mundial. Aqui podes consultar a lista dos apoios aos Verdes por parte dos Rockefeller. Na Universidade Rockefeller são aprovados vários estudos sobre Deep Sea Mining para metais para a construção de paneis solares e eólicas, baterias para energia verde, combustível, matéria-prima para novas tecnologias, etc… Gulbenkian era fã da antropologia de Rockefeller e seguiu os seus passos até aos dias de hoje e para o séc. XXI. Hoje a sua Fundação faz o mesmo trabalho verde em Portugal, imitando a Fundação Americana.

JP Morgan é outro nome intrinsecamente ligado ao futuro verde e ao passado negro das energias. Depois de Tesla ter ganho a eletrificação AC na World’s Columbian Exposition em Chicago no ano de 1893, o sistema foi rapidamente adotado como produção para empresas de energia elétrica primeiro nos Estados Unidos e depois em todo o mundo. John D. Rockefeller reagiu à crescente popularidade da iluminação elétrica para todos, que antecipou a tecnologia à base de óleo de lâmpadas de querosene, assim  ajudou empresas como a Ford a iniciar em serie o motor de combustão interna (Gás/Diesel) como o principal meio de transporte terrestre… para todos, porque sabia que Tesla estava a ponto a traçar um caminho para a fabricação de carros elétricos baratos. Ford tinha a ideia dos carros baratos a biodiesel e com fibra de cânhamo, Rockefeller levou a melhor. Do outro lado ( forma de expressão) JP Morgan com o apoio da família Rothschild respondeu ao tornar-se o único patrocinador do empreendimento Tesla. Iniciou-se uma batalha empresarial pelo controlo do fornecimento elétrico, com Rockefeller e os seus protegidos a levarem a melhor com a corrente AC e os carros Ford com petróleo ou Thomas Edison com a sua lâmpada. Mais tarde JP Morgan encabeçou um grupo de banqueiros preocupados com as ideias revolucionárias de Tesla que poderiam tornar impossível controlar a venda e distribuição de energia a preços lucrativos. Em apresentações públicas Tesla introduziu muitas novas tecnologias, inclusive aquela que lhe permitiu exibir sistemas de iluminação elétrica sem fio e geração de energia dos rios sem barragens e a teoria da energia criada pela rotação da terra. Todo isto foi travado por interesses econômicos que juntou “inimigos” para um objetivo comum: Impingir e cobrar por serviços que podiam ser de acesso livre, para manter o controlo das necessidades sociais.

JP Morgan lidera hoje um grupo de banqueiros que têm como objectivo criar uma plataforma Pan Europeia que permita a rápida expansão dos produtos Tesla na Europa. No site do JP Morgan os carros Tesla são considerados uma história de sucesso criada para uma rápida expansão do negócio centralizada na facilidade de taxas e regulamento financeiro na região Europeia.

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Retirado do site.

A operar protegido por um grupo de banqueiros permitiu á Tesla aumentar mais facilmente outras partes do JP Morgan ao apoiar e facilitar o crescimento do negócio.

Elon Musk recebeu, em 2015, um empréstimo de 750 milhões para a Tesla Motors (Que esteve para ser comprada pela Google) do Banco da América, JP Morgan Chase e Deustsche Bank. Em 1999 Musk decidiu comprar o carro mais rápido e mais caro da altura e de sempre, o Mclaren F1 GTR,  e em 2014 congratulava-se com a habilidade do modelo Tesla Model P85D em se comparar à aceleração de 60 milhas horas em 3.2 segundos do Mclaren. Em 2016 o Model S P100D chegou às 60 milhas em 2.28 segundos. Muita gasolina foi gasta…

Onde Musk gasta muito produto petrolífero é na sua empresa Space X, fundada em 2002, que tem como missão tornar os humanos colonizadores e criadores de uma civilização sustentável em Marte. Dentro do programa está o desenvolvimento de meios de transportes em terra de alta velocidade como o Hyperloop. Musk também têm contractos de transporte com a NASA e também criou a OpenAI, uma empresa de investigação para uma inteligência artificial segura por acreditar que o ser humano está muito lento para poder usufruir de toda a informação que a tecnologia nos proporciona. O dinheiro inicial para estes investimentos veio da venda do Paypal, onde foi co-fundador e a Zip2 plataforma que tornou possível que jornais como o New York Times e Hearst pudessem ser lançados on line.

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Trump é um dos aliados de Musk, além do apoio ao contracto com a NASA, Trump também é um dos potenciadores do Hyperloop. Segundo declarações de Shervin Pishevar, co-fundador do Hyperloop, Trump é um Construtor que dá esperança ao projecto. Nessa mesma entrevista Pishevar anunciou a recolha de 85 milhões em fundos. Em 2018 o Hyperloop foi integrado no Plano de Infraestruturas da administração Trump.

O futuro está em foguetões!? Qual a pegada ecológica do programa espacial?

O valor médio será cerca de 30 toneladas de CO2 por lançamento (em 2015 a pegada de um cidadão europeu era de cerca 7 toneladas). Mas em cada lançamento pode-se juntar as 23 toneladas de Perclorato de amônio e pó de alumínio e as 13 toneladas de ácido clorídrico. Imagine-se mais, maiores e mais potentes foguetões.

A fábrica Tesla foi convidada a vir para Portugal, e os verdes jubilaram-se com a possibilidade de o país entrar nesta solução espacial. Um dos critérios a favor era o lítio encontrado em Portugal Continental e no fundo do Atlântico e outros recursos minerais para a construção dos automóveis.

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(representante da Tesla em Portugal)

A sociedade humana encontrou um dominador comum ( Alterações climáticas) para uma luta global econômica e política (Globalização), e mais uma vez o plano é solucionar os seus problemas, deixando de fora as restantes classes e espécies, desperdiçando mais uma vez uma oportunidade de realmente trabalhar para um mundo sustentável, não egocêntrico, seguindo uma doutrina apresentada pelos produtores de poluição. Um dos problemas das mudanças radicais no sistema de organização humana é o assalto dos culpados às ideias sustentáveis e equalitárias dos afectados, isto foi verdade no movimento abolicionista da escravatura, nos direitos da mulher, na política (republica, democracia), das classes sociais mais baixas (Representantes). Ao apontar o dedo acusador ao cidadão, os criadores dos produtos poluentes apoiam hoje soluções que mantiveram na gaveta desde o início dos seus investimentos, para manter a sua fortuna, culpando-nos a nós consumidores dos males do mundo.   o aproveitamento das correntes dos rios e energia da terra para produção de energia de Tesla, que foi transformado em grandes empreendimentos em forma de barragens e transporte de corrente por cabos com necessidade de grande matéria prima e principalmente com manuseamento mortal, e tudo por motivos económicos (poder), ou a recente 1ª Revolução Verde em África são cicatrizes que não devem abrir de novo…

Vamos deixar os mesmos, ou a mesma mentalidade mais uma vez controlar as soluções populares, sustentáveis e necessárias?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concessões Petrolíferas! Cancelamento ou Renovação?

Final de 2017

Em Novembro deste ano a ultima das concessões offshore na bacia de Peniche deixou de estar assinalada no mapa da ENMC (Entidade Nacional de Mercado de Combustíveis), vindo-se juntar às outras 3 já abandonadas em Julho. Todas as explorações offshore tinham em comum a Galp, Partex Oil and Gas ou Petrobras. As razões apresentadas pela petrolífera foram a baixa rentabilidade do projecto devido à dimensão das reservas encontradas que já levavam um investimento de 22 milhões de euros em 10 anos. A Galp abandonou, mas o Estado não anulou a possibilidade de outra petrolífera poder assinar outros contractos. A Galp segue os passos da Petrobras, a primeira a abandonar as concessões offshore em Portugal, a Petrobras como política de investimento, tem como um dos passos o abandono de todas as concessões onde participa pelo mundo para se concentrar no pré sal brasileiro, onde a Galp também está a investir sendo parceira da Petrobras em locais como a Amazônia. Quem sabe quando ganharem bom dinheiro no Brasil, voltem a investir em Portugal? Não eram os primeiros!

Mas Peniche não está livre da indústria do Petróleo. Além de toda dependência que todas as cidades têm das energias fósseis, não fica bem do lado do Estado através do programa Cluster do Mar e da câmara aceitarem um acordo para o alargamento da área dos estaleiros navais da cidade para mais 20 hectares, inseridos no plano de melhoramentos para a construção de plataformas petrolíferas, plataformas de gás… e da energia das ondas. O autarca local (PCP) reconhece que estas obras serão um passo para o estaleiro iniciar as estruturas para exploração de gás e petróleo. A câmara propôs oferecer mais 2 hectares de terreno em troca de obras na praia do Molhe Leste. O estaleiro pertence à Oxi capital, tendo como parceiro a AMAL – Construções Metálicas, esta é a linha da multinacional:

““Assegurar uma resposta competente e competitiva às solicitações dos mercados Nacional e Internacional da Metalomecânica de apoio à indústria nomeadamente à industria Petrolífera.”

A AMAL tem como clientes as principais petrolíferas do mundo.

Também o abandono das concessões no onshore do sul da Zona Oeste não é tão simples e claro. Com todo o conhecimento adquirido durante cerca de 20 anos de Estudo do sobsolo português pela Mohave Oil and Gas, qualquer petrolífera que assinar contracto nessas áreas não demorará muito a iniciar a exploração comercial. A Australis defende que na área do Cadaval (área com mais probalidades juntamente com o Bombarral de se iniciar a exploração de gás de xisto) em 3 anos depois do inicio da perfuração se poderia a iniciar a exploração.  A Mohave Oil and Gas foi criada em 1993 por Patric Monteleone, que agora é responsável pelo projecto de exploração em Portugal na Australis Oil and Gas Limited. A Mohave Oil and Gas abandonou Portugal em 2012 abrindo insolvência.

Em 2015 a Australis assina 2 contractos de concessão na zona oeste com 620.000 acres (1. 0258km) com o nome de Pombal e Batalha. A área de Pombal é para novos horizontes, mas a concessão da Batalha apanha áreas já estudas, o que leva crer que esperam iniciar no final dos 8 anos de contracto para prospeção a tão esperada exploração de gás natural através da técnica de perfuração horizontal e fracturação hidráulica. Os municípios abrangidos são Caldas da Rainha, Rio Maior, Alcobaça, Nazaré, Porto de Mós, Santarém, Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pombal e Soure.

Caldas da Rainha, Rio Maior e Alcobaça já tiveram concessões com os seus nomes. A Serra do Bouro, Nazaré e Rio Maior foram áreas estudadas em 2010 para armazenamento subterrâneo de gás natural.

Na Zona de Pombal fora a intenção de se estudar a possibilidade de extração, a estação de Carriço é uma das infraestruturas a serem ampliadas para aumentar a sua capacidade de armazenamento de gás natural seja de extração local ou de importação e transporte do gás através de mais gasodutos, estações de compressão, etc… para toda a Europa, com todo o impacto ambiental e social local e mundial. Todo isto junto é assinar uma vida insustentável.

Existe ainda a concessão do Cadaval, que a Australis chegou a ter nos seus planos, não chegando a assinar um contracto! Mas está lá… Esperando pelo progresso.

Inicio de 2017

 

 

 

Cidadão Terrorista? Frack Off…

Enquanto em Portugal e Zonas Autônomas da Península Ibérica concessões são encerradas, em locais como no Reino Unido, depois de passarem por todas as promessas de estudos de impacto ambiental, economia verde e abandono das concessões de energia fóssil, a luta não pára e a resposta protecionista das forças de segurança ao interesse das petrolíferas é catalogar os cidadãos anti-Fracking como terroristas!

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Ultimo mapa de concessões activas emitido pela ENMC em Novembro de 2017…

(“O Parlamento aprovou a extinção da entidade que gere as reservas estratégicas de petróleo. Mas o seu fim implica que o Estado vai ter de pagar o empréstimo de 360 milhões contraído pela ENMC”.) Jornal de negócios. Mais no link acima partilhado

Radical

Pensar na raiz dos problemas (radical) sempre foi causa para a perseguição de “elementos perigosos, que podem espalhar o terror” (terroristas) por parte da classe organizadora. Foram os radicais que libertaram os escravos, que tiraram as mulheres da cozinha, as crianças das fábricas, que mudaram as políticas… o mundo. Uma economia global, que tanta violência financia,  protegida por forças de paz, ridiculamente armadas com armas de fogo para combater forças populares radicalmente armadas de amor, não pode deixar o pensamento radical ser educado para o sec XXI?

Esta classificação de cidadãos como terroristas não é nova. Muitos grupos e indivíduos têm pago caro este tipo de perseguição e apelado a que os oiçam para que mais tarde não nos aconteça a nós… Para o sec XXI os organizadores escolhem as mesmas táticas tradicionais, e assim um Pai uma Mãe, um Filho uma Filha podem vir a ser condenados por terrorismo domestico ao tentar salvar a sua água, as suas terras, a sua cultura, a sua família. Por salvar animais de laboratórios, cidadãos do Reino Unido tiveram penas de dezenas de anos de cadeia por eco terrorismo. Por tentar salvar animais de produção através de acção directa e os consumidores humanos através de informação, vários cidadãos no Reino Unido foram e são perseguidos pelas forças de segurança. Na luta contra os transgênicos na França, desde os anos 80 que o Estado identifica grupos como eco terroristas domésticos, mas desde os anos 40 que os pensamentos eco radicais são identificados como ideias de selvagens, imorais e inimigos da civilização Francesa.

Reino Unido ou fracturado?

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Activistas  anti Fracking foram assinalados juntamente com organizações terroristas, que incluem o IRA, Al Qaeda e ISIS, num documento oficial contra terrorismo de 4 regiões do Reino Unido. Os cidadãos de York dizem estar chocados que a polícia local os identifique como ameaça terrorista, juntamente com grupos como o Kurdistan Workers Party (PKK).  Provas recolhidas por Russel Scott, investigador e activista no grupo Frack Free Yorkshire, revelou que a estratégia contra terrorista em York incluía riscos da actividade anti fracking, como grupos opositores a Israel e Palestina.

Scott , no web site SpinWatch também publicou documentos de Merseyside, Dorset e West Sussex com a mesma ligação entre extremismo doméstico e fracking.

Lars Kramm, membro do Concelho Verde (Green Council) da cidade (York City), disse:

“Estou chocado por ouvir que a oposição criativa e pacífica em York á agenda energética e climática do governo seja agora classificada como terrorismo. Há muito tempo que faço campanha com a comunidades na luta para parar o fracking, mudar para as renováveis para combater as alterações climáticas e proteger as nossas comunidades rurais da ameaça da industrialização. A maioria das pessoas e dos concelheiros em York partilham as mesmas preocupações ambientais levantadas pelos activistas e residentes locais. Os protestantes anti fracking em Yorkshire e pelo país merece apreço pelas suas acções, não acções legais e estigmatizados como terroristas”.

Grande parte de York está aberta á exploração de gás de xisto (Shale Gas). A norte a maioria do distrito Ryedale, que inclui a concessão da Third Energy em Kirby Misperton, foi concessionado. Também existem licenças que cobrem muito da East Riding of Yorkshire e partes do distrito Scarborough. A sul grandes áreas de Wakefield, Barnsley, Doncaster, Sheffield, Rotherdham e Bassetlaw foram também licenciadas para exploração de hidrocarbonetos, grande parte não convencional.

Riscos chave para York

O documento do City of York Council, publicado recentemente, descreve como as forças de segurança estão a idealizar o Prevent strategy, estratégia contra terrorista governamental.

Extraído do documento:

“ O perfil contra terrorista local para York e North Yorkshire salienta o risco chave para a localidade como prova de actividade como a presença do Kurdistan Worker’s Party na Síria, Actividade pró palestiniana/anti Israel, Sabotadores de caça (caça á raposa), libertação animal, anti fracking e actividade da extrema-direita.”

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Diz também que York é de alta prioridade no Prevent na área da força policial de North Yorkshire. As Razões apresentadas incluem a localização perto na linha de ferro, edifícios históricos, população estudante e militar e grande número de turistas.

Leigh Coghill do Frack Free York, disse:

“As pessoas que se opõem ao fracking são pessoas comuns e pacificas de todas as estruturas sociais sem alguma ligação com violência ou terrorismo”.

Ian Conlan, do grupo Frack Free Ryedale:

“ O Prevent Estrategy devia-se focar em evitar terrorismo e não expressões pacíficas de opiniões legitimas e usar do direito ao protesto.”

Desculpas de Driffield

Kirby Misperton fica cerca de 50 km de Driffield em East Yorkshire, onde a escola secundária local listou os activistas anti fracking, juntamente com o Estado islâmico. Nos conselhos de contra terrorismo para os pais.

Drill Or Drop extraiu este texto de um jornal da Driffield Scholl a Sixth Form:

“Na presente nacionalidade, o maior objetivo é prevenir que as pessoas se juntem ou suportem o chamado Estado Islâmico, afiliações e grupos relacionados. Mais localmente, as prioridades em East Riding’s são a extrema-direita, defensores dos animais e campanhas anti racking”.

Desde então. A escola e o East Riding of Yorkshire Council publicaram esta declaração:

“ Ao entregar o Prevent nas escolas, o concelho utiliza o Home Office. Isto inclui referencias a “terrorismo ambiental” e algumas pessoas perguntaram se este incluía activistas anti fracking. Em resposta, deixamos claro que não olhamos os activistas anti fracking como um grupo apropriado para ser monitorado pelo Prevent”.

Susie Cagle TransCanada Eco-Terrorism Cartoon

(Não são as duas a mesma coisa?)

O presidente da Driffield School, Diane Pickering, também emitiu um pedido de desculpas:

“O Prevent requer que as organizações publicas e as escolas estejam atentas a todas as formas de extremismo, mas do ponto de vista da escola, o movimento anti fracking é uma forma de comportamento extremo, por isso pedimos desculpa que o link tenha sido feito”. Mas documentos de outras partes do país, divulgados por Russel Scott, sugerem que outros conselhos da cidade e forças policiais mantêm o ponto de vista do Prevent.

Merseyside Special Branch

A Merseyside Police Special Branch tem uma apresentação para escolas, governadores, colégios e segurança social. Nela, as actividades anti fracking são listadas como um tipo de extremismo. São apresentados como um grupo de extrema-direita ou de extrema-esquerda, republicanos e grupos da Irlanda do Norte e activistas de libertação animal.

Russel Scott disse que a mesma apresentação é utilizada no Sefton Council.

Merseyside Police

Dorset. “Potencial para actos violentos”

Excertos da estratégia para Dorset

“Dorset não está abjudicado pelo governo como local prioritário para a instalação do Prevent; no entanto as ameaças que enfrenta a comunidade local não são diferentes daquelas que estão abrangidas pelo Prevent no restante Reino Unido”

Identifica a ameaça da radicalização do ISIS e dos extremistas da extrema-direita. Na mesma página acrescenta:

“Na Dorset rural assuntos como o Badger Cull e a possibilidade de Fracking pode também ver formas de extremismos com o potencial de actos violentos virem ser cometidos”.

Dorset Prevent strategy

Escola primária de Worthing: activistas anti Fracking listados juntamente com a Al-Qaeda

A Chesswood Junior School em Worthing, West Sussex, na sua publicação do Prevente:

Definiu radicalização “como o processo pelo qual uma pessoa vem a apoiar o terrorismo e ideologias extremistas associadas com qualquer grupo terrorista”. Depois, dá uma lista de exemplos: “Extrema Direita, Extrema Esquerda, ecologistas (Fracking), Libertação animal, IRA, Al Qaeda”.

O documento continua:

“ Este documento foi escrito para assegurar que todos os membros que trabalham na Chesswood Junior Scholl:

“reconheçam que a radicalização pode ter várias formas e em linha com grande variedade de causas, da qual, num final extremo, irá apresentar preocupações com a salva guarda da criança independentemente da causa”

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O Direito ao Fracking na Palestina!?

O Direito ao Fracking na Palestina!?

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Fracking? Nem para a minha família! Nem para nenhuma outra!

Toda a concessão para novas formas de exploração de petróleo e gás natural numa localidade são um reforço no investimento numa outra localidade em qualquer outro local do mundo. É tão importante parar os trabalhos das petrolíferas perto de nós, como aqueles que nos parecem distantes por quilômetros, cultura, raça, cor ou numero.

Os termos Globalização do Livre Mercado, TTIP e CETA tem raízes directas em ideias e acções de economistas e comerciantes nos anos 40. Estes planos só são possíveis com a rápida troca comercial internacional que as energias fósseis permitem…

A Palestina é um exemplo quando os tipos de interesse econômico dão a volta aos problemas que perturbem a sua paz em negociar.

Em janeiro de 2015; Harold Hunt, investigador economista da Texas A&M University viajou até à Palestina para falar de fracking num encontro do Palestine Rotary Club.

“Quando pela primeira vez dei uma olhada num assunto, o pensamento geral era que o Boom do Fracking iria durar pelo menos um ano ou dois. Eu estou à 3 anos e meio a estudar o assunto” Hunt (1)

Hunt quer mostrar que o fracking está só a começar, e que poderá durar várias décadas de perfurações no Texas. Falou dos preços actuais da energia, dos depósitos de minerais, custos de produção, e avanços tecnológicos.

Hunt avançou que: “Ninguém pode prever o preço do petróleo, acontece sempre algo que não se esperava. Isto são águas desconhecidas, quantos empregados, quantas licenças? Não sabemos.”

Rotary & ONU

“ O primeiro encontro da ONU teve lugar em Londres em Janeiro de 1946, num evento realizado pelo District 13, no Caxton Hall, presidida por Tom Warren presidente do Rotary Internacional que declarou que o encontro era “ uma pedra pilar num gesto de boa vontade internacional único na história dos Rotary” (…).

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Em 1942 os Rotary convocam uma conferência em Londres com o propósito de se considerar uma organização de troca cultural e educacional depois do fim da II Guerra Mundial entre nações de todo o mundo. No mesmo ano o grupo que se reuniu nesse encontro iniciou planos para a formação da UNESCO.

O Rotary Internacional lançou um documento intitulado “Essentials for na Enduring World Order”, para a interpretação da DumBart Oaks Proposal.

Na conferencia da ONU em S. Francisco no ano 1945, a delegação da ONU convidou a Rotary Internacional como consultante. Foram proeminentes no artigo 71 que declara: “O concelho social e econômico devem realizar planos sustentáveis para consulta a organizações não governamentais preocupadas com matérias da sua competência…”

Nesse mesmo ano T.A. Warren, presidente Rotary  proclamou a “United Nations Week”, que em 1953 passou a designar-se “ World Fellowship Week in Rotary Service” que hoje inclui o United Nations Day fixado pela ONU.

Vários elementos dos Rotary estiveram e estão na Assembleia Geral das nações Unidas…

Após a adoção de uma resolução pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1947, recomendando a adesão e implementação do Plano de Partilha da Palestina para substituir o Mandato Britânico, em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, o chefe-executivo da Organização Sionista Mundial e presidente da Agência Judaica para a Palestina, declarou o estabelecimento de um Estado Judeu em Eretz Israel, a ser conhecido como o Estado de Israel, uma entidade independente do controle britânico. As nações árabes vizinhas invadiram o recém-criado país no dia seguinte, em apoio aos árabes palestinos. Israel, desde então, travou várias guerras com os Estados árabes circundantes (…) Wikipédia

Este é só um exemplo, no Reino Unido o Rotary Shouthport, organizou o evento: Fracking Good Night With Quadrilha, em Outubro de 2013. O Orador foi Nick Mace, Geofisico da Quadrilla Resources.  De espantar que um Clube Rotary no Brasil em 2015, se tenha juntado á 350 org Brasil, COESUS e Não Fracking Brasil para falar dos perigos do Fracking?

O Fracking é mais um passo da indústria da energia não convencional na Palestina. As concessões offshore iniciaram-se em 2009 e 2010 e podem fazer de Israel independente e exportador de gás. Esse gás é não convencional, necessitando de técnicas como o fracking ou outro tipo de extração mais corrosiva para o meio ambiente. Mas Israel vê a sua dependência de energia vinda de outros como uma fraqueza. Estimativas em 2011 indicavam a existência de 250 milhões de barris na área.

Estes campos offshore são acrescentados ao recentemente anunciado em 2010, pela Noble Energy Inc (Texas, USA) Leviathan offshore gas no mar Mediterrâneo, com uma estimativa de 5 a 9 triliões de metros cúbicos de gás natural.  Complicações acrescidas são as reservas de gás que ficam em território marítimo palestino (reconhecido).

“Israel (Nunca) irá comprar gás à Palestina.” Ariel Sharon 2001. Israel em 2003 insurgiu-se no Tribunal Supremo quando a Autoridade da Palestina assinou contractos de 25 anos com empresas de energia Europeias, por se considerar dono do gás existente na Palestina.

Um grupo de empresas Britânicas esteve para fechar negócio com o depósito de Gaza, planeando enviar o gás por gasoduto pelo Egipto, mas em 2006 algo mudou e no ano seguinte Israel apresenta uma proposta de 4 biliões pelo gás encontrado, com 1 bilião dos lucros partilhado com a Autoridade da Palestina (PA). A proposta não foi em frente porque os militares e conselheiros de segurança avisaram que com o negócio com a PA seria um risco de segurança para o País. O grupo britânico abandonou os seus escritórios em Israel e anunciou no seu website: “… que estavam a avaliar opções para comercializar o gás”.

Em 2008 Israel voltou à carga e o Ministério das Finanças e o Ministério das Infraestruturas Internas instruíram a Israel Electric Corporation para entrar em negociações com a British Gas para a compra de gás natural da concessão britânica no offshore de Gaza, segundo informação do grupo Boycott Israel UK

“É possível que a possibilidade de uma grande transição de gás natural com os palestinos tenha sido um factor para Israel não ter lançado a operação Defensive Shield II em Gaza Moshe Yaalon Tenente General Israelita

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Juntamente com os depósitos Leviathan, os campos de gás natural representam reservas que facilmente vão preencher as necessidades elétricas internas de Israel. Dado o imput massivo de energia que requer a extração de petróleo das rochas, or ambos  serem parte integral do suplemento de energia para este massivo projecto de petróleo pesado (heavy oil), com a textura e aparência do petróleo Tar Sands (areias betuminosas) de Alberta, Canadá. Para isto o Israel Energy initiatives (IEI) anunciou em 2011 um projecto para transformar rochas em petróleo, utilizando tecnologias já utilizadas em Alberta e novas tecnologias desenvolvidas nos vastos campos petrolíferos do Colorado

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IEI é uma subsidiária da Israeli Data technologies (IDT), uma corporação que já controla a economia israelita, liderada por Howard Jonas. Neste investimento de alto risco estão também nomes como Rupert Murdoch  e o ex-vice- presidente dos EUA Dick Cheney, entre outros nomes.

Aproximadamente 15% da massa terrestre que as Nações Unidas definiram como estado de Israel está sob depósitos de gás e petróleo. Israel já exportou conhecimentos de extração de não convencionais para a Alberta, Canadá. Ormat uma firma israelita de energia renovavel, tem produtos patenteados sob o nome de Opti que fez equipa com a Nexen no Canadá para lançar uma técnica para queimar o lixo da extração para fornecimento de energia para as próprias operações de extração. Em 2011 os interesses da Opti foram vendidos á China National Offshore oil Corp.

A área proposta para a extração de oil shale dentro de território israelita fica a sudoeste de Jerusalém, numa área de pastorícia conhecida como Kibbutzes e de pequenas aldeias onde os historiadores acreditam ter existido o confronto entre David e Golias.

“ É a maior licença já algumas cedida a uma empresa privada em Israel” Chagit Tishler, residente local, membro do movimento popular Save Adullam, em oposição ao projecto piloto da IEI. A licença foi garantida através da Oil Law de 1952, que priorizava a exploração de gás e petróleo sobre as Quintas, Parques de Conservação e Locais Históricos.

O vale Elah Valley, que pode ser destruído completamente foi ocupado depois da Nakba pelos pelos judeus norte africanos Mizrahi. Hoje é local de produção de comida e vinho israelita. A IEI planeia escavar quilómetros de valas através de quintas para expor as rochas, que serão aquecidas por processos mecânicos até o querosene e outras matérias orgânicas se possam extrair. Depois será necessário tratar a matéria extraída antes de passar a refinação.  Serão utilizados 5 gigawatts de eletricidade para produzir um barril de petróleo, segundo registos da comunidade Save Adullam. Aquecer a rocha, um trabalho que leva meses, pode lançar na atmosfera 15 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. O processo de extração mais sujo do planeta, mais que as tar Sands canadianas e da Venezuela.

Um dos argumentos da IEI para continuar com os trabalhos é que o petróleo encontrado é perfeito para produzir Jet-Fuel.

Grupos como Save Adullam querem a mudança da lei de 1952 Oil Law. Tem aliados no Knesset e outros na Jewish National Front (JNF)

Apesar da área do projecto piloto para o desenvolvimento de extração de shale oil estar em local bíblico e religioso, a grande parte dos locais a levar a cabo extrações são no território tradicional Bedouin Palestinians em vários locais do Negev Desert. Sendo a maioria da Oil Shale na parte norte do deserto, minerar para oil shale para a produção de energia já foi iniciada no sul do deserto perto de Eilat.

A Bacia Mishor Rotem Basin no Mar Morto, e depósitos de oil shale encontram-se sob a fronteira de Israel e do Hashemite Kingdom of Jordan (Jordania) . Em 2006 foi concluído que Israel utilizava 25% mais água que a sustentável (incluindo quase 90% da água desviada dos palestino de West Bank).

Nos colonatos sionistas e aldeias Bedouin reconhecidas no Negev, o nível de cancro já são consideravelmente altos em relação ao resto do Estado Judaico. A poluição da exploração contribuirá para o crescimento do número de casos de cancro.

Cidadãos não israelitas estão praticamente impossibilitados de exercer os mesmos direitos que o cidadão Israelita. Isto é um problema para os Bedouins primeiramente sendo mira das ordens da JNF executadas por esquadrões militarizados,  também vitimas dos projectos “The Desert Bloom”, que atacam as familias destruindo á bulldozer aldeias inteiras; e realojamento forçado em cidades planeadas pelo governo.

As comunidades Bedouin que vivem da terra que querem parar as petrolíferas e a suas tóxicas consequências irão precisar mais do que mudança de leis escritas por Israel, e muito dificilmente terão apoio da JNF ( Jewish Nacional Front).

A situação em Israel é semelhante á de Athabasca, Canadá, porque o offshore reclamado por Israel vai servir de energia para as operações Oil Shale para gás natural como nas tar sands de Athabasca. A água é um problema em Israel mas isso não o impede de planear operações que exigem quantidades gastronômicas de água, tudo em nome da independência energética. Nada que um jogo de Golf não resolva!

Pela Paz do Povo, contra Guerra de alguns!

Economia Verde, uma Nova Cor do Poder!

Este texto é uma critica à forma de trabalho dos grupos visados, não a 90% das pessoas que neles colaboram.

Dou à Quercus um apoio no seu trabalho ao nível de grupos locais ao longo dos anos, que manteve muita gente dedicada. Mas em nome de quê? E de quem? Qual o objetivo de quem financia?

Este Greenwashing depende de fundos europeus. Porque terão de passar pela Gulbenkian? E não directamente ás ONG’s?

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” O grande inimigo da linguagem clara é a insinceridade. Quando há uma diferença entre os objectivos reais e os que declaramos (…) Quando a atmosfera geral é má, a linguagem tem de sofrer” George Orwell: Politics and the English Language.

Em Portugal vários grupos participaram em campanhas contra o financiamento da Fundação Gulbenkian pela sua empresa Partex Oil and Gas, mas apoiam a “resistência” de grupos ambientalistas criados pela mesma mentalidade de controlo de Gulbenkain e Rockfeller.

Também se levantou uma onda de indignação com os bilhetes para ir ver a seleção no europeu, pagos pela Galp a políticos nacionais.

Rocha Andrade; Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais não foi o único a ser convidado pela petrolífera. O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, também viajou para o Euro 2016 a convite da Galp, enquanto entidade patrocinadora da Selecção Nacional.

Depois do presidente da câmara de  Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha também o autarca de Sines, Nuno Mascarenhas receberem bilhetes para o jogo Portugal-Hungria pagos pela Galp , terem de se justificar perante os cidadãos, fica a pergunta: A política distrai? Ou chama a atenção para algo mais profundo?  

A Galp é patrocinadora da seleção de futebol, patrocina o Festival de Sines, apoia provas de surf, etc… e ONG’s… Os seus “professores” são o Banco Mundial e Partex Oil and Gas.

Porque não se discute sequer o financiamento (corrupção, lobbing) das petrolíferas nos movimentos ecológicos e sociais?

A economia verde como meio de manter o progresso e o consumo, educar o cidadão e influenciar nas decisões político-sociais foi defendida cientificamente e economicamente no Relatório Stern de Nicholas Stern, economista britânico do Banco Mundial. O estudo foi encomendado pelo governo Britânico sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos.

Stern sobre Trump: “Penso que o melhor a fazer dadas as circunstâncias é escolher as boas coisas que as pessoas dizem. Tentar sugerir-lhes que o seu modo de pensar é som neste assunto… não nos focando nas contradições”

Nicholas Herbert Stern, Barão Stern de Brentford Economista e acadêmico inglês. Professor de economia da London School of Economics (LSE), importante escola de pensamento da Economia (neoclássica) Ambiental, foi Vice-presidente sênior e Economista chefe do Banco Mundial (2000-2003)

O relatório resultante desse estudo foi apresentado ao público no dia 30 de Outubro de 2006 e contem mais de 700 páginas  é um dos primeiros estudos encomendados por um governo sobre o assunto a um Economista.

Desde então foram criados grupos como: Natural Capital Solutions“ Outro termo para armazenamento de bens de fontes renováveis ou não (ex: plantas, animais, ar, água, minerais, solo) combinadas para colher um monte de benefícios.”

Rockfeller é a Bandeira Capitalista da Economia Verde.

Membros da família Rockfeller tentaram que a ExxonMobil reconhecesse os perigos das alterações climáticas em 2004, liderados por Neva Rockefeller Goodwin, num almoço com o chefe da secção de investimentos. Grande parte das fortunas pessoais tem raízes em Trusts nos anos 30.

“ Não existem combustíveis alternativos ou tecnologias disponíveis hoje capazes de tomar o lugar dos combustíveis fósseis e oferecer à sociedade o que essas energias oferecem”.  Ken Cohen, ExxonMobil’s

Os investimentos na indústria fóssil representam cerca de 6% dos 130 milhões de dólares da Rockfeller Family Fund, diz Lee Wasserman

Em 2016 descendentes de Jonh d. Rockfeller venderam as suas acções da ExxonMobil.

Para a sua luta com a Exxon, os Rockfeller iniciaram uma rede de “soldados” e grupos aliados.

Em 2008 deram 1 milhão para a criação da 1Sky, para apoiar o movimento sobre alterações climáticas através de soluções políticas nos EUA em 2010. Na altura a 1Sky era dirigida por Gillian Caldwell, ex diretora executiva da organização dos direitos humanos WITNESS.

Tinha como parceiros a Step it up 2007 (e a sua sucessora 350 org), a Clinton Global Inciative, Greenpeace, Oxfam e a Energy Action Coalition. A plataforma 1sky foi anunciada por Clinton na Clinton Global Iniciative em 2007, no quadro de directores estavam: James Speth, Billy Parish, Bill Mckibben e Van Jones.

Em 2011 a família Rockfeller comemorava a fusão da 1Sky com a 350 org, duas organizações no seu fundo para o desenvolvimento sustentável. A 350 org apesar do seu aspecto de grupo amador e raiz popular, é na verdade uma instituição que gere campanhas de milhões de dólares dirigidas por funcionários com ordenados de 6 dígitos.

Desde 2007 os Rockfeller pagaram 4 milhões de dólares á 1Sky e 350 org. Mais de metade dos 10 milhões de dólares recebidos entre 2001 e 2009 em ONG’s onde esteve Mckibben, que recebeu 25.000 dólares por ano, vieram do Rockefeller Brothers Fund, Rockefeller Family Fund e do Schumann Center for Media and Democarcy (IBM)

As campanhas de Mckibben receberam os 10 milhões desde 2005 através de mais de 100 doações de 50 fundações de solidariedade. 6 das doações eram cerca de 1 milhão por ano. O The Schumann Center doou cerca de 1, 5 milhões de dólares para 3 campanhas de Mckibenn, como  também 2,7 milhões para a fundação do Enviromental Journalism Program no Middlebury College, Vermont, onde trabalha Mckibben.

Gulbenkian apesar de ser economicamente “inimigo” de Rockfeller, admirava-o pela sua tenacidade comercial e pela Filantropia fundada pelo próprio… Imitou-o desde a Fundação, Filantropia e influência nas políticas nacionais e internacionais.

Programa Gulbenkian Ambiente

No seu programa Gulbenkian Ambiente fez parceria coma Quercus, para “alteração do comportamento dos consumidores, nomeadamente na conservação de energia. E alargar a possibilidade das energias renováveis (…)”

A Fundação Gulbenkian, proprietária da Partex Oil and Gas, em 2013 criou a Iniciativa Oceanos, com um plano de 5 anos. Nesse plano estão previstos 3 passos: Investigação (Contracto de 6 investigadores pós doutoramento com background em ciências ambientais e sociais.); Acção Política (O conhecimento do valor econômico do ecossistema marinho nos processos de decisão); Percepção Popular.

Grupos Alvos

Com quem vamos trabalhar? 

Um pequeno número de ONG’s como parceiros estratégicos; Vários sectotes da comunidade, incluindo negócios ligados ao mar e “grupos/sujeitos não usuais”; Fundos activos da União Europeia e Reino Unido

Quem pretendemos influenciar?

Legisladores; Sociedade Civil; Sector Privado e os Meios de comunicação.

A sua Página começa coma pergunta: Quanto vale um clima ameno ou uma vista para o mar?

“A Iniciativa Gulbenkian Oceanos tem como objetivo geral aumentar o conhecimento público e político dos serviços dos ecossistemas marinhos como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico sustentável e para o bem-estar humano

Para esclarecer lançou o documento: Blue Natural Capital: Towards a New Economy.

Onde se apresenta o ecossistema marítimo como essencial ao bem-estar humano (Human Well Being), ao fornecer alimentação, regulamentação da temperatura climática. Salientando depois que a sua contribuição para a prosperidade humana (Human Welfare), não é no entanto levada em conta nas decisões político-sociais.

A sua Visão:

“Vivemos num mundo cada vez mais dependente do oceano (…) transporte marítimo transporta grande parte do negócio internacional; novas formas de energia (…) e minerais podem ser extraídos do fundo do oceano; a dessalinização da água pode ser a melhor solução para a diferença entre a procura e disponibilidade de água potável.”

“Nós acreditamos que o futuro que precisamos para o nosso oceano só pode ser possível com uma rápida transição para uma economia verde (…) os oceanos precisam de estar em forma para contribuir par o nosso bem-estar e economia (…).

“A humanidade levou 10.000 anos para ir de uma sociedade caçadora-recolectora a tornar-se administrador da terra. Se queremos evitar sérios danos aos oceanos, à nossa economia e bem-estar, temos de realizar uma transição similar para a administração dos oceanos em 10 anos.”

Existe um aumento de interesse na extração de minerais do subsolo oceânico para serem utilizados em aplicações elétricas e eletrônicas. O aumento global na procura de energia levou ao interesse nas fontes de energia no mar, tanto renováveis como não renováveis.

Desenvolvimento da visão

Os desafios podem ser resolvidos através da administração que nos guie até uma economia verde onde utilizamos com uma consciência eficiente e ecologista os recursos marinhos.

Identificação das chaves econômicas do mar da Nazaré e Peniche

O projecto de pesquisa analisa os mais significantes como: (…) indústria; aquacultura; Estaleiros, turismo; prospeção de gás e petróleo (…)

Parceiro:

World Business Council for Sustainable Development (WBCSD)

Em Portugal o grupo é presidido por: António Mexia, EDP.

SPEA

A Spea tem um link directo para divulgar ao Iniciativa Gulbenkian Oceanos.

“Com um horizonte temporal de 2013 a 2018, apoia a valoração econômica dos serviços dos ecossistemas marinhos (SEM) (…) O projeto é coordenado por Antonieta Cunha e Sá (Nova School of Business and Economics) e Henrique Queiroga, investigador do CESAM e professor do Departamento de Biologia (Universidade de Aveiro).

Projetos.

EX: Avaliação do potencial de desenvolvimento de um processo de co-gestão em pescas no eixo Peniche-Nazaré, coordenado pelo WWF-Portugal (…)

Eco-casa

Em 2008 o Ministério da Economia, Administração Pública, Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional emitiu em despacho a agradecer os donativos da empresa Mota Engil à Quercus entre os anos de 2004 e 2007 para o projecto Eco Casa.

O mecenas principal do projecto Eco-casa é:  O Continente.

Os mecenas eco casa são empresas como: Vulcano e Adene.

Apoios da União Europeia/Feder; LG Life Good

Com o apoio institucional do LNEG; Fundação Luso-Americana

A EDP e a Galp também foram doadoras no ano de 200372004

A REN foi doadora em 2006/2007

Projecto dQa

O projecto dQa – Cidadania para o Acompanhamento das Políticas Públicas da Água, é um projecto apoiado pelo Programa Cidadania Ativa – EEA Grants, gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian e financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants), que está a ser dinamizado pela Quercus.

Com o projecto dQa, a Quercus pretende contribuir para o cumprimento da legislação em matéria de recursos hídricos, nomeadamente no que respeita à aplicação, em Portugal, da Directiva Quadro da Água e da Directiva relativa ao Tratamento das Águas Residuais Urbanas (…) e capacitar a Quercus para, a longo prazo, fazer um acompanhamento mais eficaz das políticas públicas da água.

Principais Ameaças:

Um dos principais problemas associados à água está relacionado com a sua disponibilidade (…) À medida que as civilizações aumentam, aumenta a necessidade de água e a poluição da mesma. Os principais problemas de poluição da água devem-se sobretudo aos esgotos domésticos, às atividades agrícolas e à crescente industrialização.

Associação ZERO

Em 2015, ex presidentes da Quercus criam a Associação ZERO.

Entre os mais conhecidos estão os ex-presidentes Francisco Ferreira, Susana Fonseca, José Paulo Martins e Hélder Spínola, e Viriato Soromenho-Marques. Muitos fundadores da ZERO não pretendem deixar de ser sócios da Quercus. A socióloga Luísa Schmidt, o biólogo Jorge Paiva, a professora universitária Júlia Seixas e o actual reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva também se juntam á ZERO.

“ Só através do equilíbrio entre ambiente, sociedade e economia será possível construir um mundo mais coeso, social e economicamente, em pleno respeito pelos limites naturais do planeta” ZERO

“A degradação das relações entre núcleos, grupos de trabalho e a direcção nacional da Quercus foi fazendo o seu caminho nos últimos anos.” Radio Renascença

Em 2015 as más relações internas acabaram em eleições entre duas listas. João Branco actual presidente venceu a lista de Maria de Lurdes Anjo, composta grande parte pelos fundadores da ZERO, com 70% dos votos. Em 2009, a socióloga Susana Fonseca tinha sido eleita contra uma lista concorrente liderada por João Branco. Nuno Sequeira, então vice-presidente, seria o sucessor de Susana Fonseca em 2011, eleito em lista única. Sequeira foi eleito com 98% dos votos, com Susana Fonseca a regressar á vice-presidência a par de Francisco Ferreira. Em 2013, Sequeira já foi reeleito com 91% de votos e uma lista já sem as presenças dos antigos presidentes, integrando agora nas vice-presidências João Branco, derrotado em 2009, e ainda com Carla Graça, que em 2015 mudaria de lista e está agora na fundação da ZERO.

“A fundação da ZERO é também a consequência inevitável de uma ruptura com a mais conhecida associação ambientalista portuguesa, que acaba de comemorar 30 anos de existência.” Radio Renascença.

Recentemente foi criado também o Movimento Futuro Limpo

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Debate ou Demagogia?

 

Dia 10 de Fevereiro fomos ao debate organizado pelo Concelho da Cidade de Caldas da Rainha, já o tínhamos decidido antes de receber o convite por e-mail… (tenho de dizer que fiquei surpreendido)

O debate apesar de ser nas Caldas debruçava-se sobre as explorações ao largo de Peniche e da Nazaré, apesar das Caldas ter tido uma concessão em 1981, estar no meio da área de excelência para exploração de gás de xisto em Portugal, e num estudo de 2010 ser na Serra do Bouro o melhor local para instalar um sistema de armazenamento de gás natural no sobsolo.

“Como sabemos, para alguns, Portugal é um desafio à exploração de petróleo. Para outros, os impactos da exploração de petróleo irão afetar de forma negativa atividades como a pesca, a agricultura e turismo, assim como pode constituir uma ameaça ao ambiente e saúde pública das populações.

O Conselho da Cidade, constituindo-se como entidade dinamizadora das iniciativas que se enquadram no conceito de uma democracia participativa pretende, com este debate, contribuir para o esclarecimento das pessoas sobre este tema e, deste modo, para uma opinião informada de todos.”

Primeiro devo dizer que foi bom acontecer apesar das limitações ao ser um evento académico- intelectual, que por si são desinteressantes para o cidadão comum… mas está aberta a porta para seguir com debates, agora é tema na Cidade…

A plateia estava “dividida” por parcelas. Na linha da frente PS. Do lado esquerdo PP, PSD e… a Brigada Anti Crime das Caldas da Rainha (???) Talvez viessem para deter o representante da Partex Oil and Gas por crimes contra a humanidade, mas ele faltou… nunca saberemos!. Do Lado direito Partidos Independentes e membros do Concelho da Cidade, na linha da frente Peniche Livre de Petróleo. Na fila de trás BE, Nós e políticos locais… Depois uns poucos de cidadãos espalhados pela sala.

Nos 5 minutos antes do início a cumplicidade entre os oradores era visível… Amigos e profissionais de longa data, movem-se no mesmo meio e discutem assuntos energéticos e ambiente á largos anos, conhecendo-se profundamente.

O debate abriu com o discurso normal de balanço entre benefícios e impactos da exploração petrolífera, mantendo a discussão focada no impacto ambiental por Ana Costa Leal do Concelho da Cidade.

Cedo se percebeu que o debate não interessava aos Autarcas da Região que foram convidados e não compareceram, nem mandaram representante. Numa área onde os trabalhos estão mais avançados que em qualquer concessão offshore ou no Algarve o silêncio político continua a ser total. (Lembro que em 2012 enviei mails para a Camara Municipal de Alcobaça depois de ler um artigo onde o Presidente pedia mais informações… Nunca recebi resposta)

O representante da Partex também falhou, não tendo a empresa enviado mais ninguém em seu lugar… Ficámos só com os “Verdes”… O moderador é/foi jornalista em jornais da região… incluindo o Jornal das Caldas, que para o dia 1 de abril de lançou esta noticia….

Começamos por Nuno Ribeiro da Silva, que esteve presente como professor universitário.

Se querem um debate sério não o convidem… Demagogo profissional (arte ou poder de conduzir o povo. A demagogia está relacionada à negativa da deliberação racional, fazendo uso de uma das falhas da democracia, qual seja, manipular a maioria pelo uso de aparentes argumentos de senso comum entremeados com disjunções falaciosas ) é conhecido como expressões como “ O petróleo offshore é como um bocado de carne. Primeiro come-se as partes mais acessíveis e depois é que vamos procurar junto às costelas”.

Cada vez que o debate estava a ganhar uma linha de diálogo, a palavra passava e ele conseguia destabilizar, sendo mesmo chamado à atenção por quem estava a ouvir sobre as suas dissertações, e histórias pessoais que nada interessavam e nem respondiam às perguntas feitas.

Mestre em Economia e Planeamento Energético. Professor Catedrático, onde tirou mestrado, Universidade Técnica de Lisboa.

Mestre em Economia, Política e Planeamento Energético pela Universidade Técnica de Lisboa, após ter cursado Engenharia e Economia. Representou Portugal junto do Banco Mundial em missões oficias. De 1985-1996 exerceu cargos políticos, foi Acessor do Secretário de Estado do Ambiente (1985-1986), Secretário de Estado da Energia (1986-1991), Secretário de Estado da juventude/ presidência do Concelho de Ministros (1991-1993) e Deputado á assembleia da Republica (1992- 1996) Tendo passado por várias empresas de renome, como a CP ou a Rodoviária Nacional, ingressou na EDP em 1985. É Presidente da ENDESA GENERACIÓN PORTUGAL, S.A. e de várias empresas do GRUPO ENDESA em Portugal. É Presidente do Conselho Estratégico Nacional do Ambiente da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), Vice-presidente da Direcção da AIP (Associação Industrial portuguesa) e Membro do Conselho da Indústria Portuguesa. Pertence a órgãos sociais de várias instituições ligadas aos temas de Energia e Ambiente. Administrador do OMIP (Mercado Ibérico).

A primeira frase dele foi dedicada ao jogo de futebol e ao frio. Passou a ideia que esteve no abrir das renováveis em Portugal, e que eram as empresas energéticas estatais que atrasaram a sua introdução ao dominar as decisões na indústria energética. Realçou a dependência que o nosso modo de vida tem dos produtos derivados do petróleo, como plásticos, químicos, agrícolas, sintéticos.

Mais á frente no seu discurso vem as frases fáceis para atirar a culpa de um futuro toxico aos países pobres em desenvolvimento como a Índia ou “socialistas” como a China… nunca ouvi África. Com a justificação que seria difícil proibi-los de viver como nós viemos antes dos carros elétricos. (Então mas o progresso não é para todos?) Salientando o impacto dos automóveis na destruição ambiental, apontando o dedo a cada um que tenha carro e a todos os que vão comprar sem ser elétrico. Sem falar nos petroleiros, metaneiros, cruzeiros, aviões, foguetões, camiões, fábricas, produção animal, etc… Não! A culpa é tua… que compras carro.

De Repente sai-se com uma afirmação que vem contra declarações, relatórios e mesmo memorandos do governo, de que “não existem reservas de gás de xisto (Shale Gas) em Portugal”.

Falando das eólicas, que tanto preza, disse: “ Quem me dera ter uma eólica para a minha casa, ou em cada cidade, mas tem de haver estudos, não queremos uma eólica junto ao Mosteiros dos Jerónimos, ou na Torre na Serra da Estrela, na Serra de Cintra (não vamos olhar para a Quinta da Regaleira e ver eólicas), ou no meio de uma praia, as coisas não são nem branco nem preto, nem todos os locais são bons.”

Fica para pensarem…

Junto esta frase dele partilhada no debate por António Eloy: “ Não se pode extrair petróleo ao pé de índios” (sorriso)

Como bom “aluno” e homem que está em cima das ultimas no campo das energias, lançou “bons exemplos” do impacto social da industria petrolífera, utilizando o “cliché” europeu da Cidade de Aberdeen, Escócia, totalmente falso e já desmentido por moradores da cidade escocesa, quando no Algarve num debate semelhante foi usado o mesmo exemplo. A sua mentira foi desmascarada por António Eloy, que esteve em Aberdeen recentemente. Arrematou com o golpe final: Noruega (que já foi dos países mais pobres da Europa), onde o petróleo é objectivo estratégico do estado.

Esclarecer sobre as concessões petrolíferas no offshore nada….

Deixo a última, falando sobre Aberdeen: “Quando lá estive era uma aldeia manhosa de pescadores” . Para tentar justificar o “progresso” que a indústria petrolífera levou para a localidade… Que hoje é uma zona industrial com um alto nível de pobreza extrema.

 

Antonío Eloy

Trouxe ao debate um tema que normalmente é mantido fora dos debates públicos sobre explorações petrolíferas, o impacto social da indústria petrolífera, e da possibilidade de tudo isto ser só uma especulação económica para fazer rodar dinheiros que mexam na bolsa de valores de Wall Street (Que não é de todo uma opinião a excluir) com todo o seu impacto social em todo o Mundo. Apresentou o Exemplo da Nigéria, que desde os anos 80 tem sofrido ecocidios e genocídios directamente conectados com a exploração petrolífera. Por várias vezes levantou um livro que trazia sobre o tema:

Disse ter os mesmos dados que Nuno Ribeiro da Silva, mas uma visão académica diferente, confrontando a ideia de ser necessário continuar a investir e a extrair petróleo por razões ambientais, económicas e sociais.

Geo Politicamente falando relembrou que todo este investimento para manter a indústria petrolífera no futuro deve-se principalmente aos planos traçados depois dos EUA e a Rússia terem ultrapassado a Arábia Saudita como maiores produtores do Mundo, e a ascensão do petrodólar como moeda mundial. Hoje o mundo está como está…

Seguiu dizendo que não acredita nas explorações em Portugal porque no mar são muito caras e as reservas não o compensam, e em Terra como temos grande massa populacional nas áreas pretendidas as explorações não serão possíveis.

Falou do seu encontro com uma senhora de idade que estava 30 minutos antes de uma secção de esclarecimento em Vila do bispo perto da sua aldeia. A Senhora estava lá porque a concessão que foi anulada no Algarve (concessão de Aljezur) era ao lado das suas terras e que a sua horta começou a ser inundada com líquidos com espuma e de cor verde que vinham do “furo de água” da Portfuel empresa criada por Sousa Cintra. (Estive nesse terreno quando da Bicicletada Anti Fracking, é de chorar com a indiferença…

O problema do capital esteve sempre no discurso de Eloy, mas nem sempre contra os capitalistas apenas como a forma como alguns agem… Deu o exemplo de Gulbenkian a quem chamou de “Bom-Agiota”, uma das razões porque era amigo de seu avô. Acrescentou o nome de Alfred Nobel que criou a dinamite tão importante para a ascensão da indústria de mineração e energia (acrescentamos Guerra) com dinheiro do seu investimento e da sua família na indústria petrolífera — Nuno Ribeiro da silva falou no nome Bill Gates. Eloy realçou a mudança da economia negra criada através da exploração de petróleo para um capitalismo verde da família Rockfeller—(acordo com 350 org), Filantropia.

Fica para pensar!!!

À pergunta do grupo Peniche Livre de Petróleo: Qual o Impacto dos trabalhos de prospeção no ambiente?

Todos responderam que pode-se considerar nulo…. Bom mais uma vez a cultura ambientalista deixa os animais de fora (se calhar para não puxar o tema, também nas renováveis, principalmente barragens). No offshore os mamíferos marinhos e outros animais são fortemente afectados ( De resto como grande parte das gigantes ONG verdes mundiais)… como de certo os animais em terra também com os barulhos dos camiões batedores para estudos sísmicos nas concessões… Sem falar do transporte de material para o local de exploração…

Nuno Ribeiro da Silva para ajudar falou que a prospeção apenas usava uma broca de diamante, acrescentando á explicação de Eloy que se resumia em “Como espetar uma agulha”…

Júlia Seixas

Membro do movimento Futuro Limpo, que tem como acção, garantir os direitos democráticos do povo português.

Falou das 6.000 assinaturas conseguidas pelo grupo Peniche Livre de Petróleo, sem mencionar as restantes milhares de assinaturas recolhidas pelo país, principalmente no Algarve que mostraria a real ação popular contra a democracia representativa que tenta manter a obscuridade e as decisões sobre as explorações longe da decisão popular.

Apesar de eu não acreditar que a solução está na Democracia Representativa, no mundo onde vivemos e que nos regula, necessita de quem acredite, realize a resistência jurídica num estado de direito, (um trabalho que não faria, nem pediria a alguém para fazer) que levará muito tempo, sempre encontrando novos desafios como os acordos transatlânticos TTIP ou CETA, Projectos de Interesse Nacional, etc…

Trabalham para o cancelamento dos contractos como meio para parar os trabalhos de prospeção, ao contrário da maioria que acha, que não há mal em “saber o que temos”.

Júlia explicou que se os trabalhos não forem parados agora, no futuro, quanto mais tempo se deixar passar, mais dinheiro as empresas vão receber do estado português, porque assim está no contracto assinado sem consulta popular, sem discussão política, sem olhar á população e às leis e protocolos para a libertação de gases efeito de estufa (o gás toxico falado é sempre CO2, nunca o Metano entra na equação). Parar agora era mais barato, parar daqui a 10 anos é aumentar a divida… Quanto mais as empresas investiram mais, vão lutar pelos seus direitos.

Como profissional listou as movimentações dos movimentos pelas alterações climáticas, dos acordos na COP 21 e do encontro pelo clima em Marraquexe, onde foram escritos e assinados memorandos de aconselhamento – sem valor legislativo– que pretendem substituir o Acordo de Quioto que foi um fracasso.

Explicou também de como as explorações são não só ecologicamente mas também economicamente insustentáveis para Portugal e para o mundo, alertando para os valores de aluguer e taxas nos contractos assinados pelo estado e as petrolíferas e para a não obrigação de estudos de impacte ambiental na fase de prospeção e que quando as há são realizadas por empresas contratadas pelas petrolíferas que por vezes realizam estudos mais completos ou mais formais segundo testemunho da própria.

Tentando dar uma luz sobre o montante de uma possível indeminização do estado às petrolíferas deu o exemplo dos gastos diários de 1 milhão de euros por dia pela Galp na concessão offshore, que se multiplicados por 10 ou 30 anos dará mais “sacrifício” para os quem paga impostos, e quem é explorado (trabalhadores precários/imigrantes), não para Portugal.

Da parte do público, tivemos ataques políticos aos governadores locais e nacionais. Como se os acordos entre Governo, Corporações e Banco Mundial não viessem já do Estado Novo. Também não faltaram as dúvidas sobre os supostos ganhos para as populações locais. Que foram elucidadas pela júlia Seixas.

De destacar uma senhora que se identificou como Mãe que simplesmente disse que quer saber o que pensam fazer no “seu quintal”, que é inadmissível que esteja em debate a exploração de petróleo perto da minha casa e da minha filha ou da filha de outra pessoa qualquer.

Não sei se conscientemente ou por instinto maternal, salientou um ponto importante em toda esta resistência às petrolíferas “ou filha de outra pessoa qualquer”.

Como também usual o medo/revolta (para não entrar em assuntos mais profundos) falou mais alto do que a solidariedade que a declaração daquela Mãe mostrou. Um Sr de repente diz: Se querem explorar que vão explorar para outro lado!

Quando decidi ir ao debate, não ia ouvir, porque mesmo não conhecendo bem todos os oradores, conheço bem a musica ao som das batidas do sistema industrial, da cultura de um povo civilizado, foi-me educada, andei na escola por ela, estudo-a, trabalho nela, respiro nela, vivo nela, vou morrer nela… Mas mesmo caminhando nos corredores da sua liberdade, vou-me sentido livre dessa liberdade. Vou ser terra/ar/água/fogo, para as sementes futuras… Não uma memória nos céus, um condenado no inferno, uma estátua… um exemplo…

Vivo hoje! Penso que é melhor viver hoje a pensar no amanha do que viver o amanha sem pensar hoje!

Não ia ver, porque não é a minha visão para informar, incluir e colaborar com as populações…

Mas acabei por ouvir coisas interessantes e ver reações autênticas (sem nenhum tipo de “actuação”) tanto dos oradores como do público.

Fui como elemento do grupo facebook: Caldas da Rainha por um Oeste Sustentável e também como voluntário da CREA (Caldas da Rainha pela Ética Animal).

Fomos criar utupia (Cidadadia Participativa)….

Fui para sentir…

Gostei de sentir a Júlia Seixas. Gostava que António Eloy conseguisse equilibrar melhor o activista ambiental e social com a sua profissão e não consentir que se fique com a ideia que só a luta contra os testes nucleares valeram a pena, mesmo se estando hoje a resistir contra instalações nucleares aqui bem perto, mas não tão perto assim. De que não vale a pena resistir aos trabalhos de prospeção para gás e petróleo, mesmo não acreditando na sua exploração… e que sempre que possa, deixe o seu trabalho literário sobre a luta em Ferrel sair em palavras motivadoras em secções onde seja convidado… A Resistência do povo de ferrel que não sendo a única em Portugal e no Mundo, é sem dúvida importante para a resistência em Peniche e no Oeste, para que não seja um exemplo do passado mas sim um acreditar no futuro.

Agora é juntar á vontade de organizar uma secção de informação popular, mais esforço para um evento na Zona Oeste…

Cada um deve fazer o que acredita! Pois se isso não der resultado, nada mais dará! Quem sabe juntando todo o que cada um de nós acredita, mesmo não nos juntando fisicamente ou ideologicamente, possamos unir, pensar nas ideias que nos são educadas, apresentadas, das que nos fazem pensar, nas que nos causam psicoses, que nos fazem sentir livres, das ideias que sabemos ser livres, das ideias que não entendemos, das ideias que recusamos, das ideias que nos façam duvidar da certeza e razão…

As corporações colaboram, umas com as outras (com casos muito raros) para manter o seu maior império de pé (A civilização). A sua colaboração é frágil, pois assenta na procura de poder para derrubar uma serra, uma técnica, uma tecnologia, um império. Para impedir o curso de um rio, da migração animal, da livre circulação de povos. Para impedir a livre circulação de direitos e impor deveres.

Nós, Povo devemo-nos Unir, Apoiar, fazer das diferenças – quando possível— uma força.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalha” Sun Tsu