Arquivo da categoria: Alcobaça/Aljubarrota

Baker Hughes, Drilling fluids e Alcobaça Portugal!

Um cidadão do oeste de Portugal, perto de Alcobaça, decidiu ir aos locais onde estão marcados os poços em Alcobaça e em Torres Vedras. Além de ficar a saber que ambos foram desmantelados, também se apercebeu de que em volta do local das perfurações, as pessoas não tinham a mínima ideia do perigo que representa o que viram, poços para fractura hidráulica ( fracking). No terreno em Alcobaça, o poço foi fechado em 2012, é um terreno abandonado igual aos outros, como se nunca se tivesse passado nada ali. Segundo conversas, as tubagens ficaram enterradas, não dá ver, tudo coberto, deixando só o fantasma da industria petrolífera. ( Em Torres Vedras é uma horta de agricultura intensiva de verduras).

Mas… ele encontrou um pedaço de um Rótulo, de um produto liquido de perfuração ( Drilling Fluid). Não  conseguimos identificar o produto, mas identificámos a corporação que o vende.

Baker Hughes

A Baker Hughes è uma corporação petrolífera com sede na America Tower em, Houston. Oferece um conjunto de serviços e tecnologia para serviços industriais de petróleo. Em 2007 foi considerada culpada num tribunal federal dos EUA por violação do Foreign Corrupt Practices Act ( FCPA), na Russia, Uzbekistan, Angola, Indonésia e Nigéria. A corporação assumiu a violação em pagamentos nos anos de 2001 a 2003 a um agente comercial detido em 2000 ligado ao projecto no Kazakistão. Depois do suborno a Hughes ganhou um contrato de serviços em Karachaganak, Kasakistão que lhe gerou $219 milhões de 2001 a 2006.

Em Julho de 2012 os trabalhadores da Hughes fizeram greve, durante as negociações com os sindicatos e o patronato. A SAFE – empregados da Hughes organizados afetaram mais de uma dúzia de trabalhos offshore.

Trabalha com várias dezenas de outras corporações, como por exemplo: CGGVeritas; China Oil field services; Gaia Earth Science; Halliburton; Siemens oil and gas Division; Tesco Corporation, etc…

A Hugdes adiquiriu a Bird Machine Company em 1989. Fundada no inicio de 1900 por Charles Summer Bird, para construir máquinas para fazer papel. A sua primeira máquina foi a BIRD Rotary Screen. Mais tarde desenvolveu equipamento para acabar o papel e paperboard. Em 1932 inscreveram a patente, em 1934 iniciou o design da BIRD Solid Bowl e a Screen Bowl Centrifuges, abrindo caminha á centrifugação no processo industrial. Em 1940, Frank Young da Bird machine patenteou a BIRD- Young Filter, este filtro veio a ser importante para o mercado químico e farmaceutico. Em 1965, a Corporação activou a Bird Machine Company of Canadá em Montreal, com a sua expansão, ao se recolocar em SasKatoon.

Em 2003 a Bird machine foi adquirida pela Andritz AG

 

Anúncios

“Flare” /Queima de gases associados,Fracking

Mais uma vez os jornais regionais relatam as operações da Mohave Oil em Aljubarrota. Repetem o que diz a corporação, para eles e para a população a chama avistada é bom sinal e até de algo de orgulho. Nesse  artigo fala-se numa “Grande chama” (Flare; Gas flare; Flare Stack para a industria), abaixo vem um texto sobre esta técnica de lidar com os gases.  Mais “uma galinha dos ovos de ouro” para a indústria, menos saúde para a sociedade em geral.

 A verdade sobre a chama avistada em Aljubarrota e a Flare:

Queimas de Gás:

Conhecidas no mundo como Gas Flare ou Flare Stack, é um dispositivo de combustão utilizado em complexos industriais petrolíferos, complexos de produtos químicos, e processos de gás natural, como em locais de extracção e produção de gás e petróleo, Rigs off shore on shore e Landfills.

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Grande parte do Gas Flaring em muitos locais de produção de petróleo e gás nada tem a ver com a proteção contra os perigos derivados da alta pressão no equipamento. Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Vapor é muitas vezes injectado para reduzir a formação de fumo preto. Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

RISCOS PARA A SAUDE E IMPACTO ASSOCIADO ÀS QUEIMAS (FLARING) DE GÁS ASSOCIADO

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

Flaring e a Nigéria (exemplo do que a industria queima)

A Nigéria é o país que mais gás natural associado com a extração de petróleo queima no mundo, com estimativas de 100,000,000 m3 de gás (AG) produzido atualmente 70,000,000 m3 são desperdiçados via flaring. Isto equivale a cerca de 25% do consumo total de gás de toda Grã-Bretanha, e equivalente a 40% do consumo de todo o continente Africano em 2011. Esta operação é realizada para diminuir os gastos na separação de gás viável comerciável do petróleo. As corporações na Nigéria também recolhem o gás natural para comercializar, mas prefere extrair de depósitos encontrados isolados. Portanto o gás associado é queimado para reduzir custos.

 As queimas (Flaring) na Nigéria começaram simultaneamente com a extração de petróleo nos anos 60 pela Shell-BP.

Alternativas ao flaring são re-injetar no chão, ou armazenar.

O flaring liberta grandes quantidades de Metano, que tem um grande potencial no aquecimento global. O Metano é acompanhado por outros gases efeito de estufa como, o dióxido de carbono, que a Nigéria tinha uma emissão estimada de 34.38 milhões de toneladas em 2002, contando como 50% das emissões industriais no país. Enquanto no Ocidente o flaring tem sido minimizado, na Nigéria tem crescido proporcionalmente com a produção de petróleo.

O flaring é proibido na Nigéria desde 1984, sobe a secção 3 da “Associate Gas Reinjection Act” do país. Enquanto a OPEC e a Shell, a maior “incendiária” de gás natural na Nigéria, declaram que só 50% de todo o gás associado é queimado via Flaring, os dados são contestados. O World Bank informou em 2004 que, “ A Nigéria atualmente queima 75% do gás que produz”.

A queima dos gases (flaring) tem efeitos negativos na saúde e bem-estar das comunidades, ao libertarem uma variedade de venenos e químicos, utilizando até conhecidos cancerígenas como, benzapyrene e dioxina. Os gases agravam sintomas de asma, dores crónicas, como também bronquites crónicas. O Benzene libertado pelas queimas, é reconhecido por provocar leucemia e outras doenças do sangue. Um estudo realizado pela Climate Justice estima que o benzene resultará em 8 casos de novos cancros só em Bayelsa State.

Muitas comunidades perto de exploração de gás natural falam em chuvas ácidas, que lhes corrói a casa. E outras estruturas que contem no telhado materiais baseados em Zinco. Algumas pessoas utilizam material derivado de Amianto. Infelizmente, este material só contribui para o declínio da saúde humana e do meio ambiente. Exposição ao Amianto aumenta o risco de cancro de pulmão, pleural e peritoneal mesothelioma, e asbestosis. Estudos da EIA relatam que o flaring é “um grande contribuidor para a poluição do ar e chuvas ácidas”.

Em Novembro de 2005 o Federal High Court da Nigéria ordenou que o gas flaring (queima de gases) parasse na comunidade do Niger Delta por violar os direitos constitucionais á vida e dignidade. Em 2011, a Shell não tinha parado com o flaring na Nigéria.

Agora que os direitos constitucionais e direitos humanos são também violados na tua localidade vais ter a coragem dos povos que já pagaram o preço de “uma melhor sociedade”?

“O Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni é uma organização que representa o grupo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.O movimento não-violento foi fundado pelo escritor Ken Saro-Wiwa em 1993, no tempo da ditadura do general Sani Abacha, para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras., especialmente  a Royal Dutch Shell, transnacional acusada de poluir o ambiente e de justificar a presença dos militares na área.

O Mosop acusou o governo de adotar uma tática de “dividir para governar”, estimulando conflitos entre as comunidades locais e depois enviando tropas para restaurar a ordem. Em 1994, quatro líderes comunitários foram mortos e os dirigentes do movimento, inclusive Saro-Wiwa, foram presos. A Shell era acusada de cumplicidade com o regime militar de Abacha nos enforcamentos de Saro-Wiwa e dos outros oito activistas, que foram condenados num julgamento considerado uma farsa. Em 2009, a petrolífera Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares de indemnização para a população Ogoni.

 

MILHÕES, PETROLEO E ALJUBARROTA

Avança exploração de hidrocarbonetos em Alcobaça

Lusa 03 Set, 2012, 19:15

O Governo aprovou um plano de desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos que vai ser feito pela primeira vez em Portugal e que a empresa Mohave estima que resulte na produção de oito mil barris de petróleo por dia.

“O Governo decidiu aprovar um plano geral de trabalhos de desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos”, anunciou hoje o Ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira.

O plano, foi apresentado pela empresa Mohave Oil & Gas que, segundo o ministro se propõe investir, “ao longo dos próximos cinco anos, cerca de 230 milhões de euros”, contribuindo para a criação de “200 postos de trabalho diretos, além de centenas de empregos indiretos”.

A aprovação do plano, o primeiro do género em Portugal, foi anunciada em Alcobaça onde Álvaro Santos Pereira presidiu à assinatura de um contrato de concessão de hidrocarbonetos (petróleo ou gás) entre a Mohave Oil & Gas Corporation e a Galp Energia, que adquiriu uma participação de 50 por cento na concessão Aljubarrota-3, por cerca de 4,3 milhões de dólares (3,3 milhões de euros).

Depois de a empresa ter anunciado, em Março, a possibilidade de em Alcobaça poder localizar-se um importante depósito de gás, o ministro sublinhou hoje “o papel da indústria de hidrocarbonetos como alavanca do desenvolvimento regional” e defendeu a dinamização do setor como “fonte potencial de captação de investimento, de criação de emprego e de receita para o Estado”.

A Mojave, que já investiu em Portugal 127 milhões de euros, dos quais cerca de 48 milhões em 2011, estima atingir, com este plano “uma produção de oito mil barris [de petróleo ou equivalente] por dia”, disse aos jornalistas o administrador da empresa, Arlindo Alves.

Álvaro Santos Pereira visitou ainda uma plataforma de prospecção de gás em Alcobaça, onde a empresa está a fazer prospecção durante os próximos 50 dias para avaliar se existe no subsolo gás suficiente para justificar a sua exploração.

Video: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=584040&tm=6&layout=123&visual=61&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Com as privatizações das corporações que pagámos todos com impostos para construir realizadas ou a caminho, REN, EDP, GALP, ETC… Com a dívida à Troika, com a politica económica em vigor na Europa e sem contestação dos movimentos ambientalistas nacionais , juntamente com a preparação legal e acordos económicos com o Estado, o caminho para a Exploração de Gás Natural em Portugal está aberto.

O troque são milhões, a apresentação de tecnologia de ponta e apelar ás necessidades  económicas do país. O governo há muito autoriza a investigação para exploração de gás natural e petróleo em Portugal. A segunda volta foi em 2007, quando o governo de então deu as primeiras premissas para a corporação sondar o sob solo português. Nesse ano vários pescadores receberam indemnizações para não ir pescar, para não interferir nos trabalhos da Mohave OIl.

Lembrar que Alcobaça não é o único local em Portugal assinalado para exploração de gás e petróleo. Explora o blog e descobre mais locais.