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Furo em Aljubarrota (2019). Parte 2 ou será 3 se calhar 4? Melhor é ser a ultima!

Aljubarrota, Australis, Amortização (na divida ao FMI)!

índice

A resposta aos movimentos contra as explorações de gás e petróleo no centro tem sido em forma de artigos em jornais nacionais e regionais. No dia anterior (dia 20 de Abril) ao encontro anti Fracking nas Caldas o jornal Gazeta das Caldas lançou na secção de actividade económica um artigo sobre o furo de gás em Aljubarrota.

Aproveitamos o artigo que destaca o documento encomendado pela Australis Oil and Gas para o Estado determinar se é necessário um estudo de impacte ambiental para os trabalhos de prospeção, para dar a opinião não como cidadão, ambientalista ou democrata, técnico ou especialista, mas como habitante da zona centro e do mundo sobre o documento apresentado pela petrolífera.

Documento encomendado pela Australis: Australis- Batalha Apreciacao previa_Final

Este será o segundo furo de prospeção realizado em Aljubarrota, o primeiro foi em 2012, tendo encontrado uma coluna de gás não convencional, mas em condições técnicas difíceis para a sua extração comercial economicamente viável.

Começamos com a pergunta:

  • Se fosse convencional não é necessário estudo?
  • Agora o petróleo e gás natural convencional são amigos do ambiente não precisando de estudo e acompanhamento?
  • Então o problema dos GEE não são responsabilidade da extração convencional?

Passamos ao método que vai ser utilizado para testar o gás. A empresa faz questão de salientar que os trabalhos são com métodos convencionais. Se vão utilizar perfuração horizontal, um dos 3 requisitos para se identificar uma extração não convencional, juntamente com a Fracturação Hidráulica e a injeção de fluidos a alta pressão, deixamos umas perguntas:

  • Ao admitirem a perfuração horizontal, que não faz sentido numa bacia de gás, mas sim para apanhar mais superfície rochosa onde o gás está misturado, não estão a admitir que necessitarão das outras duas técnicas para extrair o gás encontrado com viabilidade comercial?
  • Os milhares de litros de água (6.000 metros cúbicos) que dizem necessitar para os trabalhos de teste, vão ser usados só na perfuração? Ou vão também ser usados para criar pressão na rocha, injetando-a com areia, para testar a impermeabilidade da rocha e a facilidade em libertar o gás?
  • Como pretendem testar a viabilidade do poço, sem estimular a rocha com métodos não convencionais? Já que o Gás encontrado em 20 anos com alguma hipótese de ser viavelmente econômico é Gás de Xisto (Shale Gas).
  • Ao não existirem descobertas de gás e petróleo convencional em Portugal, qual a intenção de descrevem os trabalhos como convencionais?

 

CORREIO DA MANHA 02042018

O artigo fala no “famoso teste da queima da Tocha”. A queima da Tocha é conhecido mundialmente como Flaring e já por várias vezes aconteceu nos poços de teste em Portugal desde Vila Real de Santo António (inicio do séc XX), a Aljubarrota em 2012. O Flaring é responsável por grande parte do buraco da camada de Ozono, devido ao metano e gases voláteis libertados em enormes quantidades e que são bem piores que o CO2, para o qual dizem já existir solução: Cap and Trade (business as usual).

A Australis refere que o furo estará a cargo de uma empresa portuguesa. A empresa que tem trabalhado com as petrolíferas é a Fonseca Furos da área de Peniche, que trabalhou vários anos com a Mohave Oil and Gas, que abriu falência em 2012, e esteve no escândalo da concessão de Aljezur, de Sousa Cintra, que foi anulada por ilegalidades, incluindo a razão para o furo.

Impactos Ambientais

Num país de seca, a água vai ser um elemento de disputa. Se o furo de teste gasta esta água. Quanta vai ser necessária na fase de exploração por poço?

Agora uma das partes mais importantes para se avaliar os trabalhos da petrolífera e que menos informações têm. A secção dos químicos e resíduos.

  • Quais são químicos?
  • Que quantidades?
  • Qual o seu papel?
  • Que tipo de tratamento necessitam?
  • Quem é a empresa responsável pelo seu descarte?
  • Como descrevem os locais apropriados para os depositar?
  • Qual a especificidade do equipamento de transporte até aos depósitos?
  • Quais os cuidados para os resíduos especiais? Quais são?

O artigo acaba com a referência que a Australis faz a um possível acidente e impacto na superfície. Ficamos sem saber se o acidente de trabalho está incluindo na avaliação de impacte ambiental.

Água

Água! O furo será junto à ribeira de S.Vicente já de si em luta para se manter devido à seca. A Ribeira serve maioritariamente a agricultura de subsistência. Os milhares de litros de água vão ser retirados do lençol freático o que pode significar a descida do leito da ribeira, tornando quase inviável utiliza-la para regadio. Sem falar nos perigos de contaminação de que a empresa refere por várias vezes no relatório enviado para avaliação.

No relatório a Australis fala na possibilidade de uma ligação ao gasoduto principal para evitar a queima do gás. São 4 km de um novo troço de gasoduto.

  • Que tipo de infraestruturas vão ser necessárias construir para a utilização segura deste novo troço, dado como certo no artigo do Correio da Manhã?
  • Irá ter uma estação de compressão?
  • O gás será limpo e tratado antes de entrar na rede?
  • Vamos consumir desse gás?
  • O gás que entre na rede vai ser vendido à REN?
  • Como sabemos a qualidade do gás?

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Flaring (Chama de queima de gás)

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

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A Nigéria é considerada a segunda responsável pelos gases de Flaring. mas não é a Nigéria que queima o gás… mas sim empresas como a Shell.

Desmantelamento

  • O que vai ficar debaixo do solo?
  • Quem vai limpar os resíduos perigosos e lamas que estarão no terreno?
  • O furo que poderá ser realizado para a extração de água, vai ser fechado ou deixado aberto para uso da população?

A Gazeta salienta a Consulta Pública aberta a todos… e onde ainda podes participar…

E um dia quem sabe nos encontramos na Rua…

 

 

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C.M (Comunicação da Manha)

C.M.

Comunicação da Manha

As petrolíferas sabendo que politicamente pouca ou nenhuma pressão necessitam de fazer, e legislativamente e legalmente será preciso muito e longo trabalho de iniciativas populares ou ONG’s para as parar, nesta sua nova tentativa de encontrar uma forma viável de extrair o gás natural encontrado vira-se para aqueles que podem na verdade conseguir parar os trabalhos no local ou atrasa-los de modo a criar dificuldades econômicas que podem levar os acionistas a pensar duas vezes em continuar a investir, a população local… A Mohave Oil and Gas que esteve em Portugal desde 1993 abriu falência (2012) ao não conseguir encontra um modo economicamente viável para a extração do gás natural, o que não foi grande problema para um dos seus cabecilhas  que hoje é membro da Australis Oil and Gas (criada em 2014) como responsável pelas concessões em Portugal, e assim são 20 anos a viver de fundos, empréstimos bancários e apoios estatais para tentar manter a indústria petrolífera como a maior fornecedora de combustível para o séc. XXI, ludibriando os portugueses.

O artigo do Correio da Manhã é um excelente exemplo dos passos escolhidos pelas empresas para proteger o seu investimento, a desinformação e falta de conhecimento das populações locais… Este não é o primeiro artigo do gênero, desde 2007 que se podem encontrar vários em jornais locais, nunca falando do impacto deste tipo de extração se as empresas levarem a sua avante.

Deixamos um exemplo  do que pensa localmente sobre as concessões no oeste. neste caso partilhado pela CIM Oeste:

Região de Excelência, Projecto de Futuro

Clipping de Notícias Regionais

A necessidade econômica é sempre a jogada com hipóteses de mais sucesso numa população empobrecida que está a pagar uma divida externa e que vê o valor dos produtos a subir e o valor das suas posses a descer. Se o Estado aceita uma esmola pelas concessões, porque não pode o cidadão comum fazer o mesmo?

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Não nos podemos esquecer que a Australis vem armada com o conhecimento de 20 anos de estudos sobre a área, sobre as pessoas e suas necessidades econômicas, com um lobbing político bem forte, com o apoio da Partex Oil and Gas, uma das maiores lobistas da exploração de petróleo em Portugal, e principalmente com a dependência social e econômica que o mundo civilizado têm de fontes de energia intensivas como as fontes de energia fóssil ou nuclear.

Passamos ao artigo:

O título diz logo da intenção deste trabalho encomendado, Petróleo em letras gordas. Há muito que no Oeste se procura extrair Gás Natural, mas a suja técnica é controversa devido aos seus impactos já conhecidos, portanto é melhor manter a discussão longe de gás natural ou Fracking… Basta olhar aos artigos e aos trabalhos da Mohave Oil and Gas, ou para doutoramentos em universidades portuguesas para se perceber qual a intenção… O truque das letras fortes que chama atenção e depois as pequenas que quase ninguém lê e que normalmente trás grandes problemas…

Prospecção e pesquisa de petróleo (ENMC):

“Nota: Foi estabelecido um grupo de trabalho para preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as atividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.”

Quem faz parte a Comissão?

Quem faz parte do grupo de trabalho?

Mais segredos?

Do artigo em Itálico:

“Mas as pretensões esbarraram nas características do terreno: a rocha porosa impede que o gás se concentre numa câmara isolada, obrigando a múltiplos furos e retirando a pressão necessária para que o material ascenda”

Depois o artigo em si é uma “invasão” aos direitos dos habitantes locais à verdade. Utilizar o termo invasão como bom, é no mínimo… Tivemos uma padeira que ajudou a localidade a livrar-se da invasão e agora temos A Padeirinha que quer ser invadida.

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Utilizando um rendimento momentâneo que ajudou poucos, e deixou a localidade na mesma como confirma uma das testemunhas: “Faz falta alguma coisa para animar”. A implementação da indústria do petrolífero na localidade trará tudo menos coisas para animar, e esta afirmação é confirmada visualmente e cientificamente durante os 10 anos da indústria nos EUA, passando pelo México, Perú, Canadá, Argentina, Alemanha, Polônia, Romênia, etc…

A França proibiu o Fracking, Na Polônia, Alemanha, Inglaterra, México, Argentina, Brasil, Burgos, Cantábria, País Basco a resistência está activa, em Portugal continuamos a olhar para o lado… Esperando que alguma ONG ou grupo ambientalista nos represente nessa luta, porque eles é que sabem dessas coisas. Ou pior: Não é nada comigo! Não conseguimos fazer nada!

O Estudo do Impacte Ambiental é só um passo para deixar andar as coisas… Porque ao afirmar que na fase de prospeção não vão ser utilizadas técnicas de fracturação Hidráulica, dificilmente se encontrará um motivo suficiente grave para parar o furo de teste. Parece que gastar 6.000 m3 de água em pouco mais de um ano é considerado normal por uma especulação… Num país de seca, e numa zona de agricultura intensiva (insustentável) e de subsistência, produção animal (responsável pela libertação de Metano, dezenas de vezes mais nocivo para as alterações climáticas que o CO2), a Pergunta é: Se o furo de teste que dura cerca de ano e meio vai gastar esta água declarada, quanto vão gastar na fase de exploração? Podemos falar em milhões de litros.

Ou que a destruição de 7,500 m2 de fauna e flora não é nada de grave por que são terrenos sem utilidade. Os terrenos sem utilidade serão os contaminados pelos trabalhos e deposito do seu lixo tóxico. Danos nas estradas é o menor problema das populações locais, ou o barulho das máquinas 24 horas por dia não são nada comparado com o impacto que esta indústria trás ao nível do sobsolo, principalmente na água e do ar, principalmente no Céu…

“Da parte da população, as boas experiências com as companhias anteriores servem de cartão-de-visita.”

A boa experiência foi um lucro que lhes possibilitou um ano sem problemas económicos. Ninguém da empresa lhes falou do que veem nos campos onde trabalham o resto do ano. Ou quantas vezes foram impedidos de trabalhra devido a manifestações ou leis de proteção ambiental.

“Estado ganha 8,6 milhões em 10 anos”. Pois, mas a crise apareceu na mesma, e a Troika faz-nos pagar.

Depois fiquei siderado com a opinião de uma senhora: “Aljubarrota está parada, Não há turistas. Para nós era óptimo que (viesse a prospeção)…

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Infelizmente, consegue-se vender tudo: Petróleo e Turismo

Das duas uma ou vale tudo para fazer algum dinheiro, ou existe muita confusão com o impacto de uma indústria de extração de gás natural na localidade e no Turismo.

“Pode ter efeitos positivos para quem tem terrenos”.

Mais uma vez a necessidade de um povo, leva-o a pensar em vender… Em Portugal estamos a vender toda a terra, sem pensar que no futuro para a maioria da população será um pedaço de terreno que lhe permitirá ser sustentável, nas dificuldades de um país em divida e com o desemprego a descer.

“Era bom que viesse a desenvolver aqui o sítio. Isto é tudo preciso, e aquela zona (das sondagens) é um deserto.”

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Imagem de um verdadeiro deserto. A área de fracking na Pensilvânia, uma média de poço por 0,5 km

Depois das leis de proteção ambiental muitos agricultores ficaram impossibilitados de cultivar em alguns locais, outros plantaram eucalipto. Hoje muitos desses terreno depois de vários anos ao abandono do trabalho humano, e considerados desertos ou terrenos não cultiváveis, são na verdade ricos em plantas aromáticas, comestíveis e medicinais, animais  que não existem nas hortas, nem na agricultura intensiva… Na agricultura biológica comum. São sempre terrenos recuperáveis para produção de alimentos se não estiver contaminado. Esses terrenos têm na verdade conhecimento que ajudou os nossos antepassados a matar a fome, a vencer doenças e que pode voltar a ajudar as gerações futuras, se ficarem intactos… A mentalidade, que nos educam a nós, como cidadãos, faz-nos olhar para o meio natural como recurso natural, onde ou se pode tirar vantagens econômicas ou mais vale despachar… Foi assim que se criou a indústria do Eucalipto, que era só facilitismos e dinheiro fácil… e agora a manutenção é paga pelo proprietário e não por quem necessita, planta e utiliza o produto: Papel. O lixo da petrolífera quando se for embora vai ter o mesmo resultado: resolvam vocês!

Assim a empresa vê os terrenos abandonados como um local propício para a sua exploração sem grande resistência local. Mas o recurso natural que espera conseguir só a vai beneficiar a ela, e ajudar um comércio ou outro não porque se interesse pela estabilidade local mas sim porque os seus recursos humanos (os 50 trabalhadores) precisam de comer e dormir, assim ganhamos todos, e quando for necessário o apoio aos trabalhos virá da boca de quem já beneficiou, pode vir a beneficiar, tornando-os recursos humanos da indústria petrolífera sem contracto… excelente… Um pouco como o presidente dos EUA, Donald Trump, ter conseguido várias pessoas de descendência africana ao seu lado para a presidência… As consequências de um presidente como Trump são conhecidas, as suas opiniões sobre raças superiores não é escondida: America First.

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“Isto é estímulo para a economia local”

Para uma ou duas economias pessoais sim, não se pode dizer que não é verdade, mas para a economia local (seja isso o que for) é completamente mentira… poucos vão ver algum lucro, a grande parte vai sofrer as consequências, incluindo os que ganharam algum. Não são precisas teorias para o debater, existem centenas de exemplos pelo mundo. Um bom exemplo do desenvolvimento, recuperação da fauna e flora e manutenção do equipamento pode ser visto aqui bem perto, no único campo petrolífero da Península Ibérica de Ayoluengo, perto de Burgos, numa zona protegida: o impacto na economia local = 0, melhorias na vida social da população em redor e fixação de jovens = 0, restauração da zona verde=0. No que diz respeito ao turismo rural e da natureza! Iriam visitar uma zona com torres de petróleo, derrames em todo o lado, um cheiro nauseabundo constante no ar e uma paisagem natural fracturada por terrenos estéreis. Ainda hoje, em locais de exploração existem poças de água que pegam fogo devido aos trabalhos dos anos 80 e 90… e esta era convencional.

Enquanto se observam os lindos e majestosos abutres e águias como fundo temos uma indústria que torna necessário a sua proteção. Quando se toma banho nas lagoas e cascatas locais, pensamos: Que pena olhar-mos a estes locais como paraíso a visitar, e manter só necessário para usufruirmos dele, e termos deixado destruir e contaminar os que existem perto de nós, na nossa terra, onde brincámos desde pequenos.

A pequena aldeia de pescadores de Aberdeen na Escócia é bem exemplo disso. A população residente ficou na mesma ou pior, a pesca deixou de ser o meio de subsistência, os novos habitantes que não tinham ligação ao local e nem o conheciam como era, hoje nem se questionam, e tudo parece bem, mas ao nível social a pobreza aumentou e Aberdden deixou de ser um local familiar, com um bem-estar popular acima da média, para uma das localidades com a pior condição social e ambiental da Escócia.

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Sobre a consulta pública… e a Avaliação de impacte ambiental… bom, as barragens não pararam e não vão parar, nenhuma AIA as parou, nem para deixar um rio livre em Portugal. Vias rápidas, Linhas de Alta Tensão, nenhum estudo as parou… Campos de Golf e resorts ao longo da Costa e nas Serras, nenhum estudo as parou…Decerto não seria uma AIA que pararia o aeroporto ou o TGV. Como não há nenhuma AIA que consiga parar a monocultura de eucalipto ou agricultura intensiva. Para responder a toda esta burocracia, caso ela tenha resultados ao parar o projecto, existe o famoso PIN (Projecto de Interesse Nacional) que é tipo uma Lei Marcial para a proteção ambiental, portanto ou te mexes ou te F%#?$. Até hoje desde a idosa que viu o seu terreno de subsistência a ser dividido da sua casa pela auto-estrada, sem outro tipo de acesso à sua horta, até ao pescador que foi expulso da praia para proteger o paraíso para o turista. Nenhuma AIA evitou não só o problema ambiental, como social e cultural. Hoje existem praias privadas, campos de golf e resorts que invadiram locais onde os pobres e imigrantes vinham com as suas famílias aproveitar o bom do seu país a paisagem, as praias, o campo, os amigos.

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Depois todo este empreendimento em novas formas de energia fóssil faz parte do plano europeu para se tornar energeticamente independente. Todo o gás encontrado, pertence às empresas, depois às necessidades europeias (que pode ser manter o português contente com um fornecimento barato ou sem cortes nas alturas altas), pode? Nada no sobsolo nos pertence a nós cidadãos ou proprietários do terreno (Nem a  água) acima das jazidas, o país não investiu, concedeu as concessões a empresas estrangeiras e temos deveres para com a estabilidade da União Europeia, portanto o Estado e alguns locais recebem umas esmolas comparado com os lucros e dinheiro a circular entre bancos e investidores, como o exemplo que tivemos do Joe Berardo e o investimento na Mohave OIl and Gas e os bancos que faliram em Portugal que lhe exigem o pagamento de dividas.…. (Como vinha uma noticia de Berardo e as sua dividas à banca na página seguinte ao do petróleo no C.M. porque não relembrar)

Para a população local fica a divida externa, a perda de terras, da água, da saúde e com um sonho destruído ou alimentado com mentiras…

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http://resistir.info/europa/gas_israel_04abr17.html

O lobbing corporativo entrou em acção e este vai ser um ano onde vão haver bons, maus, quem sabe o que diz, quem não sabe do que fala, os histéricos, os hippies, os índios, os selvagens, inimigos da democracia, utópicos, dos arruaceiros, dos desestabilizadores, os teóricos da conspiração, os realistas, os técnicos certificados, os ambientalistas e muitos palhaços. Tudo normal desde que os trabalhos não parem.

O Correio da Manhã mais uma vez não surpreende… ao passar desinformação, dois jornalistas que ao cometeram uma gafe jornalística ou sabem mais que nós todos… Ou estão a jogar um jogo que vão perder ao falarem da ligação à rede de gasodutos nacional, não devem ter lido a AIA da Australis, porque refere várias vezes que o flaring será em princípio a tecnologia utilizada para queimar o gás extraído e aliviar pressão, e que seria melhor a possibilidade de se ligar á rede evitando assim a queima do gás, mas que precisará de autorização para tal ainda em avaliação. Porque no estudo nem está o impacto da construção do ramal de gasodutos até ao gasoduto principal.

Quem se equivocou?

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Do relatório apresentado pela Australis Oil and Gas:

“Uma das metodologias para o teste do poço será proceder à queima controlada do gás no sistema de queima em tocha instalado para o efeito (em inglês “flare”), com a consequente produção de emissões gasosas associadas à combustão e à perca do recurso.”

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A Australis pretende, se possível, utilizar como alternativa a esta metodologia a conexão à rede do Sistema Nacional de Gás Natural (SNGN), gerido pela REN, dado que um dos gasodutos da Rede Nacional passa a menos de 4 km da zona de potencial localização da parcela de sondagem. Esta alternativa é uma solução com menor impacte ambiental em termos de emissões poluentes e gases de efeito estufa, e economicamente mais razoável, caso a ligação em causa seja possível e a custos adequados”

“Não está previsto nenhum projeto de construção complementar ou associado”.

Como Ficamos?

Talvez o correio da Manha já esteja a pensar na próxima iniciativa: CM Não Esquece!

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Tentaremos dar a opinião sobre o EIA da Australis mais detalhadamente num próximo post..

Um pensamento:

O primeiro ouro negro nacional trouxe o mesmo dilema social, econômico, laboral, ético e moral e mesmo com muito caminho a percorrer deram-se passos em frente. Hoje se temos problemas laborais, foi porque alguém um dia alimentou a esperança de justiça, liberdade e auto sustentabilidade, essa semente espalhou-se e hoje lutamos por direitos laborais porque não temos quem trabalhe por nós de graça e sem compromissos sociais para com eles. Nesta “quarta” tentativa de beneficiar do ouro negro, nada de novo, só o recurso/mercadoria é outro. Se queremos uma sociedade mais justa e sustentável para as gerações futuras teremos de semear o que libertou os escravos, as mulheres, os anti fascistas: O direito à Auto- sustentabilidade- a verdadeira Liberdade…

Baker Hughes, Drilling fluids e Alcobaça Portugal!

Um cidadão do oeste de Portugal, perto de Alcobaça, decidiu ir aos locais onde estão marcados os poços em Alcobaça e em Torres Vedras. Além de ficar a saber que ambos foram desmantelados, também se apercebeu de que em volta do local das perfurações, as pessoas não tinham a mínima ideia do perigo que representa o que viram, poços para fractura hidráulica ( fracking). No terreno em Alcobaça, o poço foi fechado em 2012, é um terreno abandonado igual aos outros, como se nunca se tivesse passado nada ali. Segundo conversas, as tubagens ficaram enterradas, não dá ver, tudo coberto, deixando só o fantasma da industria petrolífera. ( Em Torres Vedras é uma horta de agricultura intensiva de verduras).

Mas… ele encontrou um pedaço de um Rótulo, de um produto liquido de perfuração ( Drilling Fluid). Não  conseguimos identificar o produto, mas identificámos a corporação que o vende.

Baker Hughes

A Baker Hughes è uma corporação petrolífera com sede na America Tower em, Houston. Oferece um conjunto de serviços e tecnologia para serviços industriais de petróleo. Em 2007 foi considerada culpada num tribunal federal dos EUA por violação do Foreign Corrupt Practices Act ( FCPA), na Russia, Uzbekistan, Angola, Indonésia e Nigéria. A corporação assumiu a violação em pagamentos nos anos de 2001 a 2003 a um agente comercial detido em 2000 ligado ao projecto no Kazakistão. Depois do suborno a Hughes ganhou um contrato de serviços em Karachaganak, Kasakistão que lhe gerou $219 milhões de 2001 a 2006.

Em Julho de 2012 os trabalhadores da Hughes fizeram greve, durante as negociações com os sindicatos e o patronato. A SAFE – empregados da Hughes organizados afetaram mais de uma dúzia de trabalhos offshore.

Trabalha com várias dezenas de outras corporações, como por exemplo: CGGVeritas; China Oil field services; Gaia Earth Science; Halliburton; Siemens oil and gas Division; Tesco Corporation, etc…

A Hugdes adiquiriu a Bird Machine Company em 1989. Fundada no inicio de 1900 por Charles Summer Bird, para construir máquinas para fazer papel. A sua primeira máquina foi a BIRD Rotary Screen. Mais tarde desenvolveu equipamento para acabar o papel e paperboard. Em 1932 inscreveram a patente, em 1934 iniciou o design da BIRD Solid Bowl e a Screen Bowl Centrifuges, abrindo caminha á centrifugação no processo industrial. Em 1940, Frank Young da Bird machine patenteou a BIRD- Young Filter, este filtro veio a ser importante para o mercado químico e farmaceutico. Em 1965, a Corporação activou a Bird Machine Company of Canadá em Montreal, com a sua expansão, ao se recolocar em SasKatoon.

Em 2003 a Bird machine foi adquirida pela Andritz AG

 

“Flare” /Queima de gases associados,Fracking

Mais uma vez os jornais regionais relatam as operações da Mohave Oil em Aljubarrota. Repetem o que diz a corporação, para eles e para a população a chama avistada é bom sinal e até de algo de orgulho. Nesse  artigo fala-se numa “Grande chama” (Flare; Gas flare; Flare Stack para a industria), abaixo vem um texto sobre esta técnica de lidar com os gases.  Mais “uma galinha dos ovos de ouro” para a indústria, menos saúde para a sociedade em geral.

 A verdade sobre a chama avistada em Aljubarrota e a Flare:

Queimas de Gás:

Conhecidas no mundo como Gas Flare ou Flare Stack, é um dispositivo de combustão utilizado em complexos industriais petrolíferos, complexos de produtos químicos, e processos de gás natural, como em locais de extracção e produção de gás e petróleo, Rigs off shore on shore e Landfills.

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Grande parte do Gas Flaring em muitos locais de produção de petróleo e gás nada tem a ver com a proteção contra os perigos derivados da alta pressão no equipamento. Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Vapor é muitas vezes injectado para reduzir a formação de fumo preto. Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

RISCOS PARA A SAUDE E IMPACTO ASSOCIADO ÀS QUEIMAS (FLARING) DE GÁS ASSOCIADO

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

Flaring e a Nigéria (exemplo do que a industria queima)

A Nigéria é o país que mais gás natural associado com a extração de petróleo queima no mundo, com estimativas de 100,000,000 m3 de gás (AG) produzido atualmente 70,000,000 m3 são desperdiçados via flaring. Isto equivale a cerca de 25% do consumo total de gás de toda Grã-Bretanha, e equivalente a 40% do consumo de todo o continente Africano em 2011. Esta operação é realizada para diminuir os gastos na separação de gás viável comerciável do petróleo. As corporações na Nigéria também recolhem o gás natural para comercializar, mas prefere extrair de depósitos encontrados isolados. Portanto o gás associado é queimado para reduzir custos.

 As queimas (Flaring) na Nigéria começaram simultaneamente com a extração de petróleo nos anos 60 pela Shell-BP.

Alternativas ao flaring são re-injetar no chão, ou armazenar.

O flaring liberta grandes quantidades de Metano, que tem um grande potencial no aquecimento global. O Metano é acompanhado por outros gases efeito de estufa como, o dióxido de carbono, que a Nigéria tinha uma emissão estimada de 34.38 milhões de toneladas em 2002, contando como 50% das emissões industriais no país. Enquanto no Ocidente o flaring tem sido minimizado, na Nigéria tem crescido proporcionalmente com a produção de petróleo.

O flaring é proibido na Nigéria desde 1984, sobe a secção 3 da “Associate Gas Reinjection Act” do país. Enquanto a OPEC e a Shell, a maior “incendiária” de gás natural na Nigéria, declaram que só 50% de todo o gás associado é queimado via Flaring, os dados são contestados. O World Bank informou em 2004 que, “ A Nigéria atualmente queima 75% do gás que produz”.

A queima dos gases (flaring) tem efeitos negativos na saúde e bem-estar das comunidades, ao libertarem uma variedade de venenos e químicos, utilizando até conhecidos cancerígenas como, benzapyrene e dioxina. Os gases agravam sintomas de asma, dores crónicas, como também bronquites crónicas. O Benzene libertado pelas queimas, é reconhecido por provocar leucemia e outras doenças do sangue. Um estudo realizado pela Climate Justice estima que o benzene resultará em 8 casos de novos cancros só em Bayelsa State.

Muitas comunidades perto de exploração de gás natural falam em chuvas ácidas, que lhes corrói a casa. E outras estruturas que contem no telhado materiais baseados em Zinco. Algumas pessoas utilizam material derivado de Amianto. Infelizmente, este material só contribui para o declínio da saúde humana e do meio ambiente. Exposição ao Amianto aumenta o risco de cancro de pulmão, pleural e peritoneal mesothelioma, e asbestosis. Estudos da EIA relatam que o flaring é “um grande contribuidor para a poluição do ar e chuvas ácidas”.

Em Novembro de 2005 o Federal High Court da Nigéria ordenou que o gas flaring (queima de gases) parasse na comunidade do Niger Delta por violar os direitos constitucionais á vida e dignidade. Em 2011, a Shell não tinha parado com o flaring na Nigéria.

Agora que os direitos constitucionais e direitos humanos são também violados na tua localidade vais ter a coragem dos povos que já pagaram o preço de “uma melhor sociedade”?

“O Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni é uma organização que representa o grupo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.O movimento não-violento foi fundado pelo escritor Ken Saro-Wiwa em 1993, no tempo da ditadura do general Sani Abacha, para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras., especialmente  a Royal Dutch Shell, transnacional acusada de poluir o ambiente e de justificar a presença dos militares na área.

O Mosop acusou o governo de adotar uma tática de “dividir para governar”, estimulando conflitos entre as comunidades locais e depois enviando tropas para restaurar a ordem. Em 1994, quatro líderes comunitários foram mortos e os dirigentes do movimento, inclusive Saro-Wiwa, foram presos. A Shell era acusada de cumplicidade com o regime militar de Abacha nos enforcamentos de Saro-Wiwa e dos outros oito activistas, que foram condenados num julgamento considerado uma farsa. Em 2009, a petrolífera Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares de indemnização para a população Ogoni.

 

MILHÕES, PETROLEO E ALJUBARROTA

Avança exploração de hidrocarbonetos em Alcobaça

Lusa 03 Set, 2012, 19:15

O Governo aprovou um plano de desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos que vai ser feito pela primeira vez em Portugal e que a empresa Mohave estima que resulte na produção de oito mil barris de petróleo por dia.

“O Governo decidiu aprovar um plano geral de trabalhos de desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos”, anunciou hoje o Ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira.

O plano, foi apresentado pela empresa Mohave Oil & Gas que, segundo o ministro se propõe investir, “ao longo dos próximos cinco anos, cerca de 230 milhões de euros”, contribuindo para a criação de “200 postos de trabalho diretos, além de centenas de empregos indiretos”.

A aprovação do plano, o primeiro do género em Portugal, foi anunciada em Alcobaça onde Álvaro Santos Pereira presidiu à assinatura de um contrato de concessão de hidrocarbonetos (petróleo ou gás) entre a Mohave Oil & Gas Corporation e a Galp Energia, que adquiriu uma participação de 50 por cento na concessão Aljubarrota-3, por cerca de 4,3 milhões de dólares (3,3 milhões de euros).

Depois de a empresa ter anunciado, em Março, a possibilidade de em Alcobaça poder localizar-se um importante depósito de gás, o ministro sublinhou hoje “o papel da indústria de hidrocarbonetos como alavanca do desenvolvimento regional” e defendeu a dinamização do setor como “fonte potencial de captação de investimento, de criação de emprego e de receita para o Estado”.

A Mojave, que já investiu em Portugal 127 milhões de euros, dos quais cerca de 48 milhões em 2011, estima atingir, com este plano “uma produção de oito mil barris [de petróleo ou equivalente] por dia”, disse aos jornalistas o administrador da empresa, Arlindo Alves.

Álvaro Santos Pereira visitou ainda uma plataforma de prospecção de gás em Alcobaça, onde a empresa está a fazer prospecção durante os próximos 50 dias para avaliar se existe no subsolo gás suficiente para justificar a sua exploração.

Video: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=584040&tm=6&layout=123&visual=61&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Com as privatizações das corporações que pagámos todos com impostos para construir realizadas ou a caminho, REN, EDP, GALP, ETC… Com a dívida à Troika, com a politica económica em vigor na Europa e sem contestação dos movimentos ambientalistas nacionais , juntamente com a preparação legal e acordos económicos com o Estado, o caminho para a Exploração de Gás Natural em Portugal está aberto.

O troque são milhões, a apresentação de tecnologia de ponta e apelar ás necessidades  económicas do país. O governo há muito autoriza a investigação para exploração de gás natural e petróleo em Portugal. A segunda volta foi em 2007, quando o governo de então deu as primeiras premissas para a corporação sondar o sob solo português. Nesse ano vários pescadores receberam indemnizações para não ir pescar, para não interferir nos trabalhos da Mohave OIl.

Lembrar que Alcobaça não é o único local em Portugal assinalado para exploração de gás e petróleo. Explora o blog e descobre mais locais.