Arquivo da categoria: “Pombal”

Assinado, em 2015/09/30, com a empresa Australis Oil & Gas Portugal.

Australis Oil and Gas: Mais vale 2 pássaros na mão! Que 1 a Voar!?

Petrolífera apresenta dois furos em duas concessões na zona oeste e zona centro!

 

 

A Australis no segundo trimestre do ano apresentou 1 EIA (Estudo de Impacte Ambiental) para avaliação de um furo em Aljubarrota, que foi recusado pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente) por não conseguir localizar a área exato do furo para estudar o caso. Mas em Setembro a Australis apresenta EIA’s para 2 furos nas concessões Batalha e Pombal em analise pela APA, mas só disponível para consulta publica desde do dia 7 de Novembro com possibilidade de participar com opinião e votar até ao dia 27 de Novembro. (Ver link das concessões acima)

A Austalis tem quase 2 meses de vantagem sobre nós, cidadão comum. Mas a indústria petrolífera na Zona Oeste e Centro tem 20 anos de vantagem devido aos contactos da Mohave Oil and Gas realizados durante os seus trabalhos na zona. Para complicar ainda mais a influencia da Partex Oil and Gas (outras das empresas que em 2007 assinaram contractos de concessão) em Portugal vem dos tempos da instalação da Fundação Gulbenkian (100% proprietária da Partex) no país. Todo este trabalho e influencia tem como recompensa declarações como as do Primeiro Ministro António Costa sobre o furo de Aljezur ao largo da Costa Vicentina.

A Austalis, como armadilha deixa 1 voar, para que fiquemos a olhar para o ar. E apanha dois enquanto todos olhamos as nuvens!

Em Setembro de 2018 a Australis lançou o seu relatório: First Half 2018 Financial Report (Relatório Financeiro da primeira metade de 2018) onde se refere aos dois furos, nas duas concessões.

  • Ainda em Julho a Agência Portuguesa do Ambiente tinha recusado os documentos da Australis para avaliação de impacte ambiental (EIA)
    • Em Setembro a empresa entrega os novos pedidos de EIA para 2 furos. Em menos de 3 meses conseguem preparar a apresentação de 2 estudos de Impacte ambiental? ( só apresentados dia 7 de Novembro aos cidadãos através da participação publica)

No dia 29 de Outubro 2018, dois dias antes da reunião com presidentes da câmara e representantes de ONG e grupos anti petróleo, a Australis Oil and Gas faz uma apresentação aos investidores.

  • Sobre Portugal salienta que existem dois contingentes (que pode ou não existir ou acontecer. = EVENTUAL, INCERTO) de recursos 2C (com grande probabilidade) de 458 Bcf ( cerca de 13 mil milhões m3)
  • Avaliação de uma “basin centred gas play” na formação Lias Jurassic no pós sal.
    • Basin centered gas systems são um dos sistemas potencialmente mais importante da economia do gás não convencional no mundo (AAPG Wiki)

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Programa de Trabalhos

No programa de trabalhos propostos apresentam o ponto: “perfurar e testar descobertas de gás com um poço vertical”.

  • Não se referem, como na apresentação realizada no dia 31 de Outubro, à perfuração horizontal com cerca de 0,5 km.
  • Perfurar e retirar parte da rocha reservatório (core) na Lower Jurrasic na concessão Pombal, na freguesia de Bajouca, distrito de Leiria.

A Australis “completou um numero de estudos de engenharia para rever os dados históricos e estabelecer a base técnica”Resultado de imagem para lowerjurassic bacia lusitanica

  • Não deve ter sido tão difícil. Todos os dados estavam com Patrick Monteleone ex presidente da Mohave Oil and Gas, que esteve nos quadros da Australis, como responsável pelos trabalhos em Portugal.
    • A Mohave esteve em Portugal desde 1998, até abandonar os trabalhos em Aljubarrota em 2012. A Mohave, responsável por todos os dados registrados abriu falência. E Monteleone aparece na Australis quando da sua apresentação no site da empresa. Agora não o encontramos.
    • Mas quem está hoje nos quadros da Australis como director financeiro é Graham Downland ex director executivo da Hardman Resources que liderou a assinatura de um contracto de prospeção em águas profundas na costa vicentina, com a participação da Partex Oil and Gas e da Galp).

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      No final de 2017 a Australis iniciou com as autoridades ambientais do governo português uma colaboração para se criar regulação legislativa recente”
  • Quem são as autoridades ambientais a que se refere a Australis?
  • Porque precisa Portugal de uma legislação recente?
  • A recomendação de legislação recente foi criada em 2014 pela Comissão Europeia no dia 22-01-2014, relativa a princípios mínimos para a exploração e a produção de hidrocarbonetos (designadamente gás de xisto) mediante Fracturação Hidráulica (2014/70/EU)
  • Seguindo a recomendação da Comissão Europeia, a ENMC em 2014 comunicava que: “No âmbito da recomendação relativa a princípios mínimos para a exploração e a produção de hidrocarbonetos (designadamente gás de xisto) mediante fracturação Hidráulica maciça, informa-se que:
    • Foi estabelecido um grupo de trabalho para a preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as actividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.
      • É neste grupo que está a Australis Oil and Gas?
      • Quem são os elementos deste grupo?
  • Em Janeiro de 2016 a ENMC numa apresentação em Faro sobre as explorações de hidrocarbonetos assinala que: “Não está previsto qualquer projeto com recurso a métodos não-convencionais, nomeadamente através de fracturação hidráulica, estando o concessionário ainda na fase de prospeção e pesquisa”
    • Este final de paragrafo assinala bem as intenções finais da Australis. Na altura de explorar, Fracking a bombar.
  • No jornal do- Baixo Guadiana do dia 01/01/2016 é salientado que Paulo Carmona da ENMC apontava 2020 como data provável do inicio da exploração petrolífera.

Operações Planeadas

O poço será furado verticalmente até aos 2,900metros, depois será desviado e perfurado na horizontal aproximadamente 500 metros para ser testado a afluência de gás com potencial comercial.

  • A Australis aqui desmente a informação dada no inicio da apresentação sobre os programas de Trabalho ao adicionar a perfuração horizontal na abertura do furo (poço).

O poço de exploração na concessão de Pombal será furado verticalmente e pretende atingir a área jurássica similar à da Batalha, mas mais fundo, onde as condições podem ser mais favoráveis ao fluir do gás. Em caso de sucesso, um programa similar será seguido para a concessão da Batalha”

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Partilhamos este Mapa para que não se esqueça o que está em jogo. Um poço em extração, vai voltar a atrair novos investidores para as concessões abandonadas, mas não anuladas. Chamamos a atenção para a concessão em amarelo ( concessão Cadaval) que esteve nos planos da Australis, mas ficou de fora. É importante porque um estudo do IST em 2014 (pag 15) apontavam a área como a mais rica em hidrocarbonetos (Shale gas).
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Australis Oil and Gas. Mito ou Realidade?

No dia 31 de Outubro, a nova e única petrolífera activa no terreno em Portugal: a Australis Oil and Gas, convidou presidentes de câmara e algumas ONG ambientalistas a actuar na região para apresentar os dois projectos de prospeção de gás natural na Zona Oeste e Zona centro. Mais uma vez o cidadão comum ficou de fora das informações sobre algo que o vai afectar directamente. Alguns activistas e cidadãos activos compareceram em frente ao Hotel onde se efetuou o encontro, e alguns grupos contra a exploração de gás e petróleo em Portugal conseguiram representar-se com um elemento na apresentação…

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Ficou no ar um evento aberto à população para o final do mês… a ver!

Mas o que é? Quem é a Australis Oil and Gas? O que deixaram para trás estes profissionais, por onde trabalharam?

Como estão hoje as áreas onde tudo foi “realizado dentro das leis e utilizando as melhores práticas na indústria?”

AUSTRALIS OIL AND GAS

A Australis é um grupo de investidores na indústria petrolífera, que utiliza empréstimos bancários, política e “problemas humanitários/desenvolvimento” como modo de ganhar dinheiro. No mundo do comércio livre e na livre circulação física e burocrática de empresas, sustentam-se deixando quintas, aldeias, povos sem possibilidade de o fazer. Para se perceber como podem deixar o Oeste/Centro de Portugal, conheçam a área, os impactos e o que foi deixado para trás pelos dirigentes da Australis, ao venderem os activos da Aurora Oil and Gas e ao ajudar na transição da indústria petrolífera para o séc XXI. O seu trabalho não é melhorar a vida social local, mas sim trabalhar para defender a indústria petrolífera a indústria de energia e seus interesses.

A Australis Oil and Gas foi criada em 2014 por antigos diretores da Aurora Oil and Gas Limited . Em 2016 mudou o nome para Australis Europe Pty Ltd (APL).

Em 2015 – ano da assinatura das concessões Pombal e Batalha entre a Australis e o Governo Português- vária empresas petrolíferas abandonavam os seus trabalhos na TMS (Tuscaloosa Marine Shale), concentrando-se noutros lugares do EUA ou no mundo devido à queda do preço do crude de 100 dólares para 45 dólares o barril na bolsa americana, que ponha o preço do Gás de Xisto (Shale Gas) e do Oil Shale acerca de 70 dólares por barril equivalente, muito abaixo dos 85 dólares calculados pelas empresas como preço mínimo para arriscar investimento. Todas esperam a subida do preço do crude para voltar aos trabalhos de perfuração. A Australis veio para Portugal. Em Portugal tem um contracto de concessão por 8 anos iniciado em 2015 com uma extensão de 620.000 acres contínuos divididos em 2 concessões com os nomes de Pombal e Batalha.

 

Deposito de Gás de Xisto na Tuscaloosa Marine ShaleLuisiana e Missipipi

A Australis está no centro da TMS, a ultima bacia de oil shale a emergir nos EUA, comparada à Eagle Ford Shale no Texas. A empresa detêm 110.000 net acres, tornando-a a maior detentora de área concessionada e portanto a maior produtora, com 31 poços de produção geradores de riqueza. Estes 31 poços fazem parte dos 80 poços horizontais perfurados para delinear a área mais rica. Dos 31 poços da Australis, os mais recentes foram perfurados na melhor área em 2014, essa área é partilhada por 50 poços, alguns de outras empresas. Em 2016 e 2017 a Australis continuava a realizar aquisições. Em Setembro de 2018 dos 110.000 net acres, só 28,500 estavam definidos para produção, estando os restantes 81,500 ainda sem desenvolvimento.

PARA TRÁS: Resultado de imagem para eagle ford shale fracking impact

Aurora Oil and Gas

Vendida à canadiana Baytex Energy Corp por 1,8 biliões de dólares, que comprou até a divida de mais de 700.000 dólares da Aurora, com o objetivo de poder trabalhar no Sugarkane Field na formação Eagle Ford Shale, Texas. O negócio foi agraciado por James Bullen do banco Merril Lynch, adquirido pelo Banco da América em 2008. Foi a Segunda maior aquisição da Baytex nos seus 20 anos de história e também um pé de entrada no emergente negócio do petróleo leve (Light oil) da Bakken Shalefield em North Dakota. A Baytex terá o apoio financeiro do Scotiab Bank e da RBC Capital markets, e a Australis é aconselhada pelo Credit Suisse e a Goldman Sachs.

Eagle Ford Shale

A Eagle Ford Shale é mencionada várias vezes, como um produto de venda e valor comercial, com orgulho financeiro pelas empresas. Mas o que deixam para trás? Nos locais de exploração!

A Eagle Ford Shale tem 644 km de comprimento e 80 km de largura de rocha sedimentar geradora de hidrocarbonetos. Já foram furados mais de 7.000 poços de gás e petróleo desde 2008 com mais 5,500 aprovados. As concessões em Portugal tem 2,5091km2.

Considerado pela indústria como a “maior área de desenvolvimento da economia do mundo”, é uma das zonas mais pobres dos EUA. Jim Morris do The Center for Public Integrity defende que a razão pela qual a indústria petrolífera faz o que lhe apetece, é porque este tipo de desenvolvimento não é realizado perto das grandes cidades. É realizado em zonas rurais, em lugares que muita gente não vai, nem quer ir.

Quem pode não lá ir, mas investe, são 42 dos 181 legisladores texanos, responsáveis pelas leis de exploração de petróleo e gás, com interesses financeiros directos na exploração da Eagle Ford Shale no valor de 10 milhões de dólares, segundo um estudo de Dave Hasemyer do InsideClimate News

Lynn e Shelby Buehring

Quem lá vive são pessoas como Lynn Buehring e o seu marido Shelby. Lynn vive com o seu marido na casa onde nasceu e onde queria viver em paz na sua reforma, rodeada por um mundo calmo só quebrado por uma tempestade ocasional. Era assim em Karnes County, sul do Texas. Mas o plano está estragado porque a sua casa fica no epicentro de uma das maiores e ainda pouco publicitada área de boom de gás e petróleo, com mais de 50 poços perfurados a menos de 3,5 km de sua casa, os seus momentos sentados no alpendre chegaram ao fim.

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Acredito que se são anti petróleo e anti gás, são anti-texas! Harvey Hilderbran, Republicano representante Estatal do Texas.

Depois de 23 anos a viver no sul do Texas, o casal pensa procurar um novo lugar para viver, longe dos fumos, cheiros e tráfego do boom da Eagle Ford Shale. Uma medida de ultimo recurso, ditada pela deterioração da sua saúde e das tentativas falhadas de obter ajuda dos reguladores e instituições estatais.

Não somos anti perfuração. A minha queixa é que precisam de o fazer de modo responsável… está a causar muitos problemas médicos, e não posso aceitar. “ Lynn – 58anos

Os sintomas dos Buehrings começaram quando as torres de perfuração chegaram em 2011. A sua asma (de Lynn) piorou, passou de uma coisa sazonal fácil de controlar. ao ponto de necessitar de duas bombas inaladoras e frequente uso de uma máquina de respirar. Desenvolveu dores de peito, enjoos, fadiga constante e extrema sensibilidade aos cheiros. Em 2014 existiam 57 poços e nove instalações de processamento num raio de 3km da casa do casal. Estas instalações tem autorização do estado para emitir centenas de toneladas de poluentes do ar por ano, incluindo benzeno, Metanal e Sulfeto de hidrogênio.

Amber, Fred Lyssy, Mirabelle and Brothers

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Amber e Fred Lyssy e os seus e filhxs eram donos de uma quinta orgânica com 564 acres perto de Florescille, Texas. Empresas de Fracking colocaram poços de extração mesmos ao lado da cerca da sua quinta. Com a indústria petrolífera como vizinha o seu sonho de vida saudável, calmo e com futuro para as gerações futuras acabaram, devido à contaminação do ar e da água.

Para saberes mais sobre Fracking e Eagle Ford Shale podes ver este documentário realizado depois de 8 meses de investigação e entrevistas (as possíveis) Fracking the Eagle Ford Shale: Big Oil and Bad Air on the Texas Prairie

Bakken Formation

Formação Rochosa com 520.000 km2 no sobsolo de partes de Montana, North Dakota, Saskatchewan e Manitoba. A aplicação da Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal causou o boom da produção na Bakken Formation em 2000. Em 2010 a produção de petróleo era tanta que os gasodutos não chegavam, uma das soluções era enviar por comboio, o que trouxe muita preocupação devido à alta volatilidade dos produtos transportados, principalmente depois do acidente em 2013, conhecido como Lac- Mégantic rail disaster, quando um comboio que transportava petróleo de Bakken, North Dakota para a refinaria Irving Oil Refinery, explodiu no centro da cidade e matou 47 pessoas.

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Viewfield Oil Field

Quando se descobriu o Viewfield Oil Field em Saskatchewan em 2004, a técnica de Fracturação Hidráulica e Perfuração Horizontal foram utilizadas massivamente, em 2012 retirava das rochas 11.000m3 de petróleo por dia. Na Bakken Formation em Manibota retiram-se cerca de 300m3 por dia.

North Dakota

Tornou-se o segundo maior produtor de petróleo dos EUA nos últimos 10 anos depois do fracking boom na Bakken Shale. Já existem dezenas de milhares de oleodutos em North Dakota e esperam-se a construção de mais 36.000. Os oleodutos também podem transportar gás e águas tóxicas retiradas da perfuração e exploração.

Em 2015 um oleoduto esteve até ser descoberto, cerca de 3 meses, a verter milhões de litros de gallons- 1 gallon são 3,7 litros- de água tóxica em Blacktail Creek, a poucas milhas de Williston, North Dakota. Muita da qual foi parar aos rios Little Muddy e Missouri. O oleoduto não tinha 2 anos.

Dakota Acess Pipeline (DAPL)

Tambem conhecido como Bakken pipeline é um oleoduto com 1,886km que se inicia na Bakken formation (local de exploração) até a um terminal de petróleo perto de Patoka, Illinois,passando pelo South Dakota e Iowa. O projecto bilionário foi apresentado em 2014, e a sua construção foi iniciada em 2016 e completado em 2017.

#NODAPL

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Em 2016 os indígenas locais iniciaram uma reação contra a invasão de North Dakota pela Indústria petrolífera tentando parar a construção do DAPL e os planos da Energy Transfer Partners, empresa responsável pelo projecto.

O projecto ameaça os rios Missouri e Missipipi e o Lake Oahe perto da Standing Rock Indian Reservation. A Nativa americana, LaDonna Brave Bull Allard, anciã Sioux organizou um acampamento pela preservação cultural e resistência espiritual ao oleoduto, conhecido como Sacred Stone Camp. Milhares de pessoas concentraram-se durante todo o Verão no local. Foi organizado outro campo : Acampamento Očhéthi Šakówiŋ- Nome na língua materna para Great Sioux Nation ou Seven Fires Council. Membros tribais que participaram neste acampamento também estiveram na oposição ao Keystone XL.

Junto a estes acampamentos criou-se também o grupo de jovens indígenas: Rezpect Our Water e o grupo: The International Indigenous Youth Council.

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O acampamento foi decidido depois de 2 anos de burocracias e reuniões que não pararam as máquinas que apareceram em grande em 2016 para realizar o seu trabalho rejeitado pelas comunidades indígenas desde o inicio. Pode não ter parado o oleoduto, mas parou a passividade em milhares de pessoas.

Sugarkane field

Em 2010 a Netherland, Sewell & Associates, inc. concluiu um estudo que aprovava a avaliação das reservas de gás e petróleo provadas realizada pela Aurora Oil and Gas.

Para onde vai o Gás?

A Corpus Christi Liquefaction, uma subsidiaria da Chenier Energy, iniciou em 2015 a construção da infraestrutura Christy Liquefaction (CCL) no Texas, a 60km da Eagle Ford Shale, para o tratamento de gás para exportação, como GNL (Gás Natural Liquefeito) para a Europa.

Os clientes da Chenier Energy são a: Enel Group, Iberdrola, PT Pertamina (Persero), Endesa, Woodside Energy Trading Singapura, Gás Natural Fenosa, Central EL Campesino, Électricité de France (EDF), Energias de Portugal (EDP). Os contractos são válidos por 20 anos, com possível extensão por 10 anos. O fornecimento será assegurado pelo Kinder Morgan Texas Pipeline e Tenesse Gas Pipeline (TGP).

Voltando à Australis!

O único impacto previsto pela empresa é o barulho e o tráfego de camiões.

Segundo a própria num documento distribuído a municípios e ONG num encontro promovido pela Australis “haverá alguns curtos períodos de tráfego de camiões (…)”

Deixamos aqui o exemplo de Eagle Ford.

Transportation Impacts of Fracking in the Eagle Ford Shale Development in Rural South Texas: Perceptions of Local Government Officials

http://journals.brandonu.ca/jrcd/article/view/1181

Este estudo explora o impacto das infraestruturas de transporte e assuntos de transporte associados com o boom do petróleo e gás na região rural de Eagle Ford. Recolhendo dados sobre acidentes, apresentamos uma descrição do impacto do fracking nas áreas abrangidas no projecto de exploração de não convencionais. Os desastres entre 2009-2013 aumentaram 26%. Mortes e ferimentos graves aumentaram 49%. Os municípios estão com grandes dificuldades em resolver o aumento do sistema de transporte devido ao fracking incluindo congestionamentos, deterioramento das estradas e aumento de custo de manutenção.

No  documento partilhado com os participantes no encontro dia 31 de Outubro,a Australis descreve as concessões em vários pontos.

No ponto 2 sobre Recursos de Gás apresenta números:

  • 13 mil milhões m3de gás – este nr é uma estimativa não comprovada. Uma estimativa como a do PIB nacional em 2020. Um numero para as Bolsas econômicas, investidores de alto risco, bancos e debate político.
  • 6.15 mil milhões m3 em 2018 era o valor estimado de gás utilizado em Portugal. Estas duas concessões dizem oferecer 2 anos de gás a Portugal.
  • Em Direção à Independência Energética” – Sendo que estas duas estimativas das reservas só dariam para dois anos. Para Portugal ser independente energeticamente por 10 anos quantas concessões necessitaríamos?
    • Sendo Portugal parte da União Europeia, e sendo o projecto de independência energética um projecto europeu, qual a percentagem degás que Portugal vai enviar para outros países Europeus? Portugal tem o dever de o guardar para emergências energéticas ou econômicas Europeias?
    • A Gás poderá servir para “baixar a divida” à Troika?
    • Qual a estimativa para o preço do gás ao cidadão comum?

Ponto 3

Plano de operações:

  • “Perfurar e testar as ocorrências de gás na Batalha com um poço horizontal”

    • Pela primeira vez a discussão se é petróleo ou gás está inequivocamente desfeita no documento apresentado pela Australis que no inicio do ano (2018) nos documentos para estudo de impacto ambiental do furo de Aljubarrota falava em Hidrocarbonetos, deixando a discussão se seria gás ou petróleo.
    • A outra era se iriam utilizar a técnica de Fracturação Hidráulica (Fracking). Continuam a dizer que não vão usar Fracturação Hidráulica. Hoje talvez, e no futuro?
      • A Australis fala em “perfurar e testar as ocorrências de gás com um poço horizontal de pequena extensão”. O poço horizontal é o primeiro passo para a fracturação hidráulica. O segundo é injectar toneladas de areia e milhares de litros de água a alta pressão para fazer estalar a rocha. E o terceiro passo é injectar químicos para libertar e facilitar o fluir do gás pelo poço.
      • Existe o plano de introduzir os seguintes passos nas fases seguintes?
      • Se não. Qual a intenção do poço horizontal? Só utilizado quando é necessária a Fracturação Hidraulica.
      • O que é um poço horizontal de pequena e grande extensão?
      • Qual a profundidade a que pretendem ir na formação de Lemede, Leiria, na concessão Pombal?
  • Serão desenvolvidas instalações de produção de gás em conformidade com a lei e o aprovado pelo governo”.
    • Qual a diferença das instalações de produção e das de prospecção?
    • Em Portugal as únicas reservas de gás e petróleo reconhecidas como economicamente viáveis são de fontes não convencionais como o Tigh Oil (petróleo leve) e Shale Gas ( Gás de Xisto). Ambos necessitam de técnicas não convencionais de extração como o Fracking, para serem economicamente atraentes.Que leis existem sobre o Fracking em Portugal?
    • Infraestruturas como gasodutos, estações de compressão, lagoas a céu aberto ou tanques de condensação para as águas contaminadas, locais de tratamento de químicos perigosos são considerados “instalações de produção” ?

Australis e a Comunidade

Ponto 1

  • Criação de emprego
  • Dados resumidos depois de se ver o documentário Gaswork
    • No dia a dia de um poço comum de Fracking cerca de 170 trabalhadores estão expostos a químicos nocivos. A morte no trabalho é 7 vezes mais alta que para outros trabalhadores industriais
    • A exposição dos motoristas a compostos orgânicos voláteis durante o transporte sem as condições de segurança, causa acidentes.
    • Os trabalhadores sofrem de dores no peito, irritações dolorosas na pele e desordens neurológicas.
    • 47% dos trabalhadores em 11 poços estavam expostos a níveis de pó fino de silício 10 vezes mais do que o nível aceite
    • Muitos sofrem de cancro do pulmão por inalar areia fina utilizada como probante no Fracking
    • 80% dos trabalhadores estão expostos a níveis de benzeno muito acima das 0.1 partes por milhão

Ponto 2

Estudo de Impacte Ambiental (EIA)

  • O primeiro estudo para o furo de Aljubarrota foi recusado pela Agencia Portuguesa do Ambiente à poucos meses atrás.
  • A Australis não cumpriu com o compromisso de diálogo pró-activo e aberto com a comunidade, ao avançar com 3 EIA em um ano e nunca ter realizado uma secção com as populações locais desde 2015…
  • Se a Australis submeteu os trabalhos para os dois furos para um EIA, onde está a participação publica? Onde pode o cidadão comum consultá-lo?

Ponto 4

Operadora Responsável

“Supervisão de trabalhos de pesquisa e exploração em países como África, China, Filipinas e EUA.”

  • Nos anos 80 começou-se a divulgar massivamente o impacto das petrolíferas nas comunidades locais.
    • Em África, a violação dos direitos humanos é tradição secular. Nos anos 90, a exploração de petróleo provocou a morte de lideres tribais e violência sobre as tribos na Nigéria
    • Em 1990 os indígenas criaram a MOSOP ( The Movement for Survival of Ogoni People) para se defenderem da SPDC (Shell Petroleum Development Company).
    • Iniciaram-se massivos protestos contra a poluição e pobreza. O exercito reagiu com extrema violência.
    • Em 1995 o governo Nigeriano executa, por enforcamento 9 activistas Ogoni, incluindo Ken Saro-Wiwa

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  • China
    • A pegada ecológica da China aumentou dramaticamente nos últimos 15 anos e ultrapassou a dos EUA. A China é agora a nação com a maior pegada ecológica do mundo.
  • Filipinas
    • Em 2006 um derrame perto de Nueva Valencia, em Guimaras, Filipinas conhecido como MT Solar I provocou várias doenças em 25 adultos e 4 crianças devido à elevada quantidade de sulfeto de hidrogénio no ar excedendo o recomendado pela US- Environmental Protection Agency Provisional Remediation Goal (EPA-PRG).
    • 40.000 pessoas dependentes do mar para sustento ficaram sem recursos devido ao derrame
    • Em 2013 a Manila Bay nas Filipinas foi contaminada com um derrame de 500 mil litros de diesel, derramado na via marítima mais movimentada das águas filipinas.
    • Várias pessoas foram parar ao hospital devido ao fumo libertado pela mancha diesel.
    • Foram contaminados 20 km de costa
    • “O diesel não é persistente e irá dispersar facilmente, portanto não existe perigo para o ambiente e comunidade local.” Commodore Joel Garcia

EUA

Titulo de artigo da revista Times; Março 2018:

A ‘Major Second Wave’ of U.S. Fracking Is About to Be Unlea

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Foto: Área de Fracking na Pensilvânia. (cada área mais clara é um poço)

  • A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que a produção de petróleo nos EUA dá para cobrir 80% do mercado global petrolífero nos próximos 3 anos. Espera-se que a produção de petróleo nos EUA aumente 30% (17 milhões de barril por dia) em 2023, com o aumento da produção através de fracking no Oeste Texano
  • Donald Trump como presidente disse ser o salvador da industria do petróleo e do gás. E cedeu terras federais para a exploração do gás e petróleo.
  • O presidente Obama apresentou a estratégia “all-of-the-above” para o sec XXI para o desenvolvimento de toda a fonte de energia made in america
  • Sob a sua política “all of the above”e depois do Deepwater Horizon Spill, Obama aprovou um nr recorde de plataformas offshore. Disse “ mais trabalho de extração de gás e petróleo que no resto do mundo todo junto.”
  • Cedeu terras publicas para a exploração de gás e petróleo
  • Aprovou perfurações no Ártico
  • E aprovou uma parte do Keystone XL para transportar as areias betuminosas canadianas (Tar Sands)

Numa Shale Revolution mundial, nenhum país é uma ilha”. “Todos serão afectados”. Fatih Birol, director Agência Internacional de Energia.

Nós pouco podemos fazer para alterar o nosso modo de vida, ou a nossa dependência da industria petrolífera , mas podemos e devemos enfrentar o avanço das fontes de energia fóssil não convencional para que as gerações do séc XXI não tenham de coexistir com a industria petrolífera e todos os problemas sociais intrínsecos. E para tal não é só impedir poços perto de nós, mas impedir perto de toda e qualquer família pelo mundo! Se hoje podemos assistir a um poço de gás ou petróleo ao lado de nossa casa, ficar com a água contaminada e o que respiramos nocivo é porque ignorámos os apelos de outras famílias durante décadas, transformado em silencio pelo nosso conforto, bem estar e liberdade.

Não é só o Ar que é de todos!

A Solidariedade, a Natureza e o ser filho ou filha também…!

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Pombal e Gás de Xisto

 

No final de Setembro de 2015 a ENMC em representação do Estado assinou um contrato de concessão petrolífera com Ian Lincoln Lusted em representação da Australis Oil & Gas Portugal, com sede em Lisboa. Em 2017 a empresa iniciará estudos geológicos e geoquímicos do sob solo, para em 2020 iniciar as primeiras sondagens (perfurações) que seguirão até aproximadamente 2030, onde terá de iniciar a fase de produção, que terá um prazo de 25 anos.

No contracto está especificamente um ponto que se refere a leis para a utilização de técnicas de fracturação hidráulica, e que a única possibilidade de utilização è uma lei internacional que elimine a lei portuguesa que a poderá proibir (Para isso as corporações contam com o contracto comercial (TTIP).

Passados 5 anos da data da aprovação de cada plano geral para a produção de petróleo, a concessionária terá de terminar a demarcação dos blocos petrolíferos onde exista evidência de hidrocarbonetos. Perto do Final o contacto específica: “ A concessionária assume total responsabilidade por perdas e danos e pelos demais riscos associados á sua actividade, não existindo qualquer responsabilidade do Estado (…)”

A corporação pode entrar em incumprimento das obrigações contractuais ou atrasar os trabalhos, no todo ou em parte se for causado por “Forças Maiores”.  As forças maiores identificadas pelo estado e pela corporação são: actos de guerra, actos de terrorismo, tumultos, rebeliões ou revoltas civis, terramotos, tempestades ou catastofres naturais, explosões, incêndios ou expropriações, nacionalizações, interferência das autoridades governamentais e ainda greves nacionais ou ragionais ou conflitos laborais (oficiais ou não). Se os motivos de “Força Maior” durarem mais de 15 dias consecutivos, as Partes reunir-se-ão imediatamente para acordarem nas medidas a serem tomadas para a remoção da causa de Força Maior. Se o atrazo dos trabalhos iniciais atingirem os 3 meses consecutivos, a Concessionária poderá anular o contracto por falta de condições para cumprir as suas obrigações.

O Estado vai receber 15 euros por km2 durante os 3 primeiros anos; durante o restante tempo do peridodo inicial 30 euros por km2, na fase de produção 100 euros por km2.

A ENMC proíbe a Concessionária, bem como todas os que trabalham com ela a divulgar dados e a manter confidencial todos os dados e elementos de informação obtidos no decurso das suas actividades, não podendo transmitir a terceiros sem autorização prévia. Excepto quando obrigada por lei, por regras de bolsa de valores, para efeitos de auditoria com vista a participação nas concessões ou transações a serem celebradas com a concessionária. Os dados são confidenciais por 5 anos.

No caso de produção a Concessionária em caso de produção de gás natural, terá de pagar à ENMC, por campo petrolífero:

3% dos primeiros 5 milhões de barris de petróleo equivalente comercializados. (1 barril de petróleo equivalente são: 6000 pés cúbicos de gás= a um barril de petróleo liquido)

6% dos 5 milhões de barris seguintes comercializados

8% dos restantes barris comercializados.

A única responsável em fiscalizar os trabalhos é a ENMC.

No inico de Dezembro a ENMC teve reuniões com 12 câmaras dos concelhos de Pombal e Batalha para informação e colaboração…

 

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