C.M (Comunicação da Manha)

C.M.

Comunicação da Manha

As petrolíferas sabendo que politicamente pouca ou nenhuma pressão necessitam de fazer, e legislativamente e legalmente será preciso muito e longo trabalho de iniciativas populares ou ONG’s para as parar, nesta sua nova tentativa de encontrar uma forma viável de extrair o gás natural encontrado vira-se para aqueles que podem na verdade conseguir parar os trabalhos no local ou atrasa-los de modo a criar dificuldades econômicas que podem levar os acionistas a pensar duas vezes em continuar a investir, a população local… A Mohave Oil and Gas que esteve em Portugal desde 1993 abriu falência (2012) ao não conseguir encontra um modo economicamente viável para a extração do gás natural, o que não foi grande problema para um dos seus cabecilhas  que hoje é membro da Australis Oil and Gas (criada em 2014) como responsável pelas concessões em Portugal, e assim são 20 anos a viver de fundos, empréstimos bancários e apoios estatais para tentar manter a indústria petrolífera como a maior fornecedora de combustível para o séc. XXI, ludibriando os portugueses.

O artigo do Correio da Manhã é um excelente exemplo dos passos escolhidos pelas empresas para proteger o seu investimento, a desinformação e falta de conhecimento das populações locais… Este não é o primeiro artigo do gênero, desde 2007 que se podem encontrar vários em jornais locais, nunca falando do impacto deste tipo de extração se as empresas levarem a sua avante.

Deixamos um exemplo  do que pensa localmente sobre as concessões no oeste. neste caso partilhado pela CIM Oeste:

Região de Excelência, Projecto de Futuro

Clipping de Notícias Regionais

A necessidade econômica é sempre a jogada com hipóteses de mais sucesso numa população empobrecida que está a pagar uma divida externa e que vê o valor dos produtos a subir e o valor das suas posses a descer. Se o Estado aceita uma esmola pelas concessões, porque não pode o cidadão comum fazer o mesmo?

WALENTA-portugal

Não nos podemos esquecer que a Australis vem armada com o conhecimento de 20 anos de estudos sobre a área, sobre as pessoas e suas necessidades econômicas, com um lobbing político bem forte, com o apoio da Partex Oil and Gas, uma das maiores lobistas da exploração de petróleo em Portugal, e principalmente com a dependência social e econômica que o mundo civilizado têm de fontes de energia intensivas como as fontes de energia fóssil ou nuclear.

Passamos ao artigo:

O título diz logo da intenção deste trabalho encomendado, Petróleo em letras gordas. Há muito que no Oeste se procura extrair Gás Natural, mas a suja técnica é controversa devido aos seus impactos já conhecidos, portanto é melhor manter a discussão longe de gás natural ou Fracking… Basta olhar aos artigos e aos trabalhos da Mohave Oil and Gas, ou para doutoramentos em universidades portuguesas para se perceber qual a intenção… O truque das letras fortes que chama atenção e depois as pequenas que quase ninguém lê e que normalmente trás grandes problemas…

Prospecção e pesquisa de petróleo (ENMC):

“Nota: Foi estabelecido um grupo de trabalho para preparação de um documento de práticas recomendadas a serem seguidas durante as atividades de pesquisa/produção de “gás de xisto”.”

Quem faz parte a Comissão?

Quem faz parte do grupo de trabalho?

Mais segredos?

Do artigo em Itálico:

“Mas as pretensões esbarraram nas características do terreno: a rocha porosa impede que o gás se concentre numa câmara isolada, obrigando a múltiplos furos e retirando a pressão necessária para que o material ascenda”

Depois o artigo em si é uma “invasão” aos direitos dos habitantes locais à verdade. Utilizar o termo invasão como bom, é no mínimo… Tivemos uma padeira que ajudou a localidade a livrar-se da invasão e agora temos A Padeirinha que quer ser invadida.

Forno

 

Utilizando um rendimento momentâneo que ajudou poucos, e deixou a localidade na mesma como confirma uma das testemunhas: “Faz falta alguma coisa para animar”. A implementação da indústria do petrolífero na localidade trará tudo menos coisas para animar, e esta afirmação é confirmada visualmente e cientificamente durante os 10 anos da indústria nos EUA, passando pelo México, Perú, Canadá, Argentina, Alemanha, Polônia, Romênia, etc…

A França proibiu o Fracking, Na Polônia, Alemanha, Inglaterra, México, Argentina, Brasil, Burgos, Cantábria, País Basco a resistência está activa, em Portugal continuamos a olhar para o lado… Esperando que alguma ONG ou grupo ambientalista nos represente nessa luta, porque eles é que sabem dessas coisas. Ou pior: Não é nada comigo! Não conseguimos fazer nada!

O Estudo do Impacte Ambiental é só um passo para deixar andar as coisas… Porque ao afirmar que na fase de prospeção não vão ser utilizadas técnicas de fracturação Hidráulica, dificilmente se encontrará um motivo suficiente grave para parar o furo de teste. Parece que gastar 6.000 m3 de água em pouco mais de um ano é considerado normal por uma especulação… Num país de seca, e numa zona de agricultura intensiva (insustentável) e de subsistência, produção animal (responsável pela libertação de Metano, dezenas de vezes mais nocivo para as alterações climáticas que o CO2), a Pergunta é: Se o furo de teste que dura cerca de ano e meio vai gastar esta água declarada, quanto vão gastar na fase de exploração? Podemos falar em milhões de litros.

Ou que a destruição de 7,500 m2 de fauna e flora não é nada de grave por que são terrenos sem utilidade. Os terrenos sem utilidade serão os contaminados pelos trabalhos e deposito do seu lixo tóxico. Danos nas estradas é o menor problema das populações locais, ou o barulho das máquinas 24 horas por dia não são nada comparado com o impacto que esta indústria trás ao nível do sobsolo, principalmente na água e do ar, principalmente no Céu…

“Da parte da população, as boas experiências com as companhias anteriores servem de cartão-de-visita.”

A boa experiência foi um lucro que lhes possibilitou um ano sem problemas económicos. Ninguém da empresa lhes falou do que veem nos campos onde trabalham o resto do ano. Ou quantas vezes foram impedidos de trabalhra devido a manifestações ou leis de proteção ambiental.

“Estado ganha 8,6 milhões em 10 anos”. Pois, mas a crise apareceu na mesma, e a Troika faz-nos pagar.

Depois fiquei siderado com a opinião de uma senhora: “Aljubarrota está parada, Não há turistas. Para nós era óptimo que (viesse a prospeção)…

logo petturismo

Infelizmente, consegue-se vender tudo: Petróleo e Turismo

Das duas uma ou vale tudo para fazer algum dinheiro, ou existe muita confusão com o impacto de uma indústria de extração de gás natural na localidade e no Turismo.

“Pode ter efeitos positivos para quem tem terrenos”.

Mais uma vez a necessidade de um povo, leva-o a pensar em vender… Em Portugal estamos a vender toda a terra, sem pensar que no futuro para a maioria da população será um pedaço de terreno que lhe permitirá ser sustentável, nas dificuldades de um país em divida e com o desemprego a descer.

“Era bom que viesse a desenvolver aqui o sítio. Isto é tudo preciso, e aquela zona (das sondagens) é um deserto.”

Resultado de imagem para pennsylvania fracking

Imagem de um verdadeiro deserto. A área de fracking na Pensilvânia, uma média de poço por 0,5 km

Depois das leis de proteção ambiental muitos agricultores ficaram impossibilitados de cultivar em alguns locais, outros plantaram eucalipto. Hoje muitos desses terreno depois de vários anos ao abandono do trabalho humano, e considerados desertos ou terrenos não cultiváveis, são na verdade ricos em plantas aromáticas, comestíveis e medicinais, animais  que não existem nas hortas, nem na agricultura intensiva… Na agricultura biológica comum. São sempre terrenos recuperáveis para produção de alimentos se não estiver contaminado. Esses terrenos têm na verdade conhecimento que ajudou os nossos antepassados a matar a fome, a vencer doenças e que pode voltar a ajudar as gerações futuras, se ficarem intactos… A mentalidade, que nos educam a nós, como cidadãos, faz-nos olhar para o meio natural como recurso natural, onde ou se pode tirar vantagens econômicas ou mais vale despachar… Foi assim que se criou a indústria do Eucalipto, que era só facilitismos e dinheiro fácil… e agora a manutenção é paga pelo proprietário e não por quem necessita, planta e utiliza o produto: Papel. O lixo da petrolífera quando se for embora vai ter o mesmo resultado: resolvam vocês!

Assim a empresa vê os terrenos abandonados como um local propício para a sua exploração sem grande resistência local. Mas o recurso natural que espera conseguir só a vai beneficiar a ela, e ajudar um comércio ou outro não porque se interesse pela estabilidade local mas sim porque os seus recursos humanos (os 50 trabalhadores) precisam de comer e dormir, assim ganhamos todos, e quando for necessário o apoio aos trabalhos virá da boca de quem já beneficiou, pode vir a beneficiar, tornando-os recursos humanos da indústria petrolífera sem contracto… excelente… Um pouco como o presidente dos EUA, Donald Trump, ter conseguido várias pessoas de descendência africana ao seu lado para a presidência… As consequências de um presidente como Trump são conhecidas, as suas opiniões sobre raças superiores não é escondida: America First.

Resultado de imagem para donald trump and black supporters

“Isto é estímulo para a economia local”

Para uma ou duas economias pessoais sim, não se pode dizer que não é verdade, mas para a economia local (seja isso o que for) é completamente mentira… poucos vão ver algum lucro, a grande parte vai sofrer as consequências, incluindo os que ganharam algum. Não são precisas teorias para o debater, existem centenas de exemplos pelo mundo. Um bom exemplo do desenvolvimento, recuperação da fauna e flora e manutenção do equipamento pode ser visto aqui bem perto, no único campo petrolífero da Península Ibérica de Ayoluengo, perto de Burgos, numa zona protegida: o impacto na economia local = 0, melhorias na vida social da população em redor e fixação de jovens = 0, restauração da zona verde=0. No que diz respeito ao turismo rural e da natureza! Iriam visitar uma zona com torres de petróleo, derrames em todo o lado, um cheiro nauseabundo constante no ar e uma paisagem natural fracturada por terrenos estéreis. Ainda hoje, em locais de exploração existem poças de água que pegam fogo devido aos trabalhos dos anos 80 e 90… e esta era convencional.

Enquanto se observam os lindos e majestosos abutres e águias como fundo temos uma indústria que torna necessário a sua proteção. Quando se toma banho nas lagoas e cascatas locais, pensamos: Que pena olhar-mos a estes locais como paraíso a visitar, e manter só necessário para usufruirmos dele, e termos deixado destruir e contaminar os que existem perto de nós, na nossa terra, onde brincámos desde pequenos.

A pequena aldeia de pescadores de Aberdeen na Escócia é bem exemplo disso. A população residente ficou na mesma ou pior, a pesca deixou de ser o meio de subsistência, os novos habitantes que não tinham ligação ao local e nem o conheciam como era, hoje nem se questionam, e tudo parece bem, mas ao nível social a pobreza aumentou e Aberdden deixou de ser um local familiar, com um bem-estar popular acima da média, para uma das localidades com a pior condição social e ambiental da Escócia.

Resultado de imagem para aberdeen and oil companies

Sobre a consulta pública… e a Avaliação de impacte ambiental… bom, as barragens não pararam e não vão parar, nenhuma AIA as parou, nem para deixar um rio livre em Portugal. Vias rápidas, Linhas de Alta Tensão, nenhum estudo as parou… Campos de Golf e resorts ao longo da Costa e nas Serras, nenhum estudo as parou…Decerto não seria uma AIA que pararia o aeroporto ou o TGV. Como não há nenhuma AIA que consiga parar a monocultura de eucalipto ou agricultura intensiva. Para responder a toda esta burocracia, caso ela tenha resultados ao parar o projecto, existe o famoso PIN (Projecto de Interesse Nacional) que é tipo uma Lei Marcial para a proteção ambiental, portanto ou te mexes ou te F%#?$. Até hoje desde a idosa que viu o seu terreno de subsistência a ser dividido da sua casa pela auto-estrada, sem outro tipo de acesso à sua horta, até ao pescador que foi expulso da praia para proteger o paraíso para o turista. Nenhuma AIA evitou não só o problema ambiental, como social e cultural. Hoje existem praias privadas, campos de golf e resorts que invadiram locais onde os pobres e imigrantes vinham com as suas famílias aproveitar o bom do seu país a paisagem, as praias, o campo, os amigos.

Resultado de imagem para ~projecto de interesse nacional

Depois todo este empreendimento em novas formas de energia fóssil faz parte do plano europeu para se tornar energeticamente independente. Todo o gás encontrado, pertence às empresas, depois às necessidades europeias (que pode ser manter o português contente com um fornecimento barato ou sem cortes nas alturas altas), pode? Nada no sobsolo nos pertence a nós cidadãos ou proprietários do terreno (Nem a  água) acima das jazidas, o país não investiu, concedeu as concessões a empresas estrangeiras e temos deveres para com a estabilidade da União Europeia, portanto o Estado e alguns locais recebem umas esmolas comparado com os lucros e dinheiro a circular entre bancos e investidores, como o exemplo que tivemos do Joe Berardo e o investimento na Mohave OIl and Gas e os bancos que faliram em Portugal que lhe exigem o pagamento de dividas.…. (Como vinha uma noticia de Berardo e as sua dividas à banca na página seguinte ao do petróleo no C.M. porque não relembrar)

Para a população local fica a divida externa, a perda de terras, da água, da saúde e com um sonho destruído ou alimentado com mentiras…

Resultado de imagem para plano europeu de gás

http://resistir.info/europa/gas_israel_04abr17.html

O lobbing corporativo entrou em acção e este vai ser um ano onde vão haver bons, maus, quem sabe o que diz, quem não sabe do que fala, os histéricos, os hippies, os índios, os selvagens, inimigos da democracia, utópicos, dos arruaceiros, dos desestabilizadores, os teóricos da conspiração, os realistas, os técnicos certificados, os ambientalistas e muitos palhaços. Tudo normal desde que os trabalhos não parem.

O Correio da Manhã mais uma vez não surpreende… ao passar desinformação, dois jornalistas que ao cometeram uma gafe jornalística ou sabem mais que nós todos… Ou estão a jogar um jogo que vão perder ao falarem da ligação à rede de gasodutos nacional, não devem ter lido a AIA da Australis, porque refere várias vezes que o flaring será em princípio a tecnologia utilizada para queimar o gás extraído e aliviar pressão, e que seria melhor a possibilidade de se ligar á rede evitando assim a queima do gás, mas que precisará de autorização para tal ainda em avaliação. Porque no estudo nem está o impacto da construção do ramal de gasodutos até ao gasoduto principal.

Quem se equivocou?

Imagem relacionada

 

Do relatório apresentado pela Australis Oil and Gas:

“Uma das metodologias para o teste do poço será proceder à queima controlada do gás no sistema de queima em tocha instalado para o efeito (em inglês “flare”), com a consequente produção de emissões gasosas associadas à combustão e à perca do recurso.”

Resultado de imagem para flare and methane

A Australis pretende, se possível, utilizar como alternativa a esta metodologia a conexão à rede do Sistema Nacional de Gás Natural (SNGN), gerido pela REN, dado que um dos gasodutos da Rede Nacional passa a menos de 4 km da zona de potencial localização da parcela de sondagem. Esta alternativa é uma solução com menor impacte ambiental em termos de emissões poluentes e gases de efeito estufa, e economicamente mais razoável, caso a ligação em causa seja possível e a custos adequados”

“Não está previsto nenhum projeto de construção complementar ou associado”.

Como Ficamos?

Talvez o correio da Manha já esteja a pensar na próxima iniciativa: CM Não Esquece!

índice

Tentaremos dar a opinião sobre o EIA da Australis mais detalhadamente num próximo post..

Um pensamento:

O primeiro ouro negro nacional trouxe o mesmo dilema social, econômico, laboral, ético e moral e mesmo com muito caminho a percorrer deram-se passos em frente. Hoje se temos problemas laborais, foi porque alguém um dia alimentou a esperança de justiça, liberdade e auto sustentabilidade, essa semente espalhou-se e hoje lutamos por direitos laborais porque não temos quem trabalhe por nós de graça e sem compromissos sociais para com eles. Nesta “quarta” tentativa de beneficiar do ouro negro, nada de novo, só o recurso/mercadoria é outro. Se queremos uma sociedade mais justa e sustentável para as gerações futuras teremos de semear o que libertou os escravos, as mulheres, os anti fascistas: O direito à Auto- sustentabilidade- a verdadeira Liberdade…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s