2ª Romería-Manisfestación Contra o Fracking-Masa (Burgos)

Dia 30 de julho estivemos numa acção em Burgos a convite da Asamblea Vecinal Urbel-Rudrón, grupo local inserido na Asamblea Contra la Fractura Hidráulica de Burgos. Participamos na 2ª Romería_Manisfetación contra o fracking e não convencionais. O dia começou com a Romería (passeio) no local assinalado para o primeiro poço, na localidade, chamado de Sedano 2. No final do passeio juntaram-se cerca de 300 pessoas para escrever com os seus corpos: Fracking en Ningún Sitio, para uma fotografia aérea. De seguida fomos até á pequena aldeia de Masa bem perto do local do pretendido furo,  que tem uma das maiores fábricas de explosivos de Espanha perto de si. E querem extrair gás na mesma zona?. Na aldeia, comeu-se, e depois o grupo de dança tradicional local abriu a programação, foi seguido da banda Anti-Fracking do povo de Merindades, também ele em perigo devido ao Fracking. Podémos jogar jogos tradicionais, como a Tuta (tipo o Jogo da malha português) entre outros. Ao fim da tarde uma peça de teatro pelo grupo da Asociación Valle de Sedano, seguido de uma secção de informação e debate sobre o fracking e as empresas, com grupos de Burgos, Cantábria e Portugal. Mais começou a festa com o Titulo: Hasta Nunca BNK! (BNK, é a empresa que quer fazer fracking em Burgos.) A festa começou com música variada, seguido de um grupo que junta Cumbia Chilena, Teatro e histórias populares com um excelente espetáculo. A noite foi até de madrugada com a banda RKR (Punk Rock).

Foi um dia sempre a acontecer coisas desde as 8.00 da manha. Montámos sombras no local da fotografia aérea e distribuímos água pelo pessoal que estava pelo caminho para o indicar ás pessoas que vinham participar. Quando o sol estava alto, fomos todos para o local previamente marcado para fazer as letras para a fotografia aérea, uma MNS para as petrolíferas. Depois o almoço eram Patatas tradicionais. Para desmoer o almoço fomos jogar a Tuta com os populares da terra, deitar à sombra, banhar-se na fonte, ouvir a música que passava, falar das experiências, etc. Eu, reencontrar pessoas que tinham estado comido em 2015 quando da ida ao Espeleo rock: Festival Anti Fracking e à Frackanpada. O teatro da população que dá o nome á concessão: Sedano, apresentou uma peça de comédia popular que a população adorou. Depois fizemos uma assembleia popular para falar das concessões locais, dos problemas, discutir as vantagens e desvantagens, partilhar as experiências dos grupos de Cantábria, Burgos e de Portugal. Populares locais gostaram de ouvir o testemunho que levei, da acção dos locais em volta do furo de Sousa Cintra na Concessão de Aljezur, que levou ao cancelamento da mesma devido á insistência dos locais em voltar ao local tirar fotos e pressionarem para se saber o que se passava ali, o que levou o Estado a investigar e a anular o contrato por ilegalidades da Portfuel. Lá, como cá, tentaram enganar a população em redor dos furos com mentiras. Porque Masa, e em seu redor são povos pequenos que nada sabem o que se passa, perguntam muito e debatem bastante… Depois foi relaxar, e aproveitar a festa que estava montada no centro da aldeia. A esta altura já homens dos seus 90 anos  (alguns que estiveram na assembleia, com os filhos e netos) e crianças se tinham retirado. Mas muitos populares da aldeia e arredores assistiram ao espetáculo do grupo El Bombo Do Diabo, musica, teatro, contador de histórias ao ritmo da Kumbia Chilena. Depois concerto de punkrock, RKR uma banda com jovens (alguns menores) com mais de 50 covers de bandas míticas Bascas, de Burgos e de outras zonas autónomas como Eskurboto, Polha Record, de bandas locais, etc… até às 4 da manha… alguns resistentes ainda foram á festa tradicional no povo Pedra. Eu dormir… Desde essa noite o Rio que passa debaixo de casa, embalou-me durante a estadia com o seu som ao se desviar das pedras, ao fazer festas nas plantas, ao empurrar os lagostins que tentavam subir a corrente, contava histórias com o vento em dueto…

 

 

Na manha seguinte, dia 1 de agosto (para não me perder) foi relaxar no Lo Molino. Lo Molino é uma moinho antigo com uma grande casa de pedra, que estava condenado ao abandono, agora está a ser recuperado para habitação com uma área grande onde se vão realizar eventos anti fracking e outros para ajudar na campanha de divulgação, investigação e acção da Assembleia de Burgos, sempre protegendo a horta. Nesse dia não fizemos nada, iniciamos ambos a recuperação do mês anterior, eu da Bicicletada e eles da preparação da Romaria-Manifestação. No dia 2 começamos a falar sobre as nossas experiências, dos locais em perigo na zona devido ao Fracking, do campo Petrolífero de Ayoluengo, dos estudos que falam do mau aproveitamento dos campos eólicos devido à sua má localização, que  estão em parque natural e perto do campo petrolífero, quase que se misturam… Pois é, o campo petrolífero está no Parque Natural de las Hoces del Alto Ebro y Rudrón. Depois uns foram ensaiar, outros fazer artesanato, outros construir um  local de composto para os dejetos da casa de banho seca, para ser usado como adubo na horta. A loiça era lavada no rio com sabão natural caseiro. De noite a luz era alimentada por uma bateria de carro ou de luzes que passaram o dia a carregar ao sol. No dia 2 de Agosto fomos tomar ao Rio Rudrón ameaçado pelo Fracking, e comer pizza Vegan numa aldeia com 20 casas à beira de um belo rio… No dia 3 fomos mandar uns mergulhos no Pozo Azul, um poço natural com mais de 13 km de comprimento, vários braços que criam várias pequenas lagoas de água verde esmeralda… No dia 4 fomos visitar a cascata mais conhecida dos povos vizinhos, que atravessa uma pequena aldeia de pedra vinda perto da entrada de uma grande gruta, uma paisagem que toca profundo, quando nos lembramos que tudo o que vivemos nestes dias está em perigo devido ás petrolíferas. Durante tudo o dia a dançar no céu andavam sempre os Abutres, majestosos lentos, contemplativos, os reis dos montes em igualdade com a Águia Real, que muitas vezes era só aparecia como uma silhueta que aparecia a caminho do Sol. No fim da tarde, a caminho de casa fomos ao Campo Petrolífero de Ayoluengo, Sargentes de la Lora (onde se encontra o Museu do Petróleo. E sim, mais uma vez em Parque Natural), Burgos, o único da Península Ibérica, que está a ser estudado para estimulação dos poços convencionais encerrados ao longo dos anos. Ainda tem vários poços a extrair petróleo convencional e a injectar o lixo tóxico no sobsolo, ao todo foram mais de 50 poços desde os anos 60, hoje estarão uns 6 a funcionar. Com o Fracking querem estimular algumas dezenas que estão encerrados . O Cheiro é indiscritível -muito tempo dá vómitos- o barulho constante dos motores das bombas a imitar cegonhas é uma tortura, os motores funcionam com o gás que saí da extração.

No outro dia, foi dia de voltar, com a união entre grupos mais fortalecida e com algumas ideias para o futuro para que nos possamos apoiar, colaborar, estar nas dificuldades e estar nas vitórias em conjunto… até lá.

Fracking e Não Convencionais; Nem aqui, Nem em Lado Nenhum! Não às Petrolíferas!

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