Africa e Tar Sands

Angola

 Exploração oil shale na província de Bengo, perto da capital Luanda, com um valor estimado de 4,5 biliões de barris de tar sands. A exportação tradicional de Angola está a começar a tremer.

Etiópia

3,9 biliões de oil shale localizadas na província de Tigray, na fronteira com Eritrea. Existiram conflitos e existe uma constante tensão no ar entre os dois países, devido à decisão da N.U. de ceder parte da província à Eritrea. Existe um depósito de 100-120 milhões de toneladas a sudoeste de Addis Ababa, na exploração de carvão Delbi Moyen.

 Madagáscar

 Os maiores campos de exploração tar sands em Madagáscar são em Bermolanga e Tsimiroro, ambos localizados a região oeste de Melaky na provincia de Mohajanga tem aproximadamente 70 km2 de área.

O campo de Berlonga estima-se conter mais de 16,5 biliões de barris no local, com mais 10 biliões recuperáveis. Madagáscar Oil, baseada em Houston, actualmente a maior onshore operadora de petróleo no país, estima que uma produção completa pode produzir mais de 180,000 barris por dia durante 30 anos. A profundidade do campo de Bermolanga é de 15 metros, ideal para extracção a campo aberto.

No campo de Tsimiroro, as estimativas variam. Madagáscar oil tem como estimativa máxima 4,5 biliões de barris no local com uma capacidade de produção de 100,000 barris por dia durante 20 anos. No entanto, uma estimativa independente estimou em 2009 era só de 3,5 biliões de barris, com 900 milhões recuperáveis. A profundidade do campo e de 40 a 300 metros, portanto o petróleo precisa de ser extraído através de altos vapores de produção in situ.

 

Investimentos e desenvolvimento

O campo de Tsimiroro é 100% da Madagáscar Oil, enquanto o de Bemolanga é 60% da total e 40% da Madagascar Oil. Um projecto-piloto de injecção de vapores em 2008 em Tsimiroro produziu cerca de 150-200 barris dia, e a Madagáscar Oil perfurou 50 poços na área em 2007 e 2008. A partir de 2010 a aventura conjunta irá levar acabo outro projecto-piloto, desta vez por 3 anos, antes da decisão de proceder com um campo desenvolvido comercialmente.

A Total pagou $100 milhões pelos seus 60% no campo de Bermolanga em Setembro de 2008, ficando o único operador e “acordaram um programa de perfuração por 2 anos, 130 poços adicionais, com um custo de $200 milhões. Estima-se que o desenvolvimento do campo custará entre $5 a $10 biliões. No seu website, a Total diz”Um trabalho está a ser feito para confirmar que a licença tem fontes suficientes para desenvolver operações de minagem, começando em 2020, para uma produção potencial de 200,000 barris dia.

O Production Sharing Contract assinado para ambos os projectos é mais viável a favor das empresas de petróleo que a exploração semelhante no campo petrolífero de Kashagan no Kazaquistão. 90% d1o petróleo recuperado é considerado custo ( que vão para cobrir os gastos das empresas na exploração), com os restantes 10% de petróleo produzido dividido 90/10 entre a empresa e governo por 10 anos, 80/20 nos seguintes 10, 70/30 nos próximos 10, e 60/40 até ao fim, o que significa que depois de 50 anos o governo de Madagáscar só receberá 4% do petróleo. A Madagáscar Oil diz que o contracto “foi negociado numa altura favorável e continha condições e termos atractivos”, diz alguma coisa sobre a sua ética.

 

Assuntos sociais e ambientais

Na fronteira este do campo de Tsimiroro está a reserva natural de Tsingy de Bermeraha com 1,520 km2. Área com florestas virgens, escarpas, pântanos e espécies raras de animais (Único sitio do mundo onde se pode encontrar o Armoured leaf cahmaleon). Cerca de metade da floresta nem está aberta ao turismo. Apesar disto a UNEP diz” não há planos de manutenção nem zoning… as fronteiras não estão traçadas (…) esforços estão a ser feitos para patrulhar a ares ou prevenir infracções legais. A este de Bermolanga esta situada a reserva de Ambohijanahary. Existe muito pouca informação pública sobre esta área. Madagáscar é um território bastante bio-deversicado, com mais de 2/3 das espécies serem endémicas.

A oeste de Madagáscar é parcialmente povoado, com uma densidade de 0 4 pessoas por km2. Na comunidade de Ankisara, a localização do campo de Tsimiroro, tem uma população inferior a 3000 pessoas. Enquanto o baixo nível populacional representa menos pessoas em risco de deslocação devido aos projectos tar sands, também significa que as poucas pessoas que habitam naquela área têm menos possibilidades de se defender contra as empresas. Riscos futuros incluem os baixos níveis de pobreza em Madagáscar, o World Food Program diz que 60% da população é extremamente pobre e com baixos níveis de educação.

A situação política é instável. O governo actual é considerado ilegítimo pelos EUA e a UE e está suspenso da África Union.

O que deixa adivinhar que os problemas ambientais e sociais provocados pelas tar sands foram ser lidados de forma pouco transparente.

 Trinidade e Tobago

Em 2009 Petrotrin, empresa nacional de petróleo, obteve licença para explorar o deposito tar sands  no campo Parrylands/Guapo field, a sul de La Brea Pitch Lake. O governo diz ter uma reserva de 2 biliões, apesar de outras organizações darem o número 900 milhões.

” Trinidade e Tobago está a tentar seguir o modelo de extracção de Alberta, Canada” Ministro do petróleo de Trinidade

 Egipto

Única extracção tar sands é no campo Issaran, a sul do Cairo perto do golfo de Suez. Parte pode usar métodos convencionais de extracção, mas existem 64 milhões de barris que só podem ser recuperados pela extracção in situ steam. O campo já foi explorado pela Scimitar Hydrocarbons e mais tarde pela Rally Energy, mas em 2007 a Rally vendeu os seus interesses na exploração á Citadel Capital Company e á Egyptian National Petroleum Company por $868 milhões. A produção no seu pico atingirá 10,000 barris por dia.

Oil shale, o depósito Safaga-Quseir encontra-se na cintura e fosfato no deserto, adjacente ao mar vermelho, e contem cerca de 4,5 biliões de barris. Até á pouco tempo era considerado financeiramente caro, mas em 2008 o ministro do petróleo “ordenou os seus departamentos a acelerar a revisão dos gastos (…) para se aceder às oil shale. Uma companhia canadiana com experiencia em Alberta, a Centuty Energy, foi contratada para estudar os depósitos e sugerir a melhor maneira de desenvolver comercialmente.

 NIGÉRIA

 O “Bitumen belt” está localizado a sudoeste do país, alongando-se por cerca de 120 km da costa passando pelos estados de Lagos, Ondo, Ogun e Edo. Os poços mais importantes encontram-se na região de Ikale no estado de Ondo. Em 2009 o governo da Nigéria estima ter 27 milhões de barris, com reservas provadas de 1.1 milhões numa área de 17 km2.

O ministro das minas dividiu as áreas em 3 blocos. Bloco A estima-se ter 4,170 km2, bloco C aproximadamente 3,707 km2. Uma fonte noticiosa africana diz “3 blocos de bitumen com uma reserva provada de 1 bilião de barris de equivalentes ao petróleo (boe), 21 biliões boe e 43 biliões boe” com uma referência ao depósito com 43 biliões de barris na região de Ikale

 

Investimentos e desenvolvimento

De acordo com o ministro das minas, o bitumen foi descoberto em 1900 e nos últimos 50 anos houve varias tentativas de explorações. Entre 2001 e 2008, foram feitos 40 buracos de extracção e etiquetadas as amostras pelo ministério e em 2002, Cocono Energy NIgéria levou a cabo um estudo da cintura de bitumen.

Em Janeiro de 2003 as companhias da Nigéria Nissand e Beecon ganharam a licença para os blocos 307C 3 307 B respectivamente. AS licenças foram canceladas em 2007 depois de as companhias terem encontrado dificuldades técnicas e tiveram problemas em angariar fundos.

Quando as licenças foram adjudicadas activistas protestaram que os acordos foram feitos em segredo, sem consultar as comunidades locais, e nem estudos de impacto ambiental. Em 2006 foi reportado que a companhia Chinesa Sinopec, em conjunto com a companhia chinesa de engenharia CGC Overseas, adquiriu direitos ao bloco Bitumen 2 por $18,6 milhões. Um porta-voz do ministério de minas disse que a venda de outro bloco foi suspensa, porque a oferta era ridiculamente baixa”.

O Mining act de 2007 foi descrito pelo ministro como um meio para criar e melhorar “enabling enviroment” para investimentos estrangeiros no sector, que inclui taxas favoráveis e regimes fiscais e politicas de “investimento amigável”, e u m programa de privatização para divest o estado do sector. O governo declarou em 2009 o seu desejo de “rapidamente desenvolver fontes de desenvolvimento social e económico” anunciou também uma proposta para dois blocos para estar pronta em Setembro de 2009.

De acordo com notícias, 16 companhias vindas dos EUA, Canada, Nigéria, América do Sul e China expressaram interesse, e o governo também sentiu interesse de outros altos jogadores. No entanto, devido a crise de estabilidade do pais em 2009 as explorações parecem ter estagnado, no entanto dado o investimento em petróleo por multinacionais na Nigéria, parece certo a exploração das tar sands na Nigéria.

 

Impactos sociais e ambientais

A Nigéria é emblemática, é um país rico em recursos naturais que pouco impacto em termos de desenvolvimento humano e sobre de mais desigualdade económica do que regiões com menos recursos. A economia da Nigéria depende bastante de petróleo e gás, que constituem 83% dos ganhos do governo federal em 2008, e o país ganhou cerca de “370 biliões do petróleo desde 1965. Como resultado, a Nigéria sofreu da “Dutch Diease”, nomeadamente um declínio de competitividade e produtividade nos sectores não dependentes do petróleo, altos níveis de pobreza, corrupção, más infra-estruturas e serviços sociais, conflitos constantes entre o governo e comunidades locais dos locais de extracção de petróleo, e lideranças autoritárias (fascistas), incluindo a ditadura militar entre 1983 3 1999.

A região de Ihale no estado de Ongo é certamente um dos locais mais afectados pelas ta sands. Numa entrevista em 2008 o presidente das Ikale central Organization, Donald Oguntimeiyin, disse, ” os nossos cidadãos são naturalmente tolerantes e preparados para sacrificar o que for necessário para levar a exploração das tar sands avante. O que os investidores vão gostar do nosso povo é a total cooperação (…) Se o projecto requer um terreno, os afectados por isso irão compreender e mudar para outro lado”, sugerindo a possibilidade de deslocamentos em favor das tar sands.

Em 2003 uma conferência organizada pela Enviromental Rigths Action foi atendidda por representantes das comunidades da cintura de bitumen, que resultou num comunicado muito crítico que dizia: “o público tem sido mantido muito mal informado sobre os impactos sociais e ambientais da exploração do bitumen e como anulá-lo…Agencias governamentais relevantes foram convidadas a comparecer no encontro mas caracteristicamente não apareceram… Os locais estão revoltados com o governo e com as empresas… mais grave algumas tribos foram marcads para recolocação para permitir a exploração contínua de bitumen…estamos preocupados que o governo repita a aproximação que usou no Delta do Niger, que acabou em guerra e terror.

 

REPÚBLICA DO CONGO

 Em Maio de 2008, a Eni e o ministério da energia do Congo assinaram um acordo para um investimento nas tar sands, oleo de palma e electricidade no País. O acordo oferece à Eni o direito de explorar tar sands num território de 1,790Km2 no Sul do país perto da capital do petróleo Pointe-Noire. Uma das áreas vai desde a fronteira com o enclave angolano de Cabinda até ao parque nacional Conakouati-Douli na fronteira com o Gabão.

A Eni declarou publicamente que nenhum dos seus projectos tar sands ira ocorrer em floresta tropical ou outras áreas de grande biodiversidade e não envolverá o desalojamento de pessoas, e que isso violava as suas políticas. No entanto estudos internos feitos pela companhia revelam que a zona das tar sands é 70% coberta por selva tropical e outras áreas de grande biodiversidade, e contem acampamentos humanos.

Investimento e desenvolvimento

 A Eni investiu cerca de $3 biliões nos e projectos e iniciou uma serie de estudos de amostras nas zonas tar sands. A companhia declarou que a área contém pelo menos 500 milhões de barris identificados, com o potencial de se descobrir mais 2,5 biliões de barris. O recurso esta profundo, 100 a 200 M, portanto exige tecnologia de extracção in situ

Impactos sociais e ambientais

A companhia disse que não iria usar os métodos de extracção canadianos, mas não diz que tecnologia irá usar. Sem esta informação é impossível prever o impacto do empreendimento nas comunidades locais e no ambiente.

O Congo é cerca de 60% floresta e a floresta não é só uma fonte de subsistência para as pessoas mas também uma grande área de protecção da camada de ozono. A zona de exploração também fica perto do parque nacional Conakouati-Douli que é o habitat mais diverso e ecológico no Congo, contem espécies ameaçadas, e estende-se até a biosfera Dimonika, área reconhecida pela UNESCO.

Um assunto para o futuro é o plano de carbono da Eni para reclamar créditos de carbono sobe o UN Clean Development Mechanism para a nova estação energética, dizendo que vai reduzir as emissões de queimas de gás no campo de M’Boundi. No entanto a queima de gás já é ilegal nas leis do Congo, portanto não é claro se o projecto será qualificado. E ainda por cima a estação de energia vai produzir energia para o projecto tar sands, com emissões de 3 a 5 vezes mais elevadas que o petróleo convencional.

De uma perspectiva social Os biliões de dólares ganhos com a extracção de petróleo nunca chegou para resolver os problemas sociais do povo, um dos países mais mal qualificados no Index of African Governance. Os acordos entre as companhias e o governo não são de conhecimento público e ainda não consultou as comunidades locais afectadas pelas tar sands.

 

Marrocos

 Existem 10 depósitos de Oil Shale em Marrocos, os 3 mais explorados são em Tanger, perto do Mar Mediterrâneo, Timahdit, a este da capital Rabat e Tarfaya, na fronteira com Western Sahara. As reservas estão calculadas entre 50 a 500 biliões de barris.

A zona de Timahdit tem cerca de 196 Km2 e contem calculados cerca de 16,1 barris de petróleo.

Tarfaya tem cerca de 2,000 Km2, com 22,7 biliões de barris. Enquanto em Tarfaya o crude está perto da superfície suficientemente para ser desenvolvido através do processo de minagem. Tmahdit será uma mistura de minas e extracção in situ. O deposito de Tangier, esta desde centímetros a 8 metros da superfície e contem cerca de 2 biliões de petróleo.

Investimentos e desenvolvimento

Marrocos depende bastante da importação de energia, dai o interesse do governo em explorar as Oil shale. Omar Bekri, ex chefe do departamento de Pesquisa e desenvolvimento na Marrocan National Oil Company, estima que com a produção de 50,000 barris por dia, recuperava-se 40% da energia marroquina. Devido a isso, o National Office of Hidrocarbons and Mines diz que as autoridades marroquinas decidiram elaborar uma nova lei e atractivos fiscais para os projectos OIl Shale, para encorajar grandes empresas a investir.

Em 2008 a ONHYM empregou a companhia brasileira Petrobras para avaliar o depósito de Timahdit  na esperança de confirmar os estudos feitos em nos anos 80 e para prepare a viabilidade do projecto. A Total juntou-se ao projecto assinando um acordo de cooperação dizendo: “ Petrobras é dona de um processo de extracção Oil Shale (…) Total, no entanto, tem as ultimas tecnologias e um conhecimento profundo da região”.

 Em Julho de 2009, a companhia irlandesa San Leon Energy anunciou um contrato de 3 anos com a ONHYM para usar “in situ extração com vapor” no depósito de Tarfaya. A primeira fase de testes deve estar finalizada em 2010”

 A ONHYM também assinou um contracto para o campo Tarfaya, com uma empresa de nome Xtract e “um acordo confidencial” no campo de Tangier com uma empresa de nome Enefit.

Xtract Energy é uma empresa multinacional sediada em Londres, que detêm 70% da Extract Energy Marrocos, com os outros 30% a pretenderem ao príncipe Bandar da Arabia Saudita. Desde 2009, as condições para o investimento melhoraram, e espera-se arrancar com o projecto ainda este ano. A Enefit é uma empresa subsidiária da Eesti Energia, empresa da Estónia. O Chefe da Eesti diz “ confiante depois do sucesso na Jordânia, estamos prontos para exportar o nosso petróleo único para outros países interessados na utilização de OIl Shale como Marrocos.

 

Assuntos sociais e ambientais

O depósito de Trafaya espalhasse pela fronteira de Marrocos e o território Western Sahara, uma zona com pouca população no centro de dispustas politicas. Desde que a Espanha abandonou o território, em 1975, existem constantes confrontos entre movimentos para a independência (Polisário) e o governo de Marrocos. Marrocos controla 80% do território, chama-lhes as províncias do Sul, com uma “free zone” controlada pelos Polisários. A zona livre contem cerca de 30,000 pessoas, e outros 90,000 Sahrawis vivem como refugiados nos campos á volta de Tindouf, Algéria.

 Em, 1981, King Hassan de Marrocos anunciou que um referendo iria ser apresentado sobre o Western Saharan, mas nunca aconteceu. Western Saharan é conciredao pela UN um território “sem auto-governação”. Apesar dos constantes comfrontos e revoltas, Marrocos controla firmemente partes do território e administra a extração de petoleo, que está a legitimar a ocupação continua da região.

 Do ponto de vista ambiental, o depósito de Timahdit fica perto dos parques nacionais, Ifrane e Haut Atlas Oriental. O primeiro contém a maior floresta de Atlas ceder e uma população de Barbary apes. O segundo é usado para a pastorícia e agricultura, com 18.000 pessoas a usar os recursos do parque. O governo marroquino diz ter levado acabo estudos ambientais em ambos os projectos.

 

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