Arquivo da categoria: GÁS DE XISTO (Shale gas)

Em Portugal as corporações reviram o sobsolo da Zona Oeste, mais concretamente em Alcobaça á procura de gás de xisto economicamente viável. A sua “galinha dos ovos d’ouro” são os concelhos de Bombarral, Cadaval e Alenquer. Já assinalaram a Península de Setúbal e o Baixo Alentejo como possível fonte de gás de xisto. Em 2015 a Partex Oil and Gas (Gulbenkian) anunciou o Algarve e a Zona da Serra da Ossa, Estremoz, como locais a estudar.

O gás de xisto ou gás não-convencional é gás natural encontrado no interior de rochas sedimentares denominado xisto argiloso. Comprimido no interior da rocha sedimentar porosa, o gás de xisto é explorado através de uma tecnologia denominada fraturamento hidráulico. A extração do gás de xisto é polêmica, pois o processo de fraturamento hidráulico pode gerar contaminação de lençóis freáticos e da água potável que os cidadãos consomem. O risco ambiental envolvido na extração do gás, ocorre com a utilização de uma mistura tóxica de aproximadamente 600 produtos químicos, e milhões de litros de água. De fato, em fins de 2010, a Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana, num relatório de atualização sobre as emissões de gases de efeito estufa da indústria petrolifera concluía que a extração de gás de xisto emite mais metano que aquela de gás convencional. Pesam ainda sobre a atividade a suspeita de ter culpa no cartório no aumento significativo na frequência de tremores de intensidade igual ou superior a 3 na escala Richter na região central do continente norte-americano. O serviço geológico dos Estados Unidos, coletando dados desde 2001, concluiu que a atividade sísmica na região, em 2011, seria seis vezes superior à média do século 20.

Um pesquisador do Centro para Pesquisa e Informação sobre Terremotos dos EUA, da Universidade de Memphis, opina que a injeção de água em falhas geológicas tende a causar sismos devido ao escorregamento das mesmas. Há pelo menos um caso de sismo inequivocamente relacionado à extração de gás de xisto, no noroeste da Inglaterra, em 2011. Ele levou a empresa Cuadrilla Resources a suspender todas as suas operações.

Oeste Sustentável e Gás de Xisto?

Convenção “Low Carbon de um OesteSustentável“

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15-07-2014

A OesteSustentável – Agência Regional de Energia e Ambiente do Oeste em parceria com a OesteCIM – Comunidade Intermuniacreagestatus_hres_ptcipal do Oeste organizou nos dias 9 e 10 de julho, a Convenção “Low Carbon de um OesteSustentável – Desafios e Oportunidades, na sede da OesteCIM, em Caldas da Rainha. Depois de um primeiro dia de convenção em que foram apresentados os Planos de Ação para a Sustentabilidade Energética do Oeste (SEAP’s) dos Municípios da Região Oeste, assim como o de outros em fase de implementação, foram debatidos e ajustados pelos técnicos dos municípios presentes, as medidas prioritárias para cada um dos municípios.

(A área do OesteCIM é muito semelhante à área de gás de xisto em Portugal, onde, se a exploração de gás de xisto ou de petróleo não convencional não for parada irá aumentar os gazes efeito de estufa como o Metano ou o carbono (CO2). A poluição é um novo negócio, o de carbono é de biliões, e mais uma vez o lobbing financeiro prepara-se para encher os bolsos:

Video: Cap and Trade ( negócio do carbono)

Foi de seguida apresentado o Observatório Low Carbon (Observatório de Energia e Ambiente dos Municípios Associados da OesteSustentável), sublinhando-se o seu papel na monitorização da aplicação e adaptação das medidas constantes nos SEAP’s, num almejado objetivo de desenvolvimento sustentável, suportado num crescimento económico e numa qualificação ambiental, numa perspectiva de ação local com uma consciência global. Foram posteriormente apresentados diversos mecanismos de financiamento, incentivos e oportunidades na área da eco-eficiência e energia que possibilitarão a implementação destas medidas. O evento concluiu-se com a entrega de um certificado de compensação das emissões associadas a este evento a cada um dos autarcas, tendo sido posteriormente assinado o Pacto Low Carbon para a Sustentabilidade Energética dos Municípios Associados da OesteSustentável.

No discurso de encerramento, o Eng.º Humberto Marques, Presidente do Conselho de Administração da OesteSustentável agradeceu à equipa da OesteSustentável, OesteCIM e técnicos municipais, mencionando que este é o resultado de um longo caminho, iniciado com a elaboração da matriz energética e carbónica da região, destacando também que este “…foi hoje um sinal de grande visão para o futuro…” e concluiu mencionando que a região assumiu esse compromisso, para uma melhor equidade e coesão territorial, afirmando que “É o início de um longo caminho e um caminho feito com um compromisso.”

Os 12 municípios do Oeste comprometeram-se a executar várias medidas que irão permitir reduzir, até 2020, 20% das emissões de carbono e contribuir para a sustentabilidade energética na região. Actualmente na região Oeste são produzidas, por ano, 1,8 toneladas de carbono  No entanto, e de acordo com  o presidente da Agência Oeste Sustentável, Humberto Marques, serão tomadas medidas na área dos edifícios, mobilidade, energia, sector doméstico e dos transportes urbanos, onde encaixa a Linha do Oeste. O responsável considera que é fundamental que haja uma “coesão” intermunicipal bastante firme relativamente à linha férrea pois “não basta tê-la a funcionar, é preciso que tenha muita inovação e possa responder aos desafios do futuro, de uma certa descarbonização”.

Actualmente a iluminação pública, em termos da electricidade consumida pelas autarquias, é a área mais poluente, seguida dos transportes. No entanto, em termos macro, na região é o sector dos transportes que mais emissões faz. Trata-se de um  “sector bastante complexo e difícil de se intervir”, reconhece Rogério Ivan, director executivo da Oeste Sustentável, mas acrescenta que grande parte desse consumo acaba por ser comportamental, “ao pisar mais ou menos no acelerador”. No que se refere às empresas de transportes importa que algumas delas possam modernizar a sua frota e instalações para se tornarem mais “low carbon”.

O responsável destaca o papel da educação e sensibilização, por parte dos organismos públicos, no que respeita ao estímulo à utilização de meios de transporte menos poluentes. Esta posição foi corroborada por Humberto Marques, que destacou que a aposta na redução das emissões de gases de efeito estufa não pode estar limitada ao poder local e central, mas que tem que ser feita em conjunto com os cidadãos, pedindo que também estes colaborem com boas práticas a nível energético.

A assinatura do pacto “low carbon para a sustentabilidade energética dos municípios associados da Oeste Sustentável” foi o culminar de dois dias de convenção, onde especialistas, técnicos e representantes das áreas dos transportes e energias renováveis discutiram as medidas a utilizar para reduzir as emissões, assim como os casos de sucesso que existem a nível nacional nesta área. Com esta tomada de posição conjunta, os autarcas oestinos pretendem colocar-se na linha da frente para a obtenção de apoios comunitários no âmbito do novo quadro. O pacto para a sustentabilidade energética foi também assinado pelo município de Odivelas que, não tendo uma agencia de energia, associou-se ao Oeste.

Para monitorizar o plano delineado pelas autarquias foi criado o Observatório Low Carbon, que periodicamente irá avaliar se as medidas propostas estão a ser cumpridas e, nos casos em que seja necessário, recomendar novos procedimentos. Composto por uma pequena equipa de três membros (um da Oeste Sustentável, outro da OesteCIM e um terceiro da RNAE – Associação das Agencias de Energia e Ambiente), tem como eixos estratégicos, alem das reduções de carbono de cada um dos municípios, a valorização dos recursos energéticos da região e o desenvolvimento de acções de cooperação inter-regional.

De acordo com o coordenador do Observatório, Luís Fernandes, os municípios de Óbidos e Torres Vedras destacam-se na aplicação do plano para a sustentabilidade energética, enquanto que os outros têm aplicado apenas algumas medidas avulsas.

A OesteSustentável foi definida em 2010. Assume compromissos na área da energia, resíduos, fundo regional de carbono, educação criativa para a sustentabilidade, entre outros.

Sua missão: Ser uma Agencia modelo na implementação para a promoção da Gestão Sustentável.

Visão: Agência inovadora para o Combate às alterações climáticas.

Valores: inovação, Cooperação, rigor e responsabilidade

Orgãos Sociais:

Presidente :Eng. Orlando Costa Ferreira, Administrador executivo da Rodoviária Tejo

Primeiro secretário: Eng.o António leal Sanches, director regional da EDP

Segundo secretário: Dr.a Alexandra Batista, AIRO – Associação Empresarial do oeste

No conselho da administração está:

Drº Nuno André Oliveira Mangas pereira, Instituto politécnico de leiria

Entre outros, nos quais vários presidentes de câmara

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Impactos ambientais das actividades de extracção de gás de xisto e de óleo de xisto

Movimento Anti-Extração Gás de Xisto, Barreiro

Intervenção de João Ferreira no Parlamento Europeu

http://www.pcp.pt/impactos-ambientais-das-actividades-de-extrac%C3%A7%C3%A3o-de-g%C3%A1s-de-xisto-e-de-%C3%B3leo-de-xisto

Recomenda-nos o mais elementar bom senso que, no mínimo e desde já, se imponha uma moratória na exploração de jazidas de gás e petróleo de xisto.

Os impactos ambientais associados à exploração destas jazidas são significativos e muito negativos. A fracturação hidráulica, a injecção de químicos poluentes, eventualmente tóxicos, nos maciços rochosos acarretam necessariamente uma enorme instabilidade desses maciços e a degradação de recursos hídricos subterrâneos ou dos cursos de água drenantes dos maciços xistentos.

Só estes impactos seriam motivo para banir a exploração destes recursos. No mínimo, fiquemos pela moratória.

Além do mais, não está comprovado que seja positivo o retorno da quantidade de energia consumida em tão extensivo e intensivo método de extracção.

Seria interessante conhecer, se é que existem, os resultados de uma avaliação do retorno de energia por energia investida (uma avaliação…

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Fracking sem água e créditos de carbono. Um bom negócio!

A captura de carbono é a nova musa das corporações e de muitos grupos “verdes”.  Os problemas que criavam estão ser renovados em lucro. Mais uma vez a industria do fracking quer fazer passar a imagem de que está preocupada com o impacto da sua exploração. Mais uma vez as dificuldades e poluição inseparáveis do fracking não são resolvidas, nem se mostra abertura para tal, apenas se disfarça fazendo dinheiro. Este documento é uma defesa da utilização de Dioxido de Carbono como solução para os problemas da industria com a água e emissão de gases efeito de estufa.

O Dioxido de carbono é um negócio de biliões, retirado da destruição dos ecossitemas, e do bem estar geral. Além disso a industria do fracking liberta Metano suficiente para nos preocuparmos, mas desse não falam.  Porque ainda não arranjaram desculpa… A preocupação das corporações é melhorar a tecnologia e retirar lucro, não melhorar as condições da vida global.

Fracking sem água

Quando o fracking se realiza em regiões áridas está a chamar a atenção para técnicas livres de água

Porque é importante?

Perfurar para gás natural utilizando a técnica hidrofracking normalmente requer enormes quantidades de água.

carbono_creditoNo fracking convencional para shale gas, enormes quantidades de água tem de ser transportada por grandes camiões cisterna para se perfurar .

O Fracking, utiliza enormes quantidades de água injetada em poços sobre grande pressão para ajudar a libertar o gás natural e petróleo dos depósitos nas rochas. Mas muitas das grandes fontes de shale gas encontram-se nos desertos, tornando a técnica quase impraticável.

È possível fraturar formações rochosas sem utilizar água. As corporações de petróleo e gás tem utilizado Dióxido de Carbono por décadas, no entanto em bases limitadas. Mas se esta aproximação for utilizada em larga escala, irá requerer um maior investimento nas infraestruturas para armazenar e transportar o dióxido de carbono para os locais de perfuração. E em alguns casos o preço de emissões de carbono pode ser a única maneira da economia funcionar.
Nos EUA, o gás natural abundante disponível pelo fracking levou a uma grande mudança do carvão para este combustível., reduzindo as emissões efeito de estufa (“Natural Gas Changes the Energy Map”). . Mas as shale gas estão em lugares como a China, onde se estima ter mais 50% desta fonte que os EUA.

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No momento fracking com Dióxido de Carbono é utilizado, como Wyoming, que já tem gasodutos para dióxido de carbono. A economia por si podia justificar construir mais em alguns locais, diz Robert Dilmore, engenheiro de investigação no U.S. National Tecnology Laboratory

Em outros casos construir gasodutos pode requerer uma ajuda dos governos. Um preço no carbono, por exemplo, pode criar um bom fornecimento barato de dióxido de carbono ao dar utilidades de incentivo para a captura de dióxido de carbono das chaminés das industrias. Isto pode fazer sentido na China, onde a melhor shale gas estão em zonas áridas (“China Has Plenty of Shale Gas, but It Will Be Hard to Mine”). Uma das maiores fontes de shale gas do mundo é na Tarim Basin no nordeste da China, localizada no Taklamakan Desert

Is-Fracking-the-Answer-to-Water-Scarce-ChinaFracking com dióxido de carbono apresenta um numero de vantagens potenciais. Não só irá eliminar a necessidade de milhões de galões de água por poço, como também irá eliminar as grandes quantidades de água contaminada no processo ( “Studies Link Earthquakes to Wastewater from Fracking”).

Fracking sem água também pode ajudar a resolver outros problemas. No fracking convencional, metade da água bombeada dos poços é retirada para fora novamente, mas a outra metade fica na sub solo. A água que fica para trás pode bloquear o caminho do gás natural, travando a produção e possivelmente diminuir a quantidade de produção do poço a longo prazo. Diz Dilmore

Quando o dióxido de carbono é utilizado em vez da água, grande parte vem de volta do poço (onde pode ser capturado e reutilizado). Isto por sua vez permitirá ao gás natural libertar-se mais facilmente. Algumas investigações recentes ( recent research) sugerem que a utilização do dióxido de carbono pode também resultar numa melhor rede de fracturas, tornando mais fácil a extração do combustível. E depois da infraestrutura estar no local para entregar dióxido de carbono, pode ser utilizada mais tarde na produção. Num deposito de shale gas, uma grande parte do gás natural está colado à rocha em vez de vaguear livre. Mas o dióxido de carbono tem uma maior afinidade para a shale que o gás natural, por isso pode ser utilizado para descolar o combustível e liberta-lo da rocha.

Depois do poço produzir, pode ser selado, armazenando o dióxido de carbono permanentemente no subsolo. Isso ajudará a reduzir os gás efeito de estufa na atmosfera.

O dióxido de carbono para fracking põem muitos desafios sem ser a falta de infraestruturas. Ao contrário da água, os gases são comprimíveis, portanto é mais difícil alcançar as pressões necessárias para fracturar a rocha. Também, o dióxido de carbono tem de ser separado do gás natural antes de ser enviado para o mercado, o que aumenta os custos. E provavelmente nunca será economicamente viável instalar gasodutos todo o caminho para todo o poço. Camiões vão ser necessários para transportar o dióxido de carbono, mais do que são necessários no fracking com água. Isso aumenta a poluição sonora, a poluição dos habitats e ar e danificação das estradas.

Em alguns locais, especialmente onde a água é relativamente abundante, pode não existir uma razão para utilizar dióxido de carbono. Grant Bromhal, outro investigador na NETL, diz que espera que os fracking apoiado com água continue a dominar, mas pode mudar para dióxido de carbono se as vantagens forem esmagadoras. “ A minha bola de cristal não está clara” diz. “ ainda existe muito para aprender sobre esta formações rochosas (shale)

Mais: http://www.technologyreview.com/news/512656/skipping-the-water-in-fracking/#ixzz2VAbxTfmQ
From MIT Technology Review

VER: http://www.storyofstuff.org/movies-all/story-of-cap-trade/

Gases Efeito de Estufa (CO2 e CH4)

GASES EFEITO DE ESTUFA

A exploração das tar sands é um retrocesso para a indústria do petróleo em vez de caminhar o desenvolvimento de combustíveis mais limpos, os processos de extracção e processamento são actualmente significativamente mais sujos que o petróleo convencional.

Os efeitos prejudicais incluem grandes emissões de gases efeito de estufa; altos níveis de outros poluentes do ar como compostos orgânicos voláteis, oxido de nitrogénio e dióxido de enxofre, impactos de subsistência na saúde das populações locais, incluindo as First Nation Communities; poluição e consumo insustentável de água, e destruição de florestas. A indústria e o governo dizem estar preocupados sobre a captura e armazenamento de carbono.

GASES EFEITO DE ESTUFA

Quando o mundo começa a levar a sério a mudança climática, a produção de petróleo das tar sands está a aumentar a intensidade do uso do petróleo. Quer olhe-mos para as emissões do well-to-refinary (3 vezes pior que a média) ou well-to-whell que inclui a queima do combustível nos depósitos dos automóveis (cerca de 17% pior que a média), o facto é que as emissões são maiores que o petróleo convencional. Em vez de reduzir as emissões de gases efeito de estufa por unidade de energia produzida, o petróleo das tar sands é mais poluente que nunca. As elevadas emissões da extracção in situ são uma grande preocupação, porque se a exploração de tar sands continua a crescer segundo os planos das empresas, a exploração in situ irá crescer significativamente. Isto levará a um aumento na intensidade de emissões absolutas de carbono.

Métodos de produção: Minagem 62-164 KgCO2e/barril; In Situ 99-176 KGCO2e/barril

Petróleo convencional: 27-58 KGCO2e/barril

A produção de tar sands tornou-se a maior indústria poluente do Canadá, e um factor chave para o Canadá falhar o tratado de Quioto. As emissões do Canadá aumentaram em 26,2% entre 1990 e 2007, e em 2007 era 32,2% acima do tratado de Quioto. Cerca de 44% da projecção de emissões de gases no Canadá de 2006 a 2020 espera que derivem de novos projectos tar sands.

BIO-CARBONO: NÃO É TIDO EM CONTA

O carbono na atmosfera criado pela destruição da floresta boreal, pântanos e pauis dos locais dos projectos tar sands não estão incluídos nas estimativas oficiais das emissões libertadas pela extracção das tar sands. Muita da terra explorada é coberta por florestas boreais. Devastar esta floresta, liberta para o ar carbono que estava no chão como destrói o potencial de absorção de carbono.

O governo e a indústria não tentaram verdadeiramente medir adequadamente ou estudar este caso. A mais compreensiva tentativa num cenário de total exploração, uma média de 8.7 milhões de toneladas de CO2 por ano devem ser adicionadas aos números oficiais de emissões. Um estudo com mais tempo concluiu numa base por barril, que mais de 11% das emissões well-to-tank devem ser acrescentadas no caso de projectos de minagem.

OUTROS GASES POLUENTES

Alberta está-se a tornar-se o local mais poluente no Canadá devido á exploração das tar sands. O processo produz óxido de nitrogénio e dióxido de enxofre, que não são só irritantes respiratórios, como contribuem para névoa e chuva ácida. A benzina, composto orgânico volátil conhecido cancerígena esta ligado às tar sands.

As emissões de NOx e SO por barril são o dobro do petróleo convencional. Preocupam os depósitos de ácidos em Saskatchewan, parcialmente causada pelas tar sands, que podem exceder a “buffering” dos lagos e terras na região – isto é, a sua habilidade para neutralizar o acido sem uma mudança no valor de PH.

CAPTURA E ARMAZENAMENTO DE CARBONO: FARÁ REALMENTE DIFERENÇA?

A indústria e o governo apontam o desenvolvimento dos meios para capturar e armazenar carbono como a resposta para as altas emissões de gases efeito de estufa da produção tar sands. No entanto, um relatório recente sugere que o potencial da CAC para limitar as emissões dos projectos tar sands pode ser limitado. Relata que: “a redução geral de operações “upstream” pode estar entre 10 a 30% em 2020 e 30 a 50% em 2050.”. O custo de provocar estas reduções marginais podem ser proibidas financeiramente com custos de $110 a $290 por tonelada.

Isto compara-se infelizmente com estimativas para a CAC para produção de carvão em $60 a $150 por tonelada, o que lança a questão se será implementado.

A UE está comprometida a travar a mudança climática e a perigosa dependência de combustíveis fosseis importados ao escolher um caminho baixo em carbono. Um estímulo “verde” também é uma saída para a corrente crise financeira e um motor para o desenvolvimento sustentável para o futuro. Para que ambos, o objectivo ambiental e energético serem credíveis, a UE tem de assumir políticas que previna a “re-carbonização” da nossa economia que inevitavelmente resultará da expansão das tar sands e outras formas de petróleo não convencional. Usar produtos energéticos prejudiciais ao clima simplesmente não é compatível com a mudança para uma economia de baixo carbono. Têm por isso de ser impedidas de entrar no mercado mundial.

Novos depósitos de tar sands e outros petróleos não convencionais foram já descobertos em Madagáscar, Venezuela, Congo, Rússia, Jordânia, Nigéria e Angola. Uma nova fronteira para o desenvolvimento das tar sands em África, uma região já por si altamente vulnerável ao impactos da mudança climática.

A Directiva para a Qualidade do Combustível, que limita um valor de 10% de cortes de emissões dos combustíveis, é uma oportunidade para a direcção certa.

A nova estratégia europeia para 2020, tem como fim atingir uma economia sustentável através do combate ás mudanças climáticas e dependência de combustíveis fosseis.

Com a implementação do objectivo europeu 20/20/20: cortar as emissões de gases efeito de estufa, aumentar as renováveis e melhorar a eficiência energética em 20% em 2020. No entanto, cortes mais profundos e rápidos são necessários para estabilizar as emissões de gases que muitos consideram o valor seguro de 350 partes por milhão. Estudos recentes mostram que são possíveis reduções de 40% nas emissões domésticas em 2020 e de 90% de redução até 2050. Por estas razões, os estimados 379 milhões de dólares para investir nas tar sands canadianas no período até 2025 seria melhor gasto no financiamento para mudar para uma economia baixa em carbono ou nos esforços para atingir o Millennium Development Goals 7 em sustentabilidade ambiental.

A AEEP (Africa-UE Energy partnerchip) reconhece a necessidade para mudar para energias sustentáveis no continente através do desenvolvimento de estruturas para energia renovável, como modo de parar com os impactos ambientais que já afectam o continente.

A Directiva para a Qualidade do Combustível deve-se focar em reduzir os gases efeito de estufa ao longo do ciclo de vida dos combustíveis fosseis. Isto significa incentivar a refinarias mais limpas, e métodos de extracção baixos em carbono, enquanto desincentiva métodos de produção de combustível destruidores ambientalmente, como as tar sands. Para criar este incentivo, as diferentes pegadas de carbono de diferentes bases de petróleo que entram na Europa tem de ser reconhecidas, ao assentar valores que expressem a diferença de intensidade de gases efeito de estufa.

 

COMPARAÇÃO DAS EMISSÕES DA PRODUÇÃO DE PETROLEO

Medir a intensidade de gases efeito de estufa da produção de tar sands e compara-la com a produção de petróleo convencional é um exercício contestado. O resultado de qualquer comparação depende qual o alcance de actividades está incluído na análise como também qual o tipo de produção é utilizado para comparação com as tar sands.

O variado alcance de diferentes qualidades de crude, métodos de transporte a nível mundial também dificulta uma comparação difícil.

È importante esclarecer se a comparação de emissões é well-to-refinary (até ao portão da refinaria), well-to-tank (todo o processo anterior á combustão no motor), ou well-to-whell (todo o ciclo de vida incluindo a combustão). 80% de todo o ciclo de vida das emissões ocorre quando o combustível é queimado no motor, comparar emissões well-to-whell aumenta o total de emissões a serem comparados portanto faz diferença entre os métodos de produção parecerem muito menores – um método usualmente usado pelas empresas tar sands para tentar trivializar este assunto.

Estudos baseados numa revisão de 13 estudos realizados em 2009 comparando as emissões das tar sands com petróleo convencional, descobrem que ainda não há um consenso da “ caracterização do ciclo de vida das emissões da indústria tar sands. Calcula uma média de crescimento da diferença entre petróleo convencional e as tar sands será de 19% para emissões well-to-refinary e 17% para well-to-whell.

Desde que a lei de baixos valores de carbono da Califórnia foi introduzida para reduzir o ciclo de vida dos gases efeito de estufa dos combustíveis fósseis vendidos no estado, o governo de Alberta e a indústria tar sands têm se esforçado para mostrar uma diferença mínima entre as emissões dos combustíveis derivados de tar sands e outros combustíveis. Em Julho de 2009 o governo de Alberta autorizou 2 estudos dos consultadores das companhias petrolíferas. Baseado nos resultados, o governo declarou que as emissões well-to-whell derivadas das tar sands são comparáveis a outros crudes. O governo mais tarde disse: “as emissões das tar sands são geralmente 10% mais elevadas que emissões directas de outros crudes nos EUA.”

As empresas de petróleo repetidamente citaram estes estudos em resposta as preocupações expressadas sobre o impacto ambiental das tar sands. Recentemente ambas Shell e BP citaram os mesmos para contradizer alguns investidores, que diziam que as emissões de carbono elevado associados ás tar sands põe em risco o valor das acções.

No entanto afirmam que estes relatórios são mais exactos que estudos mais intensos levados pelos governos dos EUA e do Canadá leva á perda de credibilidade. Estes estudos sugerem que a emissão well-to-whell está entre 13 e 27%. O relatório de Alberta usou uma pequena selecção de crudes convencionais para comparação, uma significante proporção da qual eram crudes pesados, que tem emissões mais elevadas que outros crudes convencionais. Em contraste, os estudos do governo usa um largo número de diferentes crudes que mais correctamente reflecte o crude consumido nos EUA. Os dois estudos de Alberta divergiram em cerca de 10% no seu cálculo das emissões médias do petróleo convencional.

Enquanto os estudos em Alberta estavam ponderadas para produção convencional mais suja, alguns dos projectos das tar sands ainda não estavam a decorrer. Usando dados teóricos dos projectos propostos em vez de dos dados das operações correntes é uma táctica nunca usada em nenhum outro estudo.

O debate sobre quanto mal faz a exploração das tar sands comparada com a produção convencional dificilmente vai continuar. O mais impressionante sobre a tentativa do governo de Alberta de suavizar o assunto é que na melhor das hipóteses a produção tar sands é só um bocado pior que o pior petróleo convencional, um acontecimento de estar orgulhoso.

Seja como for a extracção de tar sands é um passo na direcção errada. Enquanto o mundo precisa desesperadamente de cortar as emissões de gases efeito de estufa, a produção de tar sands inevitavelmente faz a produção de petróleo ainda mais suja. O esforço da indústria para banalizar este assunto é um exemplo deplorável e de um egoísta com interesse próprio.

As companhias de petróleo como a Shell dizem que o Carbon Capture Storage e melhoramentos de eficiência irão reduzir as emissões de gases efeito de estufa das tar sands. No entanto os investidores e as ONG’s estão a duvidar das afirmações da Shell, dado a falta de testes da tecnologia CCS e a implicação financeira para uma escala comercial para reduzir significativamente os gases efeito de estufa. Mesmo sendo eficaz ao reduzir os gases libertados, os custos podem atingir 110-290$ por tonelada.

Os investidores devem procurar energias renováveis, em vez de procurar tecnologias como a CCS.

O transporte é um factor chave para melhorar a sustentabilidade energética. È responsável por 32% das emissões na Europa, o sector em maior evolução de libertação de gases efeito de estufa, um sector que depende 97% de combustíveis fossil.

Um olhar sobre o ciclo de vida dos gases efeito de estufa inclui todas as emissões da produção de combustível: desde a extracção passando pela refinaria, distribuição e combustão do combustível (emissões weel-to-whell).

A combustão conta cerca de 2,5 kg de CO2 por litro de combustível, seja qual a sua fonte. Ao refinar acrescenta mais 15-20% de emissões por litro, que significa no fim o valor de emissões de 2.9 kg de CO2 por litro de combustível

“Flare” /Queima de gases associados,Fracking

Mais uma vez os jornais regionais relatam as operações da Mohave Oil em Aljubarrota. Repetem o que diz a corporação, para eles e para a população a chama avistada é bom sinal e até de algo de orgulho. Nesse  artigo fala-se numa “Grande chama” (Flare; Gas flare; Flare Stack para a industria), abaixo vem um texto sobre esta técnica de lidar com os gases.  Mais “uma galinha dos ovos de ouro” para a indústria, menos saúde para a sociedade em geral.

 A verdade sobre a chama avistada em Aljubarrota e a Flare:

Queimas de Gás:

Conhecidas no mundo como Gas Flare ou Flare Stack, é um dispositivo de combustão utilizado em complexos industriais petrolíferos, complexos de produtos químicos, e processos de gás natural, como em locais de extracção e produção de gás e petróleo, Rigs off shore on shore e Landfills.

Nos complexos industriais, é utilizada primeiramente para queimar gás inflamável libertado durante os alívios de pressão das válvulas sob pressão não planeada no equipamento. Durante a abertura e fecho das operações o Flare Stack é utilizado para combustão planeada de gases durante curtos períodos de tempo.

Grande parte do Gas Flaring em muitos locais de produção de petróleo e gás nada tem a ver com a proteção contra os perigos derivados da alta pressão no equipamento. Quando o crude é extraído e produzido de poços, associado a si está a acumulação de gás natural. Em vários locais do mundo com falta de gasodutos e outras infraestruturas de transporte e tratamento de gás, muitas quantidades desse gás associado é normalmente queimado como lixo. A queima pode acontecer no topo de um poço ou pode ocorrer ao nível do chão. Este procedimento constitui um perigo para a saúde pública e também contribui significativamente para as emissões de CO2.

Vapor é muitas vezes injectado para reduzir a formação de fumo preto. Para se manter o sistema de “segurança” operacional, uma pequena quantidade de gás é continuamente queimado, como uma luz piloto, para que o sistema esteja sempre operacional e cumpra o seu princípio primário, controlar a pressão nos poços.

RISCOS PARA A SAUDE E IMPACTO ASSOCIADO ÀS QUEIMAS (FLARING) DE GÁS ASSOCIADO

O flaring liberta Metano e outros compostos orgânicos voláteis, como também dióxido de enxofre  e outros compostos de enxofre, e outros tóxicos… Muitos dos quais sabe-se causar asma e outros problemas respiratórios. Também pode libertar benzeno, tolueno e xileno, como também cancerígenos como benzapyrene. A quantidade de queimas associadas aos poços de petróleo e gás é uma fonte significativa de CO2. Uma média calculada de 400 X 10 (sextos) de toneladas de CO2 é libertada todos os anos, que representa á volta de 1,2 % das emissões mundiais.

Flaring e a Nigéria (exemplo do que a industria queima)

A Nigéria é o país que mais gás natural associado com a extração de petróleo queima no mundo, com estimativas de 100,000,000 m3 de gás (AG) produzido atualmente 70,000,000 m3 são desperdiçados via flaring. Isto equivale a cerca de 25% do consumo total de gás de toda Grã-Bretanha, e equivalente a 40% do consumo de todo o continente Africano em 2011. Esta operação é realizada para diminuir os gastos na separação de gás viável comerciável do petróleo. As corporações na Nigéria também recolhem o gás natural para comercializar, mas prefere extrair de depósitos encontrados isolados. Portanto o gás associado é queimado para reduzir custos.

 As queimas (Flaring) na Nigéria começaram simultaneamente com a extração de petróleo nos anos 60 pela Shell-BP.

Alternativas ao flaring são re-injetar no chão, ou armazenar.

O flaring liberta grandes quantidades de Metano, que tem um grande potencial no aquecimento global. O Metano é acompanhado por outros gases efeito de estufa como, o dióxido de carbono, que a Nigéria tinha uma emissão estimada de 34.38 milhões de toneladas em 2002, contando como 50% das emissões industriais no país. Enquanto no Ocidente o flaring tem sido minimizado, na Nigéria tem crescido proporcionalmente com a produção de petróleo.

O flaring é proibido na Nigéria desde 1984, sobe a secção 3 da “Associate Gas Reinjection Act” do país. Enquanto a OPEC e a Shell, a maior “incendiária” de gás natural na Nigéria, declaram que só 50% de todo o gás associado é queimado via Flaring, os dados são contestados. O World Bank informou em 2004 que, “ A Nigéria atualmente queima 75% do gás que produz”.

A queima dos gases (flaring) tem efeitos negativos na saúde e bem-estar das comunidades, ao libertarem uma variedade de venenos e químicos, utilizando até conhecidos cancerígenas como, benzapyrene e dioxina. Os gases agravam sintomas de asma, dores crónicas, como também bronquites crónicas. O Benzene libertado pelas queimas, é reconhecido por provocar leucemia e outras doenças do sangue. Um estudo realizado pela Climate Justice estima que o benzene resultará em 8 casos de novos cancros só em Bayelsa State.

Muitas comunidades perto de exploração de gás natural falam em chuvas ácidas, que lhes corrói a casa. E outras estruturas que contem no telhado materiais baseados em Zinco. Algumas pessoas utilizam material derivado de Amianto. Infelizmente, este material só contribui para o declínio da saúde humana e do meio ambiente. Exposição ao Amianto aumenta o risco de cancro de pulmão, pleural e peritoneal mesothelioma, e asbestosis. Estudos da EIA relatam que o flaring é “um grande contribuidor para a poluição do ar e chuvas ácidas”.

Em Novembro de 2005 o Federal High Court da Nigéria ordenou que o gas flaring (queima de gases) parasse na comunidade do Niger Delta por violar os direitos constitucionais á vida e dignidade. Em 2011, a Shell não tinha parado com o flaring na Nigéria.

Agora que os direitos constitucionais e direitos humanos são também violados na tua localidade vais ter a coragem dos povos que já pagaram o preço de “uma melhor sociedade”?

“O Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni é uma organização que representa o grupo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.O movimento não-violento foi fundado pelo escritor Ken Saro-Wiwa em 1993, no tempo da ditadura do general Sani Abacha, para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras., especialmente  a Royal Dutch Shell, transnacional acusada de poluir o ambiente e de justificar a presença dos militares na área.

O Mosop acusou o governo de adotar uma tática de “dividir para governar”, estimulando conflitos entre as comunidades locais e depois enviando tropas para restaurar a ordem. Em 1994, quatro líderes comunitários foram mortos e os dirigentes do movimento, inclusive Saro-Wiwa, foram presos. A Shell era acusada de cumplicidade com o regime militar de Abacha nos enforcamentos de Saro-Wiwa e dos outros oito activistas, que foram condenados num julgamento considerado uma farsa. Em 2009, a petrolífera Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares de indemnização para a população Ogoni.