“Verdes” juntam-se para discutir gás/petróleo no Algarve!!!

Mais uma vez, uma notícia nos jornais sobre as explorações em Portugal que não dizem tudo, pior ainda escondem algumas informações importantes para perceber melhor o que se passa e quem tem interesse nas explorações. Como se pode dizer que se sabe muito pouco sobre os trabalhos e contractos se, por exemplo, na Plataforma algarvia contra as explorações, está a Quercus que mantêm uma relação de colaboração com a Gulbenkian (Partex Oil and Gas) á muitos anos. Se a Partex é uma das corporações que estão com a Repsol em alguns blocos offshore no Algarve, como não sabem de nada. Porque só agora fazem campanha? Ou sabia dos interesses da Partex em Portugal e como a petrolífera faz dinheiro lá por fora e ignorou até as coisas chegarem a um ponto de que nada dizer, parece mal. Ou Não sabiam, e a Partex tem usado a Quercus para lavar imagem sabendo que iria necessitar de um bom aliado quando as coisas aquecessem.


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Deixamos aqui uma opinião, analisando excertos do artigo do jornal Público:

As perfurações, a oito quilómetros da costa, podem começar em Outubro. A Plataforma Algarve Livre de Petróleo põe em causa os estudos de impacto ambiental e exige “transparência” nos contratos de exploração.” Publico

Não é primeira vez que estão para começar os trabalhos, e talvez não seja a última. Segundo parece não existem estudos de impacto ambiental, e mesmo que existissem, já todos sabemos o impacto das explorações petrolíferas. Não existe desculpa para continuar. Os Estudos ambientais em Portugal nunca pararam nada, pelo menos no que diz respeito a grandes projectos industrias. A exigência feita deve ser: Não aos contractos de exploração, não ao gás e petróleo.

“Numa altura em que se intensificam as políticas de incentivos às energias renováveis, o Algarve avança em contracorrente para a exploração do petróleo e gás natural. A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) duvida que o país e a região tenham alguma coisa a ganhar com este tipo de indústria. “Os riscos são grandes e os benefícios são reduzidos ou nulos” foi a conclusão saída de um debate realizado em Faro. A falta de informação e de “transparência” nos contratos celebrados entre o Governo e um consócio liderado pelo grupo espanhol Repsol, estão a agitar a opinião pública regional.” Publico

Para quem são as políticas de incentivo às energias renováveis? A EDP Renováveis é uma das beneficiadas. A empresa lançou um comunicado em 2014: “Existe ainda a possibilidade de optar por um crédito fiscal no Montante de 30% do investimento inicial”. A empresa será beneficiada pelo pacote de incentivos lançados por Obama (?). Segundo uma notícia do jornal Económico, as acções das renováveis subiu 1,19% (5,51 euros). Também a Partex Oil and Gas investe em renováveis. Tem projectos de energia eólica e solar, como também hidro elétrica em Portugal e lá fora. Conclusão, os mesmos que investem e pressionam Portugal para explorar energias fósseis, controlam o mercado das renováveis.

Falando de falta de informação e de “transparência” o artigo não fala na participação da Partex oil and Gas (Gulbenkian) nos trabalhos petrolíferos no Algarve. A Repsol pode ser conhecida, mas a Partex tem mais explorações em Portugal e está há mais tempo a trabalhar para explorar petróleo em Portugal. Existem também as leis de proteção do mercado livre, que vão piorar com a assinatura do acordo TTIP. Em Espanha a proibição de produção de energia a partir do sol para autoconsumo mostra bem o caminho das renováveis e o papel do cidadão nesse caminho. Em 2103 as autoridades Espanholas aplicaram uma multa de 30 milhões de euros a um cidadão que estava a instalar paneis solares para seu consumo. É proibido ser energeticamente independente. Deixamos um excerto da notícia: “O sol agora é só para poucos privilegiados como ex-presidentes e ex-ministros, os quais são conselheiros oficiais destas empresas captadoras de luz solar. A União Espanhola Fotovoltaica (UNEF), que agrupa 300 empresas e representa 85% do setor, assegura que se alguém resolve implantar receptores de luz do sol isso saíria mais caro do que recorrer ao consumo convencional.”

A água vai ser o grande assunto do séc XXI, as guerras por ela vão aumentar, a privatização da água pelo mundo é a arma dos Governos e corporações contra a auto sustentabilidade das populações. Também é um dos elementos essências para as explorações de hidrocarbonetos, principalmente para explorar gás de xisto (Shale gas). As petrolíferas secam, contaminam e roubam água que faz falta às comunidades locais para a sua subsistência.  Nos EUA , em 2015 um homem foi condenado a 30 dias de prisão e a uma multa de 1,400 euros por armazenar água da chuva.

“O início da exploração do petróleo no mar algarvio está previsto para Outubro, mas há muitas reservas e dúvidas quanto às consequências que esta actividade possa vir a ter no sector turístico. “Não acredito nos estudos de impacto ambiental, encomendados pelas empresas que fazem os furos”, disse Fernando Pessoa, dirigente da Liga para a Protecção da Natureza, na quinta-feira à noite num jantar/debate, promovido pela “Tertúlia Farense”. A assistência, constituída por mais de 60 pessoas, corroborou esta tese, mas também houve quem afirmasse que se está a fazer “propaganda” negativa, sem fundamento.”

Parece-nos redutor apresentar o turismo como o principal lesado. Mais uma vez a economia à frente da natureza e dos habitantes locais. Os problemas da indústria do petróleo são bem mais alargados que o seu impacto na economia local.

“O antigo director-geral do Terminal de Gás Natural Liquefeito do porto de Silves, Carlos Azevedo, disse que a “forma diabólica” como o assunto está a ser tratado não o surpreende. No passado, disse, ouviu idênticas críticas em relação ao “projecto do gás natural e hoje já ninguém se lembra disso”. Por falar em riscos, denunciou, “ninguém fala nas dezenas, centenas de petroleiros que passam pela costa do Algarve e qualquer um tem um risco muito superior a este pequeno projecto que está a ser apresentado”. A exploração que está prevista “não é sobre petróleo, mas sobre gás natural, que tem características muito diferentes”, desdramatizou. Numa coisa disse estar de acordo com os dirigentes da PALP – plataforma que reúne 11 entidades, entre as quais as associações ambientalistas Quercus, LPN e Almargem: “Nós, enquanto grupo de intervenção, no que devemos apostar é em saber quais são as características do contrato [de exploração], porque não sabemos rigorosamente nada”.

Depois temos os “razoáveis e entendidos” como Carlos Azevedo que falou na “forma diabólica” como se trata o assunto. Não é de admirar já que Carlos Azevedo tem um passado sujo de negro. O seu percurso profissional está ligado à Gestão e Sistemas de Informação, tendo ocupado vários cargos na GALP e posteriormente na REN (interessadas nas explorações petrolíferas em Portugal, foi até recentemente Director-Geral do Terminal de Gás Natural Liquefeito no porto de Silves. O mais incrível é que ele também dá aulas na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve. Também trabalhou muito em Moçambique, Angola e Emiratos Árabes Unidos. O que equilibra a balança entre exploração de energias fósseis e turismo… Todos juntos…todos juntos… “Business as usual”

Carlos Azevedo depois fala nas críticas ao gás natural (convencional) dizendo que hoje já ninguém se lembra disso. Só se  não falam no seu círculo de amigos ou com os conhecimentos profissionais dele, pois  houve criticas. A perfuração e exploração de gás natural veio aumentar a quantidade de Metano libertado para a atmosfera, o Metano é um gás muito mais potente que o CO2 nas alterações climáticas. A combustão de gás natural produz quantidades preocupantes de mercúrio, enxofre e NOx (Oxidos de nitrogénio). O gás natural não era um produto desejável da indústria do petróleo, sendo simplesmente queimado e libertado na atmosfera. A técnica é conhecida como flaring, e ainda hoje é utilizada em locais onde as infraestruturas são pobres, ou onde o gás está contaminado com outros gases indesejados. Em 2011, o Banco Mundial estimava que cerca 25% do consumo total dos EUA era queimado anualmente, grande parte em países sem infraestruturas de processamento. O gás natural é altamente inflamável, em Portugal, podemos ouvir notícias sobre explosões de gás natural ou de mortes por asfixia. Entre 2008 e 2012 nos EUA existiram 370 “acidentes significativos” nos gasodutos, os acidentes são causados por corrosão dos elementos e inundações, morreram 10 pessoas e 85 ficaram feridas. Ao mesmo tempo devido a acidentes de segurança em gasodutos e locais de distribuição por gasodutos, grande parte causados durante escavações, morreram 41 pessoas e 230 ficaram feridas. O caso mais mediático sobre as consequências da exploração de gás natural e do Flaring foi a luta do Povo Ogoni contra a Shell na Nigéria, que levou á morte por execução dos líderes tribais, depois de um massacre pelo qual a Shell aceitou pagar uma indeminização de milhões de dólares. Julgo que o senhor Carlos Azevedo também não se surpreende por já não ouvir falar disso.

Fala ainda do tráfego de petroleiros na Costa Algarvia, de que ninguém fala, e aqui damos-lhe toda a razão. Mas porque não se fala dentro de movimentos ambientalistas? Talvez pela mesma razão que não se fala do impacto da refinaria de Sines, dos derrames em território marítimo nacional. Porque nenhum grupo ambientalista faz campanha? Porque pessoas como o Carlos Azevedo abafam e desacreditam qualquer necessidade de alertar para os impactos. O seu modo de desdramatizar quando diz que se procura gás natural e não petróleo,  devia ser acompanhado pela divulgação de que tipo de gás e de tecnologia o deixa tão descansado e lhe permite desacreditar as preocupações da população. Para finalizar, mais uma vez apela a que os esforços sejam apontados ao modo como será feito o contracto de exploração, e não contra a exploração em si. Acaba, inserindo-se no grupo de intervenção algarvia, onde se encontra a PALP (plataforma Algarve livre de petróleo) que tem como elemento a Quercus.

Quercus, a maior organização ambientalista portuguesa, a única reconhecida como “objetiva e reconhecida”. Bom, não quero criar uma disputa, mas como me disseram e concordo: “ Não é se somos iguais ou se queremos o mesmo, é se estamos em conflito”. A Quercus depende bastante da Gulbenkian. O projecto de colaboração mais conhecido é o Minuto Verde, que fez 9 anos em 2015, a Gulbenkian é uma das principais parceiras e financiadoras deste e de muitos outros projectos ambientalistas da associação. A iniciativa conta também com o apoio financeiro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), e de empresas portuguesas. Quais?

“O sociólogo João Martins, professor da Universidade do Algarve (dirigente da PALP) reclamou o direito à informação e à participação dos cidadãos. “O processo de decisão tem sido tratado nos bastidores da política, de forma oculta”, denunciou. De resto, acrescentou, “não deixa de ser espantoso que das 16 câmaras municipais, só uma, a câmara de Silves [CDU], tenha respondido a um pedido de reunião para discutir o assunto”. O que pretende, afirmou, é que o assunto seja retirado do “secretismo dos bastidores da economia da política”. Nesse sentido, a plataforma promove o seu primeiro encontro regional no próximo dia 30. Por outro lado, o vereador da câmara de Faro, Paulo Neves (PS), observou: “A Comunidade Intermunicipal do Algarve- Amal não se pode demitir desta discussão”. Em relação aos eventuais benefícios, previstos nas contrapartidas do contrato de exploração, advertiu, “não ficarão na região nem no país”. Segundo este antigo deputado, só haveria direito a pagamentos “se houvesse petróleo e, pelos vistos, o que vai ser explorado é gás”. Por sua vez, Luciano Abelheira, professor do ensino primário, perguntou: “O que será que vai acontecer à boa sardinha do Algarve, com a poluição das águas?” Em jeito de conclusão, atirou: “O nosso ouro negro é o turismo, não é o petróleo”. Já o médico Mário Lázaro entende que este projecto destina-se a “satisfazer o ego de Portugal”, insuflado pela ideia de que a exploração de gás ou petróleo, a oito quilómetros da costa, faz de um país, em dificuldades, “um potentado” na Europa.”

Para finalizar temos João Martins, da Universidade do Algarve. Conseguiu atrair uma câmara municipal para discutir o problema, um presidente da CDU (PCP/VERDES). Bem melhor que a sorte do movimento do Barreiro contra o gas de xisto que ao contactar o presidente da câmara obteve  a resposta “Não sei, nem quero saber”  também do PCP. Concordamos inteiramente com a sua posição no que diz respeito à obrigação de as coisas saírem dos bastidores para as ruas e para o conhecimento das populações locais. No final mais uma vez se destaca o turismo (aprender a servir) que depende 100% do petróleo (O turista não vem a pé. Não fica em barracas de madeira, nem circula de bicicleta)). Acaba com uma frase correcta, “satisfazer o ego de Portugal”. Falta definir o que é Portugal, se forem os políticos sim, é verdade, estão a alimentar o ego. Se for a população, como nada sabe, não são o ego de Portugal. Se for a economia, tem de se perguntar para quem vai o dinheiro ganho com as explorações?

É normal haver vários caminhos. O que não é normal é haver só uma voz, e quase sempre ventríloqua…. A Falar Verde, em concordância com parte das ideias e interesses das corporações petrolíferas.

O movimento dos direitos dos animais e/ou ambientais como outro qualquer movimento social tem elementos legais e ilegais Existem pessoas que distribuem panfletos e lobbing, pessoas que protestam e outros que cometem desobediência civil pacifica. Existem pessoas como a Frente de Libertação da Terra, onde saem de mascara e quebram janelas, queimam SUV’s (jipes) e libertam animais. E á resposta do Sistema corporativo e estatal…

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