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Seismic AirGun (Salvem as Baleias e amigos)

O impacto da indústria petrolífera no mundo animal é conhecido sem possibilidades de desmentidos. O que este novo tipo de petróleo vem trazer são mais tecnologias nocivas ao mundo animal. Para sondar os reservatórios Deep offshore antes de investir milhões na perfuração a indústria petrolífera  utiliza uma tecnologia conhecida como Seismic AirGun. A população de cetáceos (baleias, golfinhos, cachalotes, etc), Lulas, crustáceos e peixes são seriamente afectados pelo som libertado pela airgun (pistola de ar) para os testes sísmicos (siesmic survey). Esta tecnologia está a ser utilizada em todos os Oceanos, com o aumento das ZEE (zonas económicas exclusivas) de vários países tudo aumenta afectando globalmente a população marítima.

A indústria não pode dizer que não sabia de nada, este tipo de tecnologia é procurado desde os anos 60 com o Deep Sea Drilling Project. As primeiras publicações foram distribuídoas em papel, que foram scaneadas em 2006-2007 pela universidade do Texas A&B University Digital Library, com o financiamento da NSF (Nacional Science Foundation). Os relatórios internacionais são estudos de expedições Deep Sea  Drilling de 1968-1983.

E hoje estas “brilhantes mentes” criaram a Seismic AirGun.

Seismic AirGun

Barulho (som antropogénico) de uma “arma de ar” (seismic airgun), utilizada para descobrir depósitos de gás ou petróleo a centenas de Km abaixo do mar, pode cobrir uma área de 300,000 km2 com um volume de 20 dB, continuadamente por semanas ou meses. Desde a sua utilização que a Whaling Commission’s  Scientific Committee disse “… a utilização persistente e repetida sobre uma área… deve ser considerada um grave problema do nível de impacto nas populações…” 2005

Cerca de 250 baleias macho deixaram de cantar durante semanas até meses durante um estudo sísmico, recomeçando a cantar dias depois do final dos trabalhos. É muito difícil acreditar que tal efeito não afecta biologicamente a pulação de baleias (reprodução). No estudo foi notado que uma baleia parava os chamamentos se estivesse a haver explosões de som a 10 km.

As Baleias azuis reagem de outro modo. Mesmo com Seismic survey utilizando uma pistola de ar de poder médio levou as baleias no St. Lawrence Estuary a modificar as suas vocalizações. As baleias faziam mais chamamentos nos dias dos trabalhos, do que quando não havia emissão de som. O que prova que fontes de som das air gun (pistolas de ar) podem interferir com sinais de comunicação importantes para a sobrevivência dos mamíferos marinhos.

Os mamíferos marinhos evitam as áreas onde se está a realizar trabalhos com esta tecnologia. Algumas populações de baleias demoram muito tempo a voltar ao local. Em 2008 foi descoberto que locais onde vivem populações de golfinhos eram afectadas pela utilização do air gun. Só voltavam á área quando a arma estava silenciosa. Uma análise dos cetáceos (mamíferos marinhos) em reação a 201 seismic surveys no Reino Unido mostraram danos intrínsecos do som emitido. Durante uma vigilância sísmica, todos os pequenos mamíferos marinhos com dentes foram encontrados a grandes distâncias dos barcos. As Orcas, e outras espécies de baleias evitam as áreas onde se liberta o barulho.

O Cachalote no Golfo do México não parecia evitar o barulho, mas depois reparou-se que esforçava-se menos para procurar comida, e evitava nadar. Reduzem a utilização da cauda em 6% durante a exposição ao barulho, e a tentativa de capturar presas em 19%. O barulho contribuiu para o declínio de algumas espécies. As baleias cinzentas de Sakhalin Island, Rússia, deslocaram-se, devido a estudos sísmicos, da sua área de alimentação, voltando dias depois do final dos trabalhos. As baleias nadam mais depressa quando expostas a 153 db (Um avião a jacto são 130 dB), e respiram muito mais rápido.

Em 2007 foi descoberta uma redução da diversidade de cetáceos, relacionado com o aumento das vigilâncias sísmicas de 2000 a 2001 no Brasil. Entre 1999 e 2004 existiu uma relação negativa entre a diversidade de cetáceos e a intensidade das vigilâncias sísmicas. As baleias cinzentas quando expostas mesmo a uma airgun de pequenas dimensões evitam o barulho e mudam de comportamento alimentar para um de transição. Também começam a “hauling out” (fugir a predadores, regulação termal, actividade social, redução de parasitas, etc) ao som da airgun. As focas diminuem o seu ritmo cardíaco, juntando um comportamento dramático deixando de se alimentar. A Seismic airgun provavelmente causou a morte de baleias. A dificuldade em provar sem dúvidas com estudos é que só se recupera 2% das carcaças das baleias.

Um golfinho sofreu de rigidez e instabilidade na postura que progrediu para um estado catatónico e afogou-se a 600 metros de um disparo de som seismic 3D com todo o poder. Efeitos do stress ou mudanças fisiológicas, crónicas, podem inibir o sistema imunitário e comprometer a saúde dos animais. Isto já foi estudado em baleias e golfinhos.

Tartarugas

As tartarugas evitam as áreas de vigilância sísmica com air gun com um nível de 175 db. Em estudos foi detectada surdez. Uma airgun média a uma profundidade de 100 metros cousa impacto no comportamento das tartarugas numa área de 2 km. Em 2010 foi descoberto que 51% das tartarugas, divagavam e separavam-se no ponto mais próximo do raio de emissão da airgun.

Peixe

Já foi observado uma grande variedade de impactos acústicos nos peixes. A seismic air gun danifica em grande extensão e a uma distância de 500 m da vigilância sísmica. Comportamentos a que assistem são: mergulhar para profundidas não comuns, congelarem em grupo, ou entrem em stress e nadarem exaustivamente. Perto de locais de operações sísmicas a redução de pesca foi de 40% a 80%. Estes efeitos podem durar mais 5 dias depois de finalizados os testes sísmicos e a uma distância de 30 km do barco. O impacto no crescimento dos ovos e das larvas incluem diminuição do número de ovos viáveis, aumento da morte embrionária, diminuição do crescimento da larva, e a sua habilidade para escapar a predadores.

Invertebrados

Os invertebrados também não estão imunes aos efeitos do som antropogénico. 9 Lulas gigantes ficaram encalhadas, algumas vivas, numa área de utilização de air gun em 2001 e 2003 em Espanha. Os ferimentos eram ferimentos internos, órgãos e ouvidos rebentados. Expostos a um som de 160 dB reagiram com o largar da tinta e um nadar rapidíssimo. Em cativeiro tentam fugir para uma zona com isolamento acústico. Os bivalves mostram stress acústico provado pela glucose. No camarão registaram-se ovários danificados e ferimentos no sistema de equilíbrio. Em 2013 ficou provado que playbacks de impulsos sísmicos durante o desenvolvimento da larva, causava um atraso no crescimento e em 46% existia má formação corporal, afetando o acasalamento.

Está claro que a modificação causada pelo homem que se estende por 300,000 km 2 ou em distâncias de 4.000 km da fonte do som durante 80 a 95% dos dias do mês, todo o ano, tem um grande impacto no ecossistema. As Seismic airgun’s são o segundo maior contribuidor de som na água causado pelo homem, seguido das explosões nucleares e semelhantes. Pelo menos 37 espécies marinhas mostraram estar a ser afectadas pelas vigilâncias sísmicas. A mudança de comportamentos devido ao som passa por diminuição da procura de comida, fuga ao som, mudança na vocalização, abandono de habitats importantes, stress, diminuição da viabilidade dos ovos, diminuição da captura e comida, problemas de audição, ferimentos massivos e morte por afogamento ou paragem total de movimentos. Airgun Noise devem ser consideradas um poluente marinho com sérios impactos ambientais.

A Review of the Impacts of Seismic Airgun Surveys on Marine Life

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Baker Hughes, Drilling fluids e Alcobaça Portugal!

Um cidadão do oeste de Portugal, perto de Alcobaça, decidiu ir aos locais onde estão marcados os poços em Alcobaça e em Torres Vedras. Além de ficar a saber que ambos foram desmantelados, também se apercebeu de que em volta do local das perfurações, as pessoas não tinham a mínima ideia do perigo que representa o que viram, poços para fractura hidráulica ( fracking). No terreno em Alcobaça, o poço foi fechado em 2012, é um terreno abandonado igual aos outros, como se nunca se tivesse passado nada ali. Segundo conversas, as tubagens ficaram enterradas, não dá ver, tudo coberto, deixando só o fantasma da industria petrolífera. ( Em Torres Vedras é uma horta de agricultura intensiva de verduras).

Mas… ele encontrou um pedaço de um Rótulo, de um produto liquido de perfuração ( Drilling Fluid). Não  conseguimos identificar o produto, mas identificámos a corporação que o vende.

Baker Hughes

A Baker Hughes è uma corporação petrolífera com sede na America Tower em, Houston. Oferece um conjunto de serviços e tecnologia para serviços industriais de petróleo. Em 2007 foi considerada culpada num tribunal federal dos EUA por violação do Foreign Corrupt Practices Act ( FCPA), na Russia, Uzbekistan, Angola, Indonésia e Nigéria. A corporação assumiu a violação em pagamentos nos anos de 2001 a 2003 a um agente comercial detido em 2000 ligado ao projecto no Kazakistão. Depois do suborno a Hughes ganhou um contrato de serviços em Karachaganak, Kasakistão que lhe gerou $219 milhões de 2001 a 2006.

Em Julho de 2012 os trabalhadores da Hughes fizeram greve, durante as negociações com os sindicatos e o patronato. A SAFE – empregados da Hughes organizados afetaram mais de uma dúzia de trabalhos offshore.

Trabalha com várias dezenas de outras corporações, como por exemplo: CGGVeritas; China Oil field services; Gaia Earth Science; Halliburton; Siemens oil and gas Division; Tesco Corporation, etc…

A Hugdes adiquiriu a Bird Machine Company em 1989. Fundada no inicio de 1900 por Charles Summer Bird, para construir máquinas para fazer papel. A sua primeira máquina foi a BIRD Rotary Screen. Mais tarde desenvolveu equipamento para acabar o papel e paperboard. Em 1932 inscreveram a patente, em 1934 iniciou o design da BIRD Solid Bowl e a Screen Bowl Centrifuges, abrindo caminha á centrifugação no processo industrial. Em 1940, Frank Young da Bird machine patenteou a BIRD- Young Filter, este filtro veio a ser importante para o mercado químico e farmaceutico. Em 1965, a Corporação activou a Bird Machine Company of Canadá em Montreal, com a sua expansão, ao se recolocar em SasKatoon.

Em 2003 a Bird machine foi adquirida pela Andritz AG

 

Porto Energy ( Mohave Oil nad Gas Corp), Concessão do Barreiro e Oracle energy Corp.

Porto Energy ( Mohave Oil and Gas Corp), Concessão do Barreiro e Oracle energy Corp.

A corporação que dá a cara no Barreiro é a Oracle, mas na verdade esta corporação não estaria a apostar na prospecção de gás e petróleo na península de Setúbal, se não fosse a Porto Energy a interceder por ela junto do governo português, a partilhar estudos, informação, técnica e mercado.E principalmente ter recomeçado as prospecções em 2007.

Ambas são corporações em ascensão e ambas querem reinar no Petróleo e Gás europeu, e importantes concessões em África. O petróleo e gás que procuram é semelhante. Outro laço de notar é a ligação à industria petrolífera de Alberta e British Columbia no Canadá. Mais uma vez se reforça a ideia de a técnica de fractura hidráulica ser necessária, mais cedo ou mais tarde, para manter o seu negócio.

 A Mohave aposta tudo na zona oeste de Portugal ( Torres Vedras, Alcobaça, Peniche, Zambujal,etc), mas colabora em troca de % de participação em várias zonas do país.

 A Porto Energy é um empresa internacional de gás e petróleo empenhada na exploração de crude oil e gás natural em Portugal. A Porto é também a Mohave Oil and Gas Corporation ( uma corporação texana com escritórios em Portugal). A empresa detêm 100% de interesse em 7 concessões, na Bacia lusitânia, em Portugal. A empresa já identificou fontes petróleo e gás convencional e não convencional.

VISION AND STRATEGY”

A Porto quer perfurar em Pré sal e avaliar as Lias de petróleo leve no on shore de Portugal. Vai procurando coligações para correr mais riscos e poder ter mais gastos. A empresa utiliza técnicas modernas como informação 3 D seismic, como perfuração horizontal e Underbalance. Estão focados em oportunidades de curto prazo em ambas as extrações, convencional e não convencional para valorizar os  accionistas ( sendo um deles, José Berardo).

A Porto Energy é a única corporação que já extraiu gás do sub solo, largando uma chama de 5 metros, em Aljubarrota e quer o mesmo resultado na concessão do Barreiro. Uma maneira de evitar a extracção de gás na península de Setúbal  e na Costa Vicentina, é parar a Mohave em Alcobaça e noutras áreas de Portugal.

Oracle Energy Corp.

A Oracle Energy Corp. que opera na concessão do Barreiro, á qual chama  “ Property”, que foi garantida em Fevereiro de 2013, cobre uma área de 211, 000 acres ( 855 km2), situadaOracle-Website-Portugal-signing-rev-Des-art-2013-02-12-3 no sul  Bacia Lusitânia.

O período de exploração estende-se até 2021, e será para estudos, desde estudos Geológicos , até airborne gravity, passando pelos estudos sísmicos, onde irão gastar mais de 300.000 euros.

Também reforçou o acordo de 2011, entre a Oracle e a Mohave Oil and Gas Corp. A Mohave vem ajudar na obtenção das concessões junto do governo português. Em troca de um máximo de interesse de 25%, a Mohave ganha o direito de participação  na Concessão do Barreiro.

No relatório NI 43-101 Technical Report, aceite pela TSX-V, da Chapman Engineering Ltd., são apresentadas 2 das 3 areas de gás e petróleo esperadas na “property”; Triassic Pre Sa; Lower Jurrasic não convencional. O terceiro não aparece no relatório devido á pouca informação recolhida.

O relatório apresenta como melhor estimativa a formação de Silves, a melhor fonte será na camada Lias, dada que estamos no  inicio dos estudos e seriam necessárias grandes infraestruturas para explorar totalmente estas fontes consideráveis.

O reservatório de Silves, é semelhante a áreas de produção como a de Gás em Hassi R, Mel Algéria e de Sair, o maior campo petrolífero na Libia, como também de muitos campos de petróleo Do Mar do Norte. Mais perto que estes, será o campo Lias de Ayoluendo na Bacia Basque-Cantabrian no Norte de Espanha.

O Chairman da Oracle, Nasim Tyab relembrou que “ A propriedade” do Barreiro oferece uma forte âncora para a corporação e espera-se que contribua para o crescimento da Oracle.

O Oracle é uma corporação canadiana de gás e petróleo com concessões na Europa e África. A corporação têm uma equipa com 150 anos de experiência combinada em exploração de gás e petróleo, na economia e finanças, e em relações governamentais.

Armazenamento no subsolo da gás natural em Portugal ( ex: Caldas da Rainha)

indexUma das infraestruturas de apoio ao negócio do gás natural são os locais de armazenamento  no subsolo do gás extraído ou comprado. Em Portugal já se faz vários tipos de armazenamento de gás natural. Em Carriço, Pombal, já se armazena gás natural em cavidades salinas, mas o desejo é de aumentar a capacidade ou seja novas construções ou ampliações das cavidades salinas.

Mais locais estão a ser estudados para novas cavidades salinas e outros tipo de locais para armazenamento de gás natural. O mais badalado é na zona de Caldas da Rainha, mas também Nazaré, Peniche, Rio Maior e Zona de Leiria. Também se avalia a probabilidade de se utilizarem aquíferos para se armazenar o gás. Minas desactivadas também não estão fora de questão. Todas as cavidades têm uma Estação de gás, que regula a pressão do gás. Com mecanismos que libertam Metano e CO2. A bacia Lusitaniana parece ser mais uma vez “ A galinha dos ovos de ouro” da industria química. No processo de abertura das cavidade milhares de litros de água doce se perderá para sempre…

Mais uma vez uma dissertação para grau de Mestre no IST de Lisboa serve de objecto de investigação sobre o que passa em Portugal em relação ao investimento na extração de gás e petróleo em Portugal. Partilhamos alguns excertos do trabalho, para se perceber um pouco o que pode significar a aposta da industria nestas “ cavidades subterrâneas” de armazenamento de gás natural. Ficas a saber também a história do armazenamento de gás em cavidades subterraneas. Quem ganha. Quem perde. O que eles sabem. E o sentimento de que se devia saber mais.

Podes consultar a dissertação completa,  neste PDF:
Armazenamento_Subterrâneo_de_Gas_Natural

Retiramos uns excertos para nos focarmos nas instalações em Portugal, construídas e por construir:

Armazenamento subterrâneo de Gás Natural

Nos meses frios (de Novembro a Março, em Portugal), o consumo aumenta consideravelmente, consequência do uso do gás natural para aquecimento de ambientes residenciais ou comerciais. No México, por exemplo, os stocks, não têm apenas de garantir o abastecimento no Inverno, mas também no Verão quando ocorrem picos de consumo de gás para a geração de energia eléctrica para utilização em equipamentos de ar condicionado. No entanto, este tipo de armazenamento é também usado por uma grande variedade de factores:

  • Equilibrar o fluxo de gás nos gasodutos, para assegurar que a pressão nos gasodutos está dentro dos parâmetros de segurança
  • Cumprir com os contractos efectuados, mantendo o volume de entrega e salvaguardando qualquer imprevisto que possa levar à aplicação de multas por incumprimento contratual
  • Para nivelar a produção em períodos de flutuação do consumo, armazenando o gás não comercializado de imediato, geralmente no Verão quando a procura é baixa, e entregá-lo no inverno com o aumento da procura
  • Como ferramenta de especulação de mercado, quando os produtores antevêem uma subida significativa do preço do gás, compram o gás a preços baixos para depois quando o preço subir até ao desejado, o venderem
  • Como seguro contra acidentes imprevistos, incluindo acidentes naturais como furacões ou problemas de mau funcionamento da produção, etc.
  • Para reduzir a volatilidade do preço. Segurança de abastecimento energético

No entanto, a maioria das instalações actuais de armazenamento têm como objectivo primordial atender a sazonalidade da procura.

História do armazenamento subterrâneo de gás natural

Em 1915, foi registado o primeiro armazenamento subterrâneo de gás natural realizado com sucesso no Canadá. Pouco tempo depois, em 1916, nos Estados Unidos foi construída a primeira instalação deste tipo, no Estado de Nova Iorque, que se encontra em operação até aos dias de hoje. Estes dois armazenamentos foram construídos em reservatórios extintos, nos quais é injectado gás produzido durante o Verão para sua utilização no Inverno. Esta metodologia de armazenamento é a mais utilizada até á data. As décadas seguintes foram caracterizadas pelos poucos avanços tecnológicos, no armazenamento de GN, sendo que em 1946 foi instalado o primeiro armazenamento de gás natural num aquífero, no estado de Kentucky, EUA. Esta tecnologia foi então desenvolvida, na década de 50, noutros países como França, Alemanha e Rússia.

A utilização de cavidades salinas foi empregue, pela primeira vez, em 1961, no estado de Michigan, EUA. Recentemente, uma nova metodologia foi desenvolvida. Entre 1999, e 2002, foi construído o primeiro armazenamento em caverna rochosa na Suécia, que após finalizado, foi submetido a diversos testes que comprovaram a sua comercialidade

Estruturas de Armazenamento na Europa

O armazenamento de gás natural tem um papel fundamental nas políticas energéticas, mantendo o balanço entre os picos de procura e as reservas. Em alguns países, este tipo de infra-estruturas é utilizado de maneira a suavizar as flutuações do preço. No continente Europeu existem perto de 200 estruturas de armazenamentos, sendo que neste capítulo serão analisados os países mais representativos – Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Espanha, que em conjunto controlam cerca de 70% de toda a capacidade de armazenamento na União Europeia

Capacidade de armazenamento de Gás Natural em Portugal

Comprovando a ocorrência de condições geológicas e da sua localização favorável relativamente aos centros de consumo e rede de gasodutos, Portugal tem vindo, desde 2004, a criar condições de armazenamento de Gás Natural e GNL. Desta capacidade, 43% é sob a forma de GNL em Sines, e a restante sob a forma de GN nas cavidades subterrâneas em formações salíferas situadas no centro do país (Carriço, Pombal distrito de Leiria). Neste local está em desenvolvimento um aumento da capacidade de armazenamento da infra-estrutura e decorrem estudos geológicos visando a sua ampliação. Na presente estação de armazenamento do Carriço pode armazenar-se cerca de 183 milhões de m3 e em Sines a capacidade de armazenamento de GNL é de 140 milhões de m3. Esta capacidade corresponde a cerca de 22 dias de consumo médio interno, devendo aumentar com a ampliação prevista para 28 dias. A título de comparação, França tem uma capacidade de armazenamento equivalente a 91 dias e a Alemanha de 77 dias, tornando-se evidente que Portugal necessita assim de desenvolver a sua capacidade de armazenamento para atingir níveis aconselháveis de segurança. (COSTA, 2009)

A REN Armazenamento (Rede Energética Nacional) tem um plano de desenvolvimento do Carriço que prevê a construção de 25 cavernas, estando de momento aprovado o plano de desenvolvimento de 4 cavernas até 2016, ano em que o país passará a dispor só na unidade do Carriço de cerca de 450 MM m3 (9 cavernas), cerca de 10% do consumo anual estimado para essa data. Quando as 25 cavernas estiverem concluídas Portugal poderá atingir o valor de 1 250 MM m3. Para além desta região, prevê-se ainda um aumento da capacidade em Sines com a construção de um novo reservatório de 150 000 m3, para estar operacional em 2012. (COSTA, 2009)

Características do armazenamento Subterrâneo

Este armazenamento somente é possível em estruturas geológicas que apresentem características adequadas ao seu condicionamento, em condições de estabilidade e segurança duradouras. As três principais metodologias de armazenamento subterrâneo utilizadas actualmente são: Em reservatórios de petróleo/gás extintos, em aquíferos ,em cavernas salinas. A característica mais importante de uma instalação de armazenamento subterrâneo de gás natural é a sua capacidade de armazenar o gás natural para entrega futura, ou seja, a sua capacidade de gás útil.

Na actividade de produção, quanto maior for a pressão interna do poço mais fácil será a extracção do gás, em contraponto quando a pressão interna se encontra menor que a pressão à boca do poço, não existe diferença de pressão impossibilitando a produção. Para que exista esta diferença de pressão é necessário existir um volume de gás natural permanente, que não poderá ser extraído (“Base Gas”) e que irá permitir a pressão interior necessária para se poder extrair o gás de útil (“working gás”).

 Reservatórios extintos de gás natural e petróleo

Este tipo de armazenamento é o mais utilizado para armazenamento subterrâneo. Trata-se da metodologia mais simples de ser aplicada, o gás é mantido em estruturas porosas e permeáveis, que já armazenaram hidrocarbonetos no passado, confinadas por rochas impermeáveis (armadilhas). Estes reservatórios são apropriados para o armazenamento, devido ao facto de estas estruturas já terem armazenado, durante um grande período de tempo (milhões de anos), de forma eficaz, depósitos de hidrocarbonetos.

De maneira a manter a pressão de funcionamento, é necessário manter permanentemente cerca de 50 a 60% do gás existente na formação como “base gás”, como anteriormente estes reservatórios já estiveram cheios de gás natural e hidrocarbonetos, não é necessária a injecção da totalidade do base gás que se torna fisicamente irrecuperável, este factor provoca um impulso económico significativo, principalmente em períodos em que os preços do gás se encontram elevados, evitando assim o desperdício de gás (APPI, 2005).

Tradicionalmente, estas instalações operam num único ciclo anual; o gás é injectado durante os períodos de baixa procura (Verão) e comercializado nos picos de consumo (Inverno). Os factores físicos que determinam a viabilidade económica deste tipo de armazenamento são:

  1. Factores geográficos – reservatórios explorados devem encontrar-se relativamente próximos dos centros de consumo e das infra-estruturas de transporte (gasodutos e sistemas de distribuição) que irão ligá-los ao mercado.
  2.  Factores geológicos – é aconselhável que estes reservatórios apresentem elevadas porosidades e permeabilidades. A porosidade é um dos factores mais importantes para determinar a quantidade de gás natural que o reservatório pode albergar, sendo que a permeabilidade é uma medida da taxa de fluxo de gás dentro do reservatório e determina a taxa de injecção e extracção do gás.

Aquíferos

Aquíferos são massas rochosas com alta porosidade e permeabilidade, contidas entre rochas impermeáveis que acumulam água no subsolo, sendo exploradas como fontes naturais ou através de poços perfurados no local podendo, em alguns casos, serem utilizados para armazenamento subterrâneo de gás natural. Quando os reservatórios de hidrocarbonetos não estão disponíveis, os aquíferos poderão ser utilizados para o armazenamento subterrâneo do gás, se a estrutura possuir volumes e confinamento adequados. Em geral, o armazenamento em aquíferos é mais caro de ser implementado do que a metodologia anteriormente descrita. Como o aquífero inicialmente contém água, pouco gás ocorrerá na formação, assim do gás que é injectado grande parte será fisicamente impossível de ser extraído, cerca de 80% do gás irá constituir o gás de base. Consequentemente, a maioria destas instalações é construída quando os preços do gás se encontram em patamares inferiores, reduzindo assim o custo de instalação.

Em geral, este tipo de aquífero é o menos desejável e mais dispendioso, no entanto, e em alguns casos, os aquíferos são as únicas estruturas localizadas perto dos centros de consumo e não muito longe dos gasodutos, onde é possível um armazenamento eficiente.

A maioria dos armazenamentos subterrâneos de gás natural em aquíferos existentes no mundo está instalada entre 500 e 2.500 m de profundidade, com pressões variáveis de 40 a 300 bar, porosidades iguais ou superiores a 10% e permeabilidade acima de 20mDarcy. Normalmente, estas instalações apresentam um único ciclo anual de operação de modo semelhante aos reservatórios extintos. O impacto ambiental desta opção é menor, comparativamente com as cavidades salinas, pois não é necessário injecção de água e nem processamento da salmoura. No entanto, a sua utilização só é permitida se o aquífero apresentar níveis de salinização que tornem a água imprópria para consumo.

Cavidades Salinas

Algumas instalações de armazenamento são instaladas em estruturas salinas. Quando a estrutura salina é descoberta e identificada como tendo potencial para desenvolvimento do armazenamento, a caverna é criada no interior da estrutura salina. Isto é feito por um processo chamado “Cavern leaching”, onde água doce é bombeada através de um poço para o interior da estrutura salina, esta irá dissolver algum sal resultando um vazio e água, agora salgada (SALMOURA), que mais tarde é bombeada novamente até à superfície. Este processo continua até se atingir a dimensão desejada para a caverna. A pressão de armazenamento do gás é função da profundidade, geralmente é limitada aos 2000m. A capacidade típica deste tipo armazenamento é de 20-30 % de gás de base e 70-80% de gás útil que pode ser reciclado de 10 a 12 vezes por ano. Estas estruturas são, portanto, caracterizadas por uma elevada taxa de entrega, sendo utilizadas, principalmente, para responder aos picos de consumo sazonais (EIA, 2002).

Das três estruturas mais utilizadas para o armazenamento subterrâneo (Reservatórios extintos de petróleo/gás, Aquíferos e Cavidades Salinas), esta é a que apresenta o custo mais elevado. São precisos grandes volumes de água para a construção de cavidades salinas, sendo gerado um grande volume de Salmoura que terá que ser processada, podendo ser utilizada pela indústria química ou rejeitada no mar. No entanto, as altas taxas de entrega e o baixo volume de gás de base necessário, que até pode ser retirado em caso de emergência, contribuem para tornar esta alternativa economicamente atraente.

Minas desactivadas

A utilização de minas abandonadas para o armazenamento de gás natural é uma alternativa considerada não convencional. Historicamente, esta alternativa não foi muito utilizada, principalmente devido á sua capacidade de contenção inferior, as baixas profundidades, pressões e volumes reduzidos que possibilita, quando comparados com os casos anteriormente descritos.

Potencial nacional para o armazenamento subterrâneo

De acordo com COSTA (2009) as principais estruturas do tipo salífero identificadas são:

Anticlinais salíferos: Soure, Verride, Vermóil, Monte Real, São Pedro de Moel e Ervideira

Alinhamentos:

o Caldas da Rainha-Óbidos-Serra del Rei – Bolhos – Vimeiro-Praia de Santa Cruz

o Porto de mós-Fonte da Bica – Matacães

o Leiria

o Diapiro Pinhal Novo

o Diapiro Sesimbra

o Diapiro Montijo

o Anticlinal diapírico de Faro

o Anticlinais de Albufeira, Amieira e Moncarapacho

o Anticlinais de Loulé Sul, Gujões, Tavira e Arrifes

o Anticlinais de Portimão, Loulé Norte e Algoz

Sondagens efectuadas, para investigações petrolíferas, intersectaram algumas estruturas acima referidas, evidenciando ocorrências de espessuras consideráveis de sal-gema a profundidades superiores a 1000 metros (profundidade correspondente ao inicio do desenvolvimento de cavidades salíferas para armazenamento de GN a alta pressão).

Assim pode se assumir que Portugal apresenta características geológicas que permitam ampliar a capacidade de armazenamento de Gás Natural, contudo a estimação dessa capacidade dependerá de estudos geológicos de caracterização destas formações.

 Armazenamento subterrâneo no Carriço

No armazenamento em cavidades salinas, a estanquicidade da armazenagem é garantida pelas características do sal-gema das formações, nomeadamente uma muito baixa permeabilidade ao gás e elevada plasticidade. A construção destas cavidades em profundidade é aconselhável pelos elevados níveis de segurança associados, pela possibilidade de se utilizar pressões elevadas e consequentemente aumentar o volume de gás armazenado, fruto da sua compressibilidade. A selecção do Carriço foi alcançada com base na análise dos ambientes geológicos conhecidos em Portugal, dos vários locais analisados este foi o que apresentou maior potencialidade para o projecto, devido a:

Localização geográfica – proximidade do gasoduto principal e do mar, neste caso para a captação de água e rejeição da salmoura produzida. Menor impacte ambiental, características geológicas adequadas, dada a presença de um maciço salino (diapiro) entre as profundidades de 500 e 1500 metros, tendo em conta que tipicamente as cavidades são desenvolvidas entre os 1000 e os 1400m de profundidade

O processo de Construção

 A construção das cavidades inicia-se pela construção de um furo que, no caso do Carriço, se prolonga até cerca de 1450 m. Este furo é construído em troços sucessivamente de menor diâmetro. No final de cada troço, é instalada uma tubagem de aço até á superfície que são cimentadas aos terrenos em toda a sua altura. No final da prefuração, os poços são equipados com duas colunas de tubos concêntricos onde será injectada água doce.

Numa segunda fase realiza-se a dissolução do sal por um processo denominado Lixiviação, conseguida pela injecção de água, com a consequente produção de salmoura que é extraída até á superfície.

As quatro cavidades construídas no Carriço apresentam alturas entre 170 a 300 m, diâmetros de 60-70 m e volumes médios de cerca de 500.000 m3. A estabilidade global do maciço salino é garantida pela manutenção de um espaçamento mínimo de 300 metros entre os eixos das cavidades vizinhas.

Após a lixiviação a cavidade encontra-se cheia de salmoura, neste ponto procede-se á injecção de gás na cavidade, a pressões elevadas, “obrigando” à expulsão da salmoura por uma tubagem instalada no fundo da cavidade. Finalmente é instalada a uma profundidade de 30 m uma válvula de segurança, que permite o isolamento imediato da cavidade em caso de incidente á superfície, impedindo a fuga de gás.

O processo de lixiviação necessita de um grande volume de água, tendo sido construído um sistema de captação de água envolvendo 20 furos com 20m de profundidade e um caudal médio de 30 m3/h por furo, localizados na zona da Praia do Osso da Baleia a cerca de 7 km das instalações. Nestes furos foi instalado um sistema de piezómetros com o objectivo de monitorizar o nível freático e gerir a captação de forma sustentada. A rejeição da salmoura é realizada no Rego do Estremal a 9 km das instalações. Sendo monitorizada para avaliar eventuais impactes da salmoura nas comunidades marinhas. No entanto parte da salmoura produzida é aproveitada por uma unidade fabril (Renoeste) como matéria-prima para a produção de cloro.

A estação de Gás

O complexo industrial do Carriço compreende ainda uma Estação de Gás, à qual todas as cavidades estão ligadas por gasodutos, onde se faz o controlo dos caudais de gás movimentado entre a rede de gasodutos e as cavidades.

O ciclo de exploração das cavidades compreende duas etapas:

  • Injecção e extracção de gás. Durante a injecção, a Estação de gás recebe o gás natural do gasoduto, à pressão de cerca de 70 bar, sendo este filtrado e medido, de seguida o gás é comprimido até à pressão das cavidades (máxima 175 bar) através de dois compressores. Após a compressão, o gás passa por um processo de refrigeração, de forma a minimizar o efeito do aquecimento resultante da compressão, e é então envidado para as cavidades num caudal máximo de 110.000 m3/h.
  • Na extracção, o gás é encaminhado das cavidades para a Estação de gás, onde uma unidade de aquecimento permite compensar o arrefecimento do gás devido à expansão, evitando assim a formação de hidratos.

DIAPIROS SALINOS NA BACIA LUSITANIANA

Na Bacia Lusitaniana inúmeros diapiros afloram à superfície; a maioria, localizam-se a Norte da falha de Torres Vedras-Montejunto, ao longo das direcções NNE-SSW, a Sul e a Norte da falha da Nazaré, e NNW-SSE a NW-SE, a Norte desta falha. O complexo de Margas de Dagorda terá sido o responsável pelo diapirismo verificado nesta região, composto essencialmente por argilas evaporíticas, apresentando por vezes grandes espessuras de halite maciça.

Margas de Dagorda

Este sistema de depósitos continentais passa progressivamente a depósitos de planície aluvial com invasões marinhas episódicas. Estes acontecimentos, em simultâneo com uma aceleração da subsistência, permitiram a deposição de uma espessa coluna de evaporitos. Esta espessura é muito variável, embora, e devido á sua responsabilidade no diapirismo verificado na Bacia Lusitaniana, estas espessuras sejam na sua maioria diferentes das originais. A baixa densidade destes evaporitos proporcionaram a sua migração que alteraram completamente as espessuras originais, estas podem mesmo chegar a ser nulas devido á migração lateral dos evaporitos entre as camadas carbonatadas sobrejacentes e os “Grés de Silves que lhes servem de base (Figura 35) direcção às zonas de diapirismo onde as espessuras destas formações podem atingir os milhares de metros. (KULLBEG, 2000). Seguidamente será feito um enquadramento local de vários diapiros conhecidos na Bacia Lusitaniana (Figura 18):

Diapiro de Soure

As margas de Dagorda afloram à superfície, constituindo o núcleo de estrutura anticlinal, alongada segundo a direcção ENE-WSW. Este núcleo encontra-se parcialmente coberto pelos Arenitos de Carrascal. Este diapiro encontra-se limitado a Oeste pelo alinhamento de uma falha com orientação NW-SE e comprimento de 35-40M.

 Diapiro de Monte Real

À superfície, as Margas de Dagorda afloram descontinuamente e com áreas relativamente reduzidas, devido à cobertura por depósitos recentes, pliocénicos e quaternários (recentes). A norte de Monte real encontram-se afloramentos do Cretácico que parecem (segundo Kullberg 2000) encontrar-se assentes sobre as Margas de Dagorda. Estes afloramentos que expõem o contacto dos evaporitos com a rocha encaixante mostram, contacto por falha, sendo que na região de Souto da Carpalhosa a falha contacta os referidos grés.

Diapiro de S. Pedro De Moel

Este diapiro encontra-se, tal como o de Monte Real, coberto por sedimentos mais recentes, apresenta-se na forma alongada na direcção NNE-SSW, junto á costa a cerca de 1,5km a Sul da Praia de Nossa Senhora da Vitória.

Diapiro de Leiria

Trata-se de uma estrutura alongada segundo a direcção NE-SW, paralela à falha da Nazaré, segundo Kullberg 2000, a cartografia mostra um contacto por falha com todas as unidades encaixantes.

Diapiro de Caldas da Rainha

Este diapiro serve de base para o estudo pretendido, apresentando-se como o maior diapiro aflorante da orla ocidental portuguesa, com um largura média de 5km e um comprimento de 45km segundo a direcção NNE-SSW. Tal como os outros diapiros apresenta uma cobertura plio-quartenária, tendo sido alvo de vários estudos aprofundados, como de G. Zbyszewski (1959), F. Guéry (1984) e J. Canérot et al (1995) ( Kullberg, 2000), onde tem sido discutida a idade desta formação. Segundo Kullberg, 2000, o contacto do Kimmeridgiano cartografado no bordo sul do diapiro com as Margas de Dagorda é feito através de uma falha. Tal como noutros diapiros, encontram-se grandes quantidades de corpos ígneos, sobretudo no interior; o bordo apresenta o filão de Gaeiras, com extensão aproximada de 6km, ao longo da direcção WNW-ESSE, perpendicularmente ao alongamento do diapiro.

Potencial de armazenamento subterrâneo na região da bacia Lusitaniana

O objectivo primordial neste ponto será conseguir chegar a um volume, teórico, de gás natural que pode ser armazenado nesta região. Na ausência de reservatórios de Petróleo/Gás e Aquíferos disponíveis, concluiu-se que a melhor opção, para Portugal Continental, será a de utilizar a metodologia de Cavidades Salinas para o armazenamento pretendido.

Assim foram definidos critérios de localização potencial, em diapiros, para o armazenamento subterrâneo de acordo com a experiência adquirida pelo Engenheiro Paulo Gil, Transgas durante os trabalhos realizados no Carriço.

Os critérios admitidos foram:

  • Distância de segurança de Aeroportos (civis ou militares) de 20 km.
  • Distância de segurança de 100m de estradas Distância de segurança de 200 m de Habitações ou espaços públicos (neste caso adicionou-se a esta condição os espaços com produção agrícola procurando minimizar eventuais impactos sociais)
  •  Deverá ser instalado em zonas planas ou pouco inclinadas Áreas fora da REN (Reserva Ecológica Nacional) e RAN (Reserva Agrícola Nacional) Instalações deverão encontrar-se próximas do oceano, necessária para o processo de lixiviação das cavernas, e da rede de gasodutos.

Procedimento

O mapa apresentado na Figura 19 é o resultado dos primeiros trabalhos de prospecção e pesquisa, em 1943 por iniciativa de Sr. Francisco Brito (administrador da companhia Sais de Potássio Lda.), destinados a reconhecer a possível existência de sais nas regiões de Leiria, Caldas da Rainha e Óbidos. Anteriormente a essa data não se conheciam jazigos de sal-gema em Portugal, no entanto a existência de águas salgadas que alimentavam as marinhas de Leiria e Rio Maior faziam prever a sua descoberta. Os trabalhos comportaram um reconhecimento por prospecção sísmica e sondagens, a descoberta de sal-gema nas áreas referidas teve como consequência a extensão das pesquisas a outras areais, tais como os diapiros de Monte Real e Matacães (ZBYSZEWSKI, 1971)

Identificados os diapiros, torna-se necessário estudar qual o uso do solo, aplicado às zonas de interesse, para isso utilizou-se o projecto CORINE Land Cover 2006 (fonte: Instituto Geográfico Português). Este projecto teve como objectivo fornecer informação geográfica, consistente sobre a cobertura do solo de 12 países pertencentes á comunidade Europeia, uma das principais razões que levaram á sua execução prende-se com o facto de a informação disponível, sobre o uso do solo a escala nacional, apresentar-se fragmentada e de difícil obtenção. O CORINE veio fornecer então informação geográfica precisa dos 12 países, tendo sido aplicado um algoritmo a imagens de satélite identificando-se as diferentes classes de ocupação do solo. O aspecto geral deste projecto para o caso de Portugal é apresentado na Figura 22.

O resultado obtido, Figura 25, possibilita afirmar que vários diapiros identificados terão que ser excluídos do nosso estudo, por se situarem a menos de 20km de aeroportos, designadamente do Aeroporto de Monte Real, ficando o estudo restringido ao diapiro das Caldas da Rainha

No entanto, as duas últimas condicionantes, terão que ser estudadas em simultâneo, para se poder identificar, de maneira precisa, o número e dimensões de áreas favoráveis que se encontram a 100 m de estradas e 200m de habitações, onde teoricamente poderá ser instalado o pretendido armazenamento subterrâneo de gás natural (Figura 29).

Na Figura 30, é possível identificar diversas zonas a verde, que foram validadas pelas condições admitidas até este ponto, sendo portanto zonas de interesse para o estudo de localização do armazenamento subterrâneo de GN.

Áreas fora de REN (Reserva Ecológica Nacional) ou RAN (Reserva Agrícola Nacional)

Para validar esta condição foi necessário recorrer á base de dados do SNIT (Sistema Nacional de Informação Territorial), utilizando os Planos de Condicionantes disponíveis para os diversos concelhos estudados. (Planos originais em anexo)

Tendo estes dados, as imagens foram georreferenciadas e cruzadas com as áreas favoráveis, identificadas nas condições anteriores, sendo feito o estudo para os 3 concelhos afectados:

Nazaré

Na Figura 32 é perceptível que as áreas situadas mais a oeste se encontram no interior da denominada Reserva Ecológica Nacional, sendo por isso excluídas do estudo. No entanto, as restantes áreas potenciais neste concelho encontram-se no interior da Mata Nacional Valado dos Frades, o que poderá implicar graves problemas quer de impactes ambientais quer de opinião pública devido á desflorestação necessária.

A Mata Nacional do Valado de Frades, foi criada há vários séculos para conter o avanço das areias do litoral, como tal será sempre uma localização sensível para a instalação do armazenamento, só com um estudo intenso de impactes ambientes e com a classificação das instalações como utilidade pública/nacional seria possível utilizar estas áreas. No entanto para o objectivo do trabalho de procurar encontrar um número total de gás natural que, eventualmente, pudesse ser armazenado nesta região será admitido que esta localização seria aprovada pelas entidades competentes. Assim sendo serão excluídas unicamente, as áreas situadas no interior da Reserva Nacional Ecológica

Caldas da Rainha

Nesta zona, Figura 33, podemos verificar que a maioria das áreas potenciais anteriormente identificadas encontram-se no espaço de Reserva Ecológica, ficando restringido o estudo às três zonas situadas mais a sul.

Peniche

Na região de Peniche, as áreas potenciais anteriormente identificadas foram validadas por esta condição, visto que estas não pertencem às reservas existentes nesse concelho (Figura 34).

Proximidade a fonte de água/rede nacional de gasodutos

Neste ponto irei tomar como cenário de comparação, o caso do armazenamento subterrâneo de gás natural já em operação no Carriço onde o distanciamento entre o armazenamento e o gasoduto principal da rede nacional é de sensivelmente 17 000 m, sendo que, em relação ao mar este dista cerca de 6 000 m da instalação. Assim sendo serão analisadas as 3 regiões distintas, onde foram encontradas as áreas potenciais Figura 35 (Nazaré, Caldas da Rainha e Peniche)

Na zona norte (Nazaré) foi verificado que o distanciamento de um ponto médio ao gasoduto principal dista cerca de 8000 m e uma distância ao oceano de 5000m. Caso seja verificado que todas estas áreas reúnam as condições geológicas para o armazenamento seria necessária a construção, tal como acontece nas instalações do Carriço, de um gasoduto secundário que iria conectar todas estas áreas ao gasoduto principal com um comprimento aproximado de 8000 m, por outro lado esta região apresenta-se relativamente próxima do oceano onde poderá ser captada água para o processo de lixiviação e também rejeição da salmoura.

Na zona central do diapiro (Caldas da Rainha), as distâncias ao gasoduto e ao oceano são de 20000 metros e 4000 metros respectivamente. Neste caso terá de ser feito um estudo, económico, verificando se o investimento necessário, para construção do gasoduto secundário, viabiliza ou não o projecto.

As áreas mais a sul (Peniche) apresentam-se distanciadas de cerca de 27 000 metros do gasoduto principal da Rede nacional, sendo que comparativamente aos 17 000 metros existentes no caso do Carriço, poderá indicar uma forte condicionante a esta localização, este facto pode ser explicado pelo forte investimento em gasodutos de ligação á rede nacional de gasodutos que teria de ser feito. Em relação ao distanciamento em relação ao mar este ronda os 6000 m muito próximo do verificado no caso de estudo

Neste cenário concluiu-se que com as cavidades encontradas seria possível obter um valor de armazenamento médio de 1000 MM m3 (1bcm). Face ao consumo anual registado de 4.3 bcm no ano de 2009 ( BP Statistical Review of World Energy Full Report 2010) poderá se afirmar que Portugal estaria em condições de responder ao consumo nacional por um período de 84 dias, o que acrescentando aos 22 dias correspondentes á reserva de gás actualmente disponíveis representará 106 dias de consumo interno sem recurso a qualquer fonte de abastecimento. Comparando com o actual estado de armazenamento de gás natural na União Europeia, onde França se apresenta como a maior reserva, suficientes para responder ao consumo interno de 91 dias, pode-se então afirmar que neste cenário Portugal seria o país com maior volume de gás armazenado.

Contudo pela análise geográfica verifica-se que se limitarmos a restrição às vias principais (auto-estradas e ferrovias) poderemos aglomerar as áreas mais próximas resultando logicamente em áreas de armazenamento maiores (Figura 36) e consequentemente maior número de cavidades disponíveis. Para que esta opção seja viável terá que ser feito um estudo sobre intensidade de tráfego das referidas estradas secundárias e possíveis trajectos alternativos.

Admitindo este segundo cenário (Tabela 5), Portugal passaria a dispor só nas regiões estudadas de cerca de 41% do total consumido no ano de 2009. Em conjunto com o armazenamento existente de Gás natural na região do Carriço e o armazenamento de Gás natural Liquefeito em Sines resultaria numa reserva de 1.973 bcm representando praticamente metade do consumo anual médio (4bcm) equivalente a 165 dias de consumo interno.

Um terceiro cenário pode ser estudado, admitindo que as zonas potenciais identificadas no interior da Mata Valados dos Frades (Concelho de Nazaré) seriam inviabilizadas, em consequência dos inevitáveis impactes que seriam causados. Assim foi efectuado o mesmo procedimento anterior, mas retirando o volume armazenado nas zonas impedidas, resultando que o total de gás que poderia ser armazenado seria de 450 MM m3. Este volume armazenável corresponde a 41 dias de consumo médio interno, que em conjunto com a actual capacidade de armazenamento em território nacional, de 22 dias, significa 63 dias de consumo interno médio de Gás Natural. Apesar deste cenário apresentar resultados inferiores aos verificados anteriormente, continua a ser um forte incremento á actual situação de armazenamento em território nacional.

Impactes ambientais.

A actividade descrita neste trabalho, apesar de se tratar de armazenamento subterrâneo, acarreta inevitavelmente impactes ambientais importantes. Assim sendo neste capítulo serão descritos os impactes ambientes verificados no caso de estudo (Armazenamento Subterrâneo, REN AS, na região do Carriço) bem como as medidas aplicadas para minimizar os possíveis impactes negativos.

Os principais impactes ambientais detectados no armazenamento subterrâneo de gás natural do Carriço foram:

  • Alterações climáticas, decorrentes de emissões de metano e dióxido de carbono para a atmosfera.
  • Perda de biodiversidade, resultante da alteração do uso dos solos
  • Afectação localizada de águas subterrâneas e superficiais.
  • Ruído gerado no processo de construção
  • Impactes associados á rejeição da salmoura
  • Impactes associados á captação de água, poderão existir efeitos na vegetação dunar por rebaixamentos de nível freático

O processo de lixiviação, necessário para a construção das cavidades salinas, envolve a injecção e extracção contínua de água no maciço salino desta forma é necessária a captação de um elevado volume de água que possa ser utilizada para a construção das cavidades. A obtenção de água directamente de um aquífero poderá resultar num rebaixamento do nível freático aumentando a susceptibilidade de impactos no ecossistema local.

No estudo de Impacte Ambiental do Projecto de Armazenamento Subterrâneo de Gás Natural no Carriço, foi determinado que a captação de água fosse efectuada recorrendo a 20 furos de captação localizados no Pombal, diversos estudos de monitorização efectuado entre 2002 e 2007 concluíram não terem sido perceptíveis quaisquer impactes no coberto vegetal.

Um dos principais problemas associados a esta actividade prende-se com o facto de durante o processo de lixiviação, necessário para obtenção das desejadas cavidades salinas, serem produzidos elevados volumes de salmoura que será rejeitada potenciando impactes ambientais importantes. (REN AS, 2008)

Vários métodos de rejeição da salmoura poderão ser aplicados:

  • Descarga no oceano
  • Controlo de poeiras em estradas por exemplo.
  •  Aplicação para a indústria Química

No caso de estudo, Carriço, a opção aplicada foi a de fazer a descarga de salmoura directamente no oceano, na região Rego do Estremal a 9 km das instalações, contudo procurando diminuir o volume de salmoura descarregada e algum retorno do processo de extracção da salmoura foi conseguida uma cooperação entre as empresas Transgás (Armazenamento) e uma empresa especializada na indústria de produção de Sal (Renoeste).

Para que este projecto fosse viável, foi construída uma central de Cogeração, esta central produz conjuntamente calor e electricidade a partir da queima de gás natural, sendo que a electricidade produzida irá alimentar a fábrica de sal da RENOESTE e a restante será exportada para o Sistema Eléctrico Público. O calor produzido, sob forma de água quente é enviado para a fábrica de sal onde será utilizado para o aquecimento da salmoura ,depositada nas salinas, proveniente da execução das cavidades salinas de armazenamento subterrâneo de gás natural da REN/TRANSGÁS (SANTOS, 2002).

A principal vantagem da construção desta Central de Cogeração prende-se com o facto de sem ela a produção de sal na fábrica da RENOESTE não seria possível, porque seria mais caro e ocuparia um maior área de solo. O sal a produzir de elevada pureza será utilizado depois para a produção de cloro na fábrica da UNITECA em Estarreja.


Conclusões

Na elaboração deste trabalho ficou demonstrada a importância crescente das estruturas de armazenamento subterrâneo de Gás Natural na definição de políticas energéticas sustentáveis. Para o caso da União Europeia, essa importância é ainda mais relevante devido ao problema anteriormente descrito da dependência excessiva do gás proveniente da Rússia, conferindo a esse país um elevado poder negocial e político, que aumenta a vulnerabilidade dos países que dependem dessa fonte de abastecimento. Assim o aumento das Reservas Estratégicas Europeias, para além das questões relacionadas com a segurança de abastecimento, apresenta-se como uma boa solução comercial dotando os países pertencentes à UE de maior poder negocial, podendo até alcançar condições mais vantajosas para a aquisição do Gás Natural.

Neste contexto, Portugal, pode posicionar-se de forma a funcionar como reserva da UE, e na ausência de produção interna poderá armazenar gás proveniente da Argélia (via gasodutos) e da Nigéria (via marítima) e comercializá-lo para os países necessitados, atingindo-se assim vantagens mútuas em que Portugal poderia dar um impulso na economia nacional obtendo receitas significativas do Gás vendido, sendo que os restantes países possuiriam mais uma fonte de abastecimento de GN. Este trabalho reflecte os condicionamentos de acesso aos dados sendo que a metodologia desenvolvida foi adaptada à escala e tipo de dados existentes, conduzindo a conclusões interessantes. O estudo efectuado, focou-se numa análise geográfica que teria que ser validada por estudos complementares de avaliação da estabilidade dos diapiros.

Ainda assim, neste estudo, ficou demonstrado que Portugal apresenta estruturas salinas em abundância, sendo que na região estudada, no melhor dos cenários, poderiam ser armazenados cerca de 1.973 bcm de GN, equivalente a 165 dias de consumo interno. Caso este estudo, seja comprovado, Portugal passaria a ter a maior reserva da União Europeia. Esta reserva estratégica de Gás além de aumentar a Segurança Energética do País e prepará-lo para tempos de crise no abastecimento, poderia também ser utilizada para fins comerciais, revendendo o gás armazenado aos países da UE que apresentem os problemas de dependência excessiva.

Neste contexo de crise económica e financeira, o armazenamento de gás natural e a sua comercialização podem representar saídas viáveis para o futuro… (…) (Troika vs Povo)

Armazenamento de gás natural em Portugal. Onde, como e porquê!

A exploração de energias fósseis requer e vai requer mais e mais água. Toda ela ficará imprópria para consumo humano, mas será vendida como subproduto ou descarregada no mar. O Impacto ambiental já reconhecido será multiplicado em várias frentes.

Potencial de armazenamento subterrâneo em cavidades salinas de gás natural em Portugal.

2013-05-28163527_d6e4ab70-d11d-4b62-932e-ce6d6b693e24$$de105d13-5173-4bbc-8605-3ca2aafefff0$$c000140f-194a-4f99-b061-f4a7af4c1934$$Image1$$pt$$1Excertos de uma dissertação para obtenção de grau de mestre em Engenharia Geológica e de Minas.

Orientador. Mais uma vez; António José da Silva ( Partex Oil nad Gas). 2010

Documento original: Armazenamento_Subterrâneo_de_Gas_Natural

“Resumo

Com a elaboração desta dissertação, pretende-se fazer uma exposição sobre a temática de Armazenamento Subterrâneo de Gás natural, dando maior foco ao panorama europeu, mais especificamente, à possibilidade de expandir o volume de gás armazenado em território Português. Com base no mapa de diapiros, identificados na região da Bacia Lusitaniana, faz-se um estudo geográfico definindo-se critérios de localização, identificando-se diversas áreas nos Concelhos de Peniche, Caldas da Rainha e Nazaré, onde se conclui que, teoricamente, poderão ser armazenados 1650 Milhões de metros cúbicos, equivalentes a 106 dias de consumo interno.

Objectivos

O presente trabalho pretende ser um estudo, principalmente geográfico, sobre potenciais áreas de interesse para instalação de armazenamento de GN (Gás Natural) em Portugal Continental, nomeadamente, na região da Bacia Lusitaniana, com vista a aumentar o volume de GN que poderá ser armazenado no nosso país.

A Europa depende hoje de 50% de energia importada do exterior e, dentro de 25 anos, essa dependência subirá para os 70%. Este facto confere um grande poder aos países exportadores, como a Rússia, para quem a Europa demonstra uma dependência excessiva. Deste modo, a procura por diversificação de fontes de abastecimento assume um papel fulcral para um futuro suscentável (Costa e Silva, 2009,in Expresso.)

Evolução das reservas

As reservas provadas mundiais cresceram de forma constante ao longo dos anos, sendo que em 1980 encontravam-se perto do patamar dos 80 000 bcm, ascendendo aos 180 000 bcm em 2006.

Este aumento das reservas desde 1980 foi determinado por dois factores:

Aumento do investimento em tecnologias de exploração e produção, permitindo que fosse produzido gás de reservatórios inacessíveis anteriormente. Crescimento da exploração de gás natural em certas zonas onde anteriormente o foco da exploração era o petróleo como, por exemplo, o Médio Oriente.

Contudo, há que destacar que a Noruega não sendo membro da união Europeia, apresenta as segundas maiores reservas provadas do continente europeu, atrás da Rússia, com 2 960 bcm (BP Statistical Review 2007, dados do final do ano de 2007).

Portugal

Em 2009, o consumo anual de Gás Natural em Portugal foi de aproximadamente 4 bcm (BP Statistical Review, 2010), repartidos entre produção de electricidade e outras utilizações convencionais. A taxa média de crescimento anual é de 2.5%, sendo que esta taxa pode variar em virtude da concorrência de outros combustíveis para a produção de energia eléctrica.

Na ausência de produção interna, o fornecimento provém da Argélia, sob a forma de Gás Natural, transportado por gasoduto que entra no País nas proximidades de Campo Maior, e da Nigéria transportado por via marítima, sob a forma de gás natural liquefeito, para o porto de Sines, que tem um terminal equipado para a trasfega e gaseificação do gás importado.

América do Norte

Os países da América do Norte constituem um mercado maduro de gás natural que é auto-suficiente. A liberalização deste mercado começou nos anos 70 entre o Canadá e os Estados Unidos, sendo os responsáveis pela abertura e implementação deste mercado.

 Armazenamento subterrâneo de Gás Natural

O armazenamento subterrâneo é um elemento fundamental da generalidade dos sistemas energéticos modernos. A principal função do armazenamento de gás natural relaciona-se com a necessidade de manter um equilíbrio entre a procura e a oferta de gás, suprimindo os picos de procura diários, ou até horários, amenizando assim as flutuações dos volumes consumidos, cenário muito comum em países com invernos rigorosos, que representam um aumento significativo na procura por este combustível.

Nos meses frios (de Novembro a Março, em Portugal), o consumo aumenta consideravelmente, consequência do uso do gás natural para aquecimento de ambientes residenciais ou comerciais. No México, por exemplo, os stocks, não têm apenas de garantir o abastecimento no Inverno, mas também no Verão quando ocorrem picos de consumo de gás para a geração de energia eléctrica para utilização em equipamentos de ar condicionado.

No entanto, este tipo de armazenamento é também usado por uma grande variedade de factores: Equilibrar o fluxo de gás nos gasodutos, para assegurar que a pressão nos gasodutos se mantém, dentro dos parâmetros de segurança;

Cumprir com os contractos efectuados, mantendo o volume de entrega e salvaguardando qualquer imprevisto que possa levar à aplicação de multas por incumprimento contratual;

Para nivelar a produção em períodos de flutuação do consumo, armazenando o gás não comercializado de imediato, geralmente no Verão quando a procura é baixa, e entregá-lo no inverno com o aumento da procura;

Como ferramenta de especulação de mercado, quando os produtores antevêem uma subida significativa do preço do gás, compram o gás a preços baixos para depois quando o preço subir até ao desejado, o venderem;

Como seguro contra acidentes imprevistos, incluindo acidentes naturais como furacões ou problemas de mau funcionamento da produção, etc.;

Para reduzir a volatilidade do preço. Segurança de abastecimento energético

No entanto, a maioria das instalações actuais de armazenamento têm como objectivo primordial atender a sazonalidade da procura.

História do armazenamento subterrâneo de gás natural

A utilização de cavidades salinas foi empregue, pela primeira vez, em 1961, no estado de Michigan, EUA.

Um dos tipos mais recentes de armazenamento é a utilização de minas abandonadas, sendo o primeiro registo desta metodologia conhecido em 1963,também nos EUA, contudo existem poucas instalações deste tipo em actividade actualmente. (APPI, 2005)

Recentemente, uma nova metodologia foi desenvolvida. Entre 1999, e 2002, foi construído o primeiro armazenamento em caverna rochosa na Suécia, que após finalizado, foi submetido a diversos testes que comprovaram a sua comercialidade (MANSSON, 2006).

Capacidade de armazenamento de Gás Natural em Portugal

Comprovando a ocorrência de condições geológicas e da sua localização favorável relativamente aos centros de consumo e rede de gasodutos, Portugal tem vindo, desde 2004, a criar condições de armazenamento de Gás Natural e GNL. Desta capacidade, 43% é sob a forma de GNL em Sines, e a restante sob a forma de GN nas cavidades subterrâneas em formações salíferas situadas no centro do país (Carriço, distrito de Leiria). Na presente estação de armazenamento do Carriço pode armazenar-se cerca de 183 milhões de m3 e em Sines a capacidade de armazenamento de GNL é de 140 milhões de m3. Esta capacidade corresponde a cerca de 22 dias de consumo médio interno, devendo aumentar com a ampliação prevista para 28 dias.

 A REN Armazenamento (Rede Energética Nacional) tem um plano de desenvolvimento do Carriço que prevê a construção de 25 cavernas, estando de momento aprovado o plano de desenvolvimento de 4 cavernas até 2016, ano em que o país passará a dispor só na unidade do Carriço de cerca de 450 MM m3 (9 cavernas), cerca de 10% do consumo anual estimado para essa data. Quando as 25 cavernas estiverem concluídas Portugal poderá atingir o valor de 1 250 MM m3.

Para além desta região, prevê-se ainda um aumento da capacidade em Sines com a construção de um novo reservatório de 150 000 m3, para estar operacional em 2012. (COSTA, 2009)

Cavidades Salinas

98bb54816e77faece53e2c532a67a2b7Algumas instalações de armazenamento são instaladas em estruturas salinas. Quando a estrutura salina é descoberta e identificada como tendo potencial para desenvolvimento do armazenamento, a caverna é criada no interior da estrutura salina. Isto é feito por um processo chamado “Cavern leaching”, onde água doce é bombeada através de um poço para o interior da estrutura salina, esta irá dissolver algum sal resultando um vazio e água, agora salgada (SALMOURA), que mais tarde é bombeada novamente até à superfície. Este processo continua até se atingir a dimensão desejada para a caverna.

A prospecção de estruturas salinas é feita por meio de estudos sísmicos, gravimétricos e electromagnéticos que se baseiam no contraste que existe entre condutividades, velocidade de propagação de ondas e densidade do sal e rochas que o rodeia.

Das três estruturas mais utilizadas para o armazenamento subterrâneo (Reservatórios extintos de petróleo/gás, Aquíferos e Cavidades Salinas), esta é a que apresenta o custo mais elevado. São precisos grandes volumes de água para a construção de cavidades salinas, sendo gerado um grande volume de Salmoura que terá que ser processada, podendo ser utilizada pela indústria química ou rejeitada no mar.

Potencial nacional para o armazenamento subterrâneo

De acordo com COSTA (2009) as principais estruturas do tipo salífero identificadas são: Anticlinais salíferos: Soure, Verride, Vermóil, Monte Real, São Pedro de Moel e Ervideira Alinhamentos:

o Caldas da Rainha-Óbidos-Serra del Rei – Bolhos – Vimeiro-Praia de Santa Cruz

o Porto de mós-Fonte da Bica – Matacães

o Leiria

o Diapiro Pinhal Novo

o Diapiro Sesimbra

o Diapiro Montijo

o Anticlinal diapírico de Faro

o Anticlinais de Albufeira, Amieira e Moncarapacho

o Anticlinais de Loulé Sul, Gujões, Tavira e Arrifes

o Anticlinais de Portimão, Loulé Norte e Algoz

Armazenamento subterrâneo no Carriço

No armazenamento em cavidades salinas, o estanque da armazenagem é garantida pelas características do sal-gema das formações, nomeadamente uma muito baixa permeabilidade ao gás e elevada plasticidade.

A selecção do Carriço foi alcançada com base na análise dos ambientes geológicos conhecidos em Portugal, dos vários locais analisados este foi o que apresentou maior potencialidade para o projecto, devido a: Localização geográfica – proximidade do gasoduto principal e do mar, neste caso para a captação de água e rejeição da salmoura produzida Menor impacte ambiental

O processo de Construção

A construção das cavidades inicia-se pela construção de um furo que, no caso do Carriço, se prolonga até cerca de 1450 m. Este furo é construído em troços sucessivamente de menor diâmetro. No final de cada troço, é instalada uma tubagem de aço até à superfície que são cimentadas aos terrenos em toda a sua altura. No final da furação, os poços são equipados com duas colunas de tubos concêntricos onde será injectada água doce.

Numa segunda fase realiza-se a dissolução do sal por um processo denominado Lixiviação, conseguida pela injecção de água, com a consequente produção de salmoura que é extraída até á superfície.

O processo de lixiviação necessita de um grande volume de água, tendo sido construído um sistema de captação de água envolvendo 20 furos com 20m de profundidade e um caudal médio de 30 m3/h por furo, localizados na zona da Praia do Osso da Baleia a cerca de 7 km das instalações. Nestes furos foi instalado um sistema de piezómetros com o objectivo de monitorizar o nível freático e gerir a captação de forma sustentada. A rejeição da salmoura é realizada no Rego do Estremal a 9 km das instalações. Sendo monitorizada para avaliar eventuais impactes da salmoura nas comunidades marinhas. No entanto parte da salmoura produzida é aproveitada por uma unidade fabril (Renoeste) como matéria-prima para a produção de cloro.

A estação de Gás

O complexo industrial do Carriço compreende ainda uma Estação de Gás, à qual todas as cavidades estão ligadas por gasodutos, onde se faz o controlo dos caudais de gás movimentado entre a rede de gasodutos e as cavidades.

DIAPIROS SALINOS NA BACIA LUSITANIANA

Na Bacia Lusitaniana inúmeros diapiros afloram à superfície; a maioria, localizam-se a Norte da falha de Torres Vedras-Montejunto, ao longo das direcções NNE-SSW, a Sul e a Norte da falha da Nazaré, e NNW-SSE a NW-SE, a Norte desta falha

O complexo de Margas de Dagorda terá sido o responsável pelo diapirismo verificado nesta região, composto essencialmente por argilas evaporíticas, apresentando por vezes grandes espessuras de halite maciça.

Potencial de armazenamento subterrâneo na região da bacia Lusitaniana

O objectivo primordial neste ponto será conseguir chegar a um volume, teórico, de gás natural que pode ser armazenado nesta região. Na ausência de reservatórios de Petróleo/Gás e Aquíferos disponíveis, concluiu-se que a melhor opção, para Portugal Continental, será a de utilizar a metodologia de Cavidades Salinas para o armazenamento pretendido.

Assim foram definidos critérios de localização potencial, em diapiros, para o armazenamento subterrâneo de acordo com a experiência adquirida pelo Engenheiro Paulo Gil, Transgas durante os trabalhos realizados no Carriço.

Os critérios admitidos foram: Distância de segurança de Aeroportos (civis ou militares) de 20 km. Distância de segurança de 100m de estradas Distância de segurança de 200 m de Habitações ou espaços públicos (neste caso adicionou-se a esta condição os espaços com produção agrícola procurando minimizar eventuais impactos sociais) Deverá ser instalado em zonas planas ou pouco inclinadas Áreas fora da REN (Reserva Ecológica Nacional) e RAN (Reserva Agrícola Nacional). Instalações deverão encontrar-se próximas do oceano, necessária para o processo de lixiviação das cavernas, e da rede de gasodutos

 Procedimento

O resultado dos primeiros trabalhos de prospecção e pesquisa, em 1943 por iniciativa de Sr. Francisco Brito (administrador da companhia Sais de Potássio Lda.), destinados a reconhecer a possível existência de sais nas regiões de Leiria, Caldas da Rainha e Óbidos. Anteriormente a essa data não se conheciam jazigos de sal-gema em Portugal, no entanto a existência de águas salgadas que alimentavam as marinhas de Leiria e Rio Maior faziam prever a sua descoberta. Os trabalhos comportaram um reconhecimento por prospecção sísmica e sondagens, a descoberta de sal-gema nas áreas referidas teve como consequência a extensão das pesquisas a outras areais, tais como os diapiros de Monte Real e Matacães (ZBYSZEWSKI, 1971

 Impactes ambientais

A actividade descrita neste trabalho, apesar de se tratar de armazenamento subterrâneo, acarreta inevitavelmente impactes ambientais importantes. Assim sendo neste capítulo serão descritos os impactes ambientes verificados no caso de estudo (Armazenamento Subterrâneo, REN AS, na região do Carriço) bem como as medidas aplicadas para minimizar os possíveis impactes negativos.

Os principais impactos ambientais detectados no armazenamento subterrâneo de gás natural do Carriço foram:

Alterações climáticas, decorrentes de emissões de metano e dióxido de carbono para a atmosfera.

Perda de biodiversidade, resultante da alteração do uso dos solos Afectação localizada de águas subterrâneas e superficiais.

Ruído gerado no processo de construção Impactes associados á rejeição da salmoura Impactes associados á captação de água, poderão existir efeitos na vegetação dunar por rebaixamentos de nível freático

O processo de lixiviação, necessário para a construção das cavidades salinas, envolve a injecção e extracção contínua de água no maciço salino desta forma é necessária a captação de um elevado volume de água que possa ser utilizada para a construção das cavidades. A obtenção de água directamente de um aquífero poderá resultar num rebaixamento do nível freático aumentando a susceptibilidade de impactos no ecossistema local.

No estudo de Impacte Ambiental do Projecto de Armazenamento Subterrâneo de Gás Natural no Carriço, foi determinado que a captação de água fosse efectuada recorrendo a 20 furos de captação localizados no Pombal, diversos estudos de monitorização efectuado entre 2002 e 2007 concluíram não terem sido perceptíveis quaisquer impactes no coberto vegetal.

Um dos principais problemas associados a esta actividade prende-se com o facto de durante o processo de lixiviação, necessário para obtenção das desejadas cavidades salinas, serem produzidos elevados volumes de salmoura que será rejeitada potenciando impactes ambientais importantes.

 Vários métodos de rejeição da salmoura poderão ser aplicados:

Descarga no oceano.

Controlo de poeiras em estradas por exemplo.

Aplicação para a indústria Química

No caso de estudo, Carriço, a opção aplicada foi a de fazer a descarga de salmoura directamente no oceano, na região Rego do Estremal a 9 km das instalações, contudo procurando diminuir o volume de salmoura descarregada e algum retorno do processo de extracção da salmoura foi conseguida uma cooperação entre as empresas Transgás (Armazenamento) e uma empresa especializada na indústria de produção de Sal (Renoeste).

Para que este projecto fosse viável, foi construída uma central de Cogeração, esta central produz conjuntamente calor e electricidade a partir da queima de gás natural, sendo que a electricidade produzida irá alimentar a fábrica de sal da RENOESTE e a restante será exportada para o Sistema Eléctrico Público. O calor produzido, sob forma de água quente é enviado para a fábrica de sal onde será utilizado para o aquecimento da salmoura ,depositada nas salinas, proveniente da execução das cavidades salinas de armazenamento subterrâneo de gás natural da REN/TRANSGÁS (SANTOS, 2002).

Conclusões

Na elaboração deste trabalho ficou demonstrada a importância crescente das estruturas de armazenamento subterrâneo de Gás Natural na definição de políticas energéticas sustentáveis. Para o caso da União Europeia, essa importância é ainda mais relevante devido ao problema anteriormente descrito da dependência excessiva do gás proveniente da Rússia, conferindo a esse país um elevado poder negocial e político, que aumenta a vulnerabilidade dos países que dependem dessa fonte de abastecimento

Neste contexto, Portugal, pode posicionar-se de forma a funcionar como reserva da UE, e na ausência de produção interna poderá armazenar gás proveniente da Argélia (via gasodutos) e da Nigéria (via marítima) e comercializá-lo para os países necessitados, atingindo-se assim vantagens mútuas em que Portugal poderia dar um impulso na economia nacional obtendo receitas significativas do Gás vendido,

Ainda assim, neste estudo, ficou demonstrado que Portugal apresenta estruturas salinas em abundância, sendo que na região estudada, no melhor dos cenários, poderiam ser armazenados cerca de 1.973 bcm de GN, equivalente a 165 dias de consumo interno. Caso este estudo, seja comprovado, Portugal passaria a ter a maior reserva da União Europeia.”

Gazprom e privatização das energias e dos movimentos sociais. Politica e energias!

A gigante Russa Gazprom propôs ao presidente do Chipre, um plano de resgate, onde a multinacional assumiria a reestruturação da banca e em troca ficaria como todos os direitos de exploração das reservas de gás natural na zona offshore económica cipriota.  Correio da Manhã 19 março 2012.

Tudo se passou depois do Chipre ter recusado o imposto sobre depósitos bancários apresentada pelo Eurogrupo ( Alemanha e FMI).  Ambas as proposta foram recusadas de imediato, mas a pressão politica e empresarial que está a ser feita sobre o Chipre, não lhe deixará muitas alternativas. Agora tanto a Gazprom como a União Europeia como o FMI e o Banco Central vão querer as jazidas de gás natural do Chipre. O Chipre possui metade das reservas de gás natural da bacia de Levante ( Chipre, Israel, Líbano, Egipto) são 120 triliões de pés cúbicos de fonte de energia, da qual metade está na zona offshore do Chipre. Depois do que se passou na Ucrânia com a Gazprom, nada de bom se avizinha para o Chipre.

A situação no Chipre está cada vez mais complicada. Com o chumbo no Parlamento e sem fundos de Bruxelas, a Rússia parece ser a próxima hipótese para salvar o país da bancarrota. Mesmo assim, as negociações com Moscovo estão complicadas.

Porque é que os Russos gostam tanto do Chipre?

Para todos os efeitos, Chipre não é um paraíso fiscal, mas é assim que se apresenta. Isto é sinónimo de impostos mais favoráveis, especialmente para não-residentes. Para se ter noção da diferença, em Chipre os juros dos depósitos são taxados a 0%; em Portugal, o Orçamento do Estado para 2013 fixou uma taxa liberatória de 28% (antes eram 25%) a aplicar aos juros de depósitos e a todos os rendimentos de capitais.

A legislação de Chipre facilita, assim, a aplicação de capitais estrangeiros e até a lavagem de dinheiro, uma vez que o controlo é pouco apertado. A taxa ontem rejeitada no Parlamento iria provavelmente provocar uma fuga de capitais estrangeiros, sobretudo russos.

A Gazprom russa oferece-se para pagar a dívida de Chipre em troca de quê?

O diário russo Vedomosti noticiou ontem que o Gazprombank propôs uma ajuda financeira a Nicosia, em troca de licenças de produção e exploração de gás natural ao largo da ilha mediterrânica. O Gaz-promban, atualmente uma das primeiras instituições financeiras na Rússia, foi criado no início da década de 90 pelo gigante público Gazprom, para fornecer serviços financeiros à indústria energética do gás.

Se não obtiver resgate, como é que o Chipre se pode financiar?

Esta é a pergunta mais complicada. Na primeira versão, a União Europeia e o FMI propunham uma ajuda de 10 mil milhões de euros, em moldes parecidos com os outros resgates na zona euro, acrescentando a este valor mais 5,8 mil milhões da taxa sobre os depósitos. Chumbada esta opção, o governo de Nicosia tenta agora negociar com Moscovo uma ajuda financeira, naquele que seria o primeiro país a recusar um resgate pela zona euro.

Fonte do texto acima: “http://www.dinheirovivo.pt/.

GAZPROM:

A Gazprom aumentou a sua influencia na Presidência de Boris Yelsin, onde se iniciou a sua privatização.

Com Chernomyrdin, primeiro ministro russo, a Gazprom conseguiu evadir- se fiscalmente em larga escala, com o estado a aceitar pouco dinheiro como dividendos. A direção da Gazprom lançou um asset-striping massivo, e a propriedade da Gazprom foi dividida. Alguns dos maiores stripped assets foram transferidos para a controversa corporação Itera. Chernomyrdin e o CEO da Gazprom Rem Viakhirev foram as caras da liderança deste processo.

Depois Putin mudou a situação da Gazprom abrutamente. Putin lançou uma política a que chamava de National Champions, para estabelecer o controlo de estado em empresas estratégicas. Putin substituiu Chernomyrdin e o CEO da Gazprom por Dimitry Medvedev e Alexei Miller. Ao retirar o direito de acesso à Itera aos gasodutos, a Itera quase declarou falência: Como resultado a Itera decidiu vender stolen assets de volta à Gazprom.

Em 2005 o governo Russo fica a liderar a Gazprom com 38% das ações.

Em 2007 a Comissão Europeia lançou um caso anti-trust contra a Gazprom. Bruxelas baseava-se nas preocupações que a Gazprom estivesse a abusar do sua posição de dominante no mercado de fornecimento de gás.

Em 2001 a Gazprom, adquiriu a NTV, televisão independente de Vladimir Gusinsky’s. Em 2002 a Gazprom Media adquiriu todas as acções nas empresas detidas pela Media-Most.

Em 2005 comprou mais de 72% da petrolifera Sibneft (Agora Gazprom Neft). Em 2006 a Gazprom assinou um acordo com a Royal Dutch Shell, Mitsui e Mitsubishi, tomando metade das ações e mais uma na Sakhalin Energy. Em 2007 a TNK-BP subsidiária da BP plc, aceitou vender a sua parte no Kovykta field na Sibéria para a Gazprom, depois das autoridades questionarem a BP sobre os direitos de exportar gás para os mercados fora da Rússia. Os governos da Rússia e da Itália assinaram um memorando de entendimento entre a Gazpçrom e a Eni Spa para cooperar na construção de um gasoduto de 900 km da Rússia para a Europa.

ESPLORAÇÕES DA GAZPROM

Yamal peninsula

Que se espera ser a a região de maior produção de gás natural no futuro.

Shtokman field

Um dos maiores campos de gás natural do mundo, localizado off shore. A Gazprom, Total e a Statoil criaram um empresa conjunta Shotkman Development AG. A produção é esperada para 2015.

EXPORTAÇÕES

A Gazprom entrega gás a 25 países europeus.

ACIONISTAS EM 2006

Russian Federal Agency for Federal Property Managemente

Gazprombank

Rosneftegaz

Gerosgaz

E.ON Ruhrgas

O governo Russo controla 50.002% das acções da Gazprom.

DESPORTO

A Gazprom é proprietária do Zenit St. Petersburg na Rússia. Patrocinadora do Shalke 04. Patrocinador do Red Star Belgrade da Sérvia.

Em 2010 tornou-se parceira da equipa de ciclismo russa, Team Katusha, em aliança com a Itera e a Russian Technologies.

De 2012 a 2015 vai ser a patrocinadora da UFA champions League e da UEFA Super Cup.

Em 2012 tornou-se o parceiro oficial Global Energy do Chelsea até 2015.

Em 2005 a Gazprom entrou em disputa com a Nafgaz sobre os preços do gás na Ucrânia. Em 2008 chegaram a acordo onde decidiram que a Ucrânia iria diretamente receber gás da Rússia e a Nafgaz a única importadora de gás natural vindo da Rússia.

O débito do gás consumido desde 2009 excedeu os 927 milhões de Ucraniana hyvnia.

Em Dezembro de 2009 o presidente da Ucrânia Victor Yuschenko disse. “ A NJSC Naftgaz Ukrain é uma empresa que formalmente não existe, está falida. O primeiro ministro Yulia Tymoshenko formalizou a falência para poder criar um consorcio de transporte com a Rússia.

CENTGAS

Central Asia Gas Pipeline, Ltd. (Centgas) foi um consorcio formado em 1990, para construir o gasoduto Trans-Afghanistan do campo de gás natural de Turkmenistan para o Paquistão.

A Gazprom era um dos consórcios deste grupo, juntamente com Unocal Corporation; Delta oil Company; Governo do Turquestão; ITOCHU Oil exploration Co, Ltd. (CIENO) Japão; Hyundai Engineering and Construction (Coreia do Sul) e Crescent Group (Paquistão).

PORQUE NOS DEVEMOS PREOCUPAR?

A descrição da Gazprom é um excelente exemplo do que representa a globalização. O comercio livre dá direito às corporações privadas ou estatais de comprar os mais básicos direitos humanos, direito à alimentação, energias e saúde, na qual nos forçam a viver, nos obrigam a lutar e a ajudar quem não pode usufruir.

As corporações arranjaram um meio de controlar também a sociedade. Escreveram as responsabilidades ambientais e sociais corporativas. A solidariedade, a partilha o apoio mutuo foram privatizados e substituídos por doação, direitos e acordos beneficiando unilateralmente.

O poder que o controlo sobre esses direitos básicos oferece, provoca guerras, fome, destruição ambiental, sistemas repressivos devido ao looby politico. As crises criadas por eles mesmos são sentidas em todas as democracias e ditaduras. Comunidades evaporam ou perdem os direitos ao seu modo de vida e à proteção dos habitats onde vivem muitas vezes à séculos ou milénios.

Portugal começa a furar para (fracking) on shore e off shore para a sua “independência energética” que se supõe durar  menos de 2 ou 3 décadas. Apesar de nos EUA, por exemplo, tudo ter começado com o mesmo discurso e  com poucas dezenas de poços, em pouco tempo milhares  invadiram cidades e campos. Hoje sérios problemas ambientais e de saúde espalham-se pelos territórios e pelos rios perto dos locais de exploração. Depois de se acabar o gás natural nas reservas ” Portuguesas” a Rússia será um dos principais candidatos a vender gás a Portugal seguido da Argélia e outros países africanos.

Angola, Moçambique, Nigéria, Egito, Congo, Senegal, etc… já venderam direitos de exploração a corporações petrolíferas.

Se queremos um mundo melhor, temos de lutar não pelo “nosso dirigente” mas sim pelo fim das privatizações e depois acabar com a dependência de fontes de energia não sustentáveis.

Fracking, Agricultura e saúde publica.

Retirado do site: Organic Consumers Association, por Alexis Baden-Mayer, 2013

Fracking our Farms: A tale of five farming families”

Fracking e Agricultura : A história de 5 quintas familiares

Nota do autor: “ Num rally em Washington sobre o clima, a certa altura, a nossa faixa “ Cozinha Orgânico, Não o Planeta”  chamou a atenção de um agricultor familiar. Ele aproximou-se . Eu dei-lhe um flyer e disse-lhe como a agricultura orgânica podia ajudar no combate aos gases efeito de estufa ao reduzir os níveis de dióxido de carbono para a atmosfera. Ele disse “ Mas se eles utilizarem o fracking em todo o lado, não vai existir agricultura orgânica.” Mais tarde em casa descobri que havia um numero efervescente de agricultores pelo país contra o fracking. Aqui vão algumas histórias:

Os seus nomes são Carol, Steve & Jackie, Susan, Marilyn & Robert, e Christine. Partilham algo. Dois pontos, atualmente:

  • Todos são ou foram donos de quintas.
  • E essas quintas, junto com a sua própria saúde e dos seus animais, foram arruinadas pelo fracking.

Mais de 600.000 poços de fracking e injeção de desperdícios apareceram por todo o país, de acordo com a ProPublica. A industria do gás e petróleo, juntamente com reguladores federais, querem-te fazer acreditar que injetar triliões de galoons (1 gallons = 3,7 litros) de liquido tóxico, na profundidade da terra é inofensivo.

Mas digam isso a Jacki Schilke de North Dakota, que perdeu 2 cães, cinco vacas e galinhas – e a sua saúde – depois de 32 poços de gás e petróleo aparecerem num limite de 3 milhas (+/-5km) de sua casa. Ou Cristine Moore, uma salvadora de cavalos em Ohio, que vendeu a sua quinta depois de um poço ter sido instalado a 5 milhas de sua casa, criando um fio de petróleo na sua água que a pôs tão doente que ficou impossibilitada de tratar dos seus cavalos.

Com dezenas de milhares de poços e locais de descarga de lixo tóxico, é certo que o fornecimento de comida água, e alimentos contaminados com químicos do fracking será verdade. Enquanto ouvimos falar muito sobre contaminação da água potável, incluindo a captura de agua a nível pessoal em bocas de incêndio, não nos preocupamos com o fracking. Colheitas contaminadas são também veículos para expor o ser humano aos químicos do fracking.

Aqueles que tem a infelicidade de viver perto dos poços podem dizer muito sobre o potencial perigo do químicos do fracking na nossa saúde. Os animais tem a mesma susceptibilidade para doenças que nós, mas porque são mais expostos ao ar, solo e água dos lençóis freáticos sem tratamento , e tem ciclos reprodutivos mais frequentes, exibem as doenças mais rápido, fazendo adivinhar doenças nos humanos. Um estudo revela frequentes mortes em quintas com animais de criação. Os animais que sobrevivem mostram problemas de saúde incluindo infertilidade, defeitos de nascença. Alguns animais desenvolvem anorexia, e falhas no fígado e rins.

O que causa estes problemas? Entre as centenas de químicos tóxicos utilizados no fracking estão arsenio, benzeno, ethylene glycol (anticongelante), formaldehyde, chumbo, tolueno, Uranium-238 e Radium-226.

Os problemas de saúde vão desde, autismo, asma, cancro, doenças do coração, falha dos rins, defeitos de nascença, alergias, e desequilíbrios do sistema imunitário.

Os agricultores reagem

Aqui vão as histórias de 5 agricultores na linha da frente na luta contra o fracking, que partilham as suas histórias  connosco numa tentativa de expor as mentiras que o gás natural é uma “energia limpa”.

Carol Frech, co fundadora da (PLGAS).

A sua quinta está rodeada com 9 poços. No inicio do mês ela postou no Fracking Facebook que perdeu 3 animais em 9 dias. “ Ouvi de outros agricultores com água “modificada” a falarem dos mesmos problemas”, escreveu. Em Dezembro de 2012, Shale Gas Outrage protestou na Filadélfia, Carol disse à multidão, como, em 2 semanas depois da água mudar, a sua filha desenvolveu febre e diarreia que se tornou sangue, Perdeu 10 pounds (+/- 4,5kg)  em 7 dias. Assiste ao discurso da Carol.

Steve e Jacki Schilke;

Existem 32 poços em volta da sua quinta de 160 acres. Que a Jaccki culpa pela perda do seus animais, e perda da sua saúde. Os seus sintomas começaram uns dias depois dos poços serem fracked (fracturados), quando sentiu nos pulmões uma sensação de queimadura que a enviou para as urgências. Depois disso, quando sai à rua no seu rancho, fica tonta e com problemas em respirar. Em certas alturas, com 53 anos Jacki não consegue andar sem muleta, conduzir ou respirar facilmente. Ela avisa os agricultores para não aceitar acordos com os frackers: “ Eles estão aqui para violar esta terra, fazer quanto dinheiro possível e voltar costas o mais rápido possível. Não se importam minimamente com o que estão a fazer. Eles vão à tua propriedade mentir-te nos olhos

Vê a Jacki falar da sua experiência.

Susan Wallace-Babb.

Um dia em 2005, Susan foi ao campo de um vizinho para fechar um regadio. Ela desceu do seu camião, respirou e desmaiou. Mais tarde, procurou respostas, um ajudante de xerife disse-lhe que um tanque cheio de gás natural a menos de meia milha teve uma fuga para outro tanque. Os fumos devem ter sido levados até a propriedade onde trabalhava. Na manhã seguinte quando acordou estava tão doente, que quase não se conseguia mexer. Vomitou compulsivamente e sofreu de diarreia explosiva. Em poucos dias desenvolveu manchas no corpo, depois lesões. Em 2006 modou-se. Em 2007 testemunhou no Congresso sobre a sua saúde devido ao impacto do fracking. Por 3 anos os seus sintomas melhoraram gradualmente, até poder trabalhar no seu jardim e levar a sua rotina normal. Em 2010, a Exxon lançou um projeto num velho campo a 14 milhas (+/- 22,5km) e iniciou o fracking para levá-los a produzir mais. Em meses os sintomas de Susan voltaram.

Assiste ao depoimento de Susan

Marilyn e Robert Hunt.

Donos de uma quinta orgânica de 70 acres, onde criam animais. Quando a Chesapeak Energy lhes disse que queria o direito aos seus minerais, Marilyn fez uma pesquisa e recusou a oferta. Mas isso não parou a Chesapeak Energy que diz no ShaleReporter.com, “ roubar gás de ambos os lados da nossa propriedade”. Em 2010,a Chesapeak recebeu permissão para descarga de produtos tóxicos e despejou-os perto da sua quinta, e nas suas terras. “ A agua começou a ter pequenos flocos brancos, e começamos a ficar doentes”. “perdemos muitos crias dos animais que tiveram problemas intestinais devido à agua. “ Algumas das crias que a sua filha criava morreram de falhas no sistema nervoso, e os que sobreviveram estavam deformados. Interessante notar que os animais que bebiam água da fonte no ponto mais alto da propriedade foram poupados a tais efeitos adversos, levando Marilyn a acreditar que foi a água contaminada pelo fracking que causou os problemas.

Christine Moore.

Cristine e a sua família viviam um sonho de vida no seu centro de recuperação de cavalos. Quando um poço foi aberto a 5 milhas (+/- 5km) da sua casa em 2012, Cristine foi de porta em porta, pedindo aos vizinhos para não dar permissão para fracking. Mas muitos vizinhos maioria Amish e Mennonite não ouviram. Dois meses depois a água ficou estragada. Petróleo vinha com a água que dava aos cavalos e usava na quinta. A água de sua casa que era bombeada do poço e filtrada, começou a dar-lhe problemas de estômago. Enviou os seus cavalos para um centro “Não Matamos”, vendeu a propriedade ao seu vizinho, que de acordo com os registos da Tuscarawas County, tem licença de exploração de petróleo e gás em várias propriedades.

Assiste ao discurso da Christine

Parem o ataque do fracking .

PARA ARTIGOS REALACIONADOS, VISITA:  Environment and Climate Resource Center page.

Vulções de gás natural! ( Zona económica Portuguesa)?

Vulcões de lama com potencial para exploração energética.

Fala-se muito de energias renováveis, sustentáveis e equilibradas ecologicamente. Mas as apostas das corporações, os apoios da UE e a necessidade das universidades continuam a ser em energias fosseis com interesse económico e não cientificamente preocupado com as condições de vida natural do ecossistema em redor dos locais de exploração.

indexPortugal desde 2007 está publicamente marcado como zona de fornecimento de gás natural e petróleo, os cientistas gostam porque tem subsídios, os economistas e políticos apoiam porque lhe dá poder, as corporações investem porque querem rendimento, o povo paga em dinheiro , saúde e nas condições de vida.

Vulcões de lama com hidratos de gás, com potencial para a exploração energética, foram descobertos ao largo da costa portuguesa, entre os Açores e Gibraltar, anunciou a Universidade de Aveiro. Situados a 180 km a sudoeste do Cabo São Vicente e a uma profundidade de 4.500 metros numa extensão de 15 km, os cientistas dizem “ser uma possível, e muito importante, fonte de energia” do futuro. E que a descoberta pode se prolongar para oeste e obter uma extensão maior que aquela que os investigadores já conhecem.

Os vulcões foram encontrados por uma equipa luso-germânica , abordo do navio oceanográfico “Meteor”, participaram os investigadores Vítor Hugo Magalhães, Marina Cunha e Ana Hilário, da universidade de Aveiro. A expedição foi realizada no âmbito do projeto SWIMGLO, uma parceria com a UA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Faculdade de Ciências de Lisboa e o instituto alemão GEOMAR, inserido no programa Helmholtz, e no âmbito do programa Europeu MVSEIS.

Luís Pinheiro, coordenador do projeto de investigação, da Universidade de Aveiro diz “ O facto de encontramos gás ao longo da zona de falha dos Açores-Gibraltar, alarga muito a nossa expetativa de encontrar mais depósitos nessa área”

Luís Pinheiro tem-se dedicado desde 1999 à descoberta de vulcões de lama na margem sul portuguesa e no Golfo de Cádis.

Segundo explica, os hidratos de gás, que formam uma estrutura cristalina entre moléculas de metano e moléculas de água “são um potencial recurso energético futuro porque 1cm3 de hidratos liberta por dissociação cerca de 160 cm3 cúbicos de gás natural. Luís Pinheiro esclarece que a tecnologia para os explorar “está ainda em desenvolvimento, mas caminha no sentido de um dia permitir que os hidratos possam ser explorados tal como se faz hoje com o gás natural.

O sistema de falhas estudado foi originado pela convergência entre placas tectónica africana e euroasiática nos últimos milhões de anos, vai dos Açores até Gibraltar e continua pelo mediterrâneo , mas pensávamos que só no Prisma Acrecionário do Golfo de Cádis é que estava o grosso dos vulcões de lama e das estruturas de escape de fluidos ricos em hidrocarbonetos. O próximo passo é “fazer trabalhos detalhados nessas zonas, explorá-las melhor para ver se existem ou não hidratos e ocorrências de gás em quantidades exploráveis”.

Lembrar que a Zona do Algarve já esta marcada para exploração de gás natural off shore:

NA TERRA E NO MAR

Além da Mohave, cujo negócio é descobrir petróleo – assim que o encontra, vende-o -, outras empresas petrolíferas acreditam no potencial de Portugal para a produção comercial: a Galp, a Partex, a espanhola Repsol, a brasileira Petrobras, e a alemã RWE. Mas estas procuram no mar. O consórcio Petrobras/Galp/Partex tem quatro concessões (blocos) na bacia de Peniche. O da Petrobras/Galp tem três concessões na bacia do Alentejo. O da Repsol/RWE tem duas concessões na bacia do Algarve. Ou seja, em Portugal, neste momento, está a fazer-se pesquisa e prospeção em alguns blocos de quatro bacias sedimentares – Lusitânica, Peniche, Alentejo e Algarve.”

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Amêijoas gigantes nas profundezas

Marina Cunha, investigadora da UA, identificou junto dos vulcões “alguns animais quimiossintéticos (sem energia solar utilizam o metano que exala dos vulcões como fonte de energia), alguns dos quais já conhecidos dos vulcões mais profundos do golfo de Cádis.

“São com amêijoas gigantes. Pensamos tratar-se da mesma espécie que existe ao largo de Angola em zonas quimiossintéticas encontradas próximas de reservas de petróleo e de gás”, explica a bióloga.

Marina Cunha também trouxe ainda provas da existência de campos de Frenulata, vermes que estão ligados ao escape de fluídos junto dos vulcões de lama. “A densidade destas comunidades levam-nos a crer que a zona seja particularmente ativa em termos de emissões de gás.”

Àgua de Fogo? Ou Contaminação?

Jesse e Amee Ellsworth vivem em Fort Lepton no Colorado e existe tanto gás natural nas suas águas, que é possível abrir a torneira e por a água a arder. Isto deve-se à fuga de gás de um poço perto à mais de 6 meses. O casal está aterrorizado. A sua água foi analisada e foi encontrado grandes concentrações de gás natural.

Video: http://www.youtube.com/watch?v=4ApZkNsXfJE

Amee diz que as suas primeiras suspeitas iniciaram com o nível de pressão das águas. Testes encontraram níveis explosivos de gás na sua cave, casa de banho e no seu poço de água. A sua casa fica numa zona rural perto de 8 poços de gás natural.

A The colorado Oil and Gas Comission diz que tentou encontrar a origem da fuga. O diretor Dale Neslin diz: “procuramos nos relatórios, em amostras de gás, testes de pressão e não encontrámos o poço que perece estar a causar problemas.

Os Ellsworths dizem que procuraram a Noble Energy e a Anadarko Petroleum – as duas empresas que operam os poços perto – e suplicaram por ajuda. As empresas de principio recusaram fazer alguma coisa. Mas com a pressão da Comissão, aceitaram instalar um equipamento para tratar as águas na casa dos Ellsworths.

Amee ainda está preocupada. Pergunta-se quantos casos haverá como o dela. “Precisamos que façam algo por nós, mas, também precisamos de saber até onde pode ir este problema”. Amme diz ter desenvolvido problemas de saúde e está a fazer testes para determinar se o gás natural é o culpado”.

Entretanto, a Oil and Gas Comission continua à procura da fuga. Não é a primeira vez que gás natural “foge” para as fontes de água. Existem 38 mil poços no Colorado e existem vários casos de fugas de gás natural para fontes de água caseiras nos últimos 10 anos.

 Apesar de não reconhecerem as suas culpas as empresas fornecem água ao casal

Amme diz acreditar no bom das pessoas e acredito que isto se vai resolver da melhor forma. Vai-se defender a lutar até ao fim. “as pessoas não conseguem perceber como estamos a ser destruídos por atos egoístas. Ninguém deve passar por aquilo que passei, chorar por ajuda às corporações e ouvir um Não”.

Infelizmente os Ellsworth não são os únicos. Renee McClure descobriu que a sua água também é inflamável, quando teve uma explosão em casa.

Renne diz: “Quero saber se estamos alvos”. Tenho medo que a minha família tenha bebido água contaminada por anos.”

Renne queixa-se de dores de cabeça constantes. Nas análises da sua água foi encontrado Triclorobenzeno.

 

 

Politicas públicas no Horizonte 2013 relativas à Energia

Em 2003 traçaram.-se as primeiras linhas políticas para a introdução do Gás Natural em Portugal.

Este tema devia ser conduzido pelas políticas ambientais, mas não, é o Instituto Superior de Economia e Gestão que conduz a formulação de políticas relativas à energia. Tudo em nome do Desenvolvimento Regional ( desde as regiões portuguesas que vão “usufruir” do investimento em novas fontes de energia como o gás natural, até a Região da Europa, chamada Portugal que é grande cliente do mercado de energias fósseis a corporações Europeias a explorar em África e em Países europeus.

As políticas mundiais para fornecimento e segurança energética vão piorar as condições ambientais, económicas e de saúde, já que os seus propósitos são:  continuar a investir em energias fósseis, nucleares, deixando  espaço para o estudo e introdução de energias renováveis, mas sempre em segundo plano.

A quase total dependência do gás natural foi reforçada com as políticas de introdução do gás no fornecimento caseiro em 2007.

Na altura  (2005), as políticas públicas no Horizonte 2013 já tinham as mãos e os bolsos na extração e comercio de gás natural pela técnica de Fracking. Não reconhecem os erros do passado e querem tornar o gás como a fonte principal de energia elétrica e combustível de transporte do mundo. Primeiro está o assegurar da segurança de abastecimento, com a liberalização do mercado. No meio, vários objetivos falhados como, redução da fatura energética, segurança do abastecimento e aprovisionamento.

Porque as corporações não conseguem ser lucrativas sem petróleo, carvão, gás natural, fuelóleo, etc.. sem destruição. Até as energias renováveis, necessitam de energias fósseis para existir. Até porque se olhar bem, as corporações de petróleo ou um banco ou outro controlam o mercado das energias renováveis. A minimização do impacto social é fachada, desde 2003 até hoje as condições climatéricas, e as doenças tem aumentado devido às necessidades energéticas do mercado.

O tratado de Quioto já não faz sentido, mas foi alargado até 2020, apesar dos países que mais poluem e mais pressionam para o mercado da indústria petrolífera estarem no topo, nunca o terem assinado ou o terem  abandonado como o Canadá, EUA, e China que são os verdadeiros interessados na exploração de gás natural juntamente coma  Rússia.

As energias renováveis nunca estão no top 3 das prioridades da UE, fica sempre atrás da eficiência energética e do funcionamento do gás, perto está sempre o reforço da energia nuclear.

A industria consume 32% da energia final, mais os transportes que fazem parte da industria e dos aparelhos a gás que fazem parte da industria pouco sobra para a população ser culpada do que se passa no mundo devido às más políticas energéticas, como fazem parecer as campanhas, colóquios e julgamentos de corporações e comunidade cientifica. O governo nunca fez frente à penetração da industria das energias, barragens, carvão, energia nuclear e agora extração de gás natural. Os impactos ambientais, a violação dos direitos dos animais e dos diretos humanos são inferiorizados devido às necessidades políticas europeias.

Criaram-se subsídios estatais para as empresas, instalou-se a dependência do gás natural, criaram-se grupos de estudo, implementação e defesa da industria do petróleo e gás. O preço sobe para a população mais desfavorecida, as condições de armazenamento e transporte só recebem apoio se forem grandes empresas.

Os milhões investidos nas corporações, na criação de grupos políticos, científicos e tecnológicos saíram em grande parte dos bolsos dos contribuintes. Em Portugal já não existem empresas de energia estatais, agora com a papa quase feita, com as corporações a imporem as suas resoluções para os problemas do mundo, as corporações de energia estão a voltar todas para as mãos de privados, aumentando o seu poder sobre nós. Pagamos subsídios a empresas milionárias, pagamos a políticos corruptos, pagámos biliões para a REN, EDP GALP e outras e hoje o lucro delas continua a ser pago por nós.

A extração de gás natural não é para o bem do povo, mas sim para o poder das corporações e manutenção do seus servidores. Retirámos excertos de um relatório do Instituto Superior de Economia e Gestão para acompanharmos o lobbing da industria do gás desde 2003  até ao ano presente:

Ver: Politicas de energia 2003- 2013

O relatório official completo feito para a Direção-Geral do Desenvolvimento Regional  pode ser visto aqui. aconselhamos a sua leitura. Podes identificar as mentiras, as falhas e a falsa politica popular. O pódio das empresas, o bem dos governantes o mal do povo e a forte dependência da economia na continuação das energias fósseis. O eterno segundo plano das energias renováveis e perceber melhor o que é o negócio da captura de Carbono e aproveitamento de sub produtos: http://www.qca.pt/fundos/download/2007_13/07_ENERGIA.pdf

Tentaremos mais tarde apresentar a nossa visão do relatório de 2007… Ano em que tudo começou no terreno e o ano em que as corporações internacionais tiveram as portas abertas para começar a sua penetração para extrair gás natural em Portugal… Até lá…