Oeste/petróleo; Alenquer

Oeste/Petróleo:Norte-americanos ultimam montagem de plataforma para iniciarem prospecções em Alenquer – C/FOTOS

A plataforma, acabada de construir na China e que só para ser transportada para Portugal envolveu um custo de um milhão de dólares, vai perfurar 2.500 metros de profundidade na expectativa de encontrar reservas rentáveis de petróleo.

A montagem dos equipamentos está a ser feita por técnicos ingleses, sobretudo mecânicos e electricistas, na Serra da Galega (junto ao lugar de Lapaduços na freguesia de Vila Verde dos Francos). O local é o mesmo onde em 2005 decorreram as primeiras prospecções, mas dessa vez de apenas 800 metros de profundidade, informou hoje David Jackman, director operacional da Mohave Oil & Gás Corporation.

“Esperamos obter melhores resultados desta vez. Acreditamos que há petróleo nesta área e se houver pensamos que será possível produzi-lo a partir dessa profundidade”, adiantou David Jackman.

A montagem da plataforma no cimo da serra, que apenas co-habita com um antigo moinho de vento, característico da paisagem da região Oeste e que ainda funciona, obrigou ao alargamento dos acessos ao local, explicou por seu lado o presidente da Câmara de Alenquer, Álvaro Pedro.

“Deram apenas conhecimento à Câmara de que iam começar a obra e estão legalizados para este efeito”, afirmou o autarca.

“Se encontrarem petróleo será bom para o país. Penso que se decidiram voltar ao local é porque têm essa expectativa”, disse Álvaro Pedro.

A instalação da plataforma estava hoje nas últimas afinações visto ser um equipamento novo que irá operar pela primeira vez. Os trabalhos só não se iniciaram mais cedo porque alguns equipamentos necessários para operar na plataforma ainda se encontram no porto de Lisboa. A existência de petróleo nesta zona límitrofe do concelho de Alenquer com o de Torres Vedras não é rara para os agricultores locais que, quando procuram água encontram vestígios de petróleo, e chegam telefonar para a empresa a contar os achados.

Segundo o previsto pela empresa, os trabalhos de perfuração vão decorrer durante 28 dias e serão acompanhados em permanência por um geólogo e por um especialista em prospecção de petróleo que farão as análises às amostras do solo recolhidas à medida que avance a perfuração. Após a perfuração deste local, a plataforma seguirá até Aljubarrota no concelho de Alcobaça, o outro local onde a empresa tem expectativas de encontrar gás natural.

Há 15 anos em Portugal a efectuar estudos, e embora dependente do sucesso destas operações, a empresa deverá ainda manter-se em solo português “por um período considerável para estudar todas as possibilidades” de encontrar reservas de hidrocarbonetos (petróleo ou gás natural), disse o director operacional da Mohave.

A empresa opta por não lançar para já qualquer estimativa em termos de quantidades que poderão ser encontradas em Portugal.

“O facto de continuarem [em Portugal] significa que têm tido resultados animadores e que têm fortes expectativas, fundadas nos estudos efectuados ao longo dos anos”, acrescentou por seu lado Vasco Taborda, representante da empresa no país.

Vasco Taborda afirmou ainda à Lusa que a empresa já investiu mais de 40 milhões de euros em estudos na busca de hidrocarbonetos. A empresa obteve a concessão do Estado para estudar quatro zonas no país situadas entre a zona Oeste (desde Torres Vedras) a Figueira da Foz.

Após obterem a licença para efectuar as pesquisas segue-se a negociação com os proprietários privados para a utilização dos terrenos podendo ser desde a simples autorização de passagem até ao aluguer de terras por períodos de seis meses a um ano como acontece em Lapaduços.

Mesmo não estando ainda a decorrer a perfuração do solo são já muitos os curiosos que passam no local, sobretudo aos fins de semana, chegando inclusivamente a deslocar-se até ali de táxi, contou um outro responsável da empresa.

Apesar das expectativas das populações, David Jackman, disse à Lusa que a “A probabilidade não é assim tão elevada, é de um para 10”.

“Tivemos geólogos e geofísicos a trabalhar connosco mas não sabemos o que vamos encontrar”, disse David Jackman, um neozelandês que, antes de Portugal, trabalhou em países como o Sudão, Indonésia, Dubai, Tailândia, Filipinas, Malásia ou Birmânia.

Mais afastados de Lapaduços e já nos concelhos de Torres Vedras e Mafra decorrem outro tipo de operações. Denominam-se “sísmicas” e destinam-se a desenhar um mapa do sub-solo. Os estudos estão a ser coordenados pela empresa Seis Prós e contam com o apoio das câmaras municipais e juntas de freguesia. A Seis Prós é pioneira nesta área utilizando tecnologia 3D para desenvolver projectos em países africanos, da América Latina e nos Estados Unidos da América.

Os técnicos que andam nos terrenos informam os proprietários que estão a realizar um estudo geofísico para a elaboração de mapas de subsolo. Para isso espalham quilómetros de fios eléctricos que atravessam ruas, casas e aldeias.

“O objectivo é reflectir uma pancada no solo que transmite uma onda e é essa ‘voz’ de retorno que é estudada” e que dará aos técnicos a informação sobre se estarão perante uma zona compacta ou não, explicou Vasco Taborda.

Estes trabalhos abrangem as freguesias de Mafra, Ericeira, Encarnação, Santo Isidoro e Sobral da Abelheira, no concelho de Mafra e Freiria, Ventosa, São Pedro da Cadeira, Silveira, Ponte de Rol e Santa Maria, no concelho de Torres Vedras.

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