Peniche e Petroleo

Um consórcio liderado pela petrolífera brasileira Petrobras, no qual participam as portuguesas Galp e Partex, deverá assinar com o Estado português no proximo mês de Maio, um contrato para a pesquisa e exploração de quatro blocos de petróleo na costa portuguesa, mas especificamente na bacia de Peniche.

Segundo noticia hoje o ‘Diário de Notícias’, o investimento a realizar nos próximos oito anos poderá ascender a 400 milhões de euros (M€), e implicará perfurações obrigatórias nas quatro zonas a explorar. O consórcio é constituído em 50% pela brasileira Petrobras, que ficará responsável pelas operações, e as portuguesas Galp com 30% e Partex com 20%.

Este contrato é semelhante ao que foi assinado em Fevereiro com um outro consórcio liderado pela australiana Hardman Resources, do qual fazem também parte as duas petrolíferas portuguesas, para a prospecção de três blocos na Costa Vicentina, num investimento que poderá chegar aos 300 milhões de euros.

Deste modo, o investimento total para prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos em Portugal poderá superar os 700 milhões de euros. Em declarações ao DN, na altura da assinatura do contrato com o referido consórcio em Fevereiro, o director-geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto, havia afirmado que “para cada bloco estão previstos dois furos obrigatórios e o custo de cada um ronda os 50 milhões de dólares (36,81 milhões de euros)”. Ainda segundo a mesma notícia, caso seja descoberto petróleo com valor comercial, o Estado ficará com 7% das receitas por barril de crude produzido

.NA TERRA E NO MAR

Além da Mohave, cujo negócio é descobrir petróleo – assim que o encontra, vende-o -, outras empresas petrolíferas acreditam no potencial de Portugal para a produção comercial: a Galp, a Partex, a espanhola Repsol, a brasileira Petrobras, e a alemã RWE. Mas estas procuram no mar.

O consórcio Petrobras/Galp/Partex tem quatro concessões (blocos) na bacia de Peniche. O da Petrobras/Galp tem três concessões na bacia do Alentejo. O da Repsol/RWE tem duas concessões na bacia do Algarve. Ou seja, em Portugal, neste momento, está a fazer-se pesquisa e prospeção em alguns blocos de quatro bacias sedimentares – Lusitânica, Peniche, Alentejo e Algarve.

Em Peniche, desde 2007, altura em que os contratos foram assinados com o governo português, foram realizadas campanhas sísmicas a duas e três dimensões. A última decorreu em 2010, em áreas selecionadas dentro dos blocos de três mil quilómetros quadrados. «O resultado desses dados ainda é desconhecido. Acabaram de ser processados por uma empresa especializada, a WesternGeco, sob a orientação da operadora do consórcio, a Petrobras.» Fernando Barata Alves, membro da comissão executiva da Partex Oil & Gas, espera que «dentro em breve, os dados processados estejam disponíveis para serem interpretados». Até à data, o consórcio investiu 65 milhões de dólares (quase cinquenta milhões de euros). Enquanto não forem interpretados os resultados da informação sísmica, Fernando Barata Alves não arrisca avançar os valores do investimento futuro: «Tudo depende desses dados. Ou furamos ou não furamos. Se decidirmos furar, e se acharmos petróleo, investiremos muitos, muitos mais milhões.» Mas tendo em conta os indicadores positivos de estudos geológicos já realizados, que «apontam para a existência de estruturas grandes» na bacia de Peniche, o responsável da Partex e especialista em petróleo acredita que «o primeiro furo» do consórico Petrobras/Galp/Partex «será em 2013». É isso, de resto, que está estabelecido no contrato de concessão, caso a decisão seja positiva.

Na bacia do Alentejo, o consórcio Petrobras/Galp reiniciou a aquisição sísmica no princípio deste mês. Significa que, ao largo da costa, entre Sines e Sagres, um navio tem estado a ecografar as profundezas do subsolo marinho. «Todo o trabalho que realizámos nos últimos cinco anos, após a assinatura dos contratos, consiste em prospeção pura», diz Elsa Azevedo e Silva, da Galp, parceira da Petrobras neste consórcio. «Fizemos sísmica a 2D, a que se seguiu o processamento, análise e interpretação dos dados, e depois a sísmica a 3D, no ano passado, que tivemos de interromper devido à forte ondulação do mar. Retomámos há pouco tempo esse levantamento e agora temos de aguardar pelos dados.» Os indicadores são suficientemente aliciantes para a geofísica e cientista sénior manter o otimismo. «O facto de termos uma bacia sedimentar e de haver provas de que existe um sistema petrolífero ativo em Portugal são fatores de esperança.» O primeiro poço está previsto para o ano que vem.

O consórcio Repsol/RWE assinou contrato para a prospeção em dois blocos na bacia do Algarve em Outubro de 2011, no âmbito do qual, segundo dados da DPEP (Divisão para a Pesquisa e Exploração de Petróleo), terá de fazer a aquisição sísmica a 3D no decorrer deste ano. A operadora, a Repsol, diz apenas que «os trabalhos estão em curso e a decorrer conforme o previsto no programa», recusando-se a prestar mais declarações.

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